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Revista M&T - Ed.263 - Maio 2022
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MOTONIVELADORAS

O equilíbrio do conjunto

Configuração correta de motoniveladoras permite atender às necessidades de produção na medida exata, propiciando o menor custo operacional possível dentro da obra
Por Santelmo Camilo

Quando o assunto é potência, alguns pontos precisam ser levados em conta. Enquanto em máquinas de escavação e carregamento as atenções se voltam para a força do braço e capacidade de penetração da caçamba, em motoniveladoras a potência está diretamente ligada ao volume e densidade de material a ser movimentado – assim como ao prazo de execução da obra.

Embora modelos mais potentes entreguem uma produção mais elevada, dependendo do modelo de negócio é importante contar com uma motoniveladora configurada para atender às necessidades de produção ao menor custo operacional possível. Na outra ponta, os modelos de menor porte e potência são indicados para serviços onde não há tanta necessidade de produção, mas sim de consumo controlado de combustível, por exemplo.

De modo geral, a potência do motor está relacionada à capacidade de tração, principal parâmetro relacionado à produtividade. Assim, quanto maior for a densidade do terreno, mais alta deve ser a potência. Outro fator relevante é o peso da máquina e sua distribuição entre os chassis, característica que influencia na eficiência da operação, capacidade de direção e pressão da lâmina.

De acordo com os especialistas ouvidos nesta reportagem, uma seleção criteriosa da motoniveladora é imprescindível para quem busca produtividade, principalmente por se tratar de um equipamento versátil, que atende tanto a construção como outros setores. Nesse sentido, são levados em conta critérios como características da aplicação, demanda produtiva (em m2 x h), largura e distância da via e nível de compactação do solo, em razão da resistência à penetração da lâmina.

O dimensionamento exige ainda considerações sobre o tipo de tração e necessidade de implementos, como escarificador e lâmina frontal.

DIMENSIONAMENTO

Na visã


Quando o assunto é potência, alguns pontos precisam ser levados em conta. Enquanto em máquinas de escavação e carregamento as atenções se voltam para a força do braço e capacidade de penetração da caçamba, em motoniveladoras a potência está diretamente ligada ao volume e densidade de material a ser movimentado – assim como ao prazo de execução da obra.

Embora modelos mais potentes entreguem uma produção mais elevada, dependendo do modelo de negócio é importante contar com uma motoniveladora configurada para atender às necessidades de produção ao menor custo operacional possível. Na outra ponta, os modelos de menor porte e potência são indicados para serviços onde não há tanta necessidade de produção, mas sim de consumo controlado de combustível, por exemplo.

De modo geral, a potência do motor está relacionada à capacidade de tração, principal parâmetro relacionado à produtividade. Assim, quanto maior for a densidade do terreno, mais alta deve ser a potência. Outro fator relevante é o peso da máquina e sua distribuição entre os chassis, característica que influencia na eficiência da operação, capacidade de direção e pressão da lâmina.

De acordo com os especialistas ouvidos nesta reportagem, uma seleção criteriosa da motoniveladora é imprescindível para quem busca produtividade, principalmente por se tratar de um equipamento versátil, que atende tanto a construção como outros setores. Nesse sentido, são levados em conta critérios como características da aplicação, demanda produtiva (em m2 x h), largura e distância da via e nível de compactação do solo, em razão da resistência à penetração da lâmina.

O dimensionamento exige ainda considerações sobre o tipo de tração e necessidade de implementos, como escarificador e lâmina frontal.

DIMENSIONAMENTO

Na visão de Débora Viana, especialista de marketing de produto da New Holland Construction, a motoniveladora não é especificada unicamente pela potência, mas também pela produtividade requerida. Para isso, calcula-se a produção por hora. “A potência necessária para a produtividade é só um dos parâmetros do equilíbrio do conjunto, para que seja possível atingir os objetivos planejados”, explica Viana. “Os fatores também incluem tipo de terreno, atividade (duty cycle), acabamento (velocidade e precisão) e corte (penetração de lâmina e tracionamento da máquina).”


