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Revista M&T - Ed.262 - Abril 2022
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BRITAGEM E PENEIRAMENTO

Adaptação à demanda

Fabricantes de britadores, peneiras e telas se adequam para atender às exigências da indústria de areia e agregados, que vê demanda em alta por pedra miúda e areia de brita

Com a mudança das características de consumo no mercado de agregados, os fornecedores de equipamentos vêm sendo levados a se adaptar à transformação. Atualmente, cerca de 40% da demanda do setor são pedras miúdas e areia de brita, o que tem obrigado as pedreiras a adequar o processo de peneiramento, usando britadores, peneiras e telas mais apropriados para processar material fino sem grandes perdas.

Por isso, uma operação de excelência atual considera o desempenho, a taxa de redução de consumo e a confiabilidade do equipamento, além da sua integração com sistemas de controle da planta. De fato, a competitividade e o avanço tecnológico têm motivado as empresas a buscar britadores inteligentes, que conseguem operar de forma autônoma, compensando com autoajustes o desgaste de revestimentos e a variação do material.

De acordo com Fernando Valverde, presidente da Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção (Anepac), as empresas estão permanentemente focadas em manter níveis de produtividade elevados, automatizando usinas de beneficiamento e utilizando equipamentos que operam à distância, por exemplo.

“A demanda por agregados é um termômetro da economia, já que indica a oscilação da atividade de construção”, ressalta. “Nenhum outro manufaturado apresenta preço mais baixo que esse produto e, ao todo, 3.100 empresas atuam nesse setor, sendo 2.500 na produção de areia e 600 de brita.”

Em 2021, a produção de agregados teve um aumento aproximado de 9% sobre 2020, com produção de cerca de 660 milhões de toneladas, de acordo com a Anepac. Embora ainda falte muito para que o mercado retorne ao nível de produção de 2013, cravado em 745 milhões de toneladas, já é o quarto ano consecutivo de crescimento desde 2017.

Hoje, o setor é responsável por mais de 60% do total da produção mineral do Brasil e tem papel fundamental na indústria da construção. “As obras e projetos já inic


Com a mudança das características de consumo no mercado de agregados, os fornecedores de equipamentos vêm sendo levados a se adaptar à transformação. Atualmente, cerca de 40% da demanda do setor são pedras miúdas e areia de brita, o que tem obrigado as pedreiras a adequar o processo de peneiramento, usando britadores, peneiras e telas mais apropriados para processar material fino sem grandes perdas.

Por isso, uma operação de excelência atual considera o desempenho, a taxa de redução de consumo e a confiabilidade do equipamento, além da sua integração com sistemas de controle da planta. De fato, a competitividade e o avanço tecnológico têm motivado as empresas a buscar britadores inteligentes, que conseguem operar de forma autônoma, compensando com autoajustes o desgaste de revestimentos e a variação do material.

De acordo com Fernando Valverde, presidente da Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção (Anepac), as empresas estão permanentemente focadas em manter níveis de produtividade elevados, automatizando usinas de beneficiamento e utilizando equipamentos que operam à distância, por exemplo.

“A demanda por agregados é um termômetro da economia, já que indica a oscilação da atividade de construção”, ressalta. “Nenhum outro manufaturado apresenta preço mais baixo que esse produto e, ao todo, 3.100 empresas atuam nesse setor, sendo 2.500 na produção de areia e 600 de brita.”

Em 2021, a produção de agregados teve um aumento aproximado de 9% sobre 2020, com produção de cerca de 660 milhões de toneladas, de acordo com a Anepac. Embora ainda falte muito para que o mercado retorne ao nível de produção de 2013, cravado em 745 milhões de toneladas, já é o quarto ano consecutivo de crescimento desde 2017.

Hoje, o setor é responsável por mais de 60% do total da produção mineral do Brasil e tem papel fundamental na indústria da construção. “As obras e projetos já iniciados, como o programa Casa Verde Amarela e os leilões de concessões de infraestrutura, permitem projetar um crescimento mais modesto de 5% para 2022”, estima.

Neste ano, a expectativa também passa pelas eleições, tradicionalmente um período de obras no país. “A possibilidade de realização de grandes projetos nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento urbano, aliada à melhora dos índices de mercado, é fundamental para a retomada do crescimento”, destaca Valverde.


