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Revista M&T - Ed.304 - Junho de 2026
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MANUTENÇÃO

Foco nas estruturas de proteção

Por Antonio Santomauro
Foto:PRONAR

Mesmo sem força de lei, normas estabelecem requisitos de segurança para cabines que garantem a integridade do operador, com absorção controlada de energia durante impactos

Bem-conhecidas no mercado de máquinas pesadas, as siglas ROFS e FOPS designam estruturas de proteção aplicadas em cabines para preservar o espaço de sobrevivência do operador em situações críticas, incluindo capotamentos e rolamentos (Roll Over Protective Structure) e queda de objetos (Falling Objects Protective Structure), respectivamente. Ambas geram certificações atestando a capacidade protetiva, já traduzidas em diversas normas no Brasil.

Atualmente, são adotadas por praticamente todos os principais fabricantes de máquinas e equipamentos, sejam oriundas de linhas de produção próprias ou de fornecedores. Fabricante de cabines utilizadas em máquinas de Linha Amarela e agríc


Foto:PRONAR

Mesmo sem força de lei, normas estabelecem requisitos de segurança para cabines que garantem a integridade do operador, com absorção controlada de energia durante impactos

Bem-conhecidas no mercado de máquinas pesadas, as siglas ROFS e FOPS designam estruturas de proteção aplicadas em cabines para preservar o espaço de sobrevivência do operador em situações críticas, incluindo capotamentos e rolamentos (Roll Over Protective Structure) e queda de objetos (Falling Objects Protective Structure), respectivamente. Ambas geram certificações atestando a capacidade protetiva, já traduzidas em diversas normas no Brasil.

Atualmente, são adotadas por praticamente todos os principais fabricantes de máquinas e equipamentos, sejam oriundas de linhas de produção próprias ou de fornecedores. Fabricante de cabines utilizadas em máquinas de Linha Amarela e agrícolas das principais montadoras globais, a Jost produz apenas cabines com essas certificações. “A estrutura ROFS/FOPS pode ser visualizada como uma estrutura rígida composta por tubos”, descreve Rodolfo do Amaral Junior, diretor comercial da empresa. “Além de cabines destinadas às montadoras, produzimos modelos próprios (Cobalt e Evolution) destinados a fabricantes médios e regionais, com certificação para aplicações definidas nas normas.”

A predominância de cabines certificadas no Brasil é confirmada por Luiz Carlos Barbosa, diretor e fundador da BH Montagens, empresa de Contagem (MG) que produz cabines para empilhadeiras, escavadeiras, tratores, retroescavadeiras e minicarregadeiras, entre outros equipamentos. “Algumas marcas, principalmente as que ingressaram mais recentemente no mercado, ainda comercializam equipamentos sem certificação”, ressalva.

A própria BH Montagens ainda produz algumas cabines sem certificação, embora as certificadas já representem maior escala na linha fabril da empresa. “Mesmo quando o cliente opta por não realizar os ensaios para a certificação, geralmente por questões de custo, nossas cabines são projetadas seguindo critérios estruturais para serem certificadas futuramente”, afirma Barbosa.

Em termos de reposição, muito raramente é necessário trocar uma cabine, afirma Amaral Junior. “Fabricamos anualmente mais de 16 mil cabines, sendo que a quantidade destinada a reposição não passa de cinco”, posiciona o profissional da Jost.

A estrutura ROFS/FOPS pode ser descrita como uma estrutura rígida composta por tubos.JOST

Já no quesito de manutenção, a cabine exige ações relacionadas basicamente à ergonomia, como cuidados com o ar-condicionado e os bancos, para garantir o conforto do operador. “Já a cabine propriamente dita dura o tempo de vida da própria máquina, a não ser que ocorra algum acidente”, destaca Amaral Junior.

Mesmo assim, qualquer intervenção na cabine deve seguir critérios rigorosos, observa Barbosa, da BH Montagens, pois furos, soldagens, cortes ou modificações podem comprometer a resistência da estrutura e invalidar a certificação. “Inspeções periódicas são fundamentais, especialmente em ambientes agressivos na corrosão, como operações portuárias, plantas de fertilizantes e minas subterrâneas com a presença de gases corrosivos”, complementa.

