P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR
Revista M&T - Ed.222 - Abril 2018
Voltar
Plataformas

Mudança de perfil

Com a retração do mercado da construção, fabricantes prospectam outras áreas de atuação para seus equipamentos, que agora também adentram a era da eletrificação
Por Antonio Santomauro

Concebidas para a produtividade e a segurança de atividades em locais elevados, as plataformas de trabalho aéreo têm presença relativamente recente no Brasil, onde sua chegada intensificou-se em uma época na qual proliferavam grandes obras, como as vinculadas à Copa do Mundo e às Olimpíadas realizadas no país. Por isso mesmo, até há pouco tempo eram destinadas quase exclusivamente à construção civil, mas a subsequente crise econômica fez minguarem os grandes projetos na área. Hoje, a saída para as locadoras – as principais compradoras desses equipamentos – é expandir seu uso para uma gama maior de setores, incluindo também manutenção industrial e predial, logística, decoração de shopping centers, eventos e outros.

Todavia, são setores que impõem aos fornecedores uma realidade comercial distinta daquela vigente no período dos grandes projetos. Como ocorreu na recente reforma do aeroporto do Galeão, por exemplo, na qual em determinado momento operavam cerca de 300 plataformas. “Por outro lado, a decoração natalina de um shopping center exige apenas alguns dias de uma plata


Concebidas para a produtividade e a segurança de atividades em locais elevados, as plataformas de trabalho aéreo têm presença relativamente recente no Brasil, onde sua chegada intensificou-se em uma época na qual proliferavam grandes obras, como as vinculadas à Copa do Mundo e às Olimpíadas realizadas no país. Por isso mesmo, até há pouco tempo eram destinadas quase exclusivamente à construção civil, mas a subsequente crise econômica fez minguarem os grandes projetos na área. Hoje, a saída para as locadoras – as principais compradoras desses equipamentos – é expandir seu uso para uma gama maior de setores, incluindo também manutenção industrial e predial, logística, decoração de shopping centers, eventos e outros.

Todavia, são setores que impõem aos fornecedores uma realidade comercial distinta daquela vigente no período dos grandes projetos. Como ocorreu na recente reforma do aeroporto do Galeão, por exemplo, na qual em determinado momento operavam cerca de 300 plataformas. “Por outro lado, a decoração natalina de um shopping center exige apenas alguns dias de uma plataforma elétrica de menor porte”, compara Arthur Lavieri, presidente da Solaris, locadora que atualmente dispõe de uma frota com cerca de 3 mil plataformas, de diferentes marcas e modelos.

Novos nichos de atuação impõem uma realidade comercial desafiadora aos fabricantes de plataformas

DEMANDA

De fato, a diversificação definitivamente se impôs a esse mercado. Na locadora Mills – cuja frota supera 6 mil plataformas – a participação da construção no total de locações era de 80% em 2014, mas agora está reduzida a 30%. “Hoje, nosso maior cliente individual é a Vale, onde esses equipamentos são usados para manutenção das vias de transporte de minérios”, especifica Daniel Brugioni, diretor comercial e de marketing da empresa, que considera a crise no mercado das grandes obras a principal causa dessa mudança no perfil dos usuários brasileiros de plataformas (que, ademais, aconteceria dentro de algum tempo, como decorrência natural do desenvolvimento dessa indústria).

Menos esperada, a crise realmente teve impactos profundos. Em 2017, como relata Marcelo Nottolini Racca, executivo de vendas da Haulotte, o mercado brasileiro demandou pouco mais de 400 plataformas novas, além de aproximadamente outras 200 em operações trade in – um tipo de operação na qual o fabricante recebe um equipamento usado como parte do pagamento de um novo. Cerca de três anos antes, essa demanda chegou a 1.500 unidades. “No Brasil, um mercado saudável equivaleria a quase 2,5 mil novas plataformas por ano”, pondera Racca.

