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11 de novembro de 2021
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Guindastes

Retomada de fôlego

Mercado de guindastes começa a reagir atrelado ao aumento da demanda em setores como mineração, industrial, energia e infraestrutura
Por Santelmo Camilo

Embora em ritmo de crescimento, a venda de guindastes novos caminha com velocidade menor que a de equipamentos da Linha Amarela. A boa notícia é que, em relação ao ano passado, a procura por esses equipamentos vem nitidamente se acelerando em 2021, segundo os fabricantes e locadores ouvidos nesta reportagem.

Devido à pandemia, todavia, o cenário adverso em toda a cadeia de produção tem afetado a entrega dos equipamentos. Hoje, a espera tem um prazo aproximado de três meses, mais pela demora no abastecimento de componentes do que em razão do excesso de pedidos. Dependendo do modelo e da capacidade, o prazo pode até chegar a um ano, por falta de insumos essenciais para a fabricação desses produtos. A disponibilidade de frete também pode resultar em gargalos, dependendo da procedência da máquina, como vem ocorrendo com equipamentos provenientes da China.

Independentemente disso, tanto as fabricantes como as locadoras se mostram otimistas. O setor de mineração está com demanda elevada para o uso de guindastes, realizando diversas obras. Na sequência, destaca-se a área de energia eólica, com a instalação de novos parques, além da operação e manutenção dos já existentes, assim como a ampliação de mercados como a indústria de papel e celulose, paradas de manutenção em refinarias e, inclusive, retomada de obras de infraestrutura em diferentes regiões.

Empresas como a Locar, por exemplo, estão com a ocupação da frota de guindastes em nível próximo a 70%, concentrada principalmente em modelos com capacidade de 100 a 500 t. Mas os modelos de esteiras com peso entre 250 e 1.000 t também têm parcela significativa nessa utilização. “A capilaridade da empresa é o grande diferencial, pois temos atendimento com abrangência nacional”, comenta Marcello Augusto Mari, diretor comercial da locadora. “Há um equilíbrio na demanda, sem áreas com maior ou menor grau de utilização, de acordo com o segmento com maior atividade característica de cada região.”

Nesse quadr


Embora em ritmo de crescimento, a venda de guindastes novos caminha com velocidade menor que a de equipamentos da Linha Amarela. A boa notícia é que, em relação ao ano passado, a procura por esses equipamentos vem nitidamente se acelerando em 2021, segundo os fabricantes e locadores ouvidos nesta reportagem.

Devido à pandemia, todavia, o cenário adverso em toda a cadeia de produção tem afetado a entrega dos equipamentos. Hoje, a espera tem um prazo aproximado de três meses, mais pela demora no abastecimento de componentes do que em razão do excesso de pedidos. Dependendo do modelo e da capacidade, o prazo pode até chegar a um ano, por falta de insumos essenciais para a fabricação desses produtos. A disponibilidade de frete também pode resultar em gargalos, dependendo da procedência da máquina, como vem ocorrendo com equipamentos provenientes da China.

Independentemente disso, tanto as fabricantes como as locadoras se mostram otimistas. O setor de mineração está com demanda elevada para o uso de guindastes, realizando diversas obras. Na sequência, destaca-se a área de energia eólica, com a instalação de novos parques, além da operação e manutenção dos já existentes, assim como a ampliação de mercados como a indústria de papel e celulose, paradas de manutenção em refinarias e, inclusive, retomada de obras de infraestrutura em diferentes regiões.

Empresas como a Locar, por exemplo, estão com a ocupação da frota de guindastes em nível próximo a 70%, concentrada principalmente em modelos com capacidade de 100 a 500 t. Mas os modelos de esteiras com peso entre 250 e 1.000 t também têm parcela significativa nessa utilização. “A capilaridade da empresa é o grande diferencial, pois temos atendimento com abrangência nacional”, comenta Marcello Augusto Mari, diretor comercial da locadora. “Há um equilíbrio na demanda, sem áreas com maior ou menor grau de utilização, de acordo com o segmento com maior atividade característica de cada região.”

Nesse quadro, a empresa vem investindo já desde o ano passado na renovação da frota de guindastes e plataformas elevatórias. “Em 2020, foram adquiridos mais de 600 equipamentos, que já estamos recebendo, garantindo ao cliente acesso a tecnologia embarcada de ponta, o que resulta em segurança e produtividade na obra”, informa Mari.

De acordo com ele, a divisão de guindastes da empresa adquiriu modelos de 30 a 500 t nessa leva. “Na Locar, o processo de renovação é levado a sério”, ele assegura. “Contamos com uma área exclusiva para gestão de ativos, que trabalha em sintonia com a área de manutenção e, dessa forma, garante a melhor produtividade conforme cada tipo de projeto e tecnologia.”

