FECHAR
14 de junho de 2021
Voltar
Retroescavadeiras

De volta ao topo

Com o mercado aquecido, a previsão dos fabricantes é que as vendas de retroescavadeiras deem um salto de 20% em relação ao ano passado, bem acima do esperado
Por Santelmo Camilo

As vendas de retroescavadeiras estão entre as que vêm registrando maior alta no segmento de equipamentos da Linha Amarela no Brasil. Os anos passam e outras famílias de máquinas atraem holofotes e preferências, mas as retroescavadeiras continuam no patamar das mais requisitadas em praticamente todo tipo de obra, já que são verdadeiras porta-ferramentas.

Projeções do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção apontam um crescimento de 14% nas vendas totais de retroescavadeiras para o ano de 2021. Mas a demanda pode ir além disso. Na perspectiva das fontes entrevistadas para esta reportagem, o mercado tem se comportado de maneira surpreendente, batendo os percentuais do mesmo período do ano passado e já preparando um novo salto para 2021.

Confirmando o fortalecimento progressivo do mercado de construção desde 2019, após alguns anos de mercado represado, a demanda vem se expandindo rapidamente. Segundo Alisson Brandes, diretor de vendas e marketing da JCB, no ano passado as vendas de retroescavadeiras da marca cresceram 35% em relação a 2019.

E, para 2021, a previsão é de uma alta acima de 30%. “Já identificamos um crescimento de 10% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado”, diz ele, lembrando que as retroescavadeiras representam quase 30% das vendas da Linha Amarela no país. “É a máquina mais versátil, amplamente utilizada nas obras brasileiras e bem conhecida pelos clientes, tanto em operação como em manutenção.”

Com o bom momento, Brandes antecipa que a marca deve promover atualizações tecnológicas da linha ainda este ano, buscando aprimorar alguns requisitos de performance, consumo e emissões. Recentemente, a fabricante lançou o modelo 3DX Dual Fuel, que possibilita uso duplo de combustível – diesel e gás natural veicular (GNV). Já em operação na Índia, a máquina promete agregar sustentabilidade aos canteiros de obras e propriedades rurais, assegura o diretor. “Basta virar a chave em um dos modos e a máquina estar&aac


As vendas de retroescavadeiras estão entre as que vêm registrando maior alta no segmento de equipamentos da Linha Amarela no Brasil. Os anos passam e outras famílias de máquinas atraem holofotes e preferências, mas as retroescavadeiras continuam no patamar das mais requisitadas em praticamente todo tipo de obra, já que são verdadeiras porta-ferramentas.

Projeções do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção apontam um crescimento de 14% nas vendas totais de retroescavadeiras para o ano de 2021. Mas a demanda pode ir além disso. Na perspectiva das fontes entrevistadas para esta reportagem, o mercado tem se comportado de maneira surpreendente, batendo os percentuais do mesmo período do ano passado e já preparando um novo salto para 2021.

Confirmando o fortalecimento progressivo do mercado de construção desde 2019, após alguns anos de mercado represado, a demanda vem se expandindo rapidamente. Segundo Alisson Brandes, diretor de vendas e marketing da JCB, no ano passado as vendas de retroescavadeiras da marca cresceram 35% em relação a 2019.

E, para 2021, a previsão é de uma alta acima de 30%. “Já identificamos um crescimento de 10% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado”, diz ele, lembrando que as retroescavadeiras representam quase 30% das vendas da Linha Amarela no país. “É a máquina mais versátil, amplamente utilizada nas obras brasileiras e bem conhecida pelos clientes, tanto em operação como em manutenção.”

Com o bom momento, Brandes antecipa que a marca deve promover atualizações tecnológicas da linha ainda este ano, buscando aprimorar alguns requisitos de performance, consumo e emissões. Recentemente, a fabricante lançou o modelo 3DX Dual Fuel, que possibilita uso duplo de combustível – diesel e gás natural veicular (GNV). Já em operação na Índia, a máquina promete agregar sustentabilidade aos canteiros de obras e propriedades rurais, assegura o diretor. “Basta virar a chave em um dos modos e a máquina estará apta a trabalhar com esses diferentes combustíveis, sem perda de potência”, sublinha.

