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Revista M&T - Ed.203 - Julho 2016
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Escavadeiras

Uma tradição arraigada

Categoria de 21 t mantém sua importância ao responder por cerca de 50% do mercado, podendo ter a participação aumentada com eventual reaquecimento nos próximos anos
Por Joás Ferreira

Em um cenário de seletividade crescente na renovação das frotas, alguns fatores têm se mostrado determinantes para o mercado nacional de escavadeiras hidráulicas sobre esteiras, em especial na hora da escolha do tipo e do porte desses equipamentos fundamentais para a construção.

Entre os fatores preponderantes levados em conta pelos compradores, é possível destacar questões que se relacionam diretamente ao delicado momento econômico vivido pelo país, mas também à necessidade de optar por modelos mais versáteis e características técnicas que melhor se adaptem às exigências das obras e aplicações.

O porte do equipamento, por exemplo, é um item que praticamente determina o tipo de aplicação a que se destina. Gerente regional de vendas da LBX do Brasil, Gustavo Totina confirma que o porte médio mais utilizado no mercado brasileiro ainda é o de 21 t, que na verdade pode variar entre 20 t e 23 t, sendo visto no país como uma espécie de “pau para toda obra”. “Apesar das mudanças pelas quais passamos, o nosso mercado ainda não tem a cultura de empregar o model


Em um cenário de seletividade crescente na renovação das frotas, alguns fatores têm se mostrado determinantes para o mercado nacional de escavadeiras hidráulicas sobre esteiras, em especial na hora da escolha do tipo e do porte desses equipamentos fundamentais para a construção.

Entre os fatores preponderantes levados em conta pelos compradores, é possível destacar questões que se relacionam diretamente ao delicado momento econômico vivido pelo país, mas também à necessidade de optar por modelos mais versáteis e características técnicas que melhor se adaptem às exigências das obras e aplicações.

O porte do equipamento, por exemplo, é um item que praticamente determina o tipo de aplicação a que se destina. Gerente regional de vendas da LBX do Brasil, Gustavo Totina confirma que o porte médio mais utilizado no mercado brasileiro ainda é o de 21 t, que na verdade pode variar entre 20 t e 23 t, sendo visto no país como uma espécie de “pau para toda obra”. “Apesar das mudanças pelas quais passamos, o nosso mercado ainda não tem a cultura de empregar o modelo correto para cada tipo de trabalho a ser realizado”, afirma.

Mas, segundo Totina, há bons motivos para isso. Afinal, os compradores encontram no equipamento de 21 t um produto multitarefa, capaz de atender às principais exigências em campo, sem comprometer muito o transporte. “Contudo, os países com tecnologias mais avançadas oferecem diversos portes, configurações e ferramentas de trabalho, que ainda não são bem conhecidos no Brasil”, salienta o executivo.

No entanto, diz ele, com o avanço da modernização tecnológica e as exigências crescentes das obras, uma adequação será inevitável no longo prazo. Nesse sentido, um dos argumentos elencados pelo representante da LBX do Brasil é que, “ao utilizar o equipamento de porte correto para cada tipo de trabalho, se obtém melhor rendimento e se aperfeiçoam tanto o tempo de realização quanto a qualidade do trabalho”.

Ainda de acordo com Totina, a LBX do Brasil traz para o Brasil a prática do mercado norte-americano, no qual a utilização do equipamento correto para a obra é cultural e até uma exigência. “Com o aperfeiçoamento do mercado brasileiro, essa mudança de cultura em relação aos portes e aplicações de equipamentos será algo natural”, frisa.

Tal opinião é corroborada por Rafael Ricciardi, especialista de marketing de produto para a América Latina da New Holland Construction. Segundo ele, já há uma tendência de migração para portes acima e abaixo das convencionais 21 t. “Nas grandes obras, como construção de barragens, duplicação de rodovias, pedreiras e mineração, cada vez mais estão sendo apreciados o desempenho e a relação custo/benefício das escavadeiras de maior porte”, afirma. “Por outro lado, as escavadeiras menores estão ganhando espaço no mercado de locação, graças à facilidade na logística de transporte desses equipamentos, além da delimitação de espaço em algumas operações.”

