Atualmente, quem visita um canteiro de obras percebe uma mudança sutil na dinâmica de movimentação de materiais. Em trabalhos onde era comum observar empilhadeiras, caminhões munck, pequenas pás carregadeiras e improvisos com guindastes de apoio, vem ganhando destaque um equipamento que, à primeira vista, remete a uma empilhadeira robusta com braço extensível. Na prática, trata-se de uma máquina capaz de executar as funções de uma pequena frota.
Sistema de engate rápido amplia as possibilidades de uso dos manipuladores.GENIE.
Aos poucos, os manipuladores telescópicos deixam de ser vistos como uma espécie de “empilhadeira de longo alcance” para se consolidarem como solução versátil de logística interna, tanto nas operações de construção como do agro

Atualmente, quem visita um canteiro de obras percebe uma mudança sutil na dinâmica de movimentação de materiais. Em trabalhos onde era comum observar empilhadeiras, caminhões munck, pequenas pás carregadeiras e improvisos com guindastes de apoio, vem ganhando destaque um equipamento que, à primeira vista, remete a uma empilhadeira robusta com braço extensível. Na prática, trata-se de uma máquina capaz de executar as funções de uma pequena frota.
Sistema de engate rápido amplia as possibilidades de uso dos manipuladores.GENIE.
Aos poucos, os manipuladores telescópicos deixam de ser vistos como uma espécie de “empilhadeira de longo alcance” para se consolidarem como solução versátil de logística interna, tanto nas operações de construção como do agronegócio. Essa mudança, como tem ficado cada vez mais claro, está diretamente ligada às transformações na forma como os materiais chegam, circulam e são aplicados em canteiros e propriedades rurais.
Mais compactos, os canteiros atuais recebem materiais paletizados, possuem sistemas construtivos industrializados e têm necessidade constante de reduzir os custos de mobilização. Esse ambiente tornou-se adequado para um maior protagonismo dessa família de máquinas, principalmente pela capacidade de executar diferentes funções sem a necessidade de substituição.
Segundo os fabricantes, embora o setor de construção ainda concentre a maior parte da demanda dessas máquinas, o mercado agrícola também vem ampliando rapidamente sua participação, transformando o manipulador em um equipamento central para a logística de fazendas, granjas e armazéns. E, como veremos, há bons motivos para isso.
CARACTERÍSTICAS
De saída, o uso de implementos permite ao equipamento executar funções para as quais normalmente seriam necessárias várias máquinas. Essa versatilidade está diretamente ligada ao sistema de engate rápido, que permite a troca de implementos em minutos. “Garfos pallet, caçambas, plataformas, garras agrícolas, jibs e ganchos transformam o manipulador em empilhadeira, miniguindaste e plataforma elevatória, ampliando significativamente o leque de aplicações dentro de um mesmo canteiro”, exemplifica Fabiano Fagá, gerente de vendas sênior da Genie para a América do Sul.
Segundo Marcelo Bracco, diretor-geral da Manitou na América Latina, o ganho também se dá na redução da frota e, consequentemente, dos custos relacionados. “Com um único equipamento, o operador pode alternar entre tarefas de carga, içamento, abastecimento e limpeza, reduzindo drasticamente a necessidade de múltiplas máquinas na obra”, destaca.
Alcance telescópico muda completamente a lógica da descarga nos canteiros.MANITOU.
Isso, obviamente, se traduz em ganhos de mobilização, manutenção, consumo e tempo, especialmente em movimentações intermediárias, que muitas vezes não agregam valor ao processo produtivo. Outro ponto relevante é que, ao se reduzir os toques na carga, as probabilidades de quebras e retrabalho são menores, favorecendo “um ambiente mais seguro e organizado”, além de reduzir o tráfego de equipamentos. “Frequentemente, o manipulador substitui uma empilhadeira todo-terreno e um sistema de elevação, lançando a carga diretamente na altura desejada, com mais eficiência e segurança”, prossegue Fagá, destacando uma característica essencial para a locação, pois permite reduzir os custos de propriedade e manutenção ante um valor mensal previsível. “Na agricultura, um único equipamento pode substituir empilhadeiras, pás leves e soluções de içamento, evitando a aquisição ou a locação de diferentes equipamentos sem necessidade”, complementa.
