Foto: LIEBHERR

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CAPACIDADES
Na avaliação da Liebherr, o mercado segue estável, embora já apresente sinais de desaceleração.
Segundo o executivo comercial da Liebherr Brasil, Daniel Poll, o ambiente permanece pressionado por fatores econômicos, políticos e regulatórios, capazes de alterar o cenário com relativa rapidez.
“O setor não está parado, mas operando sob maior grau de incerteza, o que requer prudência de compradores e locadores”, acentua.
Dinâmica setorial interfere diretamente nas encomendas de guindastes, dizem especialistas. Foto: LIEBHERR
Nesse quadro, a fabricante aponta guindastes AT como o segmento com o melhor desempenho dos últimos anos.
O motivo, segundo Poll, está na versatilidade dos equipamentos, capazes de se adaptar a diferentes tipos de obra em diversos setores.
“Em um mercado que busca reduzir o risco do investimento e aumentar o aproveitamento da frota, a capacidade de um mesmo equipamento atender mais de uma indústria passa a ser um diferencial decisivo”, avalia.
Essa preferência se conecta ainda à faixa de capacidade mais demandada no mercado, atualmente entre 120 t e 400 t, segundo a Liebherr.
Trata-se de um intervalo que atende com eficiência obras de infraestrutura, mineração e montagens industriais, ou seja, aplicações nas quais é necessário combinar robustez com mobilidade e flexibilidade operacional.
Ao destacar essa faixa, a empresa sugere que a demanda interna segue relativamente concentrada em modelos capazes de atuar em uma maior variedade de serviços, sem necessariamente migrar para extremos de tonelagem.
A mudança no perfil das obras, no entanto, já influencia diretamente o mix. “Houve redução significativa no volume de novos projetos eólicos, o que diminuiu a demanda por guindastes entre 500 t e 1.200 t”, observa Poll.
“Ou seja, a dinâmica setorial está interferindo diretamente nas encomendas.”
De fato, quando o pipeline de grandes parques desacelera, os equipamentos de altíssima capacidade perdem protagonismo, ainda que continuem estratégicos em projetos pontuais.
Diante disso, as empresas de locação e içamento vêm ajustando as frotas com maior foco em flexibilidade.
Segundo Poll, essas companhias têm migrado para segmentos com mais atividades no momento, aproveitando a capacidade dos equipamentos de atender diferentes indústrias.
“Em vez de uma especialização rígida, o que aparece é uma tentativa de proteger o investimento por meio de máquinas que possam circular por diversos mercados”, delineia.
DEMANDA
Para Luciano Dias, diretor de vendas e suporte de produto da Manitowoc Brasil, o país apresenta deficiências importantes em infraestrutura, como rodovias, portos e aeroportos, o que abre oportunidades.
“Há muita obra a ser feita e melhorada”, aponta.
“Consequentemente, existe espaço relevante para a comercialização de guindastes.”
Demanda por modelos de alta capacidade vem migrando da implantação para serviços e manutenção. Foto: TATUAPÉ
Isso, segundo ele, se deve em grande parte ao impulso de setores como óleo & gás, mineração e construção civil, que “seguem em forte desenvolvimento e criam oportunidades para a venda de equipamentos”.
Assim como a Liebherr, a Manitowoc também vê força em guindastes todo-terreno, especialmente seminovos.
O destaque dado ao mercado de recondicionados é significativo, pois traduz uma realidade concreta do setor, que convive com juros elevados e maior seletividade nos investimentos.
“Muitas empresas que precisam ampliar ou renovar a frota buscam soluções financeiramente mais viáveis que a compra de uma máquina nova”, observa.
Em termos de capacidade, a Manitowoc também enxerga duas faixas de demanda.
A mais volumosa, segundo Dias, inclui máquinas de média capacidade, entre 80 t e 120 t, utilizadas em infraestrutura, óleo & gás, construção civil e mineração.
“Projetos verticais, como edifícios residenciais e comerciais, também são atendidos por guindastes dessa faixa”, posiciona.
Por outro lado, Dias ressalta que a demanda por modelos de alta capacidade, entre 400 t e 900 t ou acima disso, incluindo ATs e modelos sobre esteiras, vem batendo recordes em aplicações específicas, especialmente manutenção de torres eólicas.
“Mesmo quando a implantação de grandes parques perde força, a manutenção dos ativos instalados continua sustentando a procura’, afirma.
“Isso mostra que o mercado de alta capacidade não desaparece, mas muda de eixo, migrando de implantação para serviço e manutenção.”
Avaliando o mercado, a marca vê uma busca por renovação de frota condicionada por restrições financeiras.
Para muitas empresas, a compra de máquinas novas ainda representa um desafio, impulsionando opções de recondicionamento e seminovos.
Além da expansão da oferta de peças, componentes e suporte técnico, Dias cita a ampliação do programa EnCORE “como ferramenta para maximizar o retorno sobre o investimento”.
Para 2026, ele projeta um cenário de continuidade da demanda, embora com um detalhe típico de anos eleitorais.