CONVENCIONAL

Antes disso, no entanto, uma verdadeira tradição terá de ser posta à prova. É o que Ricciardi sugere ao explicar que, desde a década de 1970, quando o uso de escavadeiras hidráulicas se “popularizou” no Brasil, houve uma forte migração para as máquinas de 21 t, que ocuparam a faixa de utilização mais importante nos anos e décadas seguintes. Essa participação de mercado, segundo ele, superou os 65%, devido a fatores como “custo de aquisição, operação e produtividade”. “Em 1973, a então FiatAllis [que se tornaria a New Holland] foi a marca responsável por disponibilizar no país a primeira escavadeira hidráulica produzida localmente”, ressalta Ricciardi, referindo-se ao modelo S90, que tinha peso operacional de 17 t. Quarenta anos depois, com o aumento exponencial da demanda nacional por escavadeiras ocorrido entre 2010 e 2013, “ocorreu a migração por parte da demanda para faixas de equipamentos superiores, entre 23 e 25 t, de fácil aquisição naqueles anos”.

Nos últimos dois anos, o cenário mudou. O especialista destaca que, inversamente, a queda substancial da demanda levou a uma tendência de movimentação do mercado para as máquinas de menor porte, nas faixas de 13 t a 17 t, cujo custo de aquisição mostrou-se mais favorável. “Entretanto, a faixa de 21 t ainda mantém sua importância, na medida em que responde por cerca de 50% do mercado e poderá ter essa participação aumentada, em função de um possível reaquecimento do mercado nos próximos anos”, pontua.

ADEQUAÇÃO

Quanto à escolha do equipamento, Ricciardi enfatiza que isso depende de alguns fatores, como custo e adequação. “Os clientes estão mais maduros, especialmente em relação aos diferentes tipos de aplicação, custo total operacional de cada faixa de equipamento e produtividade”, sublinha. “E, com o mercado mais competitivo, o consumidor de escavadeiras também está mais atento e cauteloso com a relação custo/benefício de cada faixa.”

No caso da Case CE, a faixa de escavadeiras de 20 a 24 t representa a maior parte das vendas no Brasil. “Uma das razões é a capacidade de adaptação do equipamento às aplicações, que vão das mais leves até as mais pesadas”, diz Trazilbio Neres Filho, especialista em marketing de produto da marca, que também pertence ao Grupo CNHi.

Para essa classe, desde março de 2015 a fabricante oferece no país a escavadeira CX220C. Produzida na planta de Contagem (MG), a máquina atende ao maior número de aplicações exigidas pelo mercado, como garante Neres. “A nova série C permite integrar recursos para garantir o melhor aproveitamento nas mais variadas aplicações”, explana. “Na prática, é a mesma evolução que vemos nos caminhões, incluindo facilidade de operação, economia, versatilidade, desempenho e atendimento às normas de emissão de ruído e poluentes.”

O especialista da Case CE acredita que – mesmo com a tradição arraigada das 21 t – os clientes já estão escolhendo mais adequadamente os equipamentos em relação à aplicação e também optando por melhores especificações. “Para grandes obras, o foco maior está na produtividade (produção/consumo) e, em aplicações diversas, as atenções estão voltadas para a versatilidade”, observa. “Por isso, os equipamentos são selecionados conforme a aplicação, podendo apresentar maior desempenho e melhor custo/benefício quando bem avaliados.”

E a avaliação é feita pelas características técnicas dos equipamentos, de acordo com o porte e os resultados obtidos no campo. “As escavadeiras de maior porte têm grande produtividade, com menor mão de obra, enquanto o custo de manutenção é reduzido, por exigir menor número de equipamentos na obra”, diz. “Já os equipamentos versáteis podem eliminar a aquisição de um equipamento específico, pois sua versatilidade proporciona mais opções de trabalho para um mesmo conjunto.”

