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Revista M&T - Ed.302 - Abril de 2026
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ROLOS COMPACTADORES

ESCALA PRECISA NA OPERAÇÃO

Segundo fabricantes, faixas de peso muito próximas ampliam a versatilidade de rolos vibratórios e refletem a nova lógica de desempenho adotada na compactação de solos.
Por Santelmo Camilo

A compactação pode ser considerada uma etapa decisiva na execução de obras de infraestrutura. Afinal, rodovias, aeroportos, obras urbanas e projetos de terraplenagem dependem diretamente da densificação adequada das camadas de solo e materiais granulares, para garantir estabilidade estrutural e durabilidade ao longo da vida útil da obra.

Nesse processo, os compactadores vibratórios ocupam um papel central. Ao longo das últimas décadas, esses equipamentos evoluíram significativamente, incorporando tecnologias de monitoramento, sistemas eletrônicos de controle de vibração, telemetria e soluções voltadas à eficiência energética. Paralelamente a essa evolução, uma característica vem chamando atenção nos portfólios das fabricantes: a oferta de rolos vibratórios em faixas muito próximas de peso, especialmente entre 10 e 13 t.

Embora pare&


A compactação pode ser considerada uma etapa decisiva na execução de obras de infraestrutura. Afinal, rodovias, aeroportos, obras urbanas e projetos de terraplenagem dependem diretamente da densificação adequada das camadas de solo e materiais granulares, para garantir estabilidade estrutural e durabilidade ao longo da vida útil da obra.

Nesse processo, os compactadores vibratórios ocupam um papel central. Ao longo das últimas décadas, esses equipamentos evoluíram significativamente, incorporando tecnologias de monitoramento, sistemas eletrônicos de controle de vibração, telemetria e soluções voltadas à eficiência energética. Paralelamente a essa evolução, uma característica vem chamando atenção nos portfólios das fabricantes: a oferta de rolos vibratórios em faixas muito próximas de peso, especialmente entre 10 e 13 t.

Embora pareça irrelevante à primeira vista, os especialistas afirmam que essa diferença representa um ajuste técnico importante na forma como a compactação é realizada nas obras modernas. A segmentação permite adaptar com maior precisão o equipamento às condições de trabalho, equilibrando produtividade, consumo e versatilidade na aplicação.

COMPORTAMENTO

Tradicionalmente, o peso operacional sempre foi um dos principais critérios utilizados para classificar compactadores. Isoladamente, no entanto, esse indicador não reflete plenamente o desempenho da máquina. Segundo Pedro Carvalho, especialista de produtos de pavimentação da Caterpillar, um parâmetro mais representativo da capacidade de compactação é a chamada carga estática linear, que resulta da divisão do peso da massa frontal do equipamento pela largura do tambor (linha de contato com o solo), sendo normalmente expressa em kg/cm.

A medida indica a pressão efetiva que o equipamento exerce sobre o solo quando estático. “Isso faz com que a carga estática linear varie bastante em compactadores com largura comum de tambor, mesmo com uma leve variação no peso total da máquina”, explica Carvalho. Como exemplo, ele cita o modelo CS10GC (da classe de 10 t), que apresenta fator de 27,6 kg/cm, enquanto o CS13GC (13 t) apresenta fator de 36,4 kg/cm, quase 32% maior. “Na prática, isso significa que equipamentos aparentemente muito próximos em termos de peso podem apresentar comportamentos bastante distintos em campo”, pondera.

Parâmetro mais representativo da capacidade de compactação é a chamada carga estática linear.CATERPILLAR.


Essa diferença torna-se mais evidente ao se analisar a profundidade de compactação atingida. Em aplicações envolvendo solos arenosos ou cascalhos, por exemplo, um compactador vibratório Cat CS10GC pode alcançar profundidades de compactação próximas a 50 cm. Já o modelo CS13GC pode atingir cerca de 70 cm. “Ou seja, entre máquinas com diferença aproximada de 3 t, estamos falando de 40% a mais na profundidade”, calcula Carvalho.

Embora a diferença de peso seja relativamente baixa, o impacto na produtividade pode ser significativo. Com maior profundidade de compactação, torna-se possível trabalhar com camadas mais espessas ou reduzir o número de passadas para atingir o grau de compactação especificado em projeto. Em obras com grande volume de terraplenagem, essa diferença representa ganhos de eficiência operacional.

COMBINAÇÃO

Ainda assim, o peso não é o único fator responsável pelo bom desempenho do compactador. De acordo com Vinícius Neukamp, especialista de produtos do Wirtgen Group no Brasil, um peso maior tende a propiciar efeito melhor, mas parâmetros como amplitude de vibração, frequência e força centrífuga exercem influência decisiva na eficiência da compactação.

Na prática, um equipamento mais pesado, mas com amplitude baixa e força vibratória reduzida, pode apresentar desempenho semelhante ao de um compactador mais leve equipado com sistema vibratório mais eficiente. Isso porque a compactação depende da quantidade de energia transmitida ao solo durante o processo. E essa energia é resultado da combinação entre a massa do equipamento e o comportamento dinâmico do sistema vibratório. “Esses pontos são os mais importantes, pois um rolo de 50 t sem vibração apresenta o mesmo efeito de um rolo de 10 t com vibração”, ressalta Neukamp.

