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Revista M&T - Ed.301 - Fev / Mar - 2026
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EMPRESA

Em linha com o mercado

Grupo Volvo acompanha a retração das vendas de caminhões novos no ano passado, mas cresce em serviços e anuncia o início de um novo ciclo de investimentos na operação
Por Redação

Com o anúncio de um novo ciclo de investimentos, o Grupo Volvo mostra disposição em virar a página em termos de resultados na América Latina, que no ano passado reverteram a tendência positiva observada nos exercícios recentes anteriores, os melhores já registrados pela marca. Entretanto, isso não deve ocorrer ainda em 2026, considerando as projeções de vendas traçadas para o ano.

Em âmbito global, o grupo faturou SEK 479 bilhões em 2025, ou -5% em relação aos SEK 527 bilhões no ano anterior, resultado parcialmente compensado por um avanço de +2% em serviços. Mesmo assim, o desempenho foi suficiente para a marca manter a liderança em pesados na Europa, com 17% de share. “A redução do volume de entregas veio após dois anos em níveis recordes”, observou Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo para a América Latina, durante coletiva de imprensa realizada em fevereiro. “No Brasil,


Com o anúncio de um novo ciclo de investimentos, o Grupo Volvo mostra disposição em virar a página em termos de resultados na América Latina, que no ano passado reverteram a tendência positiva observada nos exercícios recentes anteriores, os melhores já registrados pela marca. Entretanto, isso não deve ocorrer ainda em 2026, considerando as projeções de vendas traçadas para o ano.

Em âmbito global, o grupo faturou SEK 479 bilhões em 2025, ou -5% em relação aos SEK 527 bilhões no ano anterior, resultado parcialmente compensado por um avanço de +2% em serviços. Mesmo assim, o desempenho foi suficiente para a marca manter a liderança em pesados na Europa, com 17% de share. “A redução do volume de entregas veio após dois anos em níveis recordes”, observou Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo para a América Latina, durante coletiva de imprensa realizada em fevereiro. “No Brasil, uma taxa de juros reais a 11% impacta toda a economia. Imagine o peso que isso tem, o quanto isso faz o transportador refletir”, comentou. “Existe a necessidade de renovação de frota, mas o nível se reduz em momentos com tamanha pressão. Ainda assim, foram resultados satisfatórios.”

Sobre o Programa Move Brasil – iniciativa do Governo Federal lançada em janeiro que oferece crédito com juros mais baixos para a compra de caminhões – o executivo disse considerar “uma medida boa”. “É uma medida para uma transição entre o período de mais dificuldade por conta de uma taxa elevada de juros, onde há necessidade de renovação de frota, para um período de crescimento, com mais previsibilidade e taxas mais baixas”, observou. “Se o programa fizer essa ponte, teremos um cenário positivo no ano que vem.”

Na região latino-americana, o ano também foi de contração, com a comercialização de 25.665 unidades, o que representa uma queda anual de -6%. “No entanto, mantivemos a liderança no maior mercado da região, que é o Brasil, e no 2º maior mercado, que é o peruano”, sublinhou. Em termos de participação, os destaques foram Brasil (share de 23%, com 20.053 unidades), Peru (21%, com 2.414) e Chile (19%, com 1.621), onde a marca dobrou a rede no último triênio.

Pressão das taxas elevadas de juros impactaram os resultados do setor em 2025.

Na Argentina, as entregas cresceram 190% (1.185 unidades), sinalizando um movimento de retomada no país vizinho, “um mercado complexo, marcado por riscos e volatilidade”, enquanto o México – cujo atendimento foi retomado no ano passado a partir da fábrica brasileira – registrou 80 unidades vendidas na Linha F. “Apesar dos desafios de curto prazo, devemos triplicar os volumes em 2026, especialmente após o lançamento da linha VM no país”, antecipou. “São apenas os primeiros passos, mas de uma jornada promissora.”

DESEMPENHO

Segundo o diretor executivo de caminhões, Alcides Cavalcanti, a empresa emplacou 20.053 unidades acima de 16 t em 2025. “Tivemos uma redução geral do mercado de 11%”, disse. “Aliás, muito alinhado ao que havia sido previsto no início do ano passado.”

O segmento de pesados foi o que mais sofreu, com queda de -20%, enquanto a demanda de semipesados cresceu +5,5%. “Mesmo com a queda, conseguimos manter a liderança em caminhões novos emplacados”, frisou. Em pesados, especificamente, a participação da marca foi de 31%, a melhor dos últimos dez anos. “Ou seja, em um mercado em queda, os clientes preferiram os caminhões pesados da Volvo”, acentuou Cavalcanti, que não visualiza uma retração tão intensa no segmento em 2026, especialmente por conta das licitações. “Quem deixou de renovar a frota vai precisar fazer este ano”, disse ele. “Na mineração, o que pode afetar é a questão do câmbio, pois o dólar mais baixo restringe um pouco a exportação.”