APLICAÇÕES
Além da versatilidade, o crescimento de sistemas pré-fabricados – como drywall, steel frame e paletização de materiais – mudou o fluxo dentro nas obras, exigindo soluções mais ágeis na movimentação. “O aumento do custo de frete, o tempo de espera para descarga e a paletização favorecem o uso de manipuladores”, observa Fagá. “Afinal, descarregam e levam o material diretamente ao ponto de uso.”
Com canteiros cada vez menores, o alcance horizontal da lança permite que o equipamento permaneça estático em um ponto estratégico e distribua materiais em um raio de até 17 m, otimizando o espaço e transformando-o em área produtiva. Da mesma forma, as entregas just-in-time favoreceram o uso da solução, que é capaz de retirar a carga do caminhão e posicioná-la exatamente onde será utilizada, sem etapas intermediárias. “O alcance telescópico muda completamente a lógica da descarga”, acentua Bracco. “A máquina pode distribuir materiais em um raio amplo, superando obstáculos e reduzindo a circulação de veículos no canteiro.”
Da mesma maneira, já ocupam o espaço de empilhadeiras convencionais na construção, especialmente em tarefas como içamento de paletes e cargas pesadas a médias alturas. “A máquina também vem substituindo guindastes de menor porte e plataformas elevatórias, concentrando várias funções em um único equipamento”, reforça o especialista da JCB do Brasil, Rafael Sá Filho.
Na agricultura, o movimento é semelhante, com maior mecanização, expansão de silos, intensificação das operações e necessidade de carregamentos rápidos em janelas curtas. “Nesse contexto, o manipulador se destaca por descarregar caminhões com agilidade, operar em terrenos irregulares, substituir vários equipamentos e elevar materiais diretamente ao ponto de uso”, resume.
De fato, no campo o manipulador se torna um centro operacional completo, especialmente em propriedades de alto rendimento. Empilhamento vertical de fardos, movimentação de fertilizantes, silagem, limpeza de instalações, carregamento de caminhões e apoio à manutenção de máquinas são aplicações comuns que exigem alcance, força e versatilidade, todos elas atributos dessa máquina.
Bracco ressalta que os modelos agrícolas contam com sistemas reforçados de arrefecimento e proteção contra poeira e resíduos, permitindo uma operação contínua em ambientes severos e com alto volume de material particulado. “Diferentemente da construção, a máquina agrícola precisa lidar com ambientes altamente corrosivos e poeirentos e, por isso, conta com reforços para limpar o radiador automaticamente, evitando o superaquecimento durante o manejo de palha ou feno”, explica.
Fabricantes apostam em crescimento impulsionado por projetos de infraestrutura.XCMG.
De acordo com ele, as aplicações variam desde o abastecimento preciso de vagões misturadores na pecuária, onde a pesagem exata da silagem impacta o ganho de peso do gado, até o carregamento de caminhões bitrens operando de um único lado. “Já na avicultura, o perfil baixo possibilita a entrada em aviários para limpeza, inclusive utilizando luzes azuis nos faróis para não estressar as aves”, acrescenta Bracco.
No agronegócio, o manipulador já substitui até mesmo tratores com carregador frontal, pás carregadeiras e empilhadeiras em operações como empilhamento de fardos, manuseio de silagem, transporte de insumos e trabalhos em altura. “O manipulador pode substituir o trator em muitas atividades relacionadas à movimentação e ao transporte de cargas”, comenta Frederico Torres Ramos de Olivera, coordenador de engenharia da XCMG na América do Sul, citando situações em que outras máquinas operam de forma improvisada, como “quebra-galho”, fora da aplicação principal.