O especialista lembra ainda que é fundamental avaliar o conjunto mecânico, além de utilizar o equipamento de forma correta. “A amplitude reflete a capacidade de dissipação de energia no impacto, enquanto a frequência dita o volume de impactos e a velocidade de rolagem”, observa. De maneira simplificada, o funcionamento de um rolo compactador pode ser comparado ao impacto de um martelo: o peso da máquina representa a massa do martelo, enquanto a amplitude da vibração corresponde à altura da batida.

Um rolo de 50 t sem vibração apresenta o mesmo efeito de um rolo de 10 t com vibração.HAMM.


Quanto melhor a combinação desses fatores, maior será a energia aplicada ao material. Essa lógica explica por que a indústria tem investido no aprimoramento dos sistemas vibratórios, buscando maior eficiência de compactação mesmo em equipamentos de menor porte. Outro fator determinante é o tipo de material a ser trabalhado. Solos utilizados em obras de infraestrutura apresentam características bastante distintas. Alguns são predominantemente granulares, compostos por areia, brita ou cascalho, enquanto outros possuem comportamento coesivo, como argilas e materiais com maior teor de finos.

EFICIÊNCIA

O gerente de pavimentação da LiuGong, Luís Fernando Godinho, reforça que a eficiência da compactação depende da interação entre diversos fatores. Nesse rol entram densidade do solo, teor de umidade, espessura da camada, número de passadas e velocidade de deslocamento. Além disso, é necessário considerar se o processo ocorre de forma estática ou dinâmica. “Na compactação estática, o próprio peso do cilindro exerce pressão sobre o solo, com a aplicação de forças somente na vertical”, explica. “Para compactar de modo eficiente, o peso e a largura do rolo do cilindro, que transfere o peso para o solo, são muito importantes.”

Já na compactação dinâmica, diz ele, os fatores para se atingir uma boa compactação com cilindros dinâmicos incluem carga linear estática, amplitude, frequência, massa vibratória, carga suspensa e velocidade do cilindro. “Quanto maior for a carga linear estática, a amplitude e frequência, mais eficiente é o rolo”, completa Godinho, destacando ainda que o solo pode apresentar uma mistura de componentes não-coesivos (cascalho, areia, pedra) e/ou coesivos (lama, argila, lodo).

Fatores como peso e largura do rolo do cilindro são cruciais para a eficiência da compactação.LIUGONG.


Por isso, uma especificação assertiva de rolos está atrelada a fatores como produtividade, espessura da camada, umidade e tipo de solo, entre outros. “Para solos coesivos é mais indicado um rolo com patas, levando em consideração o equilíbrio na compactação de base e topo, ou seja, nas primeiras passadas deve-se iniciar com velocidade baixa, com alta amplitude e baixa frequência”, orienta. “Já nas etapas finais aumenta-se a velocidade e a frequência do rolo, diminuindo a amplitude.”

Essa receita de trabalho é apenas orientativa, adverte o especialista, pois cada tipo de solo tem características específicas e, por isso, é imprescindível realizar testes em laboratório para medir grau de compactação, umidade etc. Para solos não-coesivos, a indicação geral é o uso de cilindro liso, aplicando-se a regra acima. Já quando o solo é uma mistura de coesivo e não-coesivo, inicia-se a compactação com rolo de patas e conclui-se com cilindro liso. “Essas indicações são as mais tradicionais, embora não exista receita pronta e cada tipo de operação tenha suas peculiaridades”, diz.

VERSATILIDADE

A oferta em faixas de peso próximas também reflete a estratégia de portfólio adotada pelas fabricantes. Em vez de atuar apenas com grandes saltos de capacidade entre máquinas, as empresas passaram a oferecer modelos intermediários, que permitem maior precisão na escolha do equipamento. Essa abordagem cria uma “escala de desempenho”, permitindo que construtoras e locadoras selecionem o modelo mais adequado para cada tipo de obra.

Equipamentos na faixa entre 10 e 13 t costumam oferecer equilíbrio entre capacidade de compactação, mobilidade e custo operacional. Por essa razão, representam uma parcela significativa do mercado brasileiro. “Os compactadores classificados no Range B da Abimaq concentram mais de 60% das vendas nacionais no segmento”, observa Godinho, acrescentando que a LiuGong conta com o modelo 6612E na categoria, com peso de 11.800 kg a 13.950 kg, dependendo da configuração.

Segundo as fabricantes, a faixa entre 10 e 13 t oferece equilíbrio entre capacidade, mobilidade e custo operacional.LIUGONG.


Esse segmento inclui equipamentos de médio porte, utilizados em obras rodoviárias, loteamentos urbanos, projetos de saneamento e frentes de terraplenagem de médio volume. Para empresas de locação, a versatilidade dessas máquinas é especialmente relevante. Um compactador capaz de atuar em diferentes tipos de obra tende a apresentar maior taxa de utilização e melhor retorno.

