Radar

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR
Revista M&T - Ed.306 - Agosto de 2026
Voltar
MANUTENÇÃO

Na temperatura ideal de operação

Sistema de arrefecimento exige processo cuidadoso de inspeção e manutenção para maximizar o desempenho, otimizar o consumo,reduzir as emissões e prolongar a vida útil da máquina
Por Antonio Santomauro

Imagem: Armac


Seja em um veículo leve ou em uma máquina pesada, o sistema de arrefecimento deve cumprir uma função primordial: manter o motor na temperatura ideal de operação.

Não pode deixá-lo com temperaturas muito elevadas, para não haver superaquecimento, o que causaria danos em componentes, nem muito baixas, o que reduz a eficiência térmica do motor.

Garantindo esse controle, o sistema contribui para maximizar o desempenho, otimizar o consumo de combustível, reduzir as emissões de poluentes e prolongar a vida útil do equipamento.

Considerando-se essa relevância, torna-se imprescindível dedicar ao sistema de arrefecimento um processo cuidadoso de inspeção e de manutenção.

Processo que, embora não se deva ignorar ventoinhas, bombas, válvulas hidrostáticas, mangueiras e abraçadeiras, exige atenç&atil


Imagem: Armac


Seja em um veículo leve ou em uma máquina pesada, o sistema de arrefecimento deve cumprir uma função primordial: manter o motor na temperatura ideal de operação.

Não pode deixá-lo com temperaturas muito elevadas, para não haver superaquecimento, o que causaria danos em componentes, nem muito baixas, o que reduz a eficiência térmica do motor.

Garantindo esse controle, o sistema contribui para maximizar o desempenho, otimizar o consumo de combustível, reduzir as emissões de poluentes e prolongar a vida útil do equipamento.

Considerando-se essa relevância, torna-se imprescindível dedicar ao sistema de arrefecimento um processo cuidadoso de inspeção e de manutenção.

Processo que, embora não se deva ignorar ventoinhas, bombas, válvulas hidrostáticas, mangueiras e abraçadeiras, exige atenção mais constante com dois componentes: o radiador e o líquido de arrefecimento.

LÍQUIDO

Apesar de haver quem o substitua por água, o líquido de arrefecimento tem uma formulação relativamente complexa, composta por uma base líquida (geralmente água desmineralizada e monoetilenoglicol), associada a um pacote de aditivos.

“Esses aditivos são responsáveis por proteger internamente o sistema contra corrosão, incrustações minerais, cavitação e degradação prematura dos componentes”, explica Jorge Mendes Sanches, analista comercial sênior de desenvolvimento de negócios e inovação do Grupo Hidrau Torque (GHT).

“É fundamental utilizar o fluido especificado para cada aplicação, respeitar a concentração recomendada e evitar a mistura de tecnologias diferentes ou a reposição apenas com água.”

Segundo Sanches, não há um intervalo pré-definido de troca do líquido de arrefecimento, o que depende da tecnologia utilizada e das recomendações do fabricante.

Procedimento exige atenção constante componentes como radiador e líquido de arrefecimento. Imagem: Komatsu


“A tendência atual da manutenção não se restringe mais às horas trabalhadas ou ao calendário, mas também inclui análises periódicas dos fluidos, para avaliar as condições reais de inibidores de corrosão, pH e contaminação do sistema”, ressalta.

Também é imprescindível, lembra Carlos Alves, líder de gerenciamento de produto e suprimentos da BMC Hyundai, manter os radiadores sempre limpos.

Essa limpeza deve ser criteriosa, uma vez que simplesmente jogar água sobre o radiador pode gerar mais problemas.

Dependendo do material acumulado, essa ação pode formar uma crosta que amplia as possibilidades de entupimento.

“Por isso, deve-se fazer uma inspeção visual diária, principalmente em locais com mais materiais particulados”, recomenda.

Em alguns casos, diz o profissional da BMC Hyundai, pode ser necessário desmontar o radiador para uma limpeza mais completa.

Também é indicado realizar a desmontagem para limpeza periódica, sendo que a troca do líquido de arrefecimento – especialmente quando é drenado – configura uma boa ocasião para isso.