Além de potência, parâmetros de produtividade incluem terreno, atividade, acabamento e corte

Segundo ela, existem dois perfis de clientes. O primeiro é o varejista (rental), que detém conhecimento dos custos de operação e da produtividade esperada das máquinas. “Já o segundo é o cliente público (licitação), que geralmente possui especificações mais genéricas, devido à diversidade das aplicações”, observa. “Nesse caso, a máquina nem sempre terá um desempenho tão adequado.”

Desempenho que está atrelado a recursos de projeto. A motoniveladora da New Holland, por exemplo, conta com contrapeso frontal (front push plate) como item de fábrica, possibilitando maior força de penetração. “Há ainda a hélice reversível, também de fábrica, que permite eliminar detritos no radiador e evitar paradas para limpeza mesmo em ambientes severos”, informa Viana.

A marca disponibiliza ainda duas tecnologias complementares. O FleetForce oferece a possibilidade de controlar o desempenho por computador, além de monitorar o consumo e a produtividade. Além disso, o cliente pode controlar a localização e receber notificações caso o equipamento seja utilizado fora do horário autorizado. Já o FleetGrade é uma tecnologia para trabalho de forma guiada, com controle hidráulico automático. “É uma solução personalizada para melhorar o desempenho e aumentar a produtividade da máquina”, diz ela.

O especialista em aplicação de tecnologias da Caterpillar, Augusto Montragio, acrescenta que o espaço disponível também precisa ser considerado. Máquinas maiores e mais potentes requerem maior área de manobra, e os canteiros devem estar preparados para isso. “Devido ao relacionamento construído ao longo de anos, os clientes sabem que nossa meta é entregar a melhor solução para suas operações, considerando o modelo de negócio de cada um”, comenta Montragio.


Equipamentos maiores e mais potentes requerem maior área de manobra nos canteiros

Contudo, ele prossegue, nem sempre o cliente tem o equipamento adequado para cada tipo de trabalho. “Nossas equipes técnicas avaliam cada necessidade para indicar o equipamento mais apropriado, com baixo custo operacional, qualidade e segurança no tempo determinado para a obra”, assegura.

Segundo Montragio, a motoniveladora pode ser utilizada em diferentes aplicações. “Mas o que garante o sucesso é definir corretamente o tamanho e a configuração da máquina, tipo de lâmina, pneus e outras variáveis”, afirma. “Isso se traduz em produtividade, menor custo operacional e de propriedade, qualidade, segurança, tempo de execução e outros fatores, de acordo com cada obra e modelo de negócio.”

ESPECIFICAÇÕES

De acordo com o gerente de marketing de produto da John Deere, Luiz Souza, o mercado conta atualmente com uma diversidade de perfis de clientes, tornando possível trabalhar desde configurações personalizadas, de acordo com necessidades e aplicações específicas, até requisitos pré-definidos.


Perfis distintos de clientes e obras demandam configurações flexíveis do conjunto

As motoniveladoras da marca possuem itens de série como transmissão Powershift com sistema EBS (Event Based Shifting), agora com o opcional Autoshift-plus para otimizar o escalonamento de marchas e melhorar a produtividade. “Outro item de fábrica é a tração 6x6, que otimiza a produção”, acrescenta Souza. “As máquinas também contam com sistemas automáticos de proteção do motor e da transmissão, como redução de potência, desbloqueio do diferencial e neutralização da transmissão.”

Como padrão, a empresa também disponibiliza o sistema JDLink para gerenciamento de frota. “Globalmente, oferecemos o exclusivo sistema SmartGrade, que atende desde necessidades em 2D básico ao 3D com automação, que logo estará disponível no mercado brasileiro”, antecipa.

Voltando às especificações, no momento de recomendação do equipamento são analisados todos os pontos críticos da operação, assim como a produtividade almejada (em hora/dia), como explica Fernando Silva Dávila, engenheiro de vendas da Komatsu. “Geralmente, os clientes aceitam a recomendação, até pelo fato de a motoniveladora entregar a produção proposta para determinada eficiência operacional”, afirma.