EQUILÍBRIO DE CUSTOS

Uma possível tendência de migração para outras faixas depende ainda de outros fatores para se confirmar. Segundo Alcides Guimarães, diretor de pós-venda nacional da BMC-Hyundai, há nesse sentido uma mescla de critério e contingência. “Por um lado, a escolha passou a ser mais adequada, para assegurar melhor equilíbrio com relação aos custos, uma vez que um equipamento bem dimensionado reduz gastos com manutenção e combustível”, pondera. “Por outro lado, o que contribui para essa mudança é justamente o cenário econômico, que tem influenciado no volume e porte de obras e, desse modo, exigido equipamentos menores.”

Por seu turno, o diretor de vendas da divisão de construção e florestal da John Deere, Roberto Marques, avalia que já houve essa migração. “Ao analisar a evolução da nossa indústria, percebe-se claramente que houve a migração de máquinas para outras categorias, principalmente para máquinas de 13, 16 e 35 t”, comenta, não sem contrapor que – apesar disso – a classe de 21 t ainda mantém a ponta.

O que ocorre, explica o especialista, é que o acesso a um portfólio mais completo tem permitido aos clientes escolher modelos mais adequados às suas necessidades, tanto em termos de porte, quanto de configuração e acessórios. “Nos últimos 10 anos, o crescimento da indústria de construção trouxe benefícios para os clientes, na medida em que novos players se instalaram no país e modelos e tamanhos diferentes passaram a ser produzidos localmente, criando assim alternativas viáveis para o mercado”, conclui.

Mercado brasileiro ainda não assimila modelos sobre pneus

Se os portes vêm ganhando opções, a possibilidade de um avanço da comercialização de escavadeiras sobre pneus no Brasil parece remota. Para os especialistas do setor, o mercado brasileiro ainda não está preparado para esse tipo de equipamento. É o que afirma Gustavo Totina, gerente regional de vendas da LBX do Brasil, para quem isso só será possível num futuro ainda não determinado. “Considerando as experiências realizadas por outros fabricantes no Brasil, ficou evidente que o mercado ainda está imaturo para receber esses modelos”, diz.

Um dos motivos para isso é que o mercado de escavadeiras sobre rodas ainda é novo no país. Segundo Rafael Ricciardi, especialista de marketing de produto da New Holland Construction para a América Latina, em mercados mais maduros, como o europeu, esses equipamentos já são amplamente utilizados, principalmente em áreas urbanas, por apresentarem diversos benefícios em relação às escavadeiras de esteira. “Entre esses benefícios estão transporte, deslocamento e características operacionais, uma vez que, por não utilizarem esteiras, não danificam o piso onde operam”, destaca.

Especialista de marketing de produto da Case CE, Trazilbio Neres Filho pontua que o mercado está sempre em evolução e procurando aprimorar os recursos. “A exigência constante por maior produção e menor custo operacional sempre sugere inovação, mesmo que seja apenas a reativação de algum recurso existente que não teve grande utilização em outros tempos”, afirma. “Por outro lado, o mercado também exige produtos financeiramente mais acessíveis, o que compromete a evolução desses produtos.”

Já Roberto Marques, diretor de vendas da divisão de construção e florestal da John Deere observa que, mesmo em mercados mais maduros como os EUA, “a indústria de escavadeiras sobre pneus representa apenas 2,3% da indústria total”. Para ele, a demanda para escavadeiras sobre pneus no Brasil até existe, mas ainda é pequena e volátil, se comparada a outros modelos. “Considerando a situação de depressão por que passamos, não vemos no curto prazo a tendência de aumento da demanda deste tipo de produto”, crava. “Mas o mercado brasileiro ainda está em evolução e existe a tendência futura de termos uma distribuição mais homogênea dos volumes entre as classes.”

 

 

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