Alguns equipamentos, relata Alves, permitem a reversão da hélice de arrefecimento, que – ao invés de jogar ar ambiente para o interior da máquina – funciona como uma espécie de exaustor, contribuindo com a limpeza do radiador.

“Isso é algo complementar, pois não elimina a necessidade da lavagem”, adverte.

“Deve-se ainda verificar o estado das mangueiras e abraçadeiras, o que é importante para evitar paradas inesperadas.”

Diretor da Operamaq, o especialista Marcelo Bezerra de Melo recomenda que se dedique uma estratégia de manutenção preventiva ao sistema de arrefecimento, ao invés de apenas corretiva.

“É necessário verificar se o líquido de arrefecimento está no nível correto, trocá-lo periodicamente e conferir se há vazamentos em abraçadeiras, furos em mangueiras e vazamentos ou entupimentos no radiador”, detalha.

Utilizar apenas água no lugar do líquido de arrefecimento pode gerar problemas de corrosão, diz ele, causando entupimento das canaletas do radiador e gerando risco de superaquecimento.

“Não é tão comum haver problema no sistema de arrefecimento, mas não são poucos os riscos que podem surgir”, relata o diretor da Operamaq, empresa especializada em manutenção de máquinas pesadas sediada no município paulista de Cotia.

RISCOS

Capaz de danificar o motor, o superaquecimento é o risco mais associado ao sistema. Nesse caso, a manutenção deve considerar várias possíveis causas de problemas.

“A degradação do fluido favorece processos como corrosão, incrustações e cavitação, comprometendo a vida útil dos componentes”, destaca Sanches, do GHT.

Muito exigido em equipamentos pesados, o sistema de arrefecimento pode ter o funcionamento comprometido por entupimento de radiadores (decorrente de poeira e detritos), vazamentos em mangueiras e conexões, falhas na bomba d’água, travamento do termostato, desgaste de ventoinhas, perda das propriedades químicas do líquido de arrefecimento, corrosão interna e cavitação, quando o fluido não atende às especificações recomendadas, entre outras ocorrências.


Manter os radiadores limpos é imprescindível para máquinas pesadas. Imagem: Reprodução


Por isso, é imprescindível seguir rigorosamente o plano de manutenção preconizado pelo fabricante, com inspeções periódicas do fluido, limpeza do radiador e verificação de mangueiras, bomba d’água, termostato e sistema de ventilação.

Sempre que possível, retoma Sanches, é indicado complementar esse processo com análise laboratorial do fluido, visando identificar alterações que possam ocasionar falhas.

“Qualquer alteração na temperatura de operação deve ser investigada imediatamente, pois pequenas ocorrências podem evoluir rapidamente para intervenções de alto custo”, enfatiza o especialista do GHT.

De acordo com Melo, da Operamaq, deixar de implementar corretamente a manutenção preventiva do sistema de arrefecimento pode causar queima na junta do cabeçote da máquina, gerando um prejuízo elevado.

Como orientação geral, ele recomenda não desligar imediatamente a máquina após um período mais intensivo de operação, deixando o equipamento em marcha lenta por um período de três a cinco minutos, até refrigerar o motor.

“Desligar imediatamente a máquina, quando o líquido ainda está fervendo, vai desgastando os componentes”, explica Melo.

Máquinas pesadas, ele lembra, dispõem de mecanismos que informam quando a temperatura do motor chega a um ponto crítico. “O ideal é não deixar chegar a esse ponto”, reforça.

“Mas se isso acontecer, é preciso parar a máquina e verificar o que está acontecendo, pois o problema pode estar na bomba, na hélice ou em um sensor que não está funcionando corretamente.”


Imagem: NoteBookLM


Também Alves, da BMC Hyundai, ressalta a importância de não se chegar ao estágio em que os instrumentos indiquem a aproximação de temperatura excessiva.

Segundo ele, “é quase certeza de que haverá problemas quando se deixar de fazer corretamente a manutenção do sistema de arrefecimento”.

COMPARATIVO

Em comum com veículos de passeio, os sistemas de arrefecimento de máquinas pesadas compartilham praticamente os mesmos tipos de componentes, além de princípio de operação similar.

Mas também apresentam especificidades.

“Em uma máquina, o sistema é mais robusto”, comenta Melo, da Operamaq.