TENDÊNCIAS
Com a entrada de novos players, Torres acredita que o manipulador se torne um produto com maior potencial no país, o que pode ocorrer já nos próximos anos. Segundo ele, esse crescimento deve ser impulsionado por projetos de infraestrutura, com destaque para a expansão do setor de energia solar e obras de ampliação da malha logística e industrial. “Trata-se de um equipamento já consolidado no mercado internacional e que, agora, inicia um processo de maior penetração no Brasil”, projeta. “Contudo, o ritmo de crescimento sempre tende a acompanhar a evolução da economia do país.”
Na JCB, que vem intensificando a produção nacional dessa máquina na fábrica de Sorocaba (SP), a expectativa é de que os manipuladores entrem em breve em um ciclo mais virtuoso de expansão, com crescente sofisticação e diversificação nas linhas. “Esse avanço é impulsionado pela alta versatilidade do equipamento, mas também pela demanda crescente por maior produtividade, tanto no agronegócio quanto na construção”, avalia Sá Filho, antevendo aumento nas atividades de locação, obras urbanas e indústria.
Para a Genie, esse movimento de substituição parcial ocorre devido à versatilidade e ao melhor custo-benefício oferecidos pelo equipamento, mas também por outros aspectos de mercado. “Observamos uma tendência de crescimento via locação, com especialização por segmento, maior utilização de implementos para maximizar a produtividade e, quem sabe, uma evolução para soluções híbridas e elétricas”, sublinha Fagá.
Além da eletrificação, que permite o uso controlado em áreas internas, os especialistas destacam ainda fatores como o avanço da telemetria, que possibilita o monitoramento da saúde do equipamento e da eficiência do operador em tempo real. “Também prevemos o crescimento de modelos rotativos, que podem girar 360o e funcionam como guindastes de alta precisão em obras urbanas verticais, consolidando a inteligência tecnológica como o pilar central na movimentação de carga no Brasil”, complementa Bracco, que aposta ainda em um aumento no uso de manipuladores de alta capacidade. “Nesse caso, a produtividade e a segurança são fatores fundamentais na aplicação.”
Conceitos de direção definem raiode giro e capacidade de manobras
Direção nas quatro rodas reduz o raio de giro e facilita as manobras em espaços confinados.JCB.
Embora os manipuladores telescópicos com direção apenas no eixo dianteiro sejam bastante populares, o mercado brasileiro vem migrando para versões com direção nas quatro rodas, principalmente em função da limitação de espaço em canteiros urbanos. “A direção nas quatro rodas reduz significativamente o raio de giro e facilita as manobras em espaços confinados, uma vez que todas as rodas esterçam simultaneamente, seja no mesmo sentido ou em direções opostas entre os eixos”, explica Frederico Torres Ramos de Olivera, coordenador de engenharia do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da XCMG na América do Sul.
Há a chamada “direção caranguejo”, na qual as quatro rodas esterçam no mesmo sentido, possibilitando deslocamentos laterais precisos para contornar ou transpor obstáculos. O especialista da JCB do Brasil, Rafael Sá Filho, ressalta que alguns modelos oferecem os três modos de direção: em duas rodas, quatro rodas em contrafase e caranguejo, ampliando ainda mais a capacidade de manobra em ambientes complexos. “O manipulador foi desenvolvido a partir do projeto Loadall da JCB para preencher uma lacuna entre empilhadeiras e guindastes”, destaca. “A finalidade é combinar capacidade de elevação, alcance vertical e horizontal e mobilidade em terrenos irregulares, características que o tornam especialmente adequado às demandas da construção e da agricultura.”
Saiba mais:
Genie: www.genielift.com/pt/material-handling-products/telehandlers
JCB: www.jcb.com/pt-BR/produtos/maquinas/manipuladores-telescopicos
Manitou: www.manitou.com/pt-BR/nossas-maquinas/telescopicos-para-construcao-civil

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