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Revista M&T - Ed.279 - Novembro 2023
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MANIPULADORES TELESCÓPICOS

Segmento consolida retomada no país

Após resultados acima das expectativas, mercado pode chegar a uma inédita marca de quatro dígitos nas vendas nos próximos anos, mas ainda há desafios pela frente
Por Santelmo Camilo

Entender o desempenho das vendas de manipuladores telescópicos no Brasil não é uma tarefa tão simples, pois exige conhecimento sobre a trajetória oscilante desses equipamentos no mercado.

Por volta de 2011, essas máquinas passaram a ser bem-demandadas por aqui, especialmente em razão de programas públicos no setor da construção, como o Minha Casa, Minha Vida, além de aplicações crescentes no agronegócio.

Porém, pouco depois, o país mergulhou na crise econômica que devastou segmentos inteiros de obras de infraestrutura, acarretando forte queda nas vendas de máquinas, o que também impactou a comercialização de manipuladores.

Passados os anos mais duros de escassez, o Brasil volta a dar sinais de que o crescimento no uso dessas máquinas vem se tornando realidade novamente. Sob uma perspectiva histórica, os setores da construção e agrícola têm sido os principais impulsionadores da demanda, cada um representando aproximadamente um terço desse mercado.

Na área agrícola, por exemplo, as operações mais comuns envolvem a movimentação de produtos como feno e ração e confinamento de gado, além da manipulação de diferentes produtos, como amendoim, frutas, fertilizantes, adubos, grãos e calcário, seja em big bags, paletes (com garfos) ou a granel (caçambas).

“Além da movimentação tradicional de materiais na construção, observamos uma tendência de inovação em outros setores, expandindo as aplicações para incluir a movimentação de ardósia, por exemplo, o que demonstra a admirável versatilidade desses equipamentos”, observa Etelson Hauck, gerente de produto da JCB do Brasil.

Mais que a diversificação, a evolução dos números evidencia o bom momento vivido nas vendas. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),


Entender o desempenho das vendas de manipuladores telescópicos no Brasil não é uma tarefa tão simples, pois exige conhecimento sobre a trajetória oscilante desses equipamentos no mercado.

Por volta de 2011, essas máquinas passaram a ser bem-demandadas por aqui, especialmente em razão de programas públicos no setor da construção, como o Minha Casa, Minha Vida, além de aplicações crescentes no agronegócio.

Porém, pouco depois, o país mergulhou na crise econômica que devastou segmentos inteiros de obras de infraestrutura, acarretando forte queda nas vendas de máquinas, o que também impactou a comercialização de manipuladores.

Passados os anos mais duros de escassez, o Brasil volta a dar sinais de que o crescimento no uso dessas máquinas vem se tornando realidade novamente. Sob uma perspectiva histórica, os setores da construção e agrícola têm sido os principais impulsionadores da demanda, cada um representando aproximadamente um terço desse mercado.

Na área agrícola, por exemplo, as operações mais comuns envolvem a movimentação de produtos como feno e ração e confinamento de gado, além da manipulação de diferentes produtos, como amendoim, frutas, fertilizantes, adubos, grãos e calcário, seja em big bags, paletes (com garfos) ou a granel (caçambas).

“Além da movimentação tradicional de materiais na construção, observamos uma tendência de inovação em outros setores, expandindo as aplicações para incluir a movimentação de ardósia, por exemplo, o que demonstra a admirável versatilidade desses equipamentos”, observa Etelson Hauck, gerente de produto da JCB do Brasil.

Mais que a diversificação, a evolução dos números evidencia o bom momento vivido nas vendas. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em 2022 foram comercializados 457 manipuladores, sendo 223 unidades no 1º semestre.

Em 2023, entre os meses de janeiro a junho foram vendidos 221 produtos, quantidade bem próxima ao mesmo período no ano anterior. Em linha com esse resultado, o Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção estima que sejam vendidas 440 unidades neste ano.