“Obras públicas de infraestrutura tendem a seguir em ritmo acelerado, enquanto projetos privados costumam avançar com mais cautela até que o ambiente político fique mais claro”, conjectura.
“Ainda assim, a perspectiva no médio prazo é positiva, apoiada na continuidade de projetos relevantes e na necessidade de içamento em vários setores.”
No campo tecnológico, a empresa destaca um aumento significativo dos investimentos em soluções voltadas para eficiência e facilidade de operação.
Nessa linha, os carros-chefes da marca são os sistemas Grove Connect e Potain Connect, que permitem rastreamento por GPS, monitoramento do consumo e acompanhamento dos ângulos da lança e do peso da carga, além de diagnósticos remotos de falhas, tudo acessível em tempo real pelo celular.
“No segmento de gruas, o mercado brasileiro vive um momento bastante positivo”, observa Dias.
"Há um alto nível de utilização dos equipamentos por distribuidores e locadores, o que naturalmente se converte em novos investimentos e programas de renovação de frota.”
Esse movimento ganhou consistência a partir de 2024, diz ele, resultando em um crescimento “gradual, linear e saudável” do setor.
“Para 2026, contamos com um backlog robusto, algo que não se observava havia mais de uma década”, salienta Dias, que vê um mercado apertado do ponto de vista de disponibilidade, com alto índice de utilização.
“Nessas obras, muitos clientes optam por gruas devido à confiabilidade, qualidade e estrutura de suporte ao produto”, ressalta.
MATURIDADE
De maneira mais enfática, a XCMG demonstra otimismo em relação ao momento vivido pelo mercado.
“O Brasil vive uma fase de maturidade e retomada consistente, com demanda aquecida por grandes projetos represados”, diz Luiz Henrique Lourenço da Costa, executivo de vendas da XCMG Brasil.

Obras modernas demandam máquinas que cheguem rápido
à frente de trabalhoe operem com precisão. Foto: XCMG
A empresa associa o desempenho robusto ao fato de o cliente brasileiro já não buscar apenas a máquina em si, mas também pronta-entrega e suporte técnico, algo que a escala de produção e a presença local permitem à marca oferecer.
No recorte por segmento, a fabricante destaca o crescimento de modelos RT e AT.
Os primeiros aparecem como solução valorizada em terrenos severos de mineração e grandes canteiros, enquanto os demais se destacam pela combinação entre capacidade de deslocamento e força operacional.
“A demanda por esses modelos tem aumentado porque as obras modernas exigem agilidade”, explica Costa.
“Ou seja, demandam máquinas que cheguem rápido à frente de trabalho e operem com precisão.”
Em termos de capacidade, Costa afirma que a faixa entre 75 t e 130 t segue como carro-chefe para serviços gerais e pré-moldados, confirmando que as capacidades intermediárias concentram grande parte da procura.
Contudo, acrescenta um segundo vetor na busca por máquinas entre 250 t e 600 t, voltadas para montagens industriais pesadas e o setor de energia, “em um contexto em que componentes e estruturas a serem içados se tornam cada vez maiores”.
A leitura do perfil das obras é igualmente clara.
“Os setores de mineração e energia, incluindo eólica e solar, ditam o ritmo do mercado, enquanto o agronegócio também impulsiona a venda para construção de silos e infraestrutura logística”, conta Costa, observando que esse deslocamento para segmentos mais técnicos exige máquinas com mais tecnologia embarcada e tabelas mais eficientes de carga.
A XCMG identifica um processo simultâneo de renovação e diversificação no comportamento das locadoras.
“Manter uma frota jovem reduz o custo de manutenção e aumenta a disponibilidade operacional”, justifica Costa, que antecipa um cenário “extremamente positivo” para os próximos anos.
“Novos leilões de infraestrutura e concessões de rodovias, e as metas do saneamento devem sustentar a demanda por mais cinco anos ao menos”, prospecta.
Avanço das marcas chinesas é um fato consolidado no mercado de guindastes do país. Foto: XCMG
CONCORRÊNCIA
Essa perspectiva, é claro, também aguça a concorrência. De acordo com Costa, o avanço das marcas chinesas já é um fato consolidado.
Para ele, o mercado brasileiro superou o preconceito inicial, “principalmente porque a competitividade das marcas hoje se apoia em uma combinação de máquinas robustas, rede de pós-venda nacional, disponibilidade imediata, financiamento agressivo e um grande salto em tecnologia e segurança”.
O especialista avalia que os guindastes da XCMG, por exemplo, competem “em pé de igualdade tecnológica” com fabricantes globais, mas “com custo total de operação mais atrativo”.
“Os equipamentos contam com telemetria em tempo real para monitorar consumo de combustível e comportamento da carga, além de sistemas de segurança ativa que impedem operações fora da tabela de carga”, descreve o executivo de vendas.
Quando o tema é competitividade, a Liebherr também procura enquadrar o avanço das marcas chinesas em uma lógica mais ampla.