Com o parque atualizado, a empresa agora aposta no crescimento do mercado e na efetivação de novos negócios que, equalizados aos investimentos recentes, devem resultar em um avanço previsto de 40% somente no segmento de guindastes em 2022.

RECUPERAÇÃO

Em 2018 e 2019, após um período de retração, o mercado até ensaiou uma retomada de fôlego nas vendas de guindastes. Mas em 2020 o segmento foi impactado pela pandemia, alta do dólar e interrupção na cadeia produtiva, fatores que provocaram entraves até o 1º semestre deste ano.

Com a ocupação aumentando, algumas locadoras já renovam as frotas de guindastes

De lá para cá, no entanto, o mercado voltou a apresentar bons resultados, permitindo a renovação e ampliação de frota em mais empresas. “Os locadores dizem que, já em 2014, quando a crise começou a ganhar vulto, várias companhias desaceleraram o ritmo e interromperam as compras”, aponta Anilton Leite, gerente de vendas da Tadano. “Hoje, a frota está antiga e, por isso, a tendência é de renovação.”

Há um bom motivo para isso. De acordo com ele, as locadoras com máquinas acima de dez anos perdem oportunidades para as concorrentes que oferecem modelos mais novos. E não apenas por uma questão de novas tecnologias. Nas inspeções técnicas, ele frisa, os guindastes são criteriosamente avaliados e, evidentemente, somente participam das obras se estiverem em boas condições operacionais e de segurança. “Isso vale inclusive na parte documental, pois há suporte de uma equipe especializada em engenharia, qualidade, manutenção, plano de rigging etc.”, conta o especialista.

Atualmente, a Tadano fornece ao mercado diferentes linhas de guindastes, com modelos telescópicos todo-terreno, para terreno acidentado, sobre caminhão, sobre esteiras e treliçados. Anteriormente, a empresa já montou os equipamentos no Brasil, mas hoje são todos fabricados no Japão, com alguns componentes provenientes da Alemanha. “A ocupação das frotas está elevada, ao ponto de a Tadano ter voltado a comercializar um grande volume”, considera Leite. “Alguns modelos estão sendo entregues no curto prazo, exceto as linhas mais pesadas e de esteiras, que exigem prazo maior de fabricação devido à limitação ou mesmo falta de fornecedores, além de aumento de preço de componentes e outros fatores.”

Em termos de tecnologia, a fabricante desenvolveu dois sistemas para ajudar na redução do consumo: o Modo Eco (que atua enquanto a máquina é operada) e o Sistema de Controle Positivo (para diminuir o gasto quando o guindaste estiver ligado em stand-by, com alavanca de controle em posição neutra). O recurso é necessário, pois a proporção média entre o período de operação e o de espera é de aproximadamente 40% e 60%, conforme pesquisas feitas pela empresa.

Segundo Leite, o Modo Eco controla a rotação máxima do motor quando o guindaste está em operação, além de cortar os picos de velocidade que ocorrem com o excesso de aceleração. Com duas opções, o sistema permite diminuição das emissões de CO2 e de consumo de combustível em até 22% (com o Modo Eco 1) e 30% (com o Modo Eco 2). “Além disso, o sistema reduz o nível de ruído”, acrescenta.

DEMANDA

No caso de gruas, a realidade é outra. Embora a falta de alguns insumos tenha prolongado os prazos de entrega, não se compara ao que ocorre com outros tipos de guindastes. Além disso, de 2020 para 2021 também houve um forte crescimento nas vendas do segmento.

De acordo com o diretor técnico da Locabens, Paulo Carvalho, a empresa registrou mais de 25% de aumento na ocupação, um resultado bem expressivo, mesmo considerando a base comparativa extremamente baixa do ano passado. “Para 2022, todos os sinais são de crescimento, embora o empresariado precise ficar atento para ajustar a direção conforme as adversidades”, avalia.

Uma das principais locadoras do segmento, a Locabens conta com um amplo portfólio, que inclui todos os tipos de gruas e suas variações. Ao todo, são mais de 300 equipamentos de lança horizontal, com lança móvel (basculante), automontáveis hidráulicos, fixos, ascensionais e móveis sobre trilhos.

Máquinas acima de dez anos tendem a perder oportunidades de mercado para modelos mais novos

Para cada tipo, a faixa pode ir de 20 a 600 tm. “Hoje, a maior demanda por gruas vem da área imobiliária, com máquinas de 70 a 100 tm em versões fixas e ascensionais”, informa Carvalho. “Esse mercado é o mais forte no momento, mas também há demandas industriais e de infraestrutura pontuais, como papel e celulose e obras metroviárias.”

Segundo ele, a utilização tem sido maior na Grande São Paulo, mas a empresa também atende algumas obras importantes em outros estados, como a planta da Duratex e o estádio do Atlético Mineiro, ambos em Minas Gerais.