Estimativas de mercado indicam que, atualmente, existem no Brasil entre 25 mil e 30 mil plataformas de diferentes alcances – que podem ir de 5 m a mais de 50 m –, sejam do tipo tesoura, articuladas, telescópicas e de outros modelos, a diesel ou elétricas. Mas todas ainda são importadas. Esse número, no entanto, não é preciso, pois nos últimos anos várias locadoras venderam equipamentos para outros países, principalmente aqueles para os quais já não encontravam demanda (além de ter havido fechamento em massa de locadoras).

Crise no mercado de grandes obras provocou uma mudança no perfil dos usuários brasileiros

ESPECIALIZAÇÃO

Em tal contexto, a diversificação do leque de usuários já originou locadoras focadas em outros setores fora da construção civil. É o caso da RCB, hoje dona de cerca de 250 plataformas, com alcance entre 8 e 21 m. “Esse é um equipamento muito versátil, com potencial de utilização em diversas atividades”, enfatiza Marcello Brasil, diretor da RCB. “Na realidade, a maioria dos trabalhos em alturas superiores a 3 metros tem na plataforma o equipamento mais indicado.”

Setores como manutenção industrial e predial e logística já respondem por aproximadamente 70% dos negócios da empresa, ficando a construção com os demais 30%. Para atender mais adequadamente a esses mercados, a frota da RCB conta majoritariamente com máquinas do tipo tesoura, de menor porte (até 15 m). “Também há mais máquinas elétricas”, ressalta Brasil.

 

Como entrave à diversificação do uso de plataformas no mercado nacional, o especialista cita o fato de muitos espaços não serem projetados para permitir seu uso nas atividades de manutenção. A própria RCB garante que já deixou de atender demandas por não haver como colocar as máquinas no interior dos ambientes onde seriam utilizadas. Mesmo assim, sua presença é crescente até mesmo em aplicações nas quais provavelmente ninguém pensou quando os primeiros equipamentos chegaram ao país. “Temos plataformas sendo utilizadas por companhias aéreas para levar cadeirantes para os aviões”, exemplifica o diretor da RCB. A Mills também ilustra essa guinada. Como conta Brugioni, a locadora atualmente fornece plataformas para a colheita de coco, por exemplo, uma atividade tradicionalmente feita por trabalhadores braçais.

Em termos tecnológicos, também há uma mudança em curso. No Brasil, diz Brugioni, o foco inicial nas grandes obras gerou uma presença majoritária de plataformas de grande porte movidas a diesel, que hoje perfazem 70% da frota nacional. Em países como os EUA, essas máquinas maiores, movidas por combustível fóssil, correspondem a apenas 30% da frota, na qual predominam equipamentos menores e elétricos. “Paulatinamente, a frota brasileira também deve caminhar em direção a esse perfil, mas por enquanto é necessário aproveitar mais a frota existente”, argumenta o diretor da Mills.

RENOVAÇÃO

Estimativas indicam uma frota entre 25 mil e 30 mil plataformas de diferentes alcances no país

Indispensável para esse movimento de renovação da frota, o reaquecimento dos negócios do mercado brasileiro já é perceptível. Apenas em janeiro deste ano, conta Brasil, foram comercializadas cerca de 100 novas plataformas no país, quantidade equivalente ao total vendido em todo o primeiro trimestre de 2017.

O diretor da RCB credita esse aumento da demanda à retomada de projetos de infraestrutura – principalmente nas áreas de geração e transmissão de energia elétrica –, e à melhoria dos preços das commodities (que também demandam investimentos em obras de construção), além da recuperação gradual dos indicadores macroeconômicos do país. “No total deste ano devem ser comercializadas no Brasil mais de 1,2 mil novas plataformas”, prevê o executivo.

Para Brugioni, da Mills, caso o PIB brasileiro expanda-se este ano em algo entre 2% a 3%, como o previsto, o mercado nacional de locação de plataformas pode avançar na faixa de 12% a 15%, em comparação ao ano passado. “O mercado local tem potencial para abrigar algo entre 90 mil a 100 mil plataformas em um prazo de aproximadamente dez anos”, avalia.

