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Revista M&T - Ed.234 - Junho 2019
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A Era das máquinas

O apogeu dos cabos aéreos

Por Norwil Veloso

Os cabos aéreos vêm sendo usados há mais de 2.000 anos para transporte de passageiros e cargas. Os primeiros registros aparecem na China, Índia e Japão, onde se supõe que sejam usados desde 250 a.C. para cruzar pântanos, ravinas, rios e gargantas.

Os cabos (ou, melhor dizendo, cordas) eram lançados com a mão ou com besta, enquanto uma cesta com pessoas e carga era puxada manualmente ou por animais. Muitos séculos depois, os cabos aéreos ainda eram usados na América do Sul para o transporte de ouro, com registros a partir de 1536.


Os cabos (ou, melhor dizendo, cordas) eram lançados com a mão ou com besta, enquanto uma cesta com pessoas e carga era puxada manualmente ou por animais. Muitos séculos depois, os cabos aéreos ainda eram usados na América do Sul para o transporte de ouro, com registros a partir de 1536.

No século XVII, foram introduzidos diversos aperfeiçoamentos, com a criação de


Os cabos aéreos vêm sendo usados há mais de 2.000 anos para transporte de passageiros e cargas. Os primeiros registros aparecem na China, Índia e Japão, onde se supõe que sejam usados desde 250 a.C. para cruzar pântanos, ravinas, rios e gargantas.

Os cabos (ou, melhor dizendo, cordas) eram lançados com a mão ou com besta, enquanto uma cesta com pessoas e carga era puxada manualmente ou por animais. Muitos séculos depois, os cabos aéreos ainda eram usados na América do Sul para o transporte de ouro, com registros a partir de 1536.


Os cabos (ou, melhor dizendo, cordas) eram lançados com a mão ou com besta, enquanto uma cesta com pessoas e carga era puxada manualmente ou por animais. Muitos séculos depois, os cabos aéreos ainda eram usados na América do Sul para o transporte de ouro, com registros a partir de 1536.

No século XVII, foram introduzidos diversos aperfeiçoamentos, com a criação de sistemas como o implantado em Danzig por Wybe Adam para transporte de material na construção de uma fortaleza, além de sistemas para transporte de suprimentos para mosteiros situados no alto de montanhas.

Mas a instalação dos cabos nas montanhas não era uma tarefa fácil. O mais comum era fornecer bobinas de cabo que pudessem ser instaladas em vagões ou carretas. Onde isso não era possível, o cabo e o maquinário tinham de ser embalados para transporte por mulas (cada mula podia carregar pouco mais de 100 kg), inclusive com o último segmento de cabo emendado, que normalmente era carregado por uma pessoa para evitar que esbarrasse no solo. À medida que eram emendados, os cabos eram colocados sobre os animais em fila e transportados.

APOGEU
Entre 1650 e 1850 não ocorreram grandes avanços devido às limitações de carga dos cabos disponíveis, o que só veio a mudar com a chegada dos cabos de aço no século XIX, levando sua utilização ao apogeu, movidos por motores a vapor ou elétricos. Em locais com grande diferença de altura foi utilizado um sistema de dois carros, um dos quais funcionava como contrapeso para movimentar o outro.

A entrada da eletricidade como alimentação transformou os cabos aéreos em um dos meios mais eficientes de transporte disponíveis na época. Quase sempre, os cabos eram uma alternativa muito mais em conta que as outras possíveis. As despesas operacionais eram muito baixas, e os custos de capital também. Não havia necessidade de túneis, cortes ou aterros, sendo que o custo final, até certo ponto, não dependia das condições locais.

Essa tecnologia também foi usada por países europeus durante as guerras mundiais. Por exemplo, nas batalhas entre Itália e Áustria, foram usados cerca de 2.000 cabos pela Itália e 400 pela Áustria, portáteis na maioria, transportados por animais e que podiam ser montados e desmontados com rapidez. Eram usados em terrenos acidentados para o transporte de tropas, canhões, munição e materiais, além do cruzamento de locais com pontes destruídas e da travessia de rios.

Na mineração, foram usados para transporte de minério, carvão, areia e outros, normalmente da mina para um britador, vagão ferroviário, navio ou motor a vapor, no caso do carvão. O transporte de produtos agrícolas também foi uma aplicação importante. No caso, foram usados cabos nas plantações de cana na Jamaica, Martinica, Guatemala, Austrália e outros países, para alimentação das instalações de moagem. Algumas eram instalações mistas, com parte do transporte feito por carretas, e o restante, por cabo aéreo.

Maior linha do mundo, o cabo entre Manizales e Mariquita começou a ser construído em 1913 por ingleses, permanecendo ativo até 1961

Foram também usados pela indústria madeireira para o transporte de toras, madeira beneficiada, celulose e demais produtos, da floresta para a serraria e depois para uma estação ferroviária. Na construção, o uso tornou-se comum no transporte de cimento, tijolos e outros materiais, além de operações de carga e descarga de portos.

CARACTERÍSTICAS
As características técnicas também evoluíram ao longo do tempo. Em 1911, as linhas tinham comprimento entre 300 e 4.500 m, com diferença de altura de até 1.200 m, capacidade de 150 a 200 ton/dia e velocidades de 3 a 8 km/h.

Acionado por um motor de 100 hp, o cabo de Garrucha, na Espanha, tinha extensão de 15 km e capacidade de 420 ton/dia. O da Transilvânia, que alimentava altos-fornos na Hungria, tinha extensão de 30 km, com diferença de altura de aproximadamente 900 m e capacidade de 800 ton/dia.

Nos anos 20, a extensão das linhas aumentou significativamente. A linha construída em 1925 em Granada, na Espanha, tinha 39 km e permaneceu em operação até 1950, sendo usada para transporte de mercadorias entre a cidade e o porto. A maior linha do mundo, na época, foi construída para o transporte de café entre Manizales e Mariquita, na Colômbia. A extensão da instalação era de 72 km, permanecendo em funcionamento até 1961. Nos anos 30 e 40, as linhas continuaram a crescer. O sistema mais longo do mundo, o teleférico de Norsöi, na Suécia, operou entre 1943 e 1987 e tinha 96 km, com 514 torres.


Recentemente, a empresa Poma construiu em 1990 um teleférico para uma fábrica de cimento em Grenoble, com 1,8 km de extensão, diferença de nível de 191 m e capacidade de 324 ton/h, trafegando a uma velocidade de 18 km/h. Em La Oroya, no Peru, foi construída uma unidade similar, com um desnível de 1,65 km, velocidade de 5,4 km/h e capacidade de 70 ton/h.

Atualmente, a maior concorrente da Poma é o conglomerado austríaco-suíço Doppelmayr Garaventa Group, que oferece cabos com comprimento acima de 10 km e capacidades até 1.500 ton/h, com reaproveitamento da energia de frenagem.

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