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Revista M&T - Ed.285 - Julho 2024
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COLUNA DO YOSHIO

Os aprendizados das catástrofes

"Resta saber se dos atuais sofrimentos e prejuízos – humanos e materiais – das enchentes no Sul surgirá um aprendizado capaz de proteger as vidas expostas ao mesmo risco no futuro.”

O fim-do-ano ainda está muito longe, certo? No entanto, já tivemos muitos fatos que certamente marcarão o ano de forma particular. Apesar de que, nos dias de hoje, as lembranças dos anos que passam sejam sempre um tanto vagas e fluidas.

Com tantas notícias preenchendo continuamente o nosso tempo, torna-se cada vez mais difícil identificar um determinado ano através das notícias.

Porém, muitos se lembrarão do ano em que a guerra entre Israel e Hamas começou, a guerra entre Ucrânia e Rússia continuou, os EUA transformaram a eleição presidencial numa confusão sem precedentes e a Índia elegeu Modi pela terceira vez.

No Brasil, as lembranças de 2024 infelizmente remeterão às inesperadas e catastróficas enchentes no Rio Grande do Sul.

Apesar das vidas perdidas e prejuízos sofridos, é certo que aos poucos as pessoas voltarão aos seus lares e reconstruirão suas vidas, recuperando o que for possível.

No entanto, inevitavelmente haverá escolha para alguns e falta de escolha para outros. E, se os intervalos entre as enchentes forem tão grandes quanto de 1941 a 2024, o risco se tornará distante do dia a dia das pessoas, de modo que o sofrimento será diluído na memória com o passar do tempo.

Talvez enchentes sejam um pouco mais previsíveis do que tsunamis, mas suas consequências também são terríveis.

Há 20 anos, houve o terremoto em Sumatra e o tsunami na Indonésia. Com um rastro de destruição e mortes, o fato foi amplamente noticiado no dia 26 de dezembro de 2004.

Um fato curioso, descoberto mais tarde, indicou que uma ilha com 75 mil habitantes a 150 km do epicentro do terremoto em Sumatra só havia registrado 7 vítimas fatais do tsunami.

Epicentro do sismo com magnitude 9,3, a ilha indonésia de Pulau Simeulue já havia perdido milhares de vidas em 1907 e, desde então, toda população entoa uma canção ensinando que, após um for


O fim-do-ano ainda está muito longe, certo? No entanto, já tivemos muitos fatos que certamente marcarão o ano de forma particular. Apesar de que, nos dias de hoje, as lembranças dos anos que passam sejam sempre um tanto vagas e fluidas.

Com tantas notícias preenchendo continuamente o nosso tempo, torna-se cada vez mais difícil identificar um determinado ano através das notícias.

Porém, muitos se lembrarão do ano em que a guerra entre Israel e Hamas começou, a guerra entre Ucrânia e Rússia continuou, os EUA transformaram a eleição presidencial numa confusão sem precedentes e a Índia elegeu Modi pela terceira vez.

No Brasil, as lembranças de 2024 infelizmente remeterão às inesperadas e catastróficas enchentes no Rio Grande do Sul.

Apesar das vidas perdidas e prejuízos sofridos, é certo que aos poucos as pessoas voltarão aos seus lares e reconstruirão suas vidas, recuperando o que for possível.

No entanto, inevitavelmente haverá escolha para alguns e falta de escolha para outros. E, se os intervalos entre as enchentes forem tão grandes quanto de 1941 a 2024, o risco se tornará distante do dia a dia das pessoas, de modo que o sofrimento será diluído na memória com o passar do tempo.

Talvez enchentes sejam um pouco mais previsíveis do que tsunamis, mas suas consequências também são terríveis.

Há 20 anos, houve o terremoto em Sumatra e o tsunami na Indonésia. Com um rastro de destruição e mortes, o fato foi amplamente noticiado no dia 26 de dezembro de 2004.

Um fato curioso, descoberto mais tarde, indicou que uma ilha com 75 mil habitantes a 150 km do epicentro do terremoto em Sumatra só havia registrado 7 vítimas fatais do tsunami.

Epicentro do sismo com magnitude 9,3, a ilha indonésia de Pulau Simeulue já havia perdido milhares de vidas em 1907 e, desde então, toda população entoa uma canção ensinando que, após um forte abalo sísmico, todos devem correr para as colinas e fugir do “Semong”, palavra local para tsunami.

Considerando-se que a natureza é imprevisível e difícil de ser dominada, resta saber se dos atuais sofrimentos e prejuízos – humanos e materiais – das enchentes no Sul surgirá um aprendizado capaz de proteger as vidas expostas ao mesmo risco no futuro.

Afinal, as previsões de especialistas, os cálculos de engenheiros e gestão pública podem não ser suficientes para prevenir eventos (ainda) tão esporádicos quanto devastadores.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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