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Revista M&T - Ed.303 - Maio de 2026
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PÁS CARREGADEIRAS

A evolução do produto

Avanços como balança embarcada, automação de ciclo, sistemas de telemetria, integração com caminhões e comandos por joystick redefinem o papel de carregadeiras na frente de trabalho
Por Santelmo Camilo

Imagem: KOMATSU


Durante anos, o debate sobre carregadeiras girou basicamente em torno de potência, peso operacional, capacidade de caçamba e robustez estrutural.

Esses atributos continuam essenciais, claro, sobretudo em aplicações como mineração, pedreiras, indústria pesada e operações de carregamento.

Na prática, todavia, o eixo da competitividade mudou. Hoje, a máquina de destaque não é a que desagrega material com mais força ou esbanja produtividade, mas a que repete esse ciclo com precisão, menor variabilidade, desperdício reduzido e melhor integração logística.

Essa mudança tem relação direta com a evolução eletrônica.

Recursos antes vistos como diferenciais – como pesagem embarcada, repetição automática, modos eletrônicos de trabalho, controle inteligente de


Imagem: KOMATSU


Durante anos, o debate sobre carregadeiras girou basicamente em torno de potência, peso operacional, capacidade de caçamba e robustez estrutural.

Esses atributos continuam essenciais, claro, sobretudo em aplicações como mineração, pedreiras, indústria pesada e operações de carregamento.

Na prática, todavia, o eixo da competitividade mudou. Hoje, a máquina de destaque não é a que desagrega material com mais força ou esbanja produtividade, mas a que repete esse ciclo com precisão, menor variabilidade, desperdício reduzido e melhor integração logística.

Essa mudança tem relação direta com a evolução eletrônica.

Recursos antes vistos como diferenciais – como pesagem embarcada, repetição automática, modos eletrônicos de trabalho, controle inteligente de transmissão, sistemas de telemetria e assistentes de carregamento – começam a assumir protagonismo em um mercado que passou a olhar com mais atenção para indicadores como custo por tonelada, consumo por hora, previsibilidade de manutenção, tempo de ciclo e aproveitamento da frota de transporte.

O efeito é ainda mais nítido em operações contínuas, nas quais leves oscilações se somam ao longo do turno.

Passes extras na carga do caminhão, excesso de marcha lenta entre ciclos, escavação mal executada, caçambas ligeiramente sobrecarregadas ou correção desnecessária na descarga parecem detalhes isolados.

No entanto, tornam-se custo, desgaste e perda de eficiência quando multiplicados por centenas de ciclos diários.

É justamente nesse ponto que a inteligência embarcada passa a agir como um “segundo operador”, ajudando a reduzir erros e a estabilizar o desempenho.

Nesse sentido, a carregadeira deixa de ser vista apenas como um equipamento mecânico de apoio para se tornar uma plataforma de dados, assistência operacional e controle de processo.

Ao invés de depender exclusivamente da experiência do operador, a máquina passa a incorporar mecanismos de correção, padronização e orientação em tempo real.

O resultado é uma operação mais uniforme, mais segura e menos suscetível a variações, algo especialmente valioso em mercados com alta rotatividade de mão de obra ou com operações intensivas, nas quais a regularidade vale tanto quanto a força.

Além disso, a crescente incorporação de eletrônica faz com que a carregadeira passe a interferir diretamente no ritmo do processo.

Em operações de carregamento, alimentação de britadores, manejo de materiais ou apoio ao agronegócio, a máquina já não atua apenas como elo mecânico entre dois pontos, mas passa a fornecer dados, sinalizar desvios, padronizar movimentos e contribuir para que a operação funcione de forma mais previsível.

ELETRÔNICA

Na visão dos fabricantes, a principal transformação está na mudança do conceito de “evolução do produto”. A JCB resume esse movimento ao observar que o desenvolvimento deixou de ser centrado apenas em potência e passou a priorizar controle operacional, repetibilidade de ciclos e previsibilidade de desempenho.

Com automação e controles eletrônicos, a máquina mantém padrão uniforme, estabilizando o tempo de ciclo e o fluxo de produção. Foto: JCB


Em outras palavras, a máquina precisa carregar com o mesmo padrão e o menor nível de desvios.

“O principal ganho está na consistência operacional, reduzindo variações entre operadores e minimizando erros”, explica Etelson Hauck, diretor de engenharia e estratégia de produto da JCB para a América Latina.