Britadores cônicos mais avançados permitem ajustes com carga, impactando na rentabilidade

INOVAÇÃO

Na busca por produtividade, as empresas costumam estabelecer como meta um alto fluxo de material com custos operacionais reduzidos e controlados, utilizando boas práticas nesse processo. Para atender à necessidade, o caminho tem sido implantar ajustes regulares nos equipamentos, buscando otimizar o consumo de energia, desgastes de componentes e demais pontos que permitam reduzir custos.

Na Sandvik, por exemplo, uma característica dos britadores cônicos é a possibilidade de ajustes com carga, o que otimiza a produção ao diminuir o tempo de máquina parada, impactando na rentabilidade do produto. “Os sistemas de automatização ASRi e ACS possibilitam que os britadores façam ajuste automático e mantenham a produtividade em andamento”, informa Eduardo Duarte, analista de aplicação de produto para britagem e peneiramento da empresa.

De acordo com ele, cada operação é única, com particularidades e objetivos próprios. “Por isso o dimensionamento dos equipamentos leva sempre em conta fatores como as características do minério na região e os produtos desejados pelo cliente”, explica. “Os britadores atuais possuem uma vasta gama de opções em câmaras de britagem, justamente para que seja possível fornecer a solução mais eficiente a cada caso.”

A automação possibilita a obtenção de dados, análises e rotinas de verificação que facilitam a tomada de decisões estratégicas

Para Alfredo Reggio, coordenador de vendas da Metso Outotec, as empresas que investem em automação dos equipamentos – seja qual for o grau de implementação – buscam diminuir custos e aumentar a rentabilidade, o que se inicia pela redução de perdas, paradas ou corretivas. “A automação é uma ferramenta de gestão adequada para melhorar a competividade na cadeia em escala ampla, possibilitando a obtenção de dados, análises e verificação para a melhor tomada de decisão”, considera.

Para facilitar a integração de um processo de automação, Reggio sugere que seja dedicado um espaço adicional ainda durante o processo de projeto e implantação de conjuntos fixos de britagem (montados sobre estruturas metálicas, de alvenaria ou concreto). Segundo ele, esse processo requer rapidez no levantamento de dados e resposta eficiente de controle.

“Para os equipamentos fixos, sugerimos dicas de projetos de instalação, conexão entre equipamentos e/ou de distâncias entre solos, além de entradas ou saídas”, observa. “Muitas dessas práticas minimizam desgastes localizados e facilitam a alimentação dos equipamentos, melhorando sua produção.”

PENEIRAMENTO

No peneiramento, o especialista de suporte ao produto da Metso Outotec, André Rosa, cita três situações recorrentes: baixa umidade, umidade crítica e alta umidade. Na primeira situação, na qual o material é praticamente seco, as partículas finas se separam facilmente do restante do material, sem agregamento de finos em torno das partículas maiores.

“Em situações de umidade crítica, as partículas menores acumulam-se na tela, provocando a obstrução das aberturas e reduzindo a área aberta da peneira, além de se aglomerarem em torno das partículas maiores”, explica Rosa. “Em ambos os casos, isso gera contaminação e perda de eficiência.”

Já o processo de peneiramento com alta umidade não apresenta dificuldades, pois as partículas menores escorrem facilmente com a água, sem se acumularem em torno das partículas maiores, nem obstruírem as telas. De acordo com Duarte, porém, a umidade naturalmente causa compactação das partículas mais finas e entupimento das telas, prejudicando o peneiramento.

Por isso, a umidade elevada deve ser acompanhada de perto, uma vez que cada solução deve ser estabelecida de acordo com as características específicas do material. “A solução pode passar pela alteração do tamanho de separação e do material constituinte da tela, assim como pela secagem do material, mas sempre sob consulta ao fornecedor”, diz.


Telas com melhor distribuição do material sobre o deck evitam obstrução das malhas

Para ele, todo processo de peneiramento traz contaminação, seja no material retido ou passante. Todavia, é crucial buscar a menor contaminação possível e garantir a eficiência do peneiramento, de modo que esteja dentro da faixa aceitável exigida pelo produtor.

“A tela ideal irá impactar diretamente a qualidade do peneiramento e sua duração, o que influencia no custo-benefício do processo”, reforça Duarte. “Deve-se levar em conta o tipo e a forma do material peneirado, selecionando um tamanho de separação e um material de tela que otimizem esse processo.”

