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O bombeamento de concreto tornou-se uma atividade cada vez mais crítica dentro dos canteiros de obras modernos.
A verticalização crescente dos grandes centros urbanos, o aumento das distâncias horizontais de bombeamento e a evolução dos traços de concreto vêm impondo desafios técnicos importantes para fabricantes de bombas, operadores e concreteiras.
Além da necessidade de entregar grandes volumes de material em tempo menor, os equipamentos precisam lidar com concretos altamente abrasivos, extensas linhas de tubulação, elevadas pressões de trabalho e traços cada vez mais específicos, muitas vezes desenvolvidos para atender a requisitos estruturais e de desempenho que nem sempre favorecem a chamada “bombeabilidade” de material.
Nesse contexto, questões como granulometria, slump, teor de finos, aditivos, limpeza da linha e dimensionamento das tubulaç&ot

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O bombeamento de concreto tornou-se uma atividade cada vez mais crítica dentro dos canteiros de obras modernos.
A verticalização crescente dos grandes centros urbanos, o aumento das distâncias horizontais de bombeamento e a evolução dos traços de concreto vêm impondo desafios técnicos importantes para fabricantes de bombas, operadores e concreteiras.
Além da necessidade de entregar grandes volumes de material em tempo menor, os equipamentos precisam lidar com concretos altamente abrasivos, extensas linhas de tubulação, elevadas pressões de trabalho e traços cada vez mais específicos, muitas vezes desenvolvidos para atender a requisitos estruturais e de desempenho que nem sempre favorecem a chamada “bombeabilidade” de material.
Nesse contexto, questões como granulometria, slump, teor de finos, aditivos, limpeza da linha e dimensionamento das tubulações passaram a ter impacto direto não apenas sobre a produtividade da obra, mas também sobre a integridade do equipamento e seus custos de manutenção.
Na percepção de Rodrigo Satiro, gerente nacional de vendas da Putzmeister Brasil, uma das principais mudanças observadas está relacionada justamente à evolução dos traços utilizados pelas concreteiras.
“Alguns produtores de concreto estão desenvolvendo traços que, em muitos casos, exigem que os equipamentos tenham vazões e pressões maiores para dar conta de entregar a grandes alturas e distâncias”, afirma.
De acordo com ele, o setor vem exigindo bombas cada vez mais versáteis, capazes de operar em diferentes faixas de vazão e pressão para atender aplicações extremamente variadas.
“Por isso, fornecemos modelos com os quais se pode trabalhar em pressões e vazões menores, com acionamento de um simples botão eletrônico, de modo a vencer essas dificuldades com traço e altura”, diz Satiro, observando que o apoio do corpo técnico é essencial para acessórios especiais de alta pressão, tornando essa possibilidade segura para que o bombeamento seja feito sem riscos.
BOMBEABILIDADE
A evolução das obras ajuda a explicar esse movimento, pois se há alguns anos as operações de bombeamento estavam concentradas em edifícios de altura moderada, hoje não é raro encontrar estruturas acima de 200 m, exigindo linhas mais longas, pressões elevadas e maior robustez operacional.
“Nesses casos, os equipamentos necessitam de boa vazão e, principalmente, maior pressão, pois precisam vencer a gravidade e entregar o volume que os construtores esperam realizar”, comenta o especialista.
Evolução dos traços exige vazões e pressões maiores para dar conta de entregar concreto a grandes alturas e distâncias, com versatilidade no bombeamento. Foto: PUTZMEISTEREmbora o desempenho da bomba seja essencial, os especialistas ressaltam que o sucesso do bombeamento começa muito antes de a máquina entrar em operação.
A chamada “bombeabilidade” do concreto segue como um dos fatores mais críticos para garantir fluxo contínuo e evitar problemas operacionais.
Segundo Samuel Elias, projetista mecânico do Grupo Convicta, dois fatores costumam influenciar diretamente a dificuldade de bombeio, a saber, slump e tamanho do agregado.
“O slump é o maior influenciador na dificuldade do bombeamento”, afirma.
“Concretos com slump muito baixo apresentam menor trabalhabilidade, dificultando o escoamento do material dentro das camisas de transporte e das tubulações. Nesses casos, normalmente é necessário utilizar diâmetros maiores de tubulação.”
A granulometria também exerce forte influência, prossegue o engenheiro.
“Agregados com tamanho acima da chamada ‘brita 1’ tendem a dificultar o escoamento do concreto, exigindo tubulações maiores e maior atenção ao dimensionamento hidráulico do sistema”, orienta Elias.
Além disso, aditivos químicos passaram a desempenhar um papel crucial na melhoria da trabalhabilidade do material.
“Concretos com o mesmo traço podem ter slumps diferentes devido ao uso de aditivos específicos”, destaca o executivo da Convicta.
Questões como granulometria, slump, teor de finos, aditivos, limpeza da linha e dimensionamento das tubulações passaram a ter impacto direto no bombeamento. Foto: CONVICTAQuando o concreto não atende adequadamente aos requisitos mínimos de bombeabilidade, o resultado costuma aparecer rapidamente na forma de desgaste prematuro, aumento de pressão, perda de produtividade e entupimentos.