“Com automação e controles eletrônicos, a máquina mantém um padrão uniforme, estabilizando o tempo de ciclo e o fluxo de produção.”

Na Caterpillar, essa evolução é creditada a tecnologias voltadas para a redução da variabilidade do ciclo.

“Ao automatizar partes do trabalho repetitivo, a máquina alivia o operador, encurta a curva de aprendizado e entrega um desempenho mais constante”, conta Leandro Amaral, consultor sênior de produtos da marca.

A Komatsu segue linha semelhante, embora com ênfase em controles eletrônicos que influenciam diretamente a disponibilidade e a eficiência, como hélice reversível, controle de tração, controle variável de velocidade e controle inteligente de troca de marchas.

A proposta não é apenas agregar sofisticação, mas adaptar a máquina às condições reais de operação, seja em solo lamacento, espaços confinados, aclives ou ciclos intensos de carregamento e transporte.

“Esses recursos contribuem para o aumento da produtividade em diferentes tipos de aplicação”, assegura Fernando Silva Dávila, engenheiro de vendas da Komatsu.

Por sua vez, a Liebherr cita a eficiência energética como principal característica dos projetos, destacando recursos como gerenciamento integrado do trem de força e modos programáveis de operação.

“Isso permite ajuste de torque e potência conforme a demanda, reduzindo picos de carga desnecessários e garantindo uma redução de até 30% de consumo, se comparado a equipamentos de mesmo porte”, comenta Daniel Poll, executivo comercial da companhia.

Já a John Deere reforça o movimento de integração entre mecânica e eletrônica como fundamento de desempenho da nova 544 G, que deve ser comercializada no Brasil a partir do 2º semestre.

“A transmissão ZF ErgoPower com modulação eletrônica faz as trocas de marcha automaticamente, aproveitando melhor a potência do motor”, afirma Alexandre Lanza, gerente de marketing de produto da fabricante.

Segundo ele, somam-se a isso o motor PowerTech 6068, com alta reserva de torque, e o sistema de proteção De-Rate, que reduz automaticamente a potência em caso de superaquecimento ou baixa pressão de óleo, além de funções como marcha lenta e desligamento automático, que contribuem para economizar combustível e reduzir desgastes.

No caso da John Deere, a eletrônica também aparece como instrumento de simplificação operacional.

“O sistema hidráulico PCLS com bomba de pistão variável oferece movimentos suaves, rápidos e precisos, controlados por joystick com FNR integrado, reduzindo a variabilidade entre ciclos”, descreve Lanza.

BALANÇA

Entre os recursos mais transformadores está a balança embarcada.

O princípio parece óbvio: medir a carga diretamente na máquina para saber quanto material está indo para o caminhão.

Mas o impacto prático vai muito além. Quando bem utilizada, a tecnologia altera a lógica de carregamento, reduz retrabalho, melhora a logística e ajuda a transformar a carregadeira em um instrumento de medição.

Na Caterpillar, a balança integrada é tratada como uma ferramenta essencial em carregadeiras médias.

“Reduz correções posteriores, movimentos adicionais, consumo e variações do processo, além de gerar dados em tempo real para logística e controle de produção”, diz Amaral.

A JCB aponta na mesma direção ao utilizar a pesagem embarcada para padronizar o carregamento por passe, eliminando sub e sobrecarga e trazendo previsibilidade à logística.

“O caminhão deixa a frente de serviço já com a carga correta, sem precisar de ajustes posteriores”, explica Hauck.

“Quando multiplicado em uma operação com dezenas de viagens por dia, esse ganho se converte em tempo e dinheiro.”

Tecnologias são voltadas para a redução da variabilidade do ciclo operacional. Foto: CATERPILLAR


A Komatsu reforça o raciocínio ao observar que o sistema permite identificar com precisão a carga real transportada, reduzindo retrabalhos e evitando excesso de material.

“Não se trata apenas de buscar produtividade, mas de evitar perdas”, observa Dávila.

A leitura da Liebherr amplia ainda mais o alcance da tecnologia.

Para a fabricante, a balança dinâmica transforma a carregadeira em um instrumento de medição da produção, agregando rastreabilidade, planejamento operacional e visão clara do que está sendo movimentado.

Ou seja, a máquina deixa de ser apenas “quem carrega” e passa também a ser “quem informa”, aproximando-se dos sistemas de gestão da operação.

