Acopladas a máquinas como escavadeiras, carregadeiras e retroescavadeiras, as caçambas assumem a linha de frente no trabalho em larga escala realizado nas mais diversas operações de movimentação de terra e materiais, incluindo construção, mineração, agribusiness e outras.
Tecnologicamente, esses componentes podem até não ser lá muito complexos, mas por manterem contato direto e contínuo com os materiais movimentados estão constantemente sujeitos a desgastes e danos, devendo ser mantidos em bom estado de conservação e funcionamento. Caso contrário, perde-se produtividade e rebaixa-se a qualidade do trabalho, com impactos diretos no custo operacional.
ANTECIPAÇÃO
Como ocorre com quaisquer outros componentes de máquinas pesadas, o processo ideal de manutenção de caçambas exige antecipar-se à quebra, recomenda Mazuck Edson de

Acopladas a máquinas como escavadeiras, carregadeiras e retroescavadeiras, as caçambas assumem a linha de frente no trabalho em larga escala realizado nas mais diversas operações de movimentação de terra e materiais, incluindo construção, mineração, agribusiness e outras.
Tecnologicamente, esses componentes podem até não ser lá muito complexos, mas por manterem contato direto e contínuo com os materiais movimentados estão constantemente sujeitos a desgastes e danos, devendo ser mantidos em bom estado de conservação e funcionamento. Caso contrário, perde-se produtividade e rebaixa-se a qualidade do trabalho, com impactos diretos no custo operacional.
ANTECIPAÇÃO
Como ocorre com quaisquer outros componentes de máquinas pesadas, o processo ideal de manutenção de caçambas exige antecipar-se à quebra, recomenda Mazuck Edson de Oliveira, sócio e diretor comercial da Innova, empresa sediada no município capixaba de Serra. “A manutenção deve entrar em ação quando aparecerem sinais de desgaste, que já começam a tirar a performance e aumentar os riscos”, ressalta o especialista, que fabrica, reforma e reforça implementos de equipamentos de Linha Amarela, especialmente caçambas e componentes de desgaste.
Entre esses sinais, o diretor cita perda do perfil de corte, que faz com que a caçamba já não penetre como antes no material, assim como trincas em regiões críticas, como soldas, laterais, fundo, protetores, torres e suportes. Outros pontos de atenção incluem desgaste excessivo no fundo e nas laterais, com afinamento de chapa, folgas e desalinhamentos em pinos, buchas e suportes, assim como unhas, facas e adaptadores gastos, soltos ou que “comem” a estrutura. “Se a caçamba começa a exigir mais força ou mais tempo por ciclo, ou mesmo se o operador percebe que a máquina está ‘sofrendo mais’, o desgaste desse componente já deve estar gerando um custo oculto”, diz o profissional da Innova.
De acordo com Oliveira, algumas medidas permitem acompanhar as condições estruturais da caçamba, viabilizando a antecipação a possíveis quebras. Isso inclui checklists feitos por operadores, medições de espessura, acompanhamento de desgastes por meio de marcações ou medidas de referência aplicadas na própria caçamba, além de inspeções programadas a partir de ciclos horários pré-definidos, registros padronizados e históricos individuais para cada item. “Em operações de maior porte também é comum o monitoramento da condição estrutural da caçamba, observando-se os níveis de desgaste e de danos, com paradas planejadas e emissão de laudos técnicos”, explica.
Mas o cuidado com a caçamba, ele acentua, não deve limitar-se à estrutura, mas abranger ainda os itens de desgaste – como facas, lâminas, adaptadores, unhas, protetores laterais, cantos, calcanhares, pinos, buchas e suportes. Afinal, a presença de folgas nesses componentes gera batidas, trincas e desalinhamentos do conjunto. “Não se deve permitir que o desgaste avance até atingir a estrutura”, orienta. “Substituir um elemento de desgaste no momento certo é um investimento pequeno quando comparado ao custo e à complexidade de recuperar chapas estruturais da lateral, do bojo ou do sistema de acoplamento da caçamba.”
A manutenção deve entrar em ação quando apareceremsinais de desgaste que afetam a performance e aumentam os riscos.INNOVA.