“Além disso, o carro conta com o ar que entra com o movimento para auxiliar no resfriamento, enquanto a máquina depende apenas da hélice.”

Nesse ponto, Sanches, do GHT, ressalta que os sistemas de arrefecimento de equipamentos são projetados para suportar demandas muito superiores às de veículos convencionais.

A arquitetura inclui, por exemplo, radiadores de maior capacidade, componentes de elevada resistência, controle eletrônico das ventoinhas e circuitos independentes para motor, transmissão e sistema hidráulico.

“O objetivo é manter a temperatura ideal de operação, assegurando eficiência energética, produtividade e menor custo total de propriedade”, ele diz.

Dependendo do tipo de máquina, podem ser encontradas ainda outras diferenças nesse sistema, relata Alves, da BMC Hyundai.

Não na concepção do sistema, ressalta, mas nos respectivos modos de atuação.


Capaz de danificar o motor, o superaquecimento é o risco mais associado ao sistema de arrefecimento. Imagem: Operamaq


"Em uma pá carregadeira, que trabalha com ciclos curtos de carga e descarga, o sistema de arrefecimento precisa responder rapidamente a picos de temperatura, com o ventilador variando de rotação com frequência”, conta Alves, destacando que na motoniveladora – que opera em regime mais constante de nivelamento – o sistema trabalha de forma mais estável, sem variações bruscas.

“Já uma máquina maior de mineração pode ter sistemas redundantes de arrefecimento, para eliminar qualquer possibilidade de problema”, acrescenta.

Além disso, ele prossegue, enquanto em um veículo automotor o arrefecimento é focado apenas no motor, em máquinas pesadas há um radiador específico para resfriamento do óleo hidráulico.

“Não existe uma integração entre esses circuitos de arrefecimento, que geralmente estão próximos entre si ou até compartilham a mesma estrutura”, descreve.

“Em algumas marcas, como a Hyundai, o mesmo componente inclui circuitos independentes para o líquido de arrefecimento e para o óleo hidráulico”, finaliza.


TEMPERATURA
Adequação ao clima local faz a diferença

Equipamentos desenvolvidos para operar em climas mais amenos têm mais possibilidades de apresentar problemas de arrefecimento quando operam em regiões tropicais, predominantes em grande parte do Brasil.

Por isso, é importante verificar se o sistema de arrefecimento da máquina foi dimensionado para as condições locais ou se existem configurações específicas para o clima tropical. “

Diversos fabricantes desenvolvem plataformas globais que podem receber diferentes configurações de arrefecimento, de acordo com a região da operação”, ressalta Sanches, do GHT.

A adequação ao clima tropical, ele afirma, pode ser verificada na documentação técnica do fabricante, assim como nas especificações de operação da máquina.


Plataformas globais podem receber diferentes configurações de arrefecimento. Imagem: BMC/Hyundai


“Normalmente, sistemas preparados para ambientes tropicais possuem maior capacidade de dissipação térmica, radiadores dimensionados para temperaturas mais elevadas, ventilação reforçada e calibrações específicas de controle térmico”, detalha.

Do mesmo modo, a escolha do fluido de arrefecimento também deve considerar as condições reais de operação, complementa Sanches, bem como as recomendações do fabricante.

“Um coolant utilizado no Canadá, por exemplo, pode exigir elevada concentração de monoetilenoglicol para proteção contra congelamento”, destaca.

“Já em regiões tropicais, a mesma máquina pode utilizar uma formulação otimizada para máxima transferência térmica.”

Na BMC Hyundai, Alves afirma que não é rara a disponibilização de máquinas com sistemas inadequados para o clima local.

“Isso pode acontecer especialmente com máquinas importadas não tropicalizadas”, diz ele.

Além da temperatura, Alves cita fatores como poeira e umidade, bastante comuns nos canteiros de obras, como fonte potencial de impactos ao sistema de arrefecimento.

“Por isso, ter um equipamento projetado para o clima local faz toda a diferença”, acentua.


Saiba mais:
BMC Hyundai: https://bmchyundai.com.br
GHT: www.grupoht.com.br
Operamaq: https://operamaq.com.br

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR

P U B L I C I D A D E

P U B L I C I D A D E