Poll menciona que alguns países têm adotado processos antidumping em determinados segmentos de guindastes móveis sobre pneus e esteiras, o que, segundo ele, evidencia que a disputa não envolve apenas mercado, mas também fatores geopolíticos e estratégicos.
“Nesse contexto, seguimos focados em diferenciação tecnológica, qualidade, eficiência operacional, suporte ao cliente e longa vida útil dos equipamentos, sustentando a competitividade em pilares de valor de longo prazo”, assegura.
Segundo ele, o crescimento dos fabricantes chineses tem relação direta com a “competitividade de preço”, considerando que muitos contratantes locais ainda priorizam o custo de aquisição, sem levar em conta a procedência do equipamento.
“No longo prazo, o custo tende a se equalizar quando se considera valor por hora trabalhada, além de fatores como durabilidade, que impactam diretamente no desempenho e na vida útil”, complementa.
Maior guindaste do portfólio da marca, o modelo ZCC7200 passa a integrar projetos estratégicos no país nos segmentos de construção naval e logística pesada e leve, tanto fluvial quanto terrestre, em uma das regiões mais desafiadoras do país.
Modelo ZCC7200 passa a integrar projetos estratégicos em construção naval e logística. Foto: ZOOMLION
Em fase final de montagem e testes em Manaus (AM), o equipamento foi adquirido por um cliente com forte atuação regional para atender operações que exijam alta capacidade de carga, estabilidade e confiabilidade.
“Entre as principais aplicações previstas estão montagem pesada, elevação de grandes estruturas, içamento de blocos para montagem de balsas com cargas entre 20 e 40 t e suporte ao projeto de fibra óptica Norte, entre outras atividades estratégicas”, descreve a empresa.
MERCADO
Guindastes de torre tem evolução consistente, avaliam fabricantes
No segmento de gruas, a XCMG deixa claro que o segmento está “em expansão e sofisticação”.
A empresa destaca o avanço de modelos de montagem rápida e de gruas com lança móvel para canteiros urbanos mais confinados, “em sintonia com a verticalização das cidades e a industrialização da construção”.
A Liebherr, por sua vez, observa uma “evolução consistente” na movimentação de gruas de grande capacidade, que passaram a ser tratadas “como parte central da engenharia de projetos complexos em infraestrutura, indústria e mineração”.
Já a Manitowoc relata um “alto nível de utilização” das gruas-torre, com renovação mais consistente de frotas desde 2024 e um backlog robusto para 2026, algo que, segundo a empresa, “não era visto havia mais de uma década”.
Segmento de torres vive expectativa do backlog mais robusto em mais de uma década. Foto: MANITOWOC
Pallaro: avanço no pós-venda mudou o patamar de reconhecimento das marcas chinesas: Foto: MARCELO JANUÁRIO
Os números têm sido crescentes. Em 2012, no auge dos projetos de infraestrutura esportiva, havia uma média de 300 máquinas emplacadas por ano. Em 2016, eram emplacadas de 10 a 15 máquinas por ano. Em 2020, começou a duplicar a cada ano, chegando a 730 unidades em 2024. No ano passado, quando se imaginava que tinha chegado ao limite, ainda faturou +2%, indo a 744 máquinas. Neste ano, é mais difícil isso se repetir, pois começou bem instável e retraído, com as questões de guerra e eleições.
Desde 2021, somos líderes do mercado de guindastes emplacados no Brasil. Digo emplacados porque isso representa 95% do mercado – o que não é emplacado são as máquinas de esteiras, que representam muito pouco das vendas. Em 2024, chegamos a 45% de participação, quase metade do mercado do ano retrasado. Logo, o mercado tem absorvido muito bem os nossos equipamentos, mesmo sendo mais caros.
Principalmente tecnologia embarcada, qualidade de fabricação e, finalmente, pós-venda, que é o mais importante. Temos um corpo técnico robusto do Brasil, com profissionais brasileiros e chineses, além de um estoque muito grande em Vitória (ES), acima de 200 milhões de reais em peças. Isso dá segurança para os clientes. Quando o guindaste quebra, raramente vai ficar parado por um período muito longo por falta de peça, pois na maioria dos casos temos a reposição. No final do ano, a disponibilidade física é superior à dos componentes. Ou seja, conseguimos atender com rapidez, o que justifica a liderança.
Os projetos chineses melhoraram muito. Lá atrás, eram muito inferiores aos atuais, não tinham uma telemetria interessante, por exemplo. Além disso, o custo diminuiu, porque o volume aumentou. Em 2005, 100% do parque de guindastes do Brasil era composto por marcas japonesas, alemãs ou americanas. Hoje, esses fabricantes têm 1,5% do mercado de máquinas importadas. Como disse, no ano passado foram emplacados 744 guindastes. E os fabricantes chineses emplacaram 733 máquinas. Ou seja, hoje o mercado de guindastes no Brasil está dominado pelos chineses.
Saiba mais:
Liebherr: www.liebherr.com/pt-br
Manitowoc: www.manitowoc.com/pt
Sany do Brasil: https://sanydobrasil.com
XCMG: https://xcmg-america.com
Zoomlion: www.zoomlion.com.br

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