Nesse ponto, Satiro, da Putzmeister, corrobora a visão.
“Sabemos que existe uma receita de concreto bombeável que precisa ser seguida para proporcionar a performance do equipamento de acordo com o esperado”, pondera.
“Caso esses procedimentos não sejam seguidos, a bomba sofre desgastes prematuros e entupimentos, entre outros problemas técnicos decorrentes de material não bombeável ou incondizente com as normas.”
ENTUPIMENTOS
Da mesma maneira, a obstrução nas linhas de bombeamento é considerada um dos problemas mais críticos nas operações com concreto.
Além de interromper a concretagem, o entupimento pode gerar atrasos significativos, aumento de custo operacional e riscos de segurança.
Em obras de grande porte, por exemplo, um bloqueio na tubulação compromete toda a logística da concretagem, principalmente porque o processo normalmente envolve uma sequência contínua de fornecimento por autobetoneiras, equipes posicionadas em diferentes frentes de serviço e janelas operacionais bastante restritas.
Quando ocorre uma interrupção prolongada, há o risco de perda do concreto já preparado, formação de juntas frias e até necessidade de descarte de material, elevando significativamente os custos da operação.
Outro aspecto importante é que o aumento gradual da resistência ao fluxo nem sempre é percebido imediatamente pela equipe.
Em muitos casos, o sistema começa a apresentar oscilações de pressão, perda de rendimento e bombeamento irregular antes da obstrução completa da linha.
Isso acaba impondo esforços adicionais sobre cilindros, válvulas, conexões e componentes hidráulicos da bomba, acelerando desgaste e elevando o risco de falhas mecânicas.
Em situações extremas, o excesso de pressão acumulada na tubulação pode, inclusive, gerar rompimentos ou desprendimento de conexões, exigindo procedimentos rigorosos de segurança durante toda a operação de bombeamento.
Nesse aspecto, as diferentes situações capazes de provocar bloqueios nas tubulações são descritas por Satiro.
“Entre as mais comuns estão o endurecimento do concreto dentro da linha devido à demora entre uma betoneira e outra, o uso inadequado de redosagem e falhas de limpeza da tubulação após operações anteriores”, enumera.
Características de slump e granulometria do agregado podem dificultar o escoamento do material dentro das camisas de transporte e tubulações. Foto: PUTZMEISTEREm linhas mais longas, os resíduos acumulados acabam reduzindo gradativamente a seção interna da tubulação, aumentando a resistência ao fluxo e favorecendo o entupimento.
Outros fatores críticos recorrentes, citados por Elias, da Convicta, incluem utilização de tubulações inadequadas, curvas com raio muito curto e falhas na mistura do concreto.
Por isso, um dos procedimentos mais importantes antes de iniciar o bombeamento é o preparo da chamada “nata”, parte mais fluida da mistura que é utilizada para lubrificar a linha no início da operação.
“Essa nata acaba ajudando na lubrificação de tubos e conexões”, explica.
Do ponto de vista operacional, os fabricantes ressaltam que o bombeamento exige ainda preparação cuidadosa da obra e alinhamento completo das equipes.
Segundo a Putzmeister, antes de iniciar a operação é necessário verificar desde as condições de patolamento da bomba até a montagem correta da linha, travamento das conexões, dimensionamento das curvas e logística de descarga das autobetoneiras.
“Acima de tudo, é necessário que toda a equipe envolvida esteja alinhada e disponível para a ação do dia”, recomenda Satiro.
ABRASIVIDADE
Outro desafio permanente nesse tipo de operação está relacionado ao caráter altamente abrasivo do concreto.
Tubulações, curvas, válvulas, cilindros e componentes hidráulicos trabalham submetidos a um desgaste intenso, especialmente em operações de alta pressão e grande produtividade.
Para enfrentar essa realidade, Elias conta que a indústria investe em materiais mais nobres e tratamentos termoquímicos para aumentar a resistência dos componentes à abrasão.
Na própria Putzmeister, o desenvolvimento de ligas especiais tornou-se prioridade, ele garante, justamente para aumentar a vida útil dos equipamentos em aplicações mais severas.
“Utilizamos acessórios com ligas especiais para garantir maior autonomia e durabilidade”, afirma Satiro.
Segundo ele, a necessidade de bombear a alturas cada vez maiores acabou elevando também as exigências sobre resistência estrutural dos sistemas.
Além do desenvolvimento de materiais mais resistentes, os fabricantes investem em sistemas automáticos de lubrificação, proteção eletrônica, nivelamento automático e recursos voltados à segurança operacional.
No que tange à manutenção, especificamente, as intervenções preventivas passaram a ter papel central na preservação da integridade do equipamento e redução de custos operacionais.
Procedimentos de limpeza, lubrificação adequada e inspeções periódicas continuam sendo práticas essenciais para evitar desgaste prematuro e falhas operacionais.
“A limpeza é fundamental para garantir o bom funcionamento do equipamento”, afirma Elias, acrescentando que a frequência e a qualidade da lubrificação ajudam a reduzir o desgaste das partes móveis, enquanto inspeções preventivas evitam desgaste irregular e aumentam o volume bombeado entre trocas de componentes.