Entre idas e vindas na demanda, ao se analisar o desempenho do segmento de manipuladores no mercado doméstico a partir do ano de 2015 – quando o volume comercializado no Brasil atingiu 87 unidades – constata-se que o crescimento interanual de 67% nas vendas obtido no ano passado, segundo o Estudo de Mercado, representou uma surpresa para os fabricantes e distribuidores, abrindo expectativas de continuidade.

A boa notícia é que o avanço tende a ser ainda mais forte este ano, com crescimento estimado de 340% nas vendas, segundo a mesma sondagem, consolidando o momento de retomada no segmento.

PERSPECTIVAS

No olhar de Hauck, as estimativas estão alinhadas à perspectiva da JCB. Tanto que, no decorrer de 2022, a empresa lançou dois novos modelos de manipuladores (530-70 e 530-110) no país, que tiveram um impacto “disruptivo” no mercado. O lançamento resultou em um aumento expressivo nas vendas da marca no país, como evidenciado pelos números registrados pela Abimaq no ano passado.

“Nossa projeção é que o volume de unidades vendidas supere a marca de 1.000 máquinas em um período de três anos”, aponta o profissional. “Essa tendência se reflete no otimismo em relação à demanda crescente por esses equipamentos inovadores e à sua contínua aceitação no mercado brasileiro.”

Em 2022, diz Hauck, a fabricante britânica considerou a tendência até surpreendente, com as empresas de rental apresentando demanda acima das expectativas, superando até mesmo as construtoras e prestadoras de serviços nesse segmento.

“É notável observar que empresas muito experientes na locação de máquinas tradicionais da Linha Amarela, como retroescavadeiras, carregadeiras e escavadeiras, estão agora expandindo a atuação ao investir no aluguel de manipuladores de materiais”, comemora o executivo.


Com o rental à frente, JCB considera que o desempenho foi acima das expectativas no ano passado

Além disso, as locadoras especializadas em plataformas e guindastes também vêm demonstrando interesse crescente no segmento, dado que – segundo os especialistas – os manipuladores possuem capacidade de carga superior às plataformas e, além disso, oferecem maior agilidade na manipulação de materiais em comparação com os guindastes.

A tendência no curto prazo, observa Hauck, aponta para uma relevância crescente das locadoras que ofertam manipuladores, tornando o rental tão significativo quanto os setores de construção e agrícola. “Isso reflete a demanda crescente e a adaptabilidade dessas máquinas ao mercado, consolidando sua posição como ativos essenciais na indústria de locação de equipamentos”, avalia o gerente.

DIVERSIFICAÇÃO

Globalmente, a francesa Manitou tem participação expressiva no mercado de manipuladores telescópicos. Além do bom desempenho nos setores da construção e agrícola, os equipamentos da marca vêm tendo boa penetração em mineradoras, área que cada vez mais se volta para questões de segurança e desempenho das máquinas.

“O manipulador consegue fazer um trabalho para o qual normalmente seriam necessárias de duas ou três máquinas distintas, como trocar pneus de caminhões fora de estrada”, exemplifica Marcelo Bracco, diretor geral da Manitou para a América Latina, destacando que a solução requer somente 10% do tempo que outros equipamentos precisam para realizar essa operação.


Para a Manitou, o maior desafio é tornar a solução mais conhecida no mercado brasileiro

Outra aplicação que progride nas mineradoras é a movimentação de grandes cilindros hidráulicos, que também exige alto nível de segurança e boa performance, assim como o mercado de energia solar, onde as máquinas são utilizadas na montagem de estruturas auxiliares para a instalação de painéis fotovoltaicos.

Segundo Bracco, a tendência é promissora, pois somente no Nordeste o número de instalações de energia solar cresceu 95% em 2022, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Esse mercado vem demandando uma elevada quantidade de manipuladores”, revela o executivo.

Alguns desses setores, como sucroenergético e siderúrgicas, que antes utilizavam carregadeiras para algumas atividades, vêm optando por manipuladores de pequeno porte, na faixa de 9 t de carga. Nesse aspecto, Bracco considera que as carregadeiras são “máquinas enormes”, adequadas para outros tipos de operações, enquanto os manipuladores são bem mais compactos e apropriados para manusear peças pequenas e pesadas.

