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Revista M&T - Ed.276 - Agosto 2023
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COLUNA DO YOSHIO

A redução populacional nas cidades

Uma das principais preocupações atuais quando se fala em urbanismo, o impacto da redução populacional pode se acentuar, trazendo novos desafios para o setor da construção

Em muitos países no mundo, uma das principais preocupações atuais quando se fala em urbanismo é a queda do crescimento populacional. Em algumas regiões, inclusive, o problema já evoluiu para um estado de alerta com a redução populacional absoluta.

Historicamente, quando os governos tomam decisões para incentivar o incremento do número de filhos ou o casamento entre os jovens, é sinal de que estamos diante de uma situação bastante complicada.

Aparentemente, poucos já se detiveram para refletir sobre as consequências de uma redução populacional, além do impacto econômico mais evidente. Todavia, os efeitos da redução populacional já são visíveis em alguns desses países.

Recentemente, em uma viagem à Kushiro, na ilha de Hokkaido, no norte do Japão, pude constatar que o centro da cidade se tornou uma área despovoada de moradores e absolutamente abandonada por estabelecimentos comerci


Em muitos países no mundo, uma das principais preocupações atuais quando se fala em urbanismo é a queda do crescimento populacional. Em algumas regiões, inclusive, o problema já evoluiu para um estado de alerta com a redução populacional absoluta.

Historicamente, quando os governos tomam decisões para incentivar o incremento do número de filhos ou o casamento entre os jovens, é sinal de que estamos diante de uma situação bastante complicada.

Aparentemente, poucos já se detiveram para refletir sobre as consequências de uma redução populacional, além do impacto econômico mais evidente. Todavia, os efeitos da redução populacional já são visíveis em alguns desses países.

Recentemente, em uma viagem à Kushiro, na ilha de Hokkaido, no norte do Japão, pude constatar que o centro da cidade se tornou uma área despovoada de moradores e absolutamente abandonada por estabelecimentos comerciais e empresas.

Lá, há muito mais portas fechadas – com o aviso de “suspensão temporária” das atividades – que estabelecimentos em funcionamento. São diversas quadras sem qualquer sinal de vida durante o dia.

Sabe-se que a cidade sofreu uma perda gradual de população em poucos anos, caindo de um pico de 190 mil habitantes em 2008 para 165 mil em 2020. É bastante evidente que a principal causa disso tem sido a emigração por motivos econômicos.

A forte queda da produção de carvão consta como uma das principais causas da situação, assim como a redução da produção de pesca também contribuiu para a redução da população local.

Em uma análise superficial, pode-se argumentar que “são apenas 25 mil habitantes a menos”, mas na verdade são mais de 13% de perda com consequências penosas para a sociedade.

De fato, alguns efeitos observados atualmente incluem desinteresse da população pelas áreas abandonadas, especialmente os jovens, o que reduz investimentos na cidade, aumento dos riscos à segurança nas áreas antigas, onde se instalam poucas atividades noturnas, principalmente serviços de entretenimento adulto, rápida deterioração dos edifícios e pavimentos e perda de arrecadação para o município, que se vê obrigado a manter gastos com iluminação, limpeza e abastecimento para poucos.

Além disso, há dificuldades de se desenvolver qualquer ação pública para recuperação da área envolvendo propriedades privadas. Enfim, o impacto da redução populacional produz uma situação de difícil solução para a sociedade local, com um custo adicional elevado.

Vários municípios têm se consolidado em torno das cidades maiores, reduzindo-se o número de prefeituras para proporcionar melhores condições de gestão pública.

Trata-se de um problema ainda pouco visto no Brasil, à exceção de pequenos povoados em áreas rurais afetados pelos efeitos da urbanização. No entanto, o impacto da redução populacional pode se acentuar, trazendo novos desafios para o setor da construção, em um futuro nem tão distante assim.


Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema.

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