Na visão de Marcos Rathke, gerente de marketing da Divisão de Construção da John Deere, diferentemente de outros países do mundo, a indústria brasileira de equipamentos cresceu vertiginosamente durante a pandemia, até por ter sido considerada atividade essencial. Como reflexo, o executivo conta que o mercado de retroescavadeiras computou crescimento de 4% nas vendas no primeiro trimestre. “Se continuarmos nesse ritmo, haverá uma alta de 20% no ano, com a indústria voltando aos bons patamares de 2012”, avalia.

A demanda de máquinas tem apresentado melhoras significativas também devido a marcos regulatórios importantes, avalia Rathke, que desenham cenários mais otimistas para o uso de retroescavadeiras em obras de saneamento, construção civil e residencial e agricultura. “Em obras rodoviárias, a máquina atua no preparo do canteiro e abertura de acessos, assim como na manutenção e conservação de vias existentes, além de trabalhos de apoio e infraestrutura nas propriedades rurais”, acentua.

Com mercado aquecido, marcas diversificam portfólios com novos modelos, como esta versão dual fuel

E a capilaridade das vendas tem se mostrado homogênea em todas as regiões, com destaque para os estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, que registram volume de vendas proporcional ao porte e representatividade econômica de seus parques industriais. De acordo com Esio Dinis, especialista de marketing de produto da New Holland Construction, o equipamento está presente em praticamente todos os nichos, seja como máquina principal ou de suporte. “Sempre será um equipamento considerado onde houver necessidade de escavação e movimentação de carga”, afirma. “Sua versatilidade e dimensões a tornam muito atrativa, até pela fácil mobilidade em vias urbanas e estradas, sem a necessidade de uso de caminhões para transporte.”

No ritmo atual, indústria pode voltar aos níveis de demanda obtidos em 2012

O especialista avalia que o nicho de obras de saneamento básico precisa ser levado em conta com muita atenção, pois deve atrair investimentos ao menos até 2030, além do agronegócio, segundo ele bastante favorecido pelo efeito cambial do real frente a outras moedas.

RENTAL

O segmento de locação sente os efeitos da necessidade de renovação de frota, postergada por alguns anos devido à crise, mas que agora não pode mais ser adiada. Hoje, esse setor vive um momento de prosperidade (leia reportagem nesta edição), inclusive com entrada de novos players, que têm adquirido frotas novas e se habilitado para a prestação de serviços. “O uso de retroescavadeira se dá de forma pulverizada, não havendo uma frota concentrada em determinada região, aplicação ou projeto”, sublinha Dinis. “Mas, em termos de demanda, há uma concentração específica nas regiões Sul e Sudeste por renovação de frota, enquanto as demais regiões do Brasil têm necessidade de potencializar estruturas.”

Locação é o setor que mais demanda retroescavadeiras atualmente no país

De acordo com Pablo Sales, especialista de produtos da Case CE, o setor de locação é atualmente o que mais demanda retroescavadeiras, seguido pela construção e, na sequência, pela agricultura, que acumula um aumento expressivo, suportando a forte demanda na safra. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a locação registrou um aumento interessante no trimestre, ele comenta, superando as expectativas. “Nos últimos meses, temos observado crescimento de grandes locadoras e fortes investimentos no desenvolvimento regional e infraestrutura”, constata. “O agronegócio brasileiro também tem expressado um grande otimismo.”

Para Brandes, da JCB, a versatilidade de aplicação é um fator decisivo para a retroescavadeira ser bem cotada pelas locadoras, possibilitando bom giro. Segundo ele, vêm ocorrendo muitas licitações em todo o Brasil e, no final do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Regional adquiriu um lote de 1.500 retroescavadeiras da JCB. “As máquinas serão entregues até o primeiro semestre de 2022”, conta.