Mesmo com o reaquecimento, todavia, a taxa de ocupação da frota ainda está em torno de 55% a 60%, refletindo a baixa demanda dos últimos anos. “Mas é necessário considerar a ocupação média, pois a mobilização de máquinas de grande porte varia muito, até por conta da baixa quantidade desses modelos nas frotas das locadoras”, explica o diretor. “Além disso, a demanda para essas gruas também é bem menor se comparada aos guindastes usados na construção imobiliária.”

Mostrando como o mercado tem variações, Carvalho revela que momentaneamente as renovações de frota estão paradas na Locabens, resultado de um mix de baixa ocupação, dólar alto e transporte internacional restritivo. “Por hora, não vemos a necessidade de renovação, mas é possível um reinício em 2022”, sinaliza.

O gerente de pós-vendas da Terex, Ricardo Beilke Neto, confirma que o mercado de gruas começa a reagir, mas ainda com taxa abaixo do esperado. Além disso, ele observa que os preços de locação continuam defasados, se comparados aos anos anteriores. “Outro ponto que agravou as vendas de equipamentos novos é a desvalorização do real frente a outras moedas”, corrobora. “Contudo, acreditamos que o mercado melhore em 2022.”

TECNOLOGIA

À espera desse tão-aguardado momento, as fabricantes se mantêm de prontidão, aperfeiçoando a tecnologia e, portanto, a atratividade dos equipamentos. Afinal, os guindastes possuem diferenças de aplicação, de acordo com os respectivos tipos e configurações, limitações e benefícios. Não formam um conceito estanque, mas sim dinâmico.

Setores imobiliário, industrial e de infraestrutura puxam a demanda, mas há espaço para arenas esportivas

Em geral, a especificação do equipamento correto deve se basear nas características do projeto, além de situações específicas como altura, distância e peso da carga a ser içada e espaço de trabalho disponível. Nesse rol, o plano de rigging tem papel fundamental, garantindo a especificação correta do equipamento para cada projeto, isoladamente.

As gruas de torre, por exemplo, são utilizadas em situações que requerem não só altura, mas também alcance horizontal. Essas soluções têm maior aplicação em içamento de cargas, podendo ser especificadas como Topless / Flat Top (mais compactas), usadas em alturas livres menores, ou mesmo trabalhar em conjunto com outras gruas, girando abaixo ou acima umas das outras. Já a grua A-Frame (lança horizontal) tem maior capacidade de carga e dispõe de uma estrutura em seu topo, que faz a intersecção da contralança com a lança.

Na sequência, a grua com lança do tipo Jib (ou Luffing Jib) possui capacidade de carga ainda maior, além de permitir a redução do raio de giro, em virtude do basculamento da lança, podendo assim trabalhar em áreas mais confinadas. “Contudo, a lança da grua Topless pode ser montada seção a seção, o que muitas vezes traz facilidade ao processo”, compara Amilcar Spinetti Filho, diretor técnico da Locar.

Por sua vez, os guindastes com lança telescópica possuem facilidade de montagem, reconfiguração e desmontagem, em comparação aos guindastes com lança treliçada. Porém, sua capacidade de carga é menor. Os fabricantes disponibilizam vários tipos de acessórios que podem ser usados tanto nas lanças telescópicas como nas treliçadas, como o citado sistema de basculamento tipo Luffing Jib, acoplado diretamente na última seção da lança. “Dessa maneira, é possível aumentar o alcance e a altura para o içamento, porém, com grande redução de capacidade de carga”, reconhece Spinetti Filho. “Já outros modelos possibilitam o translado com a carga, tudo depende da aplicação.”

Para Beilke Neto, da Terex, quando é necessário movimentar o guindaste com cargas muito próximas de suas capacidades nominais, o modelo com lança treliçada geralmente é uma opção melhor em relação ao equipamento com lança telescópica. “Devido à estrutura mecânica da lança, normalmente possui uma tabela de carga melhor dentro da mesma classe de capacidade”, elucida. “Para altas capacidades, acima de 750 t, as opções com lanças telescópicas são reduzidas, devido à desvantagem mecânica e estrutural.”

Outra característica dos modelos de lança treliçada é a dificuldade em modificar a configuração e o processo de movimentação no canteiro. “Quase sempre, modificar a configuração de um guindaste treliçado demanda muito espaço dentro do canteiro de obras, além da necessidade de guindastes de apoio e de tempo, para desmontar e montar o equipamento na nova configuração”, afirma o gerente.

A movimentação também é mais lenta e requer preparação do terreno, pois esses guindastes são mais pesados que os telescópicos. Por esse motivo, quando a mobilidade é um fator relevante – caso o guindaste tenha que atender diversos pontos da obra e a modificação da configuração também seja algo comum durante o trabalho – a melhor opção é utilizar um telescópico. “São mais leves e ágeis que os de lança treliçada”, diz Beilke Neto. “E, normalmente, não necessitam de outros guindastes para modificar a configuração.”