Mesmo a construção ainda embute amplo potencial de expansão para o uso de plataformas no Brasil. “Além de muito mais seguras, elas são muito mais produtivas que andaimes”, argumenta Lavieri, da Solaris. “No Brasil, o mercado de plataformas ainda é muito novo, começou apenas por volta do ano 2000, quando chegaram ao país oitenta plataformas.”

Seja como for, a diversificação do leque de usuários será vital para o crescimento dessa indústria que, na opinião de Racca, da Haulotte, doravante evoluirá mais intensamente em negócios nos setores de logística e manutenção industrial e predial. “Esses setores demandam basicamente máquinas elétricas”, destaca.

Também o presidente da Terex para a América Latina, Gustavo Faria, projeta maior demanda por máquinas elétricas e, também, pelas hidráulicas, que começam a chegar ao país. Contudo, independentemente do perfil dos usuários, o mercado deve continuar a ser atendido principalmente pelas locadoras: “Algumas poucas indústrias até compram esse equipamento, mas mesmo atividades como manutenção e logística preferem locá-lo”, destaca o executivo da Terex, detentora da marca Genie.

HÍBRIDAS

Em sua necessária e incansável busca por produtos que emitam menos poluentes, os fabricantes de plataformas recorrem a várias alternativas, desde equipamentos dotados de motores a combustão mais eficientes, passando por versões elétricas até a chamada “tecnologia híbrida”, em expansão nas mais diversas vertentes da indústria de máquinas e equipamentos móveis. Essa tecnologia, inclusive, permite-lhes fornecer equipamentos aptos a operar sob os mais diversos ambientes, externos e internos.

Na verdade, já há algum tempo o mercado conta plataformas que permitem escolher, a cada momento, entre eletricidade e combustível fóssil como fonte de energia (na Genie, por exemplo, esse recurso é denominado ‘Bi-Energy’). Mas os modelos híbridos atuais integram essas duas modalidades de propulsão em um motor a diesel, que carrega as baterias enquanto o equipamento opera, além de contarem com dispositivos para acionamento automático do sistema elétrico de movimentação a partir de determinados níveis de carga (também há a possibilidade de realizar essa escolha através do operador).

Em contraste com o Brasil, mercados mais maduros privilegiam equipamentos menores, híbridos e elétricos

A própria Genie lançou há cerca de dois anos um modelo desse gênero, que é comercializado no Brasil desde o final do ano passado (duas unidades já foram vendidas). Batizado de Z-60/37FE, o modelo do tipo articulado possui tração nas quatro rodas e oferece altura máxima de trabalho de 20 m. “É uma máquina muito versátil, capaz de operar em qualquer local, podendo ser tanto a primeira máquina a entrar em uma obra quanto a última a sair, com o galpão já fechado, pois não emite poluentes quando opera com bateria”, ressalta Faria.

Há ainda outros diferenciais que podem favorecer as plataformas híbridas. “Estudos mostram que seu sistema, com tração 4x4 e quatro motores elétricos – um para cada roda –, é mais eficiente que o de uma máquina a diesel”, ressalta Lavieri, da Solaris, que já adquiriu uma plataforma híbrida da Genie. O material de divulgação produzido pela fabricante reitera essa informação, descrevendo uma máquina que, comparativamente a outra de porte equivalente e movida a diesel, é 25% mais rápida e capaz de se movimentar mais facilmente em terrenos acidentados.

POTENCIAL

Mais que isso, a associação da tecnologia híbrida com a sustentabilidade ambiental também pode ser interessante para clientes interessados em vincular-se a esse conceito atualíssimo na indústria. “Já estamos utilizando nossa primeira plataforma híbrida em três projetos-piloto, inclusive para definir melhor sua relação de custo/benefício para o cliente”, prossegue Lavieri. “Creio que crescerá a demanda por plataformas híbridas, que inicialmente devem ser mais demandadas no setor de construção e manutenção industrial.”