Embora dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apontem que o setor de locação representa 30% das vendas de retroescavadeiras no país, no caso da JCB, cerca de 50% da comercialização são destinados à locação. “Em seguida, vem o setor de construção, órgãos públicos, licitações e agricultura”, posiciona Brandes.

Versatilidade na aplicação faz da retroescavadeira uma das máquinas mais apreciadas pela locação

Na John Deere, a locação também tem se destacado. Rathke afirma que a participação desse segmento nos negócios cresceu 300% no período de 2016 a 2020. “O locador tem um dinamismo notório e os operadores se adaptam a essa situação com muita facilidade”, acrescenta.

PRAZOS

Como ocorre em praticamente toda a indústria, o aumento da demanda por retroescavadeiras também tem provocado gargalos no tempo de entrega dos equipamentos, já que os fabricantes não estavam preparados para esse acentuado aquecimento em plena pandemia.

Com efeito, está sendo necessário um tempo de adequação, tanto por parte das fábricas como dos fornecedores de insumos e implementos, que sofrem com abalos logísticos. Isso tem provocado queixas dos usuários, uma vez que os prazos de entrega variam conforme a região, podendo chegar a três ou quatro meses.

Hoje, quem precisa de máquina nova para início imediato dos trabalhos tem duas opções: ou tenta obter um modelo seminovo ou subloca a máquina no rental. Nesse aspecto, Dinis, da New Holland, justifica que o prazo não é algo simples de se resolver, pois não envolve apenas a fábrica.

Trata-se de uma equação bem mais complexa, diz ele, que envolve vetores como previsibilidade do plano de produção, intenção de compra dos concessionários, entrega de insumos por parte dos fornecedores e logística disponível, para que tudo aconteça no tempo adequado. “Somam-se a esses fatores os estoques internos dos concessionários e o imponderável, presente no último ano com os ciclos da pandemia”, assinala. “Tudo isso, sem dúvida, tem nos desafiado no atendimento às solicitações. Mas os esforços nesse sentido nos enchem de orgulho. Prova disso é que, até o momento, não tivemos parada de planta ou de linha de montagem por falta de insumos ou picos de pedidos”, sustenta Dinis.

O especialista reforça que os prazos de entrega são acordados assim que se iniciam as negociações de aquisição do equipamento. Afinal, trata-se de um bem de capital que requer análise técnico-financeira, como qualquer outro investimento desse vulto. “O planejamento e a consequente sinalização ao concessionário escolhido para a realização do investimento mitiga as surpresas com relação aos prazos de entrega firmados”, complementa.

Distúrbios na produção abrem espaço também para máquinas seminovas

Uma solução encontrada pela Sotreq, por exemplo, tem sido a venda de seminovos, que aliás também registra demanda elevada. No caso da empresa, isso ocorre não apenas em decorrência da demora dos prazos, mas também por fazer parte de seu escopo de negócios. Segundo o diretor comercial Ricardo Fonseca, trata-se de uma estratégia de longo prazo para máquinas seminovas, amplamente procuradas nesse momento.

“A Sotreq possui diferentes canais de captação de equipamentos no mercado, pois isso ajuda na estratégia do cliente em manter a disponibilidade da frota”, explica.

Por sua vez, Rathke destaca que as vendas da John Deere para o terceiro trimestre já estão programadas. “O planejamento é essencial, tanto por parte dos fabricantes e distribuidores, como do lado dos clientes”, diz ele. Já Brandes, da JCB, avalia que, não fossem as questões de fornecimento de componentes, certamente não haveria atrasos. “Hoje, para quem compra uma retroescavadeira standard, sem opcionais, o prazo de entrega é de três meses, no mínimo”, ele informa.