PROTEÇÃO

As certificações ROFS e FOPS, garante Barbosa, são altamente eficazes na proteção aos operadores. A primeira, especificamente, exige uma estrutura dimensionada para resistir a múltiplos movimentos de rolagem da máquina sem colapso da área de proteção. “Considerando o peso e a dinâmica dos equipamentos, é incomum que ocorram mais de dois giros completos em um capotamento convencional, embora isso possa ocorrer em situações extremas, como descidas em taludes, valas profundas ou terrenos de elevada inclinação”, pondera.

Já a certificação FOPS subdivide-se em dois níveis. O Nível 1, normalmente utilizado em equipamentos de menor porte e aplicações moderadas, exige que a estrutura suporte o impacto de um corpo de 45 kg lançado de aproximadamente 3 m de altura diretamente sobre o teto. No Nível 2, o ensaio torna-se muito mais rigoroso, pois o impacto é realizado com um corpo de 227 kg lançado de uma altura próxima a 5,5 m. “Neste ensaio, a energia gerada pode ser equivalente a um pico de força de 6 t concentradas em 200 mm”, observa Barbosa.

Em termos de reposição, muito raramenteé necessário trocar a cabine do equipamento. Foto:BH MONTAGENS


Alterações operacionais na máquina, ele prossegue, podem exigir reavaliações estruturais da cabine. “Quando um equipamento passa a operar em condições mais severas – com aumento significativo de peso operacional ou mudança de aplicação, pode ser necessário realizar reforços estruturais adicionais para manter os parâmetros de segurança exigidos pela certificação”, lembra o especialista.

A própria BH Montagens atua para levar a certificação para uma gama crescente de máquinas. Segundo Barbosa, a empresa já desenvolveu um aparato patenteado com certificação ROPS/FOPS que permite a utilização de caminhões convencionais em operações subterrâneas. “Isso proporciona ganhos significativos de viabilidade operacional e redução de custos, pois caminhões originalmente desenvolvidos para mineração subterrânea possuem custos de aquisição substancialmente mais elevados”, diz o diretor.

Para caminhonetes de apoio na mineração, a BH Montagens criou um aparato (também patenteado) que recobre totalmente a cabine, proporcionando nível de proteção equivalente aos padrões ROPS/FOPS Nível 2 aplicados às máquinas pesadas, relata o especialista.

CERTIFICAÇÕES

Além das estruturas ROFS e FOPS, outros dois modelos estruturais de cabines buscam proteger o operador em caso de acidente: o TOPS (Tip Over Protective Structure) é projetado especialmente para proteção contra tombamento lateral de máquinas de menor porte, enquanto o OPS (Operator Protective Structure) é voltado para proteção contra a penetração de objetos perfurantes.

A certificação FOPS subdivide-se em dois níveis de proteção com diferentes graus de resistência ao impacto. Foto: DESIGN ANALYSIS

Muitas desses modelos já seguem normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que estabelecem os ensaios necessários para garantir o atendimento das exigências de segurança, bem como os requisitos de desempenho. Abordando diferentes tipos de riscos associados à operação de máquinas, essas diretrizes, na maioria dos casos, são baseadas em normas internacionais ISO (International Organization for Standardization), estabelecendo ensaios padronizados, classificando níveis de proteção, uniformizando requisitos e reduzindo riscos de lesões graves ou fatais. “As cabines modernas já são projetadas para atender simultaneamente a esses requisitos”, ressalta Mario William Esper, presidente da ABNT.

Disponível de forma online, o Catálogo da ABNT permite a consulta de documentos associados a essas normas, que ajudam a identificar quais são aplicáveis a cada tipo de equipamento. “Por meio da Universidade Corporativa UniABNT, também oferecemos cursos de capacitação voltados à interpretação e aplicação de normas técnicas, especialmente no contexto de sistemas de gestão, segurança operacional e conformidade normativa em ambientes industriais”, complementa Esper.