“Em obras de construção, por exemplo, onde a máquina precisa desagregar material, a pá carregadeira é mais indicada, embora não seja uma solução para todas as tarefas”, pondera o diretor.

Na Europa, ele elucida, a pá passou a ser relativamente menos demandada, abrindo espaço para os manipuladores em operações nas quais são mais apropriados pelo talhe e conceito de operação. “Assim como acontece no Brasil, na Europa se fazia tudo com carregadeira e escavadeira, seja de porte médio ou grande, mas agora os miniequipamentos definitivamente conquistaram território nas frotas”, aponta Bracco.

De acordo com o diretor da Manitou, o manipulador é extremamente versátil, com características que aumentam a produtividade. O pulo do gato está em fazer a solução se tornar mais conhecida.

“Quando o cliente descobre que pode fazer tudo com apenas uma máquina, não vai querer outra”, apregoa Bracco, contrapondo que o mercado não está tão dinâmico como no ano passado, que se mostrou excepcional especialmente pelo fato de as empresas precisarem de máquinas para ampliar a frota.

“Um cenário de aumento de frotas não representa necessariamente um aumento real e consistente de mercado, que é decorrente do aumento da utilização do manipulador”, observa o especialista.

AQUECIMENTO

Na mesma linha, o presidente da Sany do Brasil, Alex Xiao, aponta que os parques de energia solar estão entre os setores em que a demanda por manipuladores mais cresceu nos últimos dez meses.

Ele também tem observado um uso maior da solução na movimentação de paletes e materiais de construção, assim como de bags e outros materiais relacionados à produção de açúcar e álcool.

“Com base no desempenho da Sany nas vendas desse tipo de máquina no ano, a previsão de cerca de 440 unidades vendidas em 2023, conforme as estimativas atualizadas do Estudo de Mercado da Sobratema, tem uma boa chance de se concretizar”, sopesa o especialista da fabricante chinesa.


Ambiente econômico e condições de crédito podem influenciar a realização das previsões, aponta a Sany

Segundo ele, a empresa tem recebido um volume significativo de solicitações de cotação, principalmente de clientes de menor porte, com uma distribuição ampla por todo o país.

“No entanto, essa concretização em grande parte depende da disponibilidade de crédito”, diz Xiao, para quem os clientes seguem hesitantes em fazer investimentos em equipamentos com pagamento à vista. Para ele, as altas taxas de juros para financiamento e as significativas restrições na liberação de crédito por parte dos bancos estão criando desafios consideráveis para o fechamento de negócios.

“Portanto, embora haja uma demanda aparente, o ambiente econômico e as condições de crédito podem influenciar consideravelmente a realização dessa previsão”, argumenta.

Outro ponto que chama a atenção é que, na análise de Xiao, o mercado de locação de manipuladores está apresentando uma dinâmica muito peculiar no momento.

“Notamos que a demanda tem se inclinado mais em direção aos usuários finais, representando cerca de 70% das solicitações, enquanto os locadores compreendem aproximadamente 30%”, posiciona. “Contudo, é importante considerar que os grandes locadores já possuem um suprimento satisfatório desses equipamentos atualmente.”

A avaliação contrasta abertamente com as observações da Manitou, cujas vendas de manipuladores revelam o inverso. A empresa europeia estima que distribuição das vendas da marca no país seja de 70% para locadoras e de 30% para clientes finais – incluindo construtoras, empresas prestadoras de serviços e mineradoras. No entanto, Xiao reforça a percepção de um aumento na demanda por parte de clientes de menor porte como explicação.

“Muitas empresas menores estão considerando a possibilidade de adquirir seu primeiro equipamento ao invés de optar pela locação”, conta. “Além disso, alguns estão expandindo suas frotas devido ao crescente interesse pela solução, especialmente no setor de parques de energia solar.”

