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Revista M&T - Ed.233 - Maio 2019
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A Era das Máquinas

Semirreboques vêm à tona

Por Norwil Veloso

Estrutura importante dos implementos rodoviários, o semirreboque foi criado por Alexander Winton em 1898. A Winton Motor Carriage era um fabricante de automóveis de Cleveland, que vendeu suas primeiras 22 unidades em 1898. Isso criou a necessidade de transportar os veículos até os compradores, espalhados por todo o país. Assim, Winton desenvolveu um veículo para esse fim e, a partir de 1899, começou a produzi-lo para uso próprio.

O elemento de tração do semirreboque é chamado de cavalo mecânico. Corresponde a um caminhão de chassi curto, com dois, três ou mais eixos. A configuração mais comum é a 6x4. Sobre os eixos traseiros é fixado um dispositivo chamado de quinta roda, onde se encaixa o pino-rei, situado na dianteira do semirreboque.

O primeiro semirreboque utilizou como unidade tratora um automóvel modificado. A plataforma do reboque assentava sobre o motor (que, no caso, era traseiro) em uma das extremidades e sobre um eixo com duas rodas na outra. Essa plataforma tinha capacidade para transportar um veículo, fixado na e


Estrutura importante dos implementos rodoviários, o semirreboque foi criado por Alexander Winton em 1898. A Winton Motor Carriage era um fabricante de automóveis de Cleveland, que vendeu suas primeiras 22 unidades em 1898. Isso criou a necessidade de transportar os veículos até os compradores, espalhados por todo o país. Assim, Winton desenvolveu um veículo para esse fim e, a partir de 1899, começou a produzi-lo para uso próprio.

O elemento de tração do semirreboque é chamado de cavalo mecânico. Corresponde a um caminhão de chassi curto, com dois, três ou mais eixos. A configuração mais comum é a 6x4. Sobre os eixos traseiros é fixado um dispositivo chamado de quinta roda, onde se encaixa o pino-rei, situado na dianteira do semirreboque.

O primeiro semirreboque utilizou como unidade tratora um automóvel modificado. A plataforma do reboque assentava sobre o motor (que, no caso, era traseiro) em uma das extremidades e sobre um eixo com duas rodas na outra. Essa plataforma tinha capacidade para transportar um veículo, fixado na estrutura que ficava sobre o solo e, depois, era acoplada. Contudo, Winton estava mais preocupado em melhorar seus motores e não deu muita atenção ao assunto.

TRANSPORTE

Seguindo a mesma linha de raciocínio, um ferreiro de Detroit chamado August Charles Fruehauf produziu uma carreta para um cliente que queria transportar seu barco. Foi ele que chamou oficialmente esse produto de “semirreboque”. Puxado por um caminhão Ford, o equipamento foi um sucesso de vendas e logo passou a ser usado em muitas outras aplicações. Em 1918, foi fundada a Fruehauf Trailer, que até hoje é um dos principais fabricantes de reboques e semirreboques do mundo.

Ainda em 1918, um fabricante de carruagens, John C. Endebrock, desenvolveu o “trailmobile”, um chassi metálico sobre rodas que podia ser rebocado por um Ford Modelo T. O projeto trazia um engate que podia ser operado por uma só pessoa, enquanto os outros necessitavam de ao menos três.

O custo do transporte de veículos era proibitivo para os fabricantes. Por isso, em 1920 George Cassens, um vendedor de veículos que dependia do transporte para entregá-los, desenvolveu e produziu um reboque para quatro carros, que era tracionado por um caminhão Dodge.

Fundada em 1900, a Mack Trucks foi uma empresa inovadora em veículos comerciais pesados. A marca produzia seus próprios motores, já com partida automática em lugar da manivela usual, que logo se tornou obsoleta. Entre 1929 e 1944, a empresa produziu mais de 2.600 reboques e semirreboques, mantendo uma tradição de robustez e durabilidade.