Inspeções visuais diárias também são recomendadas por Larissa Fragoso, analista administrativa da Kaçam, empresa de Cotia (SP) que produz e reforma caçambas, juntamente com implementos para tratores. “Existem instrumentos que dão mais precisão à análise, como durômetro e medidor de espessura”, ela ressalta, citando recursos que permitem verificar a ocorrência de trincas, afinamento de chapas e desgastes nos dentes.
Outra medida importante, prossegue a especialista, é verificar se não há folgas nos pinos responsáveis pelo sistema de articulação das caçambas. Se houver, é preciso ajustar ou mesmo substituir os pinos, que também precisam ser lubrificados. “Da mesma maneira, é essencial trocar periodicamente os dentes”, destaca Fragoso. “Além disso, não se deve jamais extrapolar a capacidade da caçamba.”
REFORMA
A analista da Kaçam qualifica como “similar” o processo de reforma de caçambas de diferentes equipamentos, embora existam algumas variações nos pontos mais sujeitos a problemas, de acordo com a natureza da máquina. “Em escavadeiras, por exemplo, os problemas aparecem nas mais diversas partes, até porque suas caçambas são submetidas a esforços maiores”, comenta. “Nas carregadeiras é necessário olhar mais para a lâmina e para o olhal (onde é feita a fixação da lâmina), enquanto as retroescavadeiras exigem maior atenção com as folgas nos pinos.”
Nesse aspecto, Oliveira, da Innova, endossa a visão de similaridade na reforma de caçambas em diferentes gêneros de equipamentos, reforçando que modos distintos de operação geram especificidades no mapeamento dos pontos de maior desgaste. “Normalmente, em caçambas de escavadeiras há maior concentração de esforços no conjunto de ataque, nas laterais da frente e no fundo, enquanto que em carregadeiras esses componentes costumam apresentar desgaste mais intenso na faca (lâmina), nos cantos e no fundo”, ele detalha. “No entanto, os mapas de esforços e desgaste também variam conforme o modelo de caçamba, assim como os pontos de atenção.”
A reforma de caçambas, retoma Oliveira, consiste em um meticuloso processo de engenharia e inspeção, que pode conter diversas etapas. Nesse rol, estão incluídos procedimentos como limpeza e preparação (para detectar trincas e deformações), inspeção e peritagem (para mapeamento de trincas, desgastes e empenamentos), medição de espessuras com ultrassom e avaliação estrutural. “A recuperação estrutural inclui correções, alinhamento, reforços, reposição de chapas e proteções, recuperação do conjunto de ataque (incluindo facas, adaptadores, unhas), soldagem e validação final”, delineia.
Um dos fatores com maior impacto na qualidade e na durabilidade da reforma é a escolha do material, que deve se basear em critérios técnicos como análise do nível de abrasão e densidade do material movimentado, grau de impacto a que o item será submetido, carga por ciclo, tipo de máquina e modo de operação, além do “objetivo” do cliente, fundamentado no equilíbrio de fatores como vida útil, custo operacional e produtividade. “O uso de chapas ‘genéricas’ pode até resolver o problema momentaneamente, mas muitas vezes também aumenta o risco de trincas, dificultando a soldabilidade ou apenas deslocando o desgaste para outra região da caçamba”, adverte Oliveira.
Um dos fatores com maior impacto na qualidade e na durabilidade da reforma é a escolha do material.INNOVA.
Segundo o diretor, não há um limite fixo para a quantidade de reformas pelas quais uma caçamba pode passar, desde que receba manutenção preventiva adequada ao longo da vida útil. Por outro lado, o reparo deixa de ser financeiramente interessante em algumas situações, especialmente quando há necessidade de substituição de grande parte da estrutura, em geral algo como mais de 70% do peso total.
O procedimento, relata Fragoso, da Kaçam, depende essencialmente do estado da caçamba. Quando há apenas trincas finas, pode-se recorrer à solda simples. Se a chapa estiver muito desgastada, o indicado é trocá-la. Já quando a estrutura original perde a integridade, é necessário substituir a própria caçamba por outra, tirando-a de circulação. “Se ocorre muita repetição de trincas ou se as trincas reaparecem nos mesmos lugares mesmo após a solda, então não dá mais para reformar”, pondera a analista.