PREÇOS

Nos últimos meses, o aumento nos preços dos equipamentos se tornou outra questão que tem perturbado os clientes. Para o segundo semestre, o mercado deve se preparar para uma nova alta, na casa dos dois dígitos, já prevista por parte de toda a indústria.

Brandes justifica que, até o ano passado, o preço da retroescavadeira havia regredido ao praticado em 2013, às custas das margens dos fabricantes. “Agora, está em andamento um processo de recuperação de preços, desencadeado pelos aumentos sucessivos dos custos da indústria”, delineia. “O aço é o grande vilão, com altas que ultrapassam 120% de repasse em relação aos valores praticados no período pré-pandemia. Mas há ainda um aumento nítido no valor de lubrificantes e pneus, importantes catalizadores da alta de preços.”

O especialista observa ainda outro fator agravante. “Com o minério de ferro sendo exportado para a China e o dólar em alta, as siderúrgicas aproveitam a escassez de matéria-prima para subir os preços neste período de mercado aquecido”, pondera Brandes.

O impacto da pandemia em toda a cadeia de suprimentos também é assinalado por Sales, da Case. Segundo ele, o cenário vem se agravando desde o segundo semestre de 2020, principalmente devido à escassez e aos custos elevados das matérias-primas. “Isso ocorre na contramão da forte demanda do mercado por equipamentos, gerando um reposicionamento de preços em todo o setor”, explica.

Embora não revele informações de mercado, por ser listada em bolsa de valores, a New Holland comenta que há muitos anos não se observa um incremento de tal monta nos custos de produção em tão pouco tempo. “Isso ocorre em função de inúmeros motivos, como a desvalorização da moeda, as dificuldades e os custos de logística em diferentes modais e o reajuste das commodities, dentre outros”, arremata Dinis.

Atualizações tecnológicas mantêm competitividade das máquinas

As retroescavadeiras produzidas pela New Holland Construction no Brasil prometem considerável força de desagregação e velocidade nos implementos, necessárias para executar tarefas como escavação e transporte de materiais nas mais variadas aplicações. “Nos modelos B95B e B110B, a vazão hidráulica abre possibilidade de instalação de diversos implementos, como garfos pallets, caçambas de variados tamanhos e funções, martelete hidráulico e perfuratrizes”, assegura o especialista de marketing de produto Esio Dinis.

Equipamentos têm sido aprimorados em termos de conforto, produtividade e custo operacional

A Case CE, por sua vez, conta com tecnologias embarcadas em suas máquinas de construção, que são constantemente aprimoradas para atender às aplicações que buscam conforto, produtividade e menor custo operacional. “Nosso time está continuamente analisando e propondo melhorias que agreguem valor ao dia a dia dos nossos clientes”, comenta Pablo Sales, especialista de produtos da marca. Segundo o diretor de vendas e marketing da JCB, Alisson Brandes, as retroescavadeiras 1CX, 3CX e 4CX também devem receber atualizações tecnológicas ainda em 2021. “A meta é obter melhorias de performance, redução de emissões e de consumo de combustível”, acrescenta.

Ainda no quesito tecnologia, a John Deere afirma que aporta investimentos globais permanentes nos produtos que oferece ao mercado. Desde o início da operação no Brasil, a empresa se dedica à atualização tecnológica dos equipamentos, como ocorre com as transmissões Powershift das retroescavadeiras, que são oferecidas como item de fábrica. “As trocas de marcha automáticas geram cerca de 15% de redução de consumo de combustível”, diz Marcos Rathke, gerente de marketing da Divisão de Construção. “Além disso, as máquinas sairão de fábrica com o JD Link como item padrão, propiciando sistemas de alerta inteligente, que podem ser controlados por centros de análise e monitoramento dos dados.”

Saiba mais:
Case CE: www.casece.com/latam/pt-br
JCB: www.jcb.com/pt-br
John Deere: www.deere.com.br
New Holland Construction: www.newholland.com.br
Sotreq: www.sotreq.com.br