Uma cabine certificada, ressalta Ewerton Rodrigues da Costa, supervisor de engenharia experimental da Multittech, deve trazer uma placa exibindo as certificações que possui, afixada em um de seus pilares de sustentação, bem como informações que permitam o rastreamento dessas informações junto ao fabricante. “Isso inclui informações das cargas máximas associadas àquela certificação, por exemplo, além de eventuais informações adicionais sobre as margens de segurança adotadas pelo fabricante”, especifica Costa.

Abordando riscos associados à operação de máquinas, diretrizes da ABNT são baseadas em normas internacionais ISO. Foto:FONTE: ABNT

RIGOR

Segundo ele, as certificações variam de acordo com a utilização da máquina, exigindo um conjunto de requisitos para construção civil e outro diferente para atividades florestais, por exemplo. “Se comparada a uma máquina de construção ou rodoviária, a certificação para atividade florestal tende a ser mais rigorosa, podendo, em alguns casos, atender aplicações menos exigentes, embora isso deva sempre ser avaliado tecnicamente”, complementa o profissional da Multittech, que presta serviços relacionados à segurança operacional de equipamentos, como validação física, incluindo testes para homologação nas normas, além de engenharia, consultoria e comercialização de softwares.

No Brasil, as normas não têm força de lei, lembra Costa, mas é importante adotá-las por diversos motivos. Primeiramente, pela própria segurança do operador; depois, como argumento adicional em caso de ações judiciais decorrentes de acidentes; e também por questões comerciais. “Já fomos contatados por fabricantes menores que estavam com dificuldades de venda justamente por não garantirem requisitos básicos de segurança, como proteção contra tombamento”, relata.

Uma cabine ROPS, acentua Costa, é muito mais segura que outra sem certificação, pois além de ser mais resistente, precisa garantir a preservação do espaço do operador, com absorção controlada de energia durante o impacto. De acordo com o supervisor, isso é essencial para reduzir os efeitos de acidentes sobre o ocupante. “Mas uma cabine sem certificação pode recebê-la após um projeto de engenharia”, destaca. “Já realizamos um projeto desse tipo para um fabricante, que resultou em uma estrutura adicional, semelhante a um capacete, instalada sobre a cabine original, e que posteriormente acabou sendo adotada na linha deles.”

Saiba mais:
ABNT: https://abnt.org.br
Auto Vidros MG: https://autovidrosmg.com.br
BH Montagens: https://bhmontagens.com.br
Jost: www.jost.com.br
Multittech: https://multittech.com.br


Vidros têm normas próprias de segurança

Componentes essenciais em cabines, os vidros não são considerados diretamente em ensaios de certificações ROPS, FOPS e TOPS. Quando abordados, aparecem de forma complementar, com requisitos voltados à segurança, como características de fragmentação ou não interferência no desempenho da estrutura. “Eventuais exigências aplicáveis aos vidros são tratadas em normas próprias, como as relacionadas a vidros de segurança e requisitos de visibilidade”, explica Ewerton da Costa, da Multittech.
Há, porém, alguns padrões adotados para vidros das cabines, informa Marcus Vinicius do Nascimento, gerente de serviços da Auto Vidros MG, empresa sediada em Belo Horizonte que comercializa vidros para máquinas de construção, mineração, florestal e agro. “Vidros frontais têm que ser laminados de segurança, com espessura a partir de 6 mm”, descreve. “Para outros locais, como janelas, podem ser temperados, com espessuras variando entre 4 e 6 mm.”
Esses vidros, ele ressalta, devem ser constantemente avaliados e inspecionados por profissionais gabaritados nesses componentes. “Detectada uma trinca ou rachadura deve-se providenciar sua substituição, senão há o risco de eles se partirem sobre o operador”, enfatiza Nascimento.


Apesar de não serem abordados em ensaios de certificação,vidros de cabines adotam padrões específicos de estrutura e espessura. Foto:AUTO VIDROS MG

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