Possibilidade de seleção do modo de trabalho reforça a produtividade da máquina

De acordo com ele, as motoniveladoras GD535-5 e GD655-5 são equipadas com tecnologia para eficiência no consumo e transmissão hidráulica powershift, com seleção automática e manual do modo. “Em aplicações como nivelamento e corte, que exigem mais potência e controle fino, o operador pode selecionar o modo automático, que proporciona maior força de tração para o equipamento”, sublinha. “Já para uma velocidade mais elevada, pode ser selecionada a transmissão no modo manual.”

Outra tecnologia disponibilizada é o sistema Anti-Estol, que permite combinar os modos manual e automático durante a operação. Quando ocorre um aumento da carga, a rotação do motor diminui até o momento do estol, sendo que o sistema “entende” a queda da rotação e alterna para o modo automático, evitando a perda de produtividade. “Além disso, a tecnologia Machine Control permite inserir o projeto em 3D no equipamento”, destaca Dávila. “Assim, o operador passa a ser guiado por coordenadas e a lâmina se ajusta automaticamente ao projeto, resultando em produtividade, redução de custo, qualidade e segurança.”

ACESSÓRIOS

Especialista de produto da Case CE, Lauren Batista reforça que a motoniveladora é uma máquina com configuração bastante abrangente – normalmente incluindo contrapeso frontal e ripper traseiro. “Já implementos como escarificador e lâmina dianteiros são pouco utilizados em nosso mercado, pois servem para atividades mais específicas”, comenta.

Entre os acessórios disponíveis, a marca oferece ripper e escarificador frontal, placa de empuxo, lâmina frontal e reforço da ponta da lâmina. “Além disso, o sistema padrão DeClutch desacopla a transmissão do motor quando o operador pisa no freio, transferindo a potência do motor para o sistema hidráulico”, explica. “Com isso, a máquina faz ciclos de trabalho mais rápidos, com menor consumo e menos desgaste dos discos de freio.”

Ainda como padrão, as motoniveladoras 865B e 885B também contam com bloqueio hidráulico do diferencial, “juntando” os dois semieixos em um único eixo rígido, o que faz com que as duas rodas girem simultaneamente, dividindo o torque e eliminando o deslizamento. Outro item de fábrica é o Load Sensing, que fornece vazão hidráulica aos componentes de acordo com o esforço requerido. “Isso proporciona economia de combustível, uma vez que a utilização da potência do motor é controlada em função do esforço demandado”, ressalta Batista.

Por sua vez, a Caterpillar disponibiliza itens como o sistema Eco Mode, tração AWD para seis rodas, lâmina frontal, embreagem deslizante, acumuladores de nitrogênio, câmera de ré e o recurso Top Adjust da barra de tração, para acabamentos em áreas reduzidas. O rol de opcionais tecnológicos inclui ainda o ARO (Accugrade Ready Option), que permite a instalação de tecnologias aftermarket como Sonico, 2D/3D, GPS e Estação Total.

Outro sistema disponível é o Cat Grade, que possibilita ajuste – por meio de um painel digital na cabine – do plano transversal de trabalho, de acordo com a necessidade. “Um dos lados da lâmina segue automaticamente as alterações de profundidade de corte feitas pelo operador, mantendo o corte com a inclinação pré-determinada, proporcionando maior precisão e evitando retrabalhos”, descreve Montragio.

LÂMINAS

Itens centrais da motoniveladora, as lâminas precisam ser especificadas de acordo com o tipo de trabalho, características de solo e abrasividade do material. Terrenos compactados e com alta resistência ao corte, por exemplo, exigem mais força de penetração e lâmina reforçada.

As lâminas podem ser divididas em dois grupos: corte e acabamento. “O primeiro é fabricado com material de maior espessura, pois é mais resistente e indicado principalmente para curvas de níveis e cortes”, esclarece Viana, da New Holland. “Já a lâmina de acabamento é feita com material um pouco mais fino, sendo apropriada para acabamento e nivelamento de bases.”