Além da segmentação de peso, os compactadores têm avançado rapidamente em termos tecnológicos. Uma das principais tendências é a incorporação de sistemas inteligentes de controle, capazes de medir em tempo real a rigidez do solo durante o processo. O uso crescente dessa tecnologia está atrelado diretamente à maior produtividade, pois otimiza o tempo de trabalho e evita passadas desnecessárias ou retrabalho. Com isso, a operação torna-se mais efetiva, com melhoria da qualidade da compactação.

TECNOLOGIA

Na Caterpillar, por exemplo, o sistema Machine Drive Power (MDP) fornece em tempo real uma referência direta da compactação atingida. Essa informação, alinhada aos ensaios em laboratório, define o momento exato em que o objetivo foi atingido. “Esse sistema pode receber um upgrade para que o operador também tenha acesso à quantidade de passadas e a um mapa satelital com indicação das áreas já compactadas e as que ainda requerem compactação”, descreve Carvalho, informando que, além dessas informações extras, o sistema também reporta os dados via satélite, permitindo armazenamento e acesso remoto. “Dessa forma, compõe a tecnologia avançada Cat Compaction, que pode ser usada em aplicações de solo e asfalto”, diz ele.

Na linha da Hamm, o sistema Smart Compact mede a compactação em tempo real e modula a frequência de vibração, facilitando a operação e entregando resultados otimizados com menor custo. “Além desse, o sistema Hammtronic para controle automatizado gerencia rotação do motor, torque e controles de velocidade e vibração do equipamento”, comenta Neukamp. “O modo ECO está presente em todas as linhas, reduzindo o consumo em mais de 20%, sem perda de eficiência, graças ao dimensionamento dos sistemas hidráulicos para alta performance em baixa rotação.”

Tecnologias inteligentes como o sistema Machine Drive Power (MDP) medem emtempo real a compactação atingida.CATERPILLAR.


Já a LiuGong aposta em soluções de telemetria e monitoramento integradas a sistemas de análise de dados, permitindo acompanhar consumo, produtividade e condições operacionais da máquina. Segundo Godinho, o rolo 6612E conta com telemetria criada pela própria fabricante e sistema opcional de medição de compactação da Moba, que conferem produtividade aliada a redução de custos. No modelo comercializado no Brasil, ele destaca, esse rolo foi projetado para motor Cummins, reconhecido como um dos mais econômicos da categoria. “Nos próximos anos, a marca vai apresentar novos rolos ainda mais eficientes e com baixa emissão”, antecipa.

Obras de infraestrutura rodoviáriaimpactam a demanda de equipamentos

Em uma conjuntura desafiadora, especialistas projetamano estável com viés de alta para máquinas rodoviárias.HAMM .


Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revela que mais da metade da malha rodoviária brasileira apresenta algum nível de desgaste, incluindo trincas, remendos ou irregularidades. Esse cenário evidencia um passivo expressivo de investimentos, sendo que a recuperação e a modernização da malha representam uma das principais oportunidades para o mercado de máquinas como compactadores.

Nesse aspecto, um fator que deve sustentar o mercado é o avanço dos programas de concessões, cujos projetos geralmente incluem compromissos contratuais para ampliação de capacidade, recuperação estrutural do pavimento e manutenção contínua das rodovias. Godinho conta que, no ano passado, o mercado de rolos de range B ficou acima do resultado de 2024, contabilizando cerca de 1.877 unidades vendidas, o que representa alta de 3,9%. “A perspectiva para 2026 é seguir essa sequência”, projeta.

Na percepção do especialista da LiuGong, a venda de rolos de solos mais pesados (20 t, classificados no range C da Abimaq) tende a crescer, em um avanço relacionado às operações de maior porte e aplicações que exigem maior produtividade e capacidade. “Fatores como ano eleitoral, concessões e investimentos públicos e privados em infraestrutura rodoviária devem favorecer os resultados”, avalia.

Por sua vez, Neukamp considera “desafiadora” a atual conjuntura, com concorrência crescente, novos players e alta taxa de juros, situação que faz o cliente sempre buscar custo-benefício e negócios de ocasião. “Empresas com visão de longo prazo e que avaliam o TCO para aquisição de bens acabam comprando equipamentos consolidados, até por garantia e confiança”, conta o profissional da Wirtgen, destacando que os novos contratos vinculados às concessões leiloadas no ano passado ainda não apresentam os valores trabalhados em Capex pelas concessionárias. “Por isso, o cenário sugere interrogação, levando em consideração o ano eleitoral, com movimentação de recursos e investimentos, o que aponta para um horizonte de estabilidade como já foi em 2025.”


Saiba mais:
Caterpillar: www.cat.com/pt_BR/products/new/equipment/compactors/vibratory-soil-compactors
LiuGong: https://liugongla.com/rolos-compactadores
Wirtgen: www.compactadoreshamm.com.br

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