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21 de dezembro de 2017
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Coluna Yoshio

Muito além da crise

Os ‘drivers’ do mercado podem ser identificados e antecipados por meio da análise de tendências sócio-tecnológicas. E alguns questionamentos podem ajudar a fazer esse diagnóstico imperativo.”

Nestes dias conturbados, muitos executivos estão mergulhados em um exercício inglório, planejando os negócios para o ano que se inicia. De saída, já sabem que a análise dos indicadores econômicos não ilumina o cenário e tampouco fornece indicações confiáveis para a tarefa. A realidade do mercado é que, com o pífio crescimento do PIB em 2017 – algo entre 0,4% e 0,5% nas hipóteses mais otimistas –, a disparidade entre empresas de diversos setores é simplesmente brutal.

É fato que algumas empresas estão fechando o ano com crescimento. Uma delas, do setor de equipamentos eletrônicos, segue expandindo seu faturamento como nos anos anteriores à crise, obtendo algo entre 20% e 30% ao ano. Outra, do setor de alimentos, também cresce com índices semelhantes, São empresas que praticamente dobraram o faturamento nos últimos anos e seguem ocupadas em planejar sua expansão.

No entanto, no extremo oposto acompanhamos empresas de setores mais afetados pela recessão, cujo faturamento atual está 50% abaixo dos resultados de quatro anos atrás. O que estes fatos nos dizem? É possível arriscar que configuram um alerta contra a análise tradicional do cenário econômico, com suas eternas promessas de crescimento.

Mas como reagir a isso? Alguns exemplos indicam que, atualmente, os “drivers” (ou fatores-chave) do mercado podem ser identificados e antecipados por meio da análise de tendências sócio-tecnológicas. E alguns questionamentos podem ajudar a fazer esse diagnóstico imperativo.

Por exemplo, como o crescente consumo de produtos alimentícios sem glúten, sem lactose, sem açúcar e sem gordura pode ajudar o seu negócio? A tendência das pessoas comprarem cada vez mais “comida” ao invés de “mantimento” tem impacto no seu negócio? Ou então, nesta crise com altos índices de desemprego, como seria uma educação voltada para a empregabilidade? Quando os jovens dão mais valor a um celular sofisticado do que a um carro, o futuro do seu negócio é promissor?

O fato de a apostasia afetar muitos jovens no Ocidente e o proselitismo impulsionar religiões tem reflexo na sua empresa? Quando há um número crescente de jovens que evitam a carreira corporativa, quais são as suas oportunidades? Sendo a energia solar uma das principais apostas do mercado, como se apropriar desta oportunidade? O crescente interesse por carros elétricos traz benefícios para o seu negócio?

Certamente


Nestes dias conturbados, muitos executivos estão mergulhados em um exercício inglório, planejando os negócios para o ano que se inicia. De saída, já sabem que a análise dos indicadores econômicos não ilumina o cenário e tampouco fornece indicações confiáveis para a tarefa. A realidade do mercado é que, com o pífio crescimento do PIB em 2017 – algo entre 0,4% e 0,5% nas hipóteses mais otimistas –, a disparidade entre empresas de diversos setores é simplesmente brutal.

É fato que algumas empresas estão fechando o ano com crescimento. Uma delas, do setor de equipamentos eletrônicos, segue expandindo seu faturamento como nos anos anteriores à crise, obtendo algo entre 20% e 30% ao ano. Outra, do setor de alimentos, também cresce com índices semelhantes, São empresas que praticamente dobraram o faturamento nos últimos anos e seguem ocupadas em planejar sua expansão.

No entanto, no extremo oposto acompanhamos empresas de setores mais afetados pela recessão, cujo faturamento atual está 50% abaixo dos resultados de quatro anos atrás. O que estes fatos nos dizem? É possível arriscar que configuram um alerta contra a análise tradicional do cenário econômico, com suas eternas promessas de crescimento.

Mas como reagir a isso? Alguns exemplos indicam que, atualmente, os “drivers” (ou fatores-chave) do mercado podem ser identificados e antecipados por meio da análise de tendências sócio-tecnológicas. E alguns questionamentos podem ajudar a fazer esse diagnóstico imperativo.

Por exemplo, como o crescente consumo de produtos alimentícios sem glúten, sem lactose, sem açúcar e sem gordura pode ajudar o seu negócio? A tendência das pessoas comprarem cada vez mais “comida” ao invés de “mantimento” tem impacto no seu negócio? Ou então, nesta crise com altos índices de desemprego, como seria uma educação voltada para a empregabilidade? Quando os jovens dão mais valor a um celular sofisticado do que a um carro, o futuro do seu negócio é promissor?

O fato de a apostasia afetar muitos jovens no Ocidente e o proselitismo impulsionar religiões tem reflexo na sua empresa? Quando há um número crescente de jovens que evitam a carreira corporativa, quais são as suas oportunidades? Sendo a energia solar uma das principais apostas do mercado, como se apropriar desta oportunidade? O crescente interesse por carros elétricos traz benefícios para o seu negócio?

Certamente, são tendências com diferentes calendários para diferentes setores. Portanto, é fundamental definir o próprio calendário para adotar soluções que acompanhem tantas mudanças. Pois o problema maior a enfrentar pode não ser a crise, mas justamente as transformações sócio-tecnológicas que atravessamos.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema