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Revista M&T - Ed.306 - Agosto de 2026
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COMPACTOS

De coadjuvantes a protagonistas

Compactos conquistam espaço nos canteiros ao combinar produtividade, versatilidade e tecnologia em um cenário marcado por obras urbanas, escassez de mão de obra e busca contínua por eficiência
Por Redação

Imagem: Bobcat


Durante muitos anos, os compactos ocuparam posição secundária nos canteiros.

Na maioria das vezes, eram vistos como máquinas de apoio, destinadas a serviços pontuais ou tarefas que equipamentos maiores não conseguiam realizar. Essa percepção, entretanto, mudou drasticamente na última década.

Hoje, miniescavadeiras, minicarregadeiras e carregadeiras articuladas compactas deixaram de atuar apenas como complemento, para assumir o protagonismo em um número crescente de aplicações, especialmente em obras urbanas, manutenção de redes, infraestrutura, paisagismo, agricultura e serviços de conservação.

Essa transformação acompanha mudanças igualmente profundas nas próprias cidades.

O adensamento urbano reduziu os espaços disponíveis para execução das obras, enquan


Imagem: Bobcat


Durante muitos anos, os compactos ocuparam posição secundária nos canteiros.

Na maioria das vezes, eram vistos como máquinas de apoio, destinadas a serviços pontuais ou tarefas que equipamentos maiores não conseguiam realizar. Essa percepção, entretanto, mudou drasticamente na última década.

Hoje, miniescavadeiras, minicarregadeiras e carregadeiras articuladas compactas deixaram de atuar apenas como complemento, para assumir o protagonismo em um número crescente de aplicações, especialmente em obras urbanas, manutenção de redes, infraestrutura, paisagismo, agricultura e serviços de conservação.

Essa transformação acompanha mudanças igualmente profundas nas próprias cidades.

O adensamento urbano reduziu os espaços disponíveis para execução das obras, enquanto a necessidade de minimizar impactos sobre o trânsito e a rotina da população passou a influenciar diretamente o planejamento dos empreendimentos.

Em paralelo, cresceu a pressão por intervenções mais rápidas, sustentáveis e menos invasivas, capazes de reduzir ruídos, emissões e interferências no entorno.

Outro fator decisivo é a escassez de mão de obra qualificada. Em praticamente todos os segmentos de construção e infraestrutura, as empresas enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores para atividades antes executadas manualmente.

Essa realidade vem acelerando a mecanização de serviços, abrindo espaço para equipamentos capazes de executar diferentes tarefas com elevada produtividade e baixo custo operacional.

Os números refletem essa tendência. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apontam que, apenas nos cinco primeiros meses de 2026, as vendas de compactos cresceram 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Esse resultado advém do avanço de 42% em minicarregadeiras, 11% em miniescavadeiras e 27% em retroescavadeiras”, especifica Rafael Barbosa, gerente de marketing de produto da CNH para a América Latina.

Até maio, as vendas de compactos cresceram 26%no país em relação ao mesmo período do ano passado. Foto: Case CE


TRANSFORMAÇÃO

Mais que um crescimento pontual, o movimento revela uma mudança na forma como construtoras, concessionárias, locadoras e prestadores de serviços veem esses equipamentos.

A questão deixou de ser apenas o tamanho da máquina e passou a envolver eficiência operacional, versatilidade, facilidade de mobilização e retorno sobre o investimento.

Durante muito tempo, produtividade foi sinônimo de equipamentos maiores. A lógica parecia simples: quanto maior a máquina, maior a capacidade de produção.

No entanto, essa relação vem sendo revista à medida que as características das obras também mudam.

Segundo Mário Neves, gerente de vendas da Avant Tecno para a América Latina, a transformação não está necessariamente nas máquinas, mas nas necessidades.

Variedade de implementos transforma as máquinas compactas em soluções especializadas. Foto: Avante Tecno


Para ele, a falta de mão de obra tornou-se um dos maiores impulsionadores da mecanização em atividades antes executadas manualmente.

Em muitos casos, os compactos não substituem outras máquinas, mas pessoas, permitindo que as empresas mantenham as operações mesmo diante da dificuldade de contratar trabalhadores.

“Esse fenômeno vai muito além da construção”, conjectura Neves, citando setores como agricultura, pecuária, manutenção predial, conservação urbana e prestação de serviços, que passaram a incorporar essas soluções justamente porque permitem executar diferentes atividades com um único operador.

“Soma-se a isso a enorme variedade de implementos, capazes de transformar a máquina em diversos equipamentos especializados, reduzindo investimentos e ampliando a rentabilidade”, completa.

O especialista chama atenção para outra mudança: o Brasil começa a migrar de um modelo focado em construir para outro em que a conservação de ativos ganha relevância.

Serviços de manutenção de áreas verdes, limpeza urbana, conservação de rodovias, manutenção de parques e intervenções permanentes passaram a demandar equipamentos menores, mais versáteis e de menor custo operacional.

“Nesses segmentos, o desgaste da máquina é reduzido, os contratos costumam ser mais longos e previsíveis e a rentabilidade tende a ser superior à encontrada em obras convencionais”, pontua.

