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Revista M&T - Ed.305 - Julho de 2026
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COLUNA DO YOSHIO

Um novo interlocutor para antigas questões

"Como um interlocutor sempre disponível, a Inteligência Artificial passa a exercer um papel novo e valioso, ampliando a possibilidade de diálogo, investigação e aprendizado.”

Atualmente, já não passamos um dia sem receber novos estímulos sobre o avanço da Inteligência Artificial (IA) e suas aplicações nos negócios, na vida profissional e no cotidiano. Abruptamente, o tema deixou de ser apenas tecnológico e passou a fazer parte das conversas sobre produtividade, estratégia, educação, criatividade e tomada de decisão.

De fato, muitas tarefas se tornaram mais fáceis e rápidas de realizar com o apoio da IA. Hoje, é possível planejar uma viagem, organizar um roteiro, comparar alternativas, levantar informações, estruturar apresentações, revisar textos, resumir documentos, analisar dados e acelerar processos que antes exigiam muito tempo ou apoio e


"Como um interlocutor sempre disponível, a Inteligência Artificial passa a exercer um papel novo e valioso, ampliando a possibilidade de diálogo, investigação e aprendizado.”

Atualmente, já não passamos um dia sem receber novos estímulos sobre o avanço da Inteligência Artificial (IA) e suas aplicações nos negócios, na vida profissional e no cotidiano. Abruptamente, o tema deixou de ser apenas tecnológico e passou a fazer parte das conversas sobre produtividade, estratégia, educação, criatividade e tomada de decisão.

De fato, muitas tarefas se tornaram mais fáceis e rápidas de realizar com o apoio da IA. Hoje, é possível planejar uma viagem, organizar um roteiro, comparar alternativas, levantar informações, estruturar apresentações, revisar textos, resumir documentos, analisar dados e acelerar processos que antes exigiam muito tempo ou apoio especializado.

No entanto, há outro campo – talvez mais profundo – no qual a IA também oferece uma contribuição relevante: a evolução do conhecimento, do raciocínio e da capacidade de reflexão. Grande parte do nosso aprendizado ocorre pela troca de ideias com pessoas experientes e bem-informadas. Bons interlocutores ajudam a ampliar horizontes, testar hipóteses e rever conceitos. O problema é que nem sempre essas pessoas estão disponíveis quando precisamos.

Muitas dúvidas surgem de forma espontânea, a partir de leituras, notícias, reuniões ou inquietações pessoais ainda não totalmente formuladas. Nesse ponto, a IA passa a exercer um papel novo e valioso, pois não substitui a experiência humana, a sensibilidade dos bons conselheiros ou a riqueza das relações pessoais, mas amplia a possibilidade de diálogo, investigação e aprendizado. Na prática, funciona como um interlocutor sempre disponível, capaz de organizar informações, sugerir caminhos, apresentar contrapontos e transformar dúvidas vagas em perguntas mais claras. O aprendizado deixa de ser apenas uma busca por respostas prontas e passa a ser uma forma de expandir o próprio pensamento.

No ambiente dos negócios, os efeitos positivos podem ser muito relevantes. Executivos, conselheiros, empreendedores e profissionais de diferentes áreas podem usar a IA não apenas para ganhar eficiência operacional, mas também para melhorar a qualidade da análise estratégica. A tecnologia pode apoiar a preparação de reuniões, a avaliação de cenários, a análise de concorrentes, a construção de planos de ação e a antecipação de riscos.

Naturalmente, esse avanço exige cuidado, discernimento e responsabilidade. A IA não deve ser tratada como fonte absoluta de verdade, nem como substituta do julgamento humano. Cada vez mais, torna-se importante formular boas perguntas, verificar informações e aplicar o conhecimento com senso crítico. Ainda assim, a perspectiva é positiva. A IA poderá nos ajudar a pensar melhor, aprender mais rápido, organizar ideias e ampliar nossa capacidade de compreender fenômenos complexos.

No limite, pode elevar o nível das conversas, qualificar decisões e criar formas de colaboração entre as pessoas e a tecnologia. Por isso, a grande questão talvez não seja apenas o que a IA pode fazer por nós, mas o que seremos capazes de melhorar com ela.

*Yoshio Kawakami
é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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