Obstrução nas linhas de bombeamento é considerada um dos problemas mais críticos em operações com concreto. Foto: CONVICTANa avaliação da Putzmeister, outro fator importante está relacionado à capacitação da equipe operacional.
“É fundamental investir em treinamentos periódicos, para manter os operadores familiarizados com as novas tecnologias embarcadas”, orienta Satiro.
“Operadores mais preparados conseguem utilizar corretamente os recursos disponíveis, reduzindo falhas e aumentando a durabilidade dos sistemas.”
Além das grandes bombas, destinadas a edifícios altos e obras de infraestrutura pesada, o mercado também observa um crescimento consistente da demanda por equipamentos compactos e versáteis, voltados a pequenas e médias obras.
Elias ressalta que a Convicta vem concentrando parte de seus investimentos justamente nesse segmento.
Para ele, os equipamentos menores apresentam menor custo operacional e maior flexibilidade, características essenciais para atender diferentes tipos de obra, aumentando assim a rentabilidade para os clientes.
“Além disso, a maioria dos nossos equipamentos pode ser operada com controle remoto, o que melhora a dinâmica de trabalho no canteiro”, arremata o executivo.
Quando se fala em bombas de concreto, a relação entre vazão e pressão é um dos principais fatores de engenharia considerados no desenvolvimento dos produtos.
Na prática, a vazão representa o volume de concreto movimentado pelo equipamento, enquanto a pressão está relacionada à capacidade de vencer resistência dentro das tubulações.
Segundo o projetista da Convicta, Samuel Elias, aplicações que exigem grande volume de concreto – como fundações, sapatas e barragens – normalmente priorizam bombas de alta vazão.
Já edifícios altos e linhas extensas exigem maior pressão de bombeamento para vencer altura, distância e perdas de carga nas tubulações.
“Quanto maior a quantidade de tubos e conexões, maior será a altura de bombeamento”, diz ele.
“E quanto menor o diâmetro da tubulação, maior será a pressão necessária.”
Do ponto de vista construtivo, essa relação influencia diretamente o projeto hidráulico da bomba. A vazão está associada principalmente ao número de ciclos por minuto e ao diâmetro das camisas de transporte.
Já a pressão depende da força hidráulica aplicada sobre os pistões do sistema.
Segundo a Putzmeister, uma tendência atual é utilizar equipamentos capazes de alternar rapidamente entre modos de baixa e alta pressão, conforme a necessidade.
“Isso permite maior flexibilidade operacional e padronização da frota, reduzindo o estoque de peças e aumentando a versatilidade em diferentes aplicações”, comenta o gerente Rodrigo Satiro.
Tendência é utilizar equipamentos capazes de alternar rapidamente entre os modos de pressão. Foto: PUTZMEISTER
LANÇAMENTO
Schwing-Stetter fortalece portfólio de lanças no país
Desenvolvida pela engenharia do grupo, a Linha XS é composta por equipamentos que vêm impulsionando a presença da marca no mercado nacional, “devido à robustez operacional, segurança e total adequação às condições locais de aplicação”.
Lançada no 2º semestre do ano passado no país, a linha é constituída por três modelos de autobombas e quatro modelos de bombas-lança.
Segundo a fabricante, o principal destaque é a autobomba lança XS37 (na imagem), que traz cinco braços e apresenta rendimento de 170 m³/h.
“A linha conta com um portfólio amplo e altamente versátil, capaz de atender desde o mercado de entrada até aplicações de alta complexidade”, comenta a empresa.
Principal destaque da Linha XS, a autobombas lança XS37 apresenta rendimento de 170 m³/h. Foto: SCHWING-STETTER
Apresentadas na SaMoTer 2026, as novidades do portfólio global de produtos da marca incluem a bomba sobre caminhão K60H e a autobomba-betoneira MK35H.
Segundo a empresa, as máquinas utilizam fibra de carbono (tecnologia Carbotech) em partes da estrutura para redução de peso e operam com sistemas de monitoramento eletrônico.
O modelo K60H traz mastro composto por sete seções, configuração que permite a abertura do braço em locais com altura a partir de 10 m, o que representa uma redução de 32% no espaço vertical necessário, na comparação com modelos da mesma categoria.
Modelo MK35H combina funções de transporte e bombeamento. Foto: CIFA
Com 13,5 m de comprimento, a bomba utiliza chassi de cinco eixos e tem capacidade de 180 m³/h.
Por sua vez, o modelo MK35H combina funções de transporte e bombeamento em uma única unidade.
Equipado com unidade de bombeamento de 90 m³/h, o veículo conta com tambor de 9 m³ e mastro de 35 m com quatro seções.
A fabricante descreve a bomba K60H como uma ferramenta desenvolvida “para atender às demandas de grandes projetos de infraestrutura e canteiros de obras complexas”.
Saiba mais:
CIFA: www.cifa.com
Convicta: www.convicta.com.br
Putzmeister: https://putzmeister.com/pt
Schwing-Stetter: www.schwingstetter.com.br

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