MODULARES

Atualmente, a Terex oferece modelos de gruas automontáveis, cabeça de martelo, tipo plano e articulada. Os modelos têm construção modular, que ajuda na redução de custos de transporte, além de motores econômicos com inversor de frequência, que atingem a potência desejada e otimizam custos com energia elétrica.

Com versatilidade na aplicação, guindastes têm grande variedade de tipos e configurações

As gruas do tipo plano CTT caracterizam-se pela qualidade da mão de obra empregada, garantindo desempenho confiável sob operação contínua. Com esse modelo, é possível operar com diferentes equipamentos muito próximos uns aos outros, mas em alturas diferentes. “Além da montagem e manutenção facilitadas, esse modelo possui modularidade das peças, que conferem bom custo x benefício”, reforça Beilke Neto.

Já as gruas do tipo Cabeça de Martelo (Hammerhead Tower Crane) são projetadas para maior facilidade de manutenção e desempenho durante longas jornadas de trabalho. As máquinas possibilitam boa capacidade de manobra e precisão nos momentos de elevação de carga.

Quesitos como cabine ergonômica, tempo de instalação dos contrapesos, desempenho do diagrama de carga e recursos de segurança incorporados ao design fazem a diferença. “Os modelos de gruas articuladas CTL são populares entre as maiores construtoras, pois são adaptados à construção de arranha-céus em centros urbanos”, destaca o especialista. “Já as gruas automontáveis CBR são mais utilizadas em operações rápidas de içamento.”

Liebherr exibe novo guindaste RT

Na faixa de 90 t / 100 t de capacidade, o modelo LRT 1090-2.1 para terrenos acidentados foi projetado para oferecer o mais alto nível de segurança, garante a fabricante. Equipado com lança telescópica de 47 m, o guindaste conta com itens de fábrica como o monitor outrigger, que detecta e controla automaticamente o status da operação.

Guindaste LRT 1090-2.1 para terrenos acidentados foi apresentado em setembro na MinExpo

Também como equipamento padrão, o sistema de apoio variável VarioBase foi apresentado ao mercado na MinExpo, em setembro, prometendo aumentar a flexibilidade e a capacidade de elevação do equipamento.

“O sistema telescópico consiste em um cilindro hidráulico de dois estágios com mecanismo de extensão de cabo”, explica a fabricante. “Por sua vez, a lança pode ser facilmente estendida de dois diferentes modos, enquanto o mecanismo de extensão foi projetado para altas capacidades de elevação telescópica.”

Sistermi renova frota com primeiro GMK5250XL-1 da América do Sul

Atendendo algumas das maiores empresas de mineração, energia e siderurgia do país, a Sistermi – Movimentação e Içamento de Cargas amplia seu leque de soluções especializadas com a aquisição do modelo GMK5250XL-1, com capacidade de 250 toneladas. Fabricado na Alemanha, o guindaste é o primeiro do tipo a chegar ao Brasil e à América do Sul.

De acordo com Aarão Boechat Martins, CEO da Sistermi, a decisão de investir no equipamento segue a estratégia de renovação constante da frota da empresa, buscando manter-se à frente das demandas do mercado. “Passamos os últimos anos sem fazer grandes investimentos, mas agora retomamos o processo para garantir que possamos seguir como referência em todo o país nas áreas de movimentação e içamento de cargas”, comenta o executivo.

Entregue em julho à sede da Sistermi, em Serra (SP), o guindaste seguiu quase imediatamente para o Porto de Vitória, onde auxiliou em trabalhos de manutenção. Segundo a empresa, o guindaste deve desempenhar novas tarefas em breve.

Na avaliação da companhia, o equipamento destaca-se por seus sistemas e pelo computador de bordo, especialmente o sistema operacional padronizado CCS (Crane Control System). “Nossos operadores descreveram o CCS como ‘eficiente e intuitivo’, facilitando muito o dia a dia nos canteiros de obras,” avalia Michelle Flausino Boechat Melo, diretora administrativa da Sistermi.

Outro aspecto bastante valorizado pela empresa é o pós-venda. “Máquinas e equipamentos podem ser bons, mas se não houver suporte local e uma reposição de peças e serviços competentes, passam a ser um problema”, ressalta Martins.

Fabricado na Alemanha, modelo GMK5250XL-1, já atua em operações da Sistermi

Saiba mais:
Liebherr: www.liebherr.com.br
Locabens: www.locabens.com.br
Locar: www.locar.com.br
Sistermi: https://sistermi.com.br
Tadano: http://br.tadano.com
Terex: www.terex.com/pt-br