Por sua vez, Brasil, da RCB, vê na plataforma híbrida uma espécie de “coringa”, capaz de ir até aonde máquinas elétricas não podem chegar, pela inexistência de rede elétrica. “Por tudo isso, os equipamentos híbridos serão importantes para nosso mercado”, comenta.

Esse movimento já começou. Com preço de aquisição 4% superior ao de uma máquina elétrica de porte similar, a plataforma híbrida que a Terex está trazendo ao Brasil (e que será exibida em primeira mão na M&T Expo) possui baterias com autonomia de 8 horas, sendo que seu motor é ligado automaticamente caso o sistema perceba que elas necessitam de carga, desde que a opção híbrida esteja ativada. “Mesmo totalmente descarregadas, em quatro horas essas baterias podem ser carregadas em 80% de sua capacidade total”, ressalta Faria.

Dentre os principais players com atuação de destaque no mercado global, a JLG também já oferece a versão híbrida lá fora. E a Haulotte, como afirma Racca, promete ingressar no segmento ainda neste ano. “Há uma tendência mundial de equipamentos que emitam menos poluentes – tanto no uso externo quanto no interno –, e isso deve consolidar-se também no Brasil”, justifica.

MANITOU LANÇA NOVA LINHA DE PLATAFORMAS NA AMÉRICA DO NORTE

Nova linha a diesel da marca para o mercado norte-americano inclui o modelo de lança articulada AETJ 43, que possui alcance de 12,9 m

Quarto maior fabricante de plataformas de trabalho aéreo do mundo, a francesa Manitou apresentou cinco novos modelos de lança articulada para o mercado norte-americano, além de antecipar a chegada de novos modelos telescópicos ainda neste ano. A nova linha inclui dois modelos elétricos – AETJ 49 (com alcance de 14,9 m) e AETJ 43 (de 12,9 m, na foto) – e três a diesel – ATJ 46 (de 13,9 m), ATJ 46+ (de 13,8 m) e MAN’GO 33 (de 9,9 m). Segundo a empresa, os modelos a diesel ganharam motores Tier 4, enquanto os elétricos trazem baterias de tração de 48 V. Os equipamentos também receberam mudanças significativas no design e no projeto, incluindo modificações no sistema elétrico e no sistema de giro do cesto, para atender aos requisitos do ANSI (American National Standards Institute). “Estamos trabalhando com distribuidores próximos às nossas fábricas do Meio-Oeste, além de representantes na costa oeste dos EUA e do Canadá”, atesta Mark Hanson, CEO da Manitou Norte América.

JCB ACCESS APRESENTA PLATAFORMAS ELÉTRICAS COM BATERIAS ÍON-LÍTIO

Entrante no segmento, a JCB aposta em soluções elétricas com nova tecnologia de baterias

Lançada há um ano, a marca JCB Access amplia seu portfólio com mais cinco equipamentos de 6,6 m a 10,1 m movidos a baterias íon-lítio: S1530E, S1930E, S2032E, S2646E (foto) e S2646E. Ao oferecer uma nova linha com baterias íon-lítio em substituição aos modelos convencionais de chumbo-ácido, a companhia promete entregar uma solução que permite às plataformas operarem até 40% a mais de tempo entre os períodos de recarga. Com ciclos de 2.000 recargas (quatro vezes mais que as baterias chumbo-ácido), o equipamento teve seu tempo de recarga reduzido em até 50%, eliminando ainda a emissão de hidrogênio. “O principal benefício ao usuário está na facilidade de recarga, sem preocupações com intervalos curtos”, disse o diretor de vendas da companhia, Phil Graysmark, à publicação Access International. “Além disso, a vida útil da bateria agora equivale à do equipamento, permitindo uma redução significativa das substituições.”

Saiba mais:

Genie: www.genielift.com/pt

Haulotte: www.haulotte.com.br

JCB: www.jcb.com/en-gb/products/access-platforms/electric-scissors

Manitou: www.manitou.com

Mills: www.mills.com.br

RCB Plataformas: www.rcbplataformas.com.br

Solaris: www.solarisbrasil.com.br

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR

P U B L I C I D A D E

P U B L I C I D A D E