A Territorial São Paulo Mineração é uma das empresas que já enfrentaram dificuldades no peneiramento, com eficiência de apenas 60% e material retido acima de 4,76 mm. Isso porque a mineradora utilizava tela metálica com grande área livre, em uma peneira modular com alta capacidade de processamento. Com o passar do tempo, devido ao arqueamento e à rigidez da tela metálica, o material foi se concentrando em apenas uma área do equipamento.

O problema se agravou com a alta aderência do material fino, que entupia a abertura das malhas, resultando em ineficiência no peneiramento. “Após estudo cuidadoso do caso, realizamos a substituição por telas de borracha Superflex que, em teoria, possuem menor área aberta que as metálicas”, conta Alan Duarte, coordenador técnico da Lantex.

DESEMPENHO

De acordo com ele, a tela substituta proporcionou melhor distribuição do material sobre o deck, o que, associado à alta resiliência da borracha especial, solucionou o problema de obstrução das malhas e resultou em maior eficiência de remoção dos passantes. “Na prática, a pedreira conseguiu produzir um pedrisco de qualidade Premium e aumentar a quantidade de pó de pedra produzido”, relata.

Outra grande dificuldade para as empresas peneirarem o material fino tem sido adequar a areia de brita, também conhecida como ‘areia artificial’, à normatização. Como o material apresenta peculiaridades, na maioria das vezes desfavoráveis para o uso em concreto, acaba não sendo utilizado ou é destinado a aplicações secundárias. Duarte considera que a aderência das partículas à tela acaba sendo uma dificuldade que não pode ser antecipada.

“Geralmente, essa aderência resulta no cegamento de malhas e reduz significativamente a quantidade de undersize (material passante), o que prejudica a qualidade do oversize (material retido)”, explica.

Ademais, a distribuição do material sobre a superfície de peneiramento é essencial. Se o fluxo se concentrar em apenas uma parte do deck, não se aproveita toda a área de peneiramento disponível. “Além de respeitar as particularidades dos processos de cada cliente, procuramos conhecer seus objetivos de produção e, assim, definir a tecnologia a ser aplicada”, salienta.

A Riuma Mineração também conseguiu encontrar uma saída eficiente para problemas que ocorriam na área de peneiramento de finos. A produção diária da pedreira, que atualmente gira em torno de 10 mil t, constantemente gerava contaminação devido ao entupimento de telas, o que diminuía consideravelmente a produtividade média de finos. Além disso, cerca de 20% das horas trabalhadas eram desperdiçadas na limpeza das telas obstruídas.

Em diagnóstico preliminar realizado pela Áustria Comercial, foi sugerida a substituição das telas convencionais por outras, de fios finos e produzidas com aço de alto teor de carbono. Tudo com o objetivo de aumentar a área de peneiramento e elevar a produtividade, minimizando os problemas de contaminação. “De início, pensamos que os fios mais finos poderiam sofrer desgaste acentuado, por se tratar de uma rocha granítica com alta abrasividade”, conta Marcelo Vinhal, engenheiro de minas da Riuma. “Assim, a durabilidade poderia diminuir consideravelmente e o custo, aumentar.”

Contudo, o fio das novas telas – fornecidas pela Minério Telas – é confeccionado com material de elevada resistência, suficiente para manter a durabilidade. “A malha permaneceu a mesma, o que mudou foi o diâmetro dos fios, aumentando a área livre de peneiramento de 50% para 75%”, conclui André Misael, diretor de negócios da Áustria.

Metso Outotec apresenta novo britador móvel de impacto

Nova opção da linha de britagem e peneiramento móvel Nordtrack, o britador móvel Nordtrack I1011 visa especialmente aplicações e locais de trabalho de menor porte no segmento de reciclagem de resíduos de construção, demolição e asfalto recuperado.


Com motor mais potente, o novo britador Nordtrack I1011 tem capacidade de até 300 tph

Com dimensões compactas, o equipamento agrega triturador de alto desempenho e peneira suspensa de grande porte, combinando alta capacidade com precisão calibrada no produto final.

“O I1011 tem britador e motor mais potente, resultando em uma capacidade de até 300 tph”, ressalta Vesa Tuloisela, líder de produtos Nordtrack da Metso Outotec. “Isso torna essa solução ideal para empreiteiras e operações de rental.”

Saiba mais:
Anepac:
www.anepac.org.br
Áustria Comercial: www.austriacomercial.com.br
Metso Outotec: www.mogroup.com/pt
Riuma Mineração: https://riuma.com.br
Sandvik: www.home.sandvik/br

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