A percepção é compartilhada por Juliana Santos, supervisora comercial de construção civil da Yanmar, para quem a produtividade deixou de estar associada exclusivamente ao tamanho do equipamento.

“As máquinas compactas evoluíram significativamente em desempenho, tecnologia e capacidade operacional, permitindo executar tarefas antes reservadas a equipamentos maiores, porém com menor consumo, custos reduzidos e maior agilidade”, diz.

Mobilidade e limitação de espaço se tornaram fatores decisivos na escolha dos equipamentos. Foto: Yanmar


Além disso, a executiva observa que os clientes passaram a avaliar o custo total da operação – e não apenas o investimento inicial.

“Nesse cenário, as máquinas compactas se destacam por possibilitar excelente retorno sobre o investimento, especialmente quando combinadas com implementos que ampliam a utilização”, prossegue.

“Além disso, deixaram de ser utilizadas somente como apoio, para se tornarem protagonistas em diversos segmentos, acompanhando a evolução das necessidades do mercado.”

ESPAÇO

Se a falta de mão de obra ajuda a explicar parte do crescimento, outro fator decisivo está relacionado ao próprio ambiente de obras.

A expansão urbana tornou as intervenções em áreas consolidadas cada vez mais comuns, sendo que ruas estreitas, circulação intensa de veículos, redes subterrâneas e edificações vizinhas impõem restrições ao uso de equipamentos convencionais.

Segundo Barbosa, a crescente concentração de obras transformou mobilidade e limitação de espaço em fatores decisivos na escolha dos equipamentos.

Máquinas compactas conseguem acessar facilmente áreas confinadas, operar próximas a edificações e executar serviços sem provocar grandes interferências no entorno, tornando-se estratégicas para obras de infraestrutura urbana, saneamento e construção residencial.

A própria evolução tecnológica acompanha essa realidade.

A miniescavadeira New Holland E35D, por exemplo, incorpora recursos como giro zero e pivotamento lateral do braço, permitindo escavações junto a muros e paredes sem a necessidade de reposicionar continuamente a máquina.

Já as novas miniescavadeiras da Case CE, modelos CX22D e CX35D, saem de fábrica equipadas com dois auxiliares hidráulicos com engate rápido, que permitem a troca ágil de implementos e ampliam significativamente o número de aplicações.

Recursos de conectividade oferecem monitoramento em tempo real, com baixa latência na transmissão dos dados. Foto: New Holland


Na Bobcat, a leitura é semelhante. Para Pedro Medeiros, gerente regional da empresa para a América Latina, a densificação das cidades fez com que os compactos deixassem de atuar apenas como apoio para assumir a frente principal em obras urbanas.

“As miniescavadeiras conseguem operar em locais impraticáveis para máquinas maiores em aplicações como abertura de valas, ligações domiciliares, manutenção de redes, pavimentação e construção leve”, explica.

De acordo com ele, modelos como E10, E20z e E35z são exemplos de máquinas pensadas para produtividade em espaços restritos.

“Nas grandes metrópoles, restrições de horário, ruído, vibração e interferência no tráfego também pesam na decisão”, argumenta.

POLIVALENTES

Se, no passado, o valor de uma máquina era medido pela capacidade de escavação ou carregamento, hoje a versatilidade passou a ocupar posição central na decisão de compra.

Mais que executar uma única função com eficiência, os compactos modernos assumem diferentes papéis ao longo da mesma jornada, reduzindo o número de máquinas necessárias na obra e aumentando o aproveitamento do investimento.

Essa transformação foi impulsionada pelo desenvolvimento de sistemas de engate rápido e ampliação da oferta de implementos.

Atualmente, uma mesma máquina pode alternar rapidamente entre atividades como escavação, carregamento, perfuração, demolição leve, abertura de valas, fresagem, limpeza urbana, movimentação de materiais e compactação de solo.

Na prática, o equipamento deixa de ser uma máquina específica para se tornar uma plataforma multifuncional.

Para a Bobcat, essa mudança representa uma das principais evoluções do segmento.

Segundo Pedro Medeiros, a incorporação do sistema Bob-Tach, por exemplo, possibilita a substituição de implementos em poucos minutos, ampliando significativamente o número de aplicações de minicarregadeiras como as séries S450 e S550.

Com isso, a mesma máquina pode atuar em diferentes frentes de serviço, reduzindo o tempo ocioso e aumentando a produtividade.

Impulsionando a versatilidade, uso de engate rápido representa uma das principais evoluções do segmento. Foto: Bobcat


Esse conceito também altera a lógica de aquisição. Em vez de investir em diversas máquinas especializadas, construtoras e locadoras passaram a concentrar recursos em equipamentos capazes de executar múltiplas funções, adaptando-se às demandas de cada obra.

“Atualmente, a linha da Bobcat conta com mais de 100 implementos certificados, incluindo rompedores, trados, garras, vassouras rotativas, fresadoras, plainas, garfos, caçambas especiais e cortadores de asfalto, entre outros”, conta Medeiros.