Fabricante traz ao país a solução Safety Zone, que delimita áreas de segurança para o tráfego.

Em termos de produtos, o principal destaque no ano foi o modelo FH 540, líder em vendas pela 7ª vez consecutiva, com 5.403 emplacamentos, seguido pelo caminhão FH 460, que registrou 3.613 emplacamentos. Na linha VM, o caminhão VM 290 liderou o mercado de semipesados, com 4.320 unidades vendidas (+6%). Já em vocacionais, o desempenho foi alavancado pelos modelos VMX e VMX Max, cujas vendas cresceram +8%, impulsionadas pela inclusão de Retarder no pacote tecnológico. “Esse modelo é líder em betoneiras, um segmento importante no Brasil”, comentou o diretor. “Atualmente, o VMX tem uma participação de mais de 50% nesse segmento, além de caçambas.”

Contrabalançando a queda nas vendas, a Volvo terminou o ano com incremento de +10% em serviços na América Latina, movimentando 55 mil planos ativos de manutenção, 22 mil contratos de conectividade e 10 mil contratações de serviços personalizados, que incluem produtos como CIV (Condução Inteligente Volvo). “Com esse sistema, conseguimos proporcionar uma redução de até 10% do consumo na frota”, garantiu Cavalcanti, destacando ainda que a marca movimentou 2.669 seminovos no ano passado, o maior volume registrado em quase três décadas de atuação. “No ano passado, esse mercado cresceu em torno de 7% somente em pesados”, posicionou.

Em termos de tecnologia, Cavalcanti antecipou o lançamento da solução Safety Zone, uma funcionalidade do sistema Volvo Connect que delimita áreas de segurança com velocidade máxima de circulação, inclusive em aplicações vocacionais. “O caminhão faz a frenagem automaticamente para circular em regiões sensíveis, reduzindo o risco de acidentes”, explicou.

FINANCEIRO

Na área financeira, a VFS (Volvo Financial Services) registrou números relevantes em 2025, chegando ao final do ano com uma carteira de R$ 24 bilhões e aumentando em +12% a participação nas vendas. “Esses números revelam a importância estratégica da VFS em oferecer soluções financeiras robustas e personalizadas, alinhadas ao ciclo de negócios do transporte”, afirmou Sílvia Gerber, presidente da VSF, que assumiu o cargo no ano passado.

Em novos negócios, o resultado foi de R$ 5,5 bilhões, o que representa 40% das entregas da marca no ano, com cerca de 55% em CDC e 45% relativos ao Finame. “Isso consolida a posição do Banco Volvo como o maior operador de Finame entre os bancos de montadoras”, afirmou.

Por sua vez, a área de consórcios avançou +6%, chegando a R$ 7,8 bilhões na carteira e R$ 2,6 bilhões em novos créditos, enquanto o segmento de seguros registrou R$ 179 milhões em prêmios vendidos, com avanço de +37% em itens segurados. “O consórcio vem tomando uma relevância maior ao oferecer uma solução adicional aos clientes que buscam planejamento e previsibilidade”, acrescentou. “Já o seguro é um produto crítico para a operação, a segurança e a continuidade de negócios de quem roda todos os dias pelas estradas do Brasil.”

Na locação, o parque já chega a 1.150 unidades (incluindo caminhões e ônibus), com destaque para a linha pesada, em aplicações vocacionais como canavieiro e florestal. “Mesmo com a retração do mercado, crescemos 15% em unidades locadas, oferecendo caminhões e ônibus como serviço”, ressaltou Gerber.


Grupo anuncia novo ciclo de investimentos

Novo ciclo deve chegar a R$ 2,5 bilhões em investimentos na operação.

Durante a coletiva de resultados, o presidente do Grupo Volvo, Wilson Lirmann, afirmou que o mercado de caminhões deve apresentar nova queda em 2026, com previsão de retração entre -5% e -10%. Segundo ele, a perspectiva se embasa em “fatores claros” de risco. “O primeiro é a rentabilidade do agro, que segue pressionada apesar da safra positiva, pois os custos estão elevados e a valorização do real não ajuda, embora seja importante para a economia”, analisou. O segundo ponto, prosseguiu, é que o país está em ano eleitoral, o que sempre traz “algum nível de incerteza”. “Mas o principal desafio é a questão fiscal, que acaba colocando um fardo importante sobre a economia”, afirmou.

A despeito das projeções, Lirmann revelou que o grupo iniciará um novo ciclo de investimentos na América Latina, relativo ao triênio 2026-2028. O montante deve chegar a R$ 2,5 bilhões, que serão investidos em melhorias na fábrica e atualizações em produtos, em serviços e na rede. “O setor de transporte demanda soluções de mais segurança, produtividade e eficiência energética”, pontuou, destacando que o objetivo é alinhar o país ao nível de inovação global. “Além disso, a sociedade também demanda a questão de descarbonização e, por isso, estamos anunciando esse próximo ciclo.”


Saiba mais:
Grupo Volvo: www.volvogroup.com/br

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