CONFIGURAÇÕES

No que se refere às tendências de demanda em termos de equipamentos, as configurações mais vendidas no Brasil na atualidade incluem modelos com capacidade de carga de 4 a 4,5 t e altura de elevação de cerca de 17 m. Esses modelos, assegura Xiao, são líderes de mercado, representando mais de 80% das solicitações dos clientes.

Nesse rol, a Sany conta com dois modelos que podem ser considerados top de linha. O primeiro é o STH844A, que possui uma capacidade de carga de 3,6 t e oferece altura máxima de elevação de 13,4 m. “O segundo modelo em destaque é o STH1056A, com capacidade de carga de 4,5 t e altura máxima de elevação de 17,1 m”, acrescenta o executivo.

Por sua vez, a JCB classifica os manipuladores em duas categorias principais: agrícola e construção; dado que são os segmentos mais populares na linha. Segundo Hauck, os modelos agrícolas geralmente não possuem patolas dianteiras, uma vez que priorizam a agilidade no carregamento de cargas e a capacidade de trabalhar em espaços confinados.

Nessa categoria, destacam-se os modelos 530-70, 531-70 e 541-70, com capacidades de carga de 3, 3,1 e 4,1 t, respectivamente, todos eles com alcance de até 7 m. Já a categoria de construção inclui o modelo 530-110, com capacidade de carga de 3 t e alcance de 11 m, bem como o 540-170, com capacidade de carga de 4 t e alcance de 17 m.

“Esses modelos priorizam o carregamento de cargas de grande porte, sendo que a presença das patolas dianteiras aumenta a estabilidade do equipamento durante elevações com alcances maiores”, sublinha o gerente de produto.

Já a Manitou fornece diferentes modelos no Brasil. Para a construção, as máquinas contam com lanças de 3 a 18 m de alcance, com capacidades de 2 a 40 t. No momento, frisa Bracco, os mais utilizados no agronegócio são os modelos de 3,4 t, enquanto na mineração se destacam versões de 13, 20, 25 e 33 t, todas sem patolas.


Configurações mais vendidasincluem modelos com altura de elevação de 17 m e capacidades de 4 a 4,5 t

“Para o próximo ano, nosso objetivo é implementar as máquinas rotativas no Brasil”, antecipa o diretor, referindo-se a soluções que permitem diferentes modos de operação. “São soluções multifuncionais que funcionam como manipulador, miniguindaste e plataforma elevatória, sendo um verdadeiro coringa nos locais de trabalho”, finaliza.


RENTAL
Eleva Brasil prevê vendas abaixo das expectativas


Destoando das expectativas, locadora multimarcas prevê retração de mercado em 2023

O avanço do mercado de manipuladores telescópicos no mercado brasileiro embute algumas visões divergentes. Para Guilherme Bueno, diretor da Eleva Brasil, as vendas devem ter uma retração em 2023, devendo chegar a 250 unidades comercializadas.

A queda, na visão do especialista, está relacionada à mudança de governo e à política de juros praticada pelo Banco Central, fatores que influenciam a tomada de decisões para investimentos. “Em relação à aplicação, o uso tem sido expressivo em montagem industrial, descarregamento de caminhões e contêineres e movimentação de materiais em obra”, observa.

Dedicada à locação multimarcas de plataformas, manipuladores e empilhadeiras, a Eleva Brasil tem cerca de 80% a 85% de seu faturamento proveniente do aluguel de manipuladores, contando atualmente com modelos da JLG, JCB, Manitou, Genie e Haulotte.

“Hoje, o mercado tende a optar por modelos com lanças que atingem de 12 a 17 m de altura”, afirma Bueno. “Mas também está surgindo uma demanda por alcances menores, na faixa entre 7 e 11 m, para operações em usinas e fazendas, onde o rental ainda tem baixa capilaridade."

Saiba mais:
Eleva Brasil: https://elevabr.com.br
JCB: www.jcb.com/pt-br
Manitou: www.manitou.com/pt-BR
Sany: https://sanydobrasil.com

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