Na John Deere, o tema aparece por outro caminho. Embora a 544 G não traga balança dedicada, Lanza argumenta que a precisão dos sistemas eletrônicos e hidráulicos permite controlar a quantidade de material em cada ciclo, evitando oscilações.

“Na prática, isso ajuda a reduzir retrabalho, minimizar sobrecargas e otimizar a sequência de carregamentos”, diz.

Proposta não é apenas agregar sofisticação, mas adaptar a máquina às condições reais de operação. Foto: KOMATSU


AUTOMAÇÃO

Se a balança traz precisão à carga, a automação de ciclos dá regularidade ao movimento.

Recursos como retorno automático à posição de escavação, controle de altura e repetição de movimentos atuam sobre aquilo que mais consome tempo e energia em uma carregadeira: a repetição.

É justamente em movimentos repetitivos que o operador acumula fadiga, perde precisão ao longo do turno e gera pequenas diferenças de tempo entre um ciclo e outro.

Segundo a Caterpillar, funções como AutoDig, retorno automático à posição de escavação e kickouts programáveis automatizam partes do ciclo, reduzindo a dependência da habilidade do operador, diminuindo a fadiga e assegurando ciclos mais uniformes, rápidos e previsíveis.

O ganho não está apenas em “fazer sozinho”, mas em reproduzir continuamente o padrão.

A Komatsu enfatiza o efeito dessa automação na definição da velocidade ideal entre o ponto de carga e o ponto de descarga, bem como no posicionamento correto da caçamba em relação ao solo.

Ao identificar o momento exato de carregamento, o sistema evita sobrecargas, reduz danos e torna o processo mais eficiente. Em outras palavras, a eletrônica ajuda a tirar “achismo” da operação.

A JCB traz uma interpretação interessante ao ligar a automação de ciclo ao papel da máquina em processos de apoio que se tornam críticos.

Hauck lembra que, em vários segmentos, a carregadeira ainda é vista como um equipamento de suporte.

Mas deixa de ser coadjuvante quando, por exemplo, passa a alimentar uma usina de biomassa ou abrir drenos, canais de irrigação, curvas de nível e logística interna de propriedades rurais.

Por esse motivo, o apelo por tecnologia embarcada sempre foi mais voltado à eficiência de custo e à robustez operacional nessa máquina”, ressalta.

A Liebherr resume esse papel ao indicar que os sistemas atuam diretamente nos movimentos repetitivos da caçamba e do braço, gerando ciclos mais constantes e previsíveis e reduzindo a dependência da habilidade manual.

Também a John Deere reforça essa lógica ao destacar que a 544 G combina joystick com FNR integrado, sistema hidráulico sensível à carga e comandos de retorno à posição de carregamento, além de limites de altura da caçamba.

Segundo Lanza, esses recursos ajudam em ciclos repetitivos ao manter o nivelamento da caçamba, facilitando a descarga e reduzindo movimentos desnecessários.

“O resultado é mais conforto para o operador e maior regularidade operacional, especialmente em carregamentos intensos”, aponta.

Modos programáveis de operação compõem as características de projetos avançados de carregadeiras. Foto: LIEBHERR


INTERFACE

Outro avanço é a aproximação entre a carregadeira e o caminhão. Nem sempre essa integração é total ou bidirecional, mas os fabricantes vêm adotando sistemas que orientam o operador a completar a carga com o número ideal de passes, dentro de um peso previamente definido.

Isso reduz correções, evita o famoso “passe extra” e melhora o sincronismo entre máquina e transporte.

A Liebherr explicita esse conceito por meio do sistema Truck Payload Assist, que usa a pesagem embarcada para orientar o operador no carregamento com peso-alvo, número de passes e tolerâncias definidas.

“Esse recurso fornece feedback em tempo real e reduz correções no último passe”, informa Poll. “O ganho é uma operação mais padronizada, previsível e rápida.”

As pás da Caterpillar também contam com controle de passes por caminhão, aviso de carga-alvo atingida e integração da balança com dados operacionais.

Amaral explica que esses sistemas possibilitam orientar o carregamento, otimizar a distribuição do material e reduzir filas e tempos de ciclo, “melhorando a produtividade do sistema como um todo, e não apenas da máquina isoladamente”.