Nesse ponto, Souza, da John Deere, explica que lâminas mais largas (de 12 ou 14 pés) permitem maior cobertura de corte e acabamento, enquanto as que possuem maior altura (de aproximadamente 24 ou 27 polegadas) possibilitam mover um volume maior de material, ou seja, são recomendadas para aplicações de alta produção. “As diferentes espessuras de bordas cortantes e material de desgaste sempre variam de acordo com o tipo de material, dureza e resistência abrasiva”, aponta.

A lâmina de corte geralmente proporciona maior durabilidade para aplicações abrasivas, enquanto a de acabamento é mais usada na raspagem de solo, espalhamento de material, acabamento fino e nivelamento de terrenos com menor resistência de compactação. Dávila, da Komatsu, diz que a empresa fornece dois diferentes modelos de lâminas, um com 3,7 m (no modelo GD535-5, de 15 t) e outro com 4,3 m (na GD655-5, de 18 t). “A configuração do perfil da lâmina é fundamental durante a seleção da máquina, pois é um dos principais responsáveis para a eficiência e qualidade do trabalho”, explica.

Já a Case oferece somente um modelo de lâmina, porém em três tamanhos diferentes, com espessura padrão e perfil Roll Away, que possibilita o rolamento do material, reduzindo o esforço e economizando combustível. Como opcional, a fabricante oferece reforços para as lâminas.

Durante a Agrishow 2022, a marca apresentou sua nova série de motoniveladoras. Contemplando os modelos 845B, 865B e 885, a nova linha traz novidades no chassi traseiro, novo design, capô com abertura e fechamento elétricos, maior capacidade do tanque de combustível, novo sistema de ar-condicionado e intervalo ampliado para troca do filtro do tanque hidráulico.

PNEUS

Do mesmo modo, a escolha dos pneus é estratégica para aumentar a produtividade da motoniveladora, mas essa decisão também varia conforme a aplicação e o peso da máquina, podendo incluir itens com boa tração, banda de rodagem com design adequado à aplicação e carcaça reforçada para suportar a carga e intensidade de torque dos equipamentos.

Também é necessário entender as características da operação, como trajeto, volume de carga e velocidade média. Observados esses aspectos, será possível escolher o pneu mais indicado. De saída, o radial é mais resistente, apropriado para acabamentos de precisão e terrenos rochosos, oferecendo resistência ao rolamento e durabilidade em solos abrasivos.


Escolha dos pneus é estratégica para aumentar a produtividade da motoniveladora

Já o tipo diagonal tem desenho autolimpante, sendo adequado às atividades de corte e desbaste profundo, especialmente em terrenos argilosos, com solo mais coesivo. “O pneu radial possui lona única em aço, permitindo que sejam instaladas outras formas de proteção na banda de rodagem, o que garante contato total com a superfície”, avalia Batista, da Case.

Essa característica, segundo ele, resulta em diminuição da necessidade de aceleração e economia de combustível. “Além disso, o pneu é mais resistente a perfurações e, por ter carcaça mais flexível e armadura metálica que estabiliza a banda de rodagem, assegurando menor compactação e agressão ao solo”, destaca.

De fato, as atividades de acabamento pedem um pneu que agrida menos o solo, com banda de rodagem mais larga. Já para movimentação de material e corte, recomenda-se um pneu com maior tração. “Devido às características do nosso mercado, oferecemos pneus radiais e diagonais”, frisa Souza, da John Deere. “Ambos têm vantagens, mas pode-se dizer que o radial oferece melhor tração por ter uma área maior de contato com o solo.”

Saiba mais:
Case CE:
www.casece.com/latam/pt-br
Caterpillar: www.caterpillar.com/pt.html
John Deere: www.deere.com.br
Komatsu: www.komatsu.com.br
New Holland Construction: https://construction.newholland.com