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14 de junho de 2021
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Coluna do Yoshio

A natureza do mundo dos negócios

"Não se deve projetar os negócios como uma linha reta em direção ao futuro, pois a alternância dos ciclos é o modelo da natureza também no mundo empresarial."

Aprendemos nas escolas e na vida que os negócios são processos essencialmente cíclicos. Isto quer dizer que há momentos em que as coisas se tornam muito difíceis, por vezes desesperadoramente inviáveis. E nem sempre entendemos o que aconteceu ou porque enfrentamos essas dificuldades, que teimam em se materializar à nossa frente como uma gigantesca onda, surgida do nada.

Em outros momentos, ao contrário, os negócios fluem inesperadamente. Nessas ocasiões, tampouco percebemos plenamente tudo o que mudou e como os problemas se foram, quase que magicamente. Embora muitos possam discordar, isso acontece quando os ciclos dos negócios favorecem a atividade.

Mas estamos vivendo ambas as situações simultaneamente, dependendo do negócio em que estamos. Para alguns setores, a composição mágica tem como ingredientes os juros baixos (que fazem muitos clientes investirem em seu próprio negócio), as despesas operacionais baixas (em decorrência das limitações das atividades) e as demandas elevadas (em função de recursos extras injetados no mercado).

Os juros baixos eram esperados, mas todas as suas consequências ainda não haviam sido projetadas. Hoje, o desafio é atender à demanda e ajustar a estrutura para as novas necessidades. Do lado prejudicado, os mesmos fatores podem ser responsáveis pela miséria causada, associados a outros fenômenos inesperados – como o câmbio elevado e a dificuldade de converter a alta demanda em resultados financeiros, por escassez de componentes e matéria-prima.

Um aspecto inusitado é que as duas situações podem fazer parte de uma mesma cadeia de suprimentos para o mercado. Enquanto os negócios que estão em fase privilegiada da cadeia gozam a fortuna inesperada, os que estão na fase prejudicada sofrem agruras imprevistas.

A inusitada situação é chocante, tanto pela rapidez com que se formou como pela causa inesperada que a gerou. Resta o alento de que, como diz o ditado, não há bem que dure para sempre nem mal que nunca se acabe. Como parte da natureza dos negócios, o r


Aprendemos nas escolas e na vida que os negócios são processos essencialmente cíclicos. Isto quer dizer que há momentos em que as coisas se tornam muito difíceis, por vezes desesperadoramente inviáveis. E nem sempre entendemos o que aconteceu ou porque enfrentamos essas dificuldades, que teimam em se materializar à nossa frente como uma gigantesca onda, surgida do nada.

Em outros momentos, ao contrário, os negócios fluem inesperadamente. Nessas ocasiões, tampouco percebemos plenamente tudo o que mudou e como os problemas se foram, quase que magicamente. Embora muitos possam discordar, isso acontece quando os ciclos dos negócios favorecem a atividade.

Mas estamos vivendo ambas as situações simultaneamente, dependendo do negócio em que estamos. Para alguns setores, a composição mágica tem como ingredientes os juros baixos (que fazem muitos clientes investirem em seu próprio negócio), as despesas operacionais baixas (em decorrência das limitações das atividades) e as demandas elevadas (em função de recursos extras injetados no mercado).

Os juros baixos eram esperados, mas todas as suas consequências ainda não haviam sido projetadas. Hoje, o desafio é atender à demanda e ajustar a estrutura para as novas necessidades. Do lado prejudicado, os mesmos fatores podem ser responsáveis pela miséria causada, associados a outros fenômenos inesperados – como o câmbio elevado e a dificuldade de converter a alta demanda em resultados financeiros, por escassez de componentes e matéria-prima.

Um aspecto inusitado é que as duas situações podem fazer parte de uma mesma cadeia de suprimentos para o mercado. Enquanto os negócios que estão em fase privilegiada da cadeia gozam a fortuna inesperada, os que estão na fase prejudicada sofrem agruras imprevistas.

A inusitada situação é chocante, tanto pela rapidez com que se formou como pela causa inesperada que a gerou. Resta o alento de que, como diz o ditado, não há bem que dure para sempre nem mal que nunca se acabe. Como parte da natureza dos negócios, o reequilíbrio deve ser buscado para prevenir-se para o futuro ou, ao menos, alimentar a esperança de dias melhores.

Por mais que seja desejável, não se deve projetar os negócios como uma linha reta em direção ao futuro. Deve-se antes considerar que a alternância dos ciclos é o modelo da natureza também no mundo dos negócios.

Para todos os efeitos, é de bom tom ser precavido, sempre.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema