Questão de sobrevivência
Cabines com proteção contra tombamento e queda de objetos tornam-se padrão na indústria, evidenciando a importância dessas tecnologias para a segurança dos operadores

O desenvolvimento tecnológico em equipamentos de construção não se destina unicamente a atender ao aumento de produtividade ou à redução de custos com manutenção e troca de peças. Tampouco se limita à mera busca pela redução do consumo de combustível e da emissão de gases poluentes. Claro, esses pontos também são importantes, mas há um aspecto que vem ganhando espaço crescente no rol de preocupações da indústria.
Trata-se da segurança operacional, que tem recebido investimentos significativos em P&D nos últimos anos. E o argumento é simples: além de atender às políticas de responsabilidade social das empresas, a segurança representa um diferencial competitivo frente ao cliente frotista, que pode reduzir (ou anular) as ocorrências de acidentes fatais e todos os encargos e contratempos produtivos que tragédias do tipo fazem incidir sobre a empresa.
PROTEÇÃO
E quando o assunto é segurança em equipamentos móveis, principalmente para terraplanagem, as cabines sempre vêm em primeiro lugar. De saída, as estações de trabalho possuem normas específicas, que regulamentam em nível internacional a sua produção. “A principal é a ISO 12.117-2, de 2008, que certifica o uso de cabines com proteção contra tombamento (ROPS) em escavadeiras, dentre outros aspectos”, explica Paulo Jauhar, gerente regional de produto para o Sul e Centro-Oeste da Komatsu.
Antes de avançar em detalhamentos normativos ou tecnologias, Jauhar classifica os tipos mais comuns de proteção para cabines. Segundo ele, as cabines ROPS (Rollover Protective Structure), ou estrutura de proteção contra tombamento, devem proteger o operador em caso de capotagem da máquina. “Por isso, as escavadeiras da Komatsu recebem essa proteção de fábrica”, afirma. “Afinal, trata-se de um equipamento que trabalha em bancadas, onde é maior o risco de capotamento.”
A outra proteção mais utilizada no país é a FOPS (Falling Object Protective Structure), ou estrutura com proteção contra queda de objetos, um recurso de segurança fundamental em locais com risco de quedas de rocha ou terra, por exemplo. Também chamada de OPG (Occupant Protection Guard) ou FOG (Falling Object Guard), a tecnologia deve ser testada e aferida para suportar a queda de um determinado peso, caindo de certa distância. “Na norma, há dois níveis de proteção OPG, sendo que o primeiro suporta até 700 J, ou 46 kg caindo de uma altura de 3 m”, descreve Jauhar. “Já o segundo suporta 5,8 mil J, ou 227 kg caindo de 5,2 m.”
Segundo ele, todas as escavadeiras da marca saem de fábrica com OPG Nível I, ficando a critério do cliente a aquisição opcional do segundo nível.
Na Komatsu, segundo ele, todos os equipamentos – incluindo tratores, motoniveladoras e escavadeiras – saem de fábrica com cabine climatizada ROPS/FOPS no Nível I. “E isso ocorre de forma igualitária em todos os países em que atuamos”, garante.
Opcional nas escavadeiras, o FOPS é padrão nos tratores e carregadeiras da Liebherr. Nessas máquinas, inclusive, o ROPS também é padrão, constituindo uma oferta da empresa alemã aos clientes no Brasil e no exterior. “A empresa respeita as normas técnicas que regulamentam essa tecnologia”, diz Pedro Gaspar, engenheiro de produto da Liebherr. “No caso das pás carregadeiras, as proteções ROPS e FOPS são necessárias, enquanto nas escavadeiras só há obrigatoriedade da ROPS.”
A Randon também oferece cabines ROPS e FOPS em suas retroescavadeiras. A solução se estende tanto para a RD 406ADV quanto para a STD, como informa a assessoria de comunicação da fabricante.
PRODUTIVIDADE
Para o especialista da Liebherr, não há uma relação direta entre o uso de ROPS/FOPS e a produtividade do operador. Isso, segundo ele, seria garantido por outras tecnologias, que privilegiam a ergonomia das estações.
É o caso do assento, ar-condicionado, encosto ajustável do braço, joystick, volante com inclinação e outras soluções. “Nas máquinas da marca, o display, os controles e o assento do operador são projetados para formar uma unidade ergonômica para o operador”, enfatiza Gaspar. “Isso permite uma operação mais precisa e segura.”
Já para Jauhar, da Komatsu, a produtividade pode até ser melhorada em alguns serviços, pois a presença de cabine protegida pode influenciar no dimensionamento do ciclo de trabalho. “No entanto, o que ocorre no Brasil é que muitos frotistas só optam por cabines ROPS e FOPS porque o seu cliente final está exigindo”, ele adverte. Apesar de não citar, o comentário provavelmente refere-se às grandes empreiteiras e, principalmente, à Petrobras e à Vale, que não só exigem de seus fornecedores as cabines ROPS/FOPS como também equipamentos com pouco tempo de uso e uma série de outras qualificações.
Segundo Jauhar, as cabines protegidas podem durar por toda a vida útil da máquina, desde que não sofra acidentes mais sérios. “Mas não pode haver qualquer alteração ou modificação na estrutura da cabine, pois, além de comprometer as proteções, não haverá mais garantia do fabricante”, pontua o especialista. “Em caso de amassado na estrutura, é preciso procurar o fabricante para troca das peças ou, em caso de avarias mais graves, trocar toda a estrutura da cabine para garantir a segurança das proteções.”
O especialista também alerta sobre o risco do mercado paralelo, que não oferece garantia das intervenções feitas nas cabines originais. “Por questão de preço, alguns frotistas chegam a pagar um quinto do