Por vezes, a função de um prosaico guarda-chuva traz uma analogia muito interessante em termos de estratégia de negócios e de países. Na geoestratégia global atual, tornou-se muito clara a noção de que os EUA, com a sua política comercial multilateralista, servia como um “guarda-chuva” não apenas para seus aliados militares, mas também para a chamada “nova ordem econômica mundial”.
Até então, as regras eram claras para todos, como diz o bordão que virou clichê, e o acesso ao clube era razoavelmente democrático. No mundo pós-Trump, todavia, o mundo perdeu essa proteção e se mantém entre o saudosismo do instrumento e a busca de “novas regras” em meio a um processo acelerado de transformação.
No mundo dos negócios, especialmente no mundo de “máquinas amarelas”, a analogia do “guarda-chuva” também pode ser aplicada para a compreensão das estruturas de mercado, que atualmente se encontra bastante

Por vezes, a função de um prosaico guarda-chuva traz uma analogia muito interessante em termos de estratégia de negócios e de países. Na geoestratégia global atual, tornou-se muito clara a noção de que os EUA, com a sua política comercial multilateralista, servia como um “guarda-chuva” não apenas para seus aliados militares, mas também para a chamada “nova ordem econômica mundial”.
Até então, as regras eram claras para todos, como diz o bordão que virou clichê, e o acesso ao clube era razoavelmente democrático. No mundo pós-Trump, todavia, o mundo perdeu essa proteção e se mantém entre o saudosismo do instrumento e a busca de “novas regras” em meio a um processo acelerado de transformação.
No mundo dos negócios, especialmente no mundo de “máquinas amarelas”, a analogia do “guarda-chuva” também pode ser aplicada para a compreensão das estruturas de mercado, que atualmente se encontra bastante abalada para indústrias e distribuidores. Ao longo de várias décadas, um fabricante dominante servia de proteção ao mercado de equipamentos. Nesse sentido, os preços de seus produtos podiam ser considerados “tetos” pela reputação, qualidade e amplo portfólio.
Em geral, esse teto era bastante generoso ao permitir abrigo aos demais players e, ao final, acomodar todos em uma estrutura razoavelmente previsível. O certo é que, poucas vezes, a “desordem comercial” entre os players provocava uma desestruturação. Certamente, houve diferentes momentos em que “meninos provocavam o homem” e, então, o “teto” baixava, deixando o mercado mais “sufocado”. Como sempre, havia quem se queixasse da falta de crédito e de investimento em infraestrutura, da crise econômica do país e de muitas outras coisas, enquanto adotava políticas comerciais que destruíam o “guarda-chuva”. Nessas horas, a leitura do cenário estratégico poderia ter sido melhor, evitando um pouco do sofrimento.
Nos negócios, os manuais ensinam que a leitura do cenário estratégico pode ser técnica e estratégica, subjetiva e mística ou, até mesmo, ingênua e inocente. Cada alternativa conduz a um curso de ações e consequências cuja antecipação talvez seja uma prerrogativa dos mais experientes e estudiosos do jogo do mercado.
Na geopolítica global, a pergunta atual que não quer calar é se o “guarda-chuva” clássico pode eventualmente ter sido aposentado pelo imediatismo de Trump e o oportunismo de Xi Jiping. Já no mercado de Linha Amarela, é razoável indagar se os fabricantes chineses podem estar lendo Sun Tzu (a quem se atribui a autoria do antigo tratado militar chinês “Arte da Guerra”, escrito por volta do século V a.C.) enquanto enquanto o resto do mundo se deleita com “estratégias” postadas por coaches no Instagram.
*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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