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Revista M&T - Ed.279 - Novembro 2023
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A ERA DAS MÁQUINAS

A inovação acelerada em guindastes

Na década de 30, comandos mais sensíveis e controles proporcionais aumentaram a precisão das manobras e a produtividade, além de expandirem a vida da máquina e baixarem os índices de acidentes
Por Norwil Veloso


Também disponibilizados com trolley jib, os modelos Kaiser TK 30/TK 50 tinham altura de gancho de 43 m e 50 m

Na segunda metade de década de 30, a American Hoist and Derrick lançou um derrick com capacidade de 225 ton. Tratava-se era um valor incrível para a época, uma vez que diversos especialistas já haviam afirmado que capacidades acima de 300 ton nunca poderiam ser atingidas.

Essa afirmação, evidentemente, se tornou superada apenas poucos anos depois, chegando-se a valores muito acima desses.

Pouco antes da virada do século, a Link-Belt adquiriu a Speeder Machinery Corporation. As duas linhas de produtos se complementaram muito bem, transformando a empresa em um fabricante importante e consistentemente inovador na área de guindastes e escavadeiras a cabo.

Em 1936, a marca lançou o Speed-o-Matic, com controles muito mais sensíveis – que logo se tornaram padrão na indústria – e controle proporcional, por meio do qual um movime



Também disponibilizados com trolley jib, os modelos Kaiser TK 30/TK 50 tinham altura de gancho de 43 m e 50 m

Na segunda metade de década de 30, a American Hoist and Derrick lançou um derrick com capacidade de 225 ton. Tratava-se era um valor incrível para a época, uma vez que diversos especialistas já haviam afirmado que capacidades acima de 300 ton nunca poderiam ser atingidas.

Essa afirmação, evidentemente, se tornou superada apenas poucos anos depois, chegando-se a valores muito acima desses.

Pouco antes da virada do século, a Link-Belt adquiriu a Speeder Machinery Corporation. As duas linhas de produtos se complementaram muito bem, transformando a empresa em um fabricante importante e consistentemente inovador na área de guindastes e escavadeiras a cabo.

Em 1936, a marca lançou o Speed-o-Matic, com controles muito mais sensíveis – que logo se tornaram padrão na indústria – e controle proporcional, por meio do qual um movimento mais rápido da alavanca pelo operador causava um movimento também mais rápido da lança.

Essas duas características aumentaram significativamente a precisão das manobras e a produtividade, além de expandir a vida da máquina e baixar os índices de acidentes, uma vez que o desgaste e os danos estruturais devido à trepidação foram significativamente reduzidos.

MODELOS

Durante a Segunda Guerra Mundial, o guindaste sobre pneus Link-Belt Speeder, inicialmente fabricado para o exército em 1939, tornou-se um equipamento muito importante para empreiteiros privados.


Propaganda de época da empresa Julius Wolff & Co anuncia guindastes onde se lê em alemão: “Içamento sem andaimes no menor tempo possível”

Em 1939, a Lorain também passou a produzir veículos transportadores de 3 e 4 eixos, sobre os quais eram instalados os guindastes. A pequena cabina para um único operador, posicionada no lado direito, era uma característica marcante desse projeto.

Outros fabricantes passaram a adotar essa solução em prazo curto. Nos Estados Unidos, a lista incluía marcas como FWD, Crane Carrier, Pierce Pacific, Hendrickson e outras. Já na Europa, havia empresas como Faun, Kaelble, CVS, Tatra e outras.

O gênio de LeTourneau também se manifestou com o desenvolvimento de guindastes com lança lateral montadas em tratores de esteiras (Tractor Crane) e acionados por guinchos montados no trator.

Além disso, os projetistas britânicos também buscaram ampliar a faixa de utilização de seus tratores, combinando-os com uma grande variedade de implementos. Para trabalhos sem locomoção, passaram a produzir derricks mais simples de operar e dotados de toda a segurança disponível na época.

Os guindastes de torre também tiveram uma evolução, tanto em recursos como em população. A Potain lançou seu modelo Record No 1, com capacidade de 300 kg, que se revelou muito versátil em obras de construção predial.

