
Com peso de 33 ton, essa plataforma para inspeção de pontes podia ser estendida para alcançar distâncias de até 20 m sob os tabuleiros. IMAGENS: REPRODUÇÃO
A busca contínua pela otimização de custos e produtividade nas obras de construção pesada sempre estimulou o desenvolvimento de máquinas especializadas, em um processo cada vez mais acelerado e de maior complexidade. Esse também é o caso das soluções de içamento.
No início dos anos 1980, a maioria dos guindastes trazia lanças telescópicas. Com o tempo, máquinas menores para todo terreno se tornaram comuns nas obras de construção pesada, enquanto os guindastes sobre caminhão passaram a ser amplamente aplicados, já que facilitavam bastante a descarga de materiais.
Diversos fabricantes japoneses lançaram guindastes compactos sobre pneus, operados a partir de uma cabina montada na superestrutura,


Com peso de 33 ton, essa plataforma para inspeção de pontes podia ser estendida para alcançar distâncias de até 20 m sob os tabuleiros. IMAGENS: REPRODUÇÃO
A busca contínua pela otimização de custos e produtividade nas obras de construção pesada sempre estimulou o desenvolvimento de máquinas especializadas, em um processo cada vez mais acelerado e de maior complexidade. Esse também é o caso das soluções de içamento.
No início dos anos 1980, a maioria dos guindastes trazia lanças telescópicas. Com o tempo, máquinas menores para todo terreno se tornaram comuns nas obras de construção pesada, enquanto os guindastes sobre caminhão passaram a ser amplamente aplicados, já que facilitavam bastante a descarga de materiais.
Diversos fabricantes japoneses lançaram guindastes compactos sobre pneus, operados a partir de uma cabina montada na superestrutura, que eram transportados de um lugar para outro da mesma forma que um caminhão. Devido às dimensões reduzidas, essas máquinas foram usadas em obras urbanas por oferecerem maior facilidade de movimentação, mas sua aceitação pelo público foi lenta, tanto na Europa como nos Estados Unidos.
Na outra extremidade da faixa estavam os guindastes de grande porte, manuseando cargas cada vez mais pesadas. O Demag AC1600, por exemplo, foi lançado nos anos 80 e, por muito tempo, tornou-se um dos maiores guindastes telescópicos que podiam trafegar por estradas.
Embora haja modelos antigos ainda em uso, as máquinas a cabo com caçambas de arrasto (draglines) foram substituídas por guindastes com tambor suplementar. Fabricantes como Hitachi, Kobelco, Liebherr, Link-Belt, Sumitomo e outros passaram a produzir guindastes com capacidade de trabalhar com esse implemento, evidentemente com uma produtividade muito maior, uma vez que os antigos guinchos mecânicos foram substituídos por guinchos hidráulicos, muito mais eficientes.
Os guindastes sobre esteiras também foram aperfeiçoados para aplicação em fundações, embora alguns fabricantes – como Bauer e Delmag – usassem escavadeiras hidráulicas tradicionais como máquinas-base para seus implementos. Na maioria das aplicações, os implementos utilizavam potência hidráulica, muitas vezes extraída diretamente da máquina-base.
A eletrônica também trouxe um grande avanço ao setor, possibilitando monitorar com precisão a cravação de estacas e os processos de perfuração.
DESENVOLVIMENTOS
Ao mesmo tempo, também houve um avanço significativo nas áreas de abertura de valas e lançamento de cabos. Cada vez maior, a demanda por esse tipo de máquina para lançamento de redes dentro das cidades, assim como as restrições dos órgãos públicos para abertura de valas em regiões urbanas (principalmente devido a problemas de tráfego e à necessidade de estocagem de cabos e tubos sobre o solo, prejudicando a movimentação de veículos e pedestres), fizeram acelerar a busca por soluções diferenciadas, que trouxessem maior eficiência.
Diversas tentativas foram feitas com o objetivo de aperfeiçoar essas máquinas. Em 1991, a Fockersperger produziu uma máquina para lançamento de cabos puxada por um veículo especial e, a partir daquela década, o lançamento de cabos por métodos não-destrutivos passou a ser mais largamente usado, graças ao aumento da precisão na escavação e à evolução dos sistemas de direcionamento.