ELABORADO COM INFORMAÇÕES DA INNOVA.
IMPACTOS
Sinalizando a importância dos cuidados, Oliveira observa que os impactos de uma caçamba sem manutenção adequada são expressivos. “Esses impactos afetam diretamente a produtividade e o consumo de combustível, ocasionando perda de material por deformações, folgas ou desgaste excessivo das bordas, além de gerarem risco de paradas não planejadas e até mesmo de acidentes”, enumera.
Aprofundando a análise, Larissa Fragoso conta que caçambas em mau estado também acarretam perdas à medida que o usuário tenta compensar a perda de produtividade com mais tempo de serviço, forçando ainda mais a máquina e o componente. “Problemas em caçambas são comuns quando não se faz a manutenção periódica”, ela destaca.
Todavia, também é possível reforçar as caçambas, serviço que a própria Kaçam realiza até mesmo em caçambas sem uso, que são reforçadas para operar em condições potencialmente mais agressivas, como em solos mais rochosos, por exemplo, onde pode ser necessário utilizar um material mais resistente. “Uma caçamba para hot work também exige um aço mais resistente, seja para trabalhar em uma siderúrgica ou na movimentação de escórias como metal derretido”, finaliza a analista.
Impactos na operação de uma caçambasem manutenção adequada são expressivos.KAÇAM.
Caçambas-processadoras exigem conservação meticulosa
Má conservação pode causar perda de produtividadee impactar a qualidade do material de saída.ALLU.
Em suas estruturas exteriores, as caçambas-processadoras demandam ações de manutenção bastante similares às implementadas em caçambas convencionais de escavadeiras e pás carregadeiras. No entanto, esses modelos apresentam ainda outros componentes que exigem atenção, como relata Ygor Moraes, diretor técnico da Máquina Solo, distribuidora oficial da marca finlandesa Allu no Brasil.
O interior desse tipo especial de caçamba contém diversos eixos, cada um deles equipados com mancais de rolamentos, que suportam os chamados “martelos”, responsáveis mais imediatos pelas tarefas de processamento. Esses martelos, por sua vez, são componentes de desgaste e, portanto, devem ser trocados periodicamente. “Os eixos até podem ser reformados com procedimentos de solda”, informa Moraes. “Mas, a partir de um certo patamar de desgaste, fica difícil atingir a dimensão mínima necessária com solda, sendo melhor trocá-los.”
A caçamba-processadora conta ainda com sistema hidráulico, prossegue o especialista, que opera com o fluido hidráulico da máquina à qual está acoplada. “Esse sistema conta com um motor que não é muito complexo, podendo ser reformado”, acrescenta Moraes, que atua tanto na comercialização quanto no ciclo completo do pós-venda desses equipamentos usados em trituração, peneiramento e homogeneização. “E as estruturas externas são muito resistentes, de modo que raramente requerem reforma.”
Segundo ele, as caçambas da Allu são equipamentos multifuncionais que realizam tarefas distintas de acordo com os martelos com os quais estão equipadas, podendo ser acoplados a carregadeiras e escavadeiras de qualquer tamanho, desde modelos do tipo mini até grandes máquinas de mineração. Todavia, se não forem conservadas em bom estado poderão não apenas demandar atividades de manutenção corretiva, mas também perder produtividade e impactar a qualidade do material de saída. “Ou seja, haverá três problemas”, aponta Moraes.
Para minimizar a ocorrência de tais problemas, ele aconselha seguir as recomendações dos fabricantes quanto ao modo de operação e às trocas regulares das peças de desgaste, sob o risco de afetar componentes como eixos, rolamentos e a própria caçamba. “Eixos e martelos em mau estado acarretam menor fluidez, acentuando o desgaste da caçamba”, lembra o profissional da Máquina Solo.
Saiba mais:
Innova do Brasil: https://innovadobrasil.com.br
Kaçam: https://kacam.com.br
Máquina Solo: https://maquinasolo.com.br

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