Hauck reconhece que a automação total ainda avança de forma segmentada, mas ressalta que soluções como controle de passes e alertas de carga já elevam a eficiência do carregamento e melhoram o sincronismo entre máquina e transporte.

“Na prática, o operador sabe quantos passes são necessários para completar cada caminhão, evitando tanto o passe desnecessário quanto a necessidade de ajuste posterior”, afirma.

Já Dávila faz uma observação mais cautelosa. Para ele, ainda não existe um sistema totalmente integrado entre os dados do caminhão e da carregadeira, capaz de informar em tempo real ao operador quando a capacidade é atingida.

Normalmente, um ou outro equipamento possui sistema de pesagem, sendo que também é comum o operador já receber previamente as instruções sobre a quantidade de material a ser carregada.

“Em relação à quantidade de passes, essa definição é feita durante o dimensionamento da operação, quando é analisada e recomendada a carregadeira mais apropriada para atender à capacidade do caminhão, garantindo que não haja excesso ou insuficiência de passes”, alerta.

Balança dinâmica transforma a carregadeira em um instrumento de medição da produção. Foto: LIEBHERR


ECONOMIA
Um erro comum é tratar a eletrônica apenas como sinônimo de sofisticação ou comodidade, quando está diretamente ligada à redução de consumo e desgaste.

Isso faz toda a diferença em máquinas que trabalham por horas seguidas, muitas vezes sob alta carga e em ambientes agressivos.

“Funções como Tipoff Assist, AutoDig, ajuste automático dos pneus e controle eletrônico do ventilador ajudam a reduzir a patinagem, minimizam esforços desnecessários e picos de carga, com redução do consumo e do desgaste de pneus e de componentes”, complementa Amaral.

O uso da tecnologia também tem contribuído para a eficiência das carregadeiras da Komatsu, equipadas com o sistema de transmissão HST. De acordo com Dávila, as máquinas possuem recursos inteligentes que auxiliam a otimização.

“Ao atingir velocidades acima de 13 km/h, o equipamento realiza desligamento automático do motor de baixa velocidade, reduz a carga sobre o motor diesel e, consequentemente, melhora a eficiência do consumo”, detalha.

Outro recurso relevante é o sistema de hélice sob demanda, que ajusta a rotação conforme a necessidade de refrigeração.

Quando há elevação da temperatura, a rotação aumenta mesmo em condições normais de operação, reduzindo a carga no motor e contribuindo para maior eficiência.

Nas carregadeiras da Liebherr, a redução no consumo e no desgaste está diretamente ligada ao controle eletrônico integrado de motor, sistema hidráulico e transmissão hidrostática.

O sistema hidrostático permite variação contínua de velocidade e torque, garantindo movimentos mais suaves e melhor aproveitamento da potência disponível.

“Com isso, a máquina opera de forma mais estável e previsível, resultando em menor solicitação dos componentes, maior vida útil e redução de até 30% do consumo”, assegura Poll.


CAPACITAÇÃO
Tecnologia não elimina a necessidade de treinamento

Quando o assunto é eficiência, as fabricantes convergem para um ponto importante: a tecnologia encurta a curva de aprendizado, mas não elimina a necessidade de treinamento.

Esse é um aspecto central para evitar leituras exageradas sobre automação.

A máquina pode orientar, corrigir e padronizar, mas ainda depende de inspeção, técnica de carregamento, percepção de risco e entendimento da operação.

A JCB reforça que essas assistências reduzem erros básicos e aceleram a adaptação inicial, mas não substituem treinamento em segurança, inspeções diárias e técnicas de carregamento.

“O maior ganho está em criar um patamar mínimo de performance aceitável em toda a equipe, reduzindo a dependência extrema da experiência de cada operador”, avalia Hauck.

A John Deere também adota essa visão ao afirmar que a 544G foi projetada para ser intuitiva, com monitor, comandos organizados e partida por senha, mas sem prescindir da formação adequada do operador.

“A performance plena continua dependendo da combinação entre recursos eletrônicos e uso correto”, afirma.

Assistências reduzem erros e aceleram a adaptação, mas não substituem treinamento em segurança, inspeções diárias e técnicas de carregamento. Foto: JOHN DEERE


Saiba mais:
Caterpillar: www.cat.com/pt_BR
JCB: www.jcb.com/pt-BR
John Deere: www.deere.com.br/pt
Komatsu: www.komatsu.com.br
Liebherr: www.liebherr.com/pt-br


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