Para Rafael Barbosa, a versatilidade tornou-se um dos principais argumentos de mercado.

“Equipamentos como miniescavadeiras saem de fábrica preparados para trabalhar com engates rápidos e linhas hidráulicas auxiliares, permitindo o uso de diferentes implementos sem a necessidade de adaptações”, reforça.

Na Avant Tecno, a empresa trabalha com centenas de implementos destinados não apenas à construção civil, mas também a atividades de conservação urbana, agricultura, manutenção predial e paisagismo.

“Essa diversidade permite que os clientes descubram novos mercados de atuação, ampliando as fontes de receita e reduzindo a dependência de contratos tradicionais”, comenta Neves.

Segundo ele, implementos como vassoura recolhedora, lavadora de alta pressão, roçadeira de taludes, garfo palete, caçamba 4x1, triturador florestal e capinadeira de meio-fio, por exemplo, têm tido grande procura.

“De maneira geral, estamos quase sempre abrindo novos mercados e raramente encontramos a concorrência padrão”, provoca Neves.

TECNOLOGIA

Outro aspecto que vem redefinindo o segmento é a rápida incorporação de tecnologias digitais.

Se há poucos anos a conectividade e a telemetria eram recursos restritos a equipamentos de grande porte, atualmente passaram a integrar também o universo das máquinas compactas.

A principal mudança está na forma como os equipamentos são administrados. Informações como localização, consumo, horas trabalhadas, manutenção e comportamento operacional passaram a ser monitoradas em tempo real, permitindo decisões mais rápidas e assertivas.

Na CNH, os sistemas MyCase e MyNewHolland oferecem monitoramento em tempo real, com baixa latência na transmissão dos dados.

Segundo Barbosa, “isso permite acompanhar a utilização minuto a minuto, antecipar manutenções e reduzir paradas inesperadas”.

Outro avanço importante é a instalação oculta de modem e antenas de GPS, protegendo os equipamentos contra furtos e vandalismo – demanda sugerida pelos próprios clientes.

Recursos de conectividade oferecem monitoramento em tempo real, com baixa latência na transmissão dos dados. Foto: New Holland


A Bobcat segue caminho semelhante por meio do sistema Machine IQ, que fornece informações detalhadas sobre localização, desempenho e manutenção.

A empresa também destaca o MaxControl, solução que permite operação remota em aplicações específicas ou ambientes de maior risco, antecipando uma tendência que deve ganhar espaço nos próximos anos.

Na avaliação da Yanmar, a conectividade representa mais do que monitoramento. Juliana Santos destaca que a evolução dos sistemas de telemetria permitiu migrar de uma manutenção reativa para uma abordagem cada vez mais preditiva, identificando sinais de desgaste antes que provoquem falhas.

A executiva ressalta ainda recursos como modo ECO, autoaceleração, controle eletrônico do motor, câmeras de ré, cabines mais ergonômicas e sistemas hidráulicos mais eficientes, “que contribuem simultaneamente para aumentar a produtividade, reduzir o consumo de combustível e diminuir a fadiga do operador”.

“As máquinas deixam de ser apenas ativos operacionais e passam a ser ativos conectados, gerando informações que ajudam a aumentar produtividade, reduzir custos e melhorar a eficiência”, observa.


TENDÊNCIAS
Tecnologia exige nova abordagem de vendas

Para especialistas, o próximo desafio do setor está na forma como a tecnologia chega ao cliente

Na avaliação de Mario Neves, da Avant Tecno, a indústria precisa avançar na comercialização dos equipamentos, sobretudo no conhecimento técnico transmitido pelas equipes de vendas.

Segundo ele, muitos profissionais continuam apresentando especificações básicas, sem compreender como cada configuração influencia diretamente a produtividade.

“A maioria dos vendedores ainda tem dificuldade de configurar uma simples caçamba de acordo com a necessidade do cliente”, sustenta.

A tendência é que máquinas, implementos e configuraçõessejam definidos sempre de acordo com a aplicação. Foto: Avant Tecno


Para ilustrar essa realidade, Neves conta que costuma provocar os participantes de treinamentos comerciais. Uma das perguntas frequentes é qual seria a caçamba “padrão” de determinado modelo.

A resposta, segundo ele, é que essa referência nem deveria existir. “O chumbo pesa 11.300 kg por metro cúbico e o cavaco de madeira cerca de 400 kg.

Se não sabemos qual material o cliente irá movimentar, não há como definir previamente a caçamba”, questiona.

Em sua avaliação, a tendência é que o mercado evolua para soluções personalizadas, em que máquina, implementos e configuração sejam definidos de acordo com a aplicação do cliente.

Entre os mercados com maior potencial de crescimento, o executivo destaca setores com dificuldades crescentes para contratar mão de obra e que exijam intervenções rápidas, realizadas em espaços reduzidos e com mínima interferência.

“Quem substitui a mão de obra braçal são as máquinas compactas”, reitera Neves.


Saiba mais:
Avant Tecno: avanttecno.com/br
Bobcat: www.bobcat.com/br/pt
CNH: https://www.cnh.com
Yanmar: www.yanmar.com/br

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