Imagem rara de 1889 mostra o provável primeiro semirreboque da história, transportando um automóvel Winton

Além do transporte de veículos, o transporte de toras também contribuiu para a evolução dos semirreboques. Após tentativas frustradas de transporte de toras usando animais e rios, T. A. Peterman passou a comprar sobras de guerra e a adaptá-las especificamente para esse serviço. Sua empresa começou a vendê-los em 1939 para o transporte de toras entre a floresta e a serraria.

INDIVISÍVEIS

Outra variante específica foram os semirreboques do tipo prancha, destinados ao transporte de cargas indivisíveis (como máquinas de construção), que passaram por um processo diferenciado de evolução.

Questões delicadas do funcionamento dessa prancha, a carga e descarga de equipamentos exigiam um local elevado para esse fim, no qual a carreta encostava de ré. Muitas vezes, esse processo era trabalhoso e arriscado, sendo comuns acidentes durante a operação.

Por essa razão, os fabricantes procuraram desenvolver soluções alternativas que facilitassem a carga e a descarga. Para equipamentos menores, foram criadas pranchas oscilantes – que, no Brasil, ficaram populares como “Tip-Top”. Para implementos mais pesados, buscou-se reprojetar o “pescoço de ganso”, por meio do qual era feito o acoplamento ao cavalo mecânico.

As primeiras soluções substituíram o conjunto rígido por um pescoço destacável. Em 1946, o engenheiro Austin Talbert, proprietário de uma empresa que atuava como locadora e transportadora de equipamentos, criou o primeiro pescoço destacável mecanicamente, que seria patenteado um ano depois. Essa solução eliminou a dificuldade de subir com o equipamento na prancha e passar sobre os pneus da carreta, aumentando a segurança e reduzindo o tempo dessa operação. A máquina era então carregada pela outra extremidade, que ficava repousando sobre o solo.

Talbert continuou a trabalhar em seu produto e, 15 anos depois, lançou o primeiro pescoço removível com acionamento hidráulico, que podia ser desacoplado em apenas dois minutos, muito mais rápido que o similar mecânico. Isso praticamente acabou com os acidentes na carga e descarga de máquinas. Em seguida, para aumentar ainda mais a segurança e eficiência, Talbert patenteou outros aperfeiçoamentos para os semirreboques, entre os quais podem ser citados a primeira suspensão traseira removível (para facilitar a carga pela traseira) e o uso de eixos direcionais.

DOBRÁVEIS

Outra linha de projeto desenvolvida nos EUA com os mesmos objetivos foi a dos pescoços dobráveis, que ficam dobrados na posição de transporte e se estendem na posição de carga e descarga, funcionando como rampas de acesso.

A partir de meados do século novos projetos ganharam espaço, como este modelo Power Fold com pescoço dobrável de acionamento hidráulico

Em 1956, a Load King Trailers iniciou sua produção. O fundador O. D. Hanson passou a desenvolver, produzir e comercializar seus produtos em todo o país, tornando a marca bastante reconhecida a partir da segunda metade da década de 60. Após se unir à Utility One Source (UOS), a empresa passou por um processo interno de revisão e aperfeiçoamento, além da inclusão de novidades como um pescoço destacável para serviços pesados.

Em 1966, Hanson projetou o primeiro E-Z Fold, um pescoço dobrável de acionamento mecânico em uma linha de pranchas a partir de 40 t, que se tornou líder do segmento. Essa linha foi seguida pela Power Fold, com pescoço dobrável de acionamento hidráulico. Também é dessa mesma época o lançamento dos semirreboques Trail-Eze, produzidos pela Dakota Manufacturing, de 35 e 50 t e com pescoço dobrável. Em 1995, George Wall fundou a XL Specialized Trailers, empresa focada em inovação e aperfeiçoamento, que também produz semirreboques com pescoço dobrável.

Assim, em cerca de 100 anos, os semirreboques evoluíram de um modelo simples de um eixo só, usado para transportar um veículo, para modelos com três eixos que transportam mais de 700 mil toneladas de mercadorias por ano. E, após um período de hibernação, essas soluções diferenciadas aos poucos voltariam ao mercado.

Leia na próxima edição:

O apogeu dos cabos aéreos

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