A Kaiser lançou a linha TK, que podia ter lança simples ou com trolley. Já a Wolff ofereceu uma linha com os modelos 15 a 90. Muitos outros fabricantes os acompanharam. De modo geral, as capacidades giravam na faixa de 10 ton, enquanto as alturas de trabalho variavam entre 22 e 44 m.

GUERRA

Mas a guerra mudou totalmente o panorama. Da mesma forma que a maioria dos fabricantes alemães, a Wolff teve que enfrentar a perda total de suas instalações de produção. Só conseguiu voltar em 1948, utilizando o que sobrou dos projetos de antes da guerra.

Em 1932, Faustin Potain lançou o modelo Record Type Standard no 1, com capacidade de 300 kg

Todavia, os produtos da marca rapidamente se tornaram os mais utilizados na construção. Os projetos antigos foram transformados com rapidez em guindastes de torre com giro, semelhantes aos atuais.

Sistemas de montagem rápida passaram a ser essenciais para atender a demanda, uma vez que a grande quantidade de obras fazia com que tivessem de ser montados e desmontados com frequência.

Foi então que a Wolff desenvolveu o giro na parte superior da torre, que se mantinha fixa, produzindo equipamentos com capacidades de 15 a 60 ton. Outros fabricantes, como Kaiser, Peschke e BHS, mantiveram o mecanismo de giro na parte inferior da torre, que girava com o conjunto.

Mas o desenvolvimento de sistemas de montagem e desmontagem rápida está intimamente ligado ao trabalho de Hans Liebherr. Em 1949, praticamente não havia sistemas simples e rápidos para entrada dos guindastes em funcionamento nos canteiros.

Os guindastes utilizados eram derivados dos equipamentos portuários, que eram estruturas grandes e desajeitadas, o que trazia grandes dificuldades para o transporte dentro de áreas urbanas devido às dimensões e ao peso.

Nesse contexto, Liebherr apresentou em 1949 seu primeiro guindaste (TR10) na Feira de Frankfurt. O modelo possuía giro na parte inferior da torre, raio máximo de 16 metros e capacidade de 1.000 kg.

A reação inicial do público foi um tanto cautelosa, mas isso não desanimou o fabricante, que continuou a desenvolver máquinas que pudessem ser transportadas parcialmente montadas e dispusessem de sistemas de automontagem. Um ano depois, o empresário lançou uma linha completa de guindastes de torre, incluindo os modelos TK 3.6, TK 6, TK 8, TK 10, TK 14 e TK 28.

ANOS 50

A década de 50 foi extremamente fértil no que diz respeito ao desenvolvimento e evolução dos guindastes. Na Europa, destacaram-se Raimondi, Peschke, Peiner, Wolff, Liebherr, Potain, Boillot, Fiorentini e Haulotte, entre outros.

No final da década, foi introduzida uma concessão à segurança, considerada pequena na ocasião, mas que veio a tornar-se de grande importância: foi instalado um dispositivo de controle de momento na lança dos guindastes da MAN, que era ligado ao sistema de elevação da lança e desligava a máquina quando se ultrapassavam os limites, evitando tombamentos – bastante comuns na época, diga-se.

Embora projetado para guindastes comuns, a solução veio a ter aplicação em guindastes de torre, desligando a máquina quando as estruturas da torre e da lança se flexionavam além do especificado. Um dos fabricantes mais conhecidos na época foi a Wylie, que produzia sistemas mecânicos para diversas finalidades.

Com a entrada da eletrônica embarcada, a evolução ocorreu em outras direções, principalmente no aumento da capacidade com segurança. Assim, foram desenvolvidos painéis de torre modulados e de fácil montagem, com elevação (telescopagem) por sistema hidráulico.

Também surgiram sensores de flexão na torre e na lança, controles eletrônicos de sobrecarga, sistemas elétricos de maior precisão e outros, que alteraram o panorama de execução e de segurança nos trabalhos envolvendo guindastes de torre.

Leia na próxima edição:
As soluções para bombeamento de concreto

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