Nas obras de arte especiais, a construção de estruturas de pontes também teve um grande avanço no período, com o uso extensivo de pré-moldados, aumento dos vãos e maior velocidade na execução. Um equipamento clássico é a treliça lançadora de vigas pré-moldadas, que permite lançar elementos de até 100 toneladas.
A partir da década de 1980, a instalação de cabos tornou-se um negóciopromissor, com a popularização de sistemas no-dig
Essa característica levou ao desenvolvimento de veículos de transporte para esses componentes, industrializando a construção, além de uma série de equipamentos menores de manuseio. Foi o caso, por exemplo, da treliça lançadeira Sicet, do sistema Fischetti de içamento e movimentação sobre trilhos de vigas pré-moldadas e do sistema de elevação de vigas Carrellone, para uso em áreas confinadas debaixo de viadutos.
A crescente quantidade de obras de arte especiais sobre rios, estradas, gargantas e outros criou uma necessidade paralela de inspeção, manutenção regular e reparo de um sem-número de pontes e viadutos. Isso levou à criação de alguns equipamentos para inspeção da parte inferior das estruturas, como o conceito desenvolvido pelas empresas Barin e Moog, com peso de 90 toneladas e alcance de 20 metros sob a estrutura.
O trimmer da Gomaco, visto em ação nesta imagem, era capaz de daracabamento em níveis bastante precisos para superfícies de rodovias
DIVERSIFICAÇÃO
Outra área que teve grande desenvolvimento foi a de plataformas elevatórias, cuja quantidade até hoje vem tendo aumentos significativos em todo o mundo, com todos os tipos de estrutura, rebocadas ou autopropelidas, montadas sobre pneus ou esteiras. Os sistemas mais comuns eram do tipo tesoura, telescópico ou de lança dobrável, ou mesmo uma combinação desses sistemas básicos. A altura de trabalho chegou a 60 metros, o que tornou o equipamento muito útil, por exemplo, na manutenção da sinalização vertical rodoviária e de equipamentos de túneis.
Uma vez que a previsão de grandes movimentos de terra foi se reduzindo e os caminhões articulados não necessitavam de pistas em condições tão boas, as motoniveladoras se tornaram máquinas de nivelamento de precisão para a aplicação do pavimento. O mercado continuou a ser dominado por marcas como Caterpillar, Champion (adquirida pela Volvo em 1997), John Deere e Komatsu, que passou a vender as máquinas Galion, inicialmente produzidas pela Dresser.
O uso das motoniveladoras como máquinas de precisão levou diversos fabricantes de equipamentos eletrônicos a produzir dispositivos especiais, inicialmente baseados em ultrassom e, posteriormente, em laser. Topcon, Laser Alignment, Spectra Physics e outras marcas atuaram nessa área, abrindo caminho para o nivelamento automático da lâmina.
Na pavimentação, a Gomaco, entre outros fabricantes, desenvolveu um conjunto de máquinas chamadas de “aparadoras” (trimmers), capazes de dar acabamento em superfícies de rodovias em níveis bastante precisos, graças aos sistemas eletrônicos acoplados e, adicionalmente, recursos para executar pavimentação em concreto.
ELETRÔNICA
A eletrônica também influenciou diretamente uma atividade mais recente da construção pesada: a fresagem e a recuperação de rodovias. As pequenas espessuras de corte e a precisão de acabamento da fresagem e do recapeamento permitiram chegar ao nível atual de qualidade de pavimento.
Marcas como ABG, Svedala, Dynapac, Mannesmann Demag, Wirtgen e outras se destacaram nessa área. Seguidas fusões e aquisições reduziram ainda mais a quantidade de fabricantes, em um mercado ainda hoje em grande mutação. Além disso, a eletrônica foi ainda responsável por avanços significativos em compactadores, com sistemas que mediam a reação do solo à energia liberada pelo equipamento. A empresa sueca Geodynamics foi uma das pioneiras nesse campo.
Leia na próxima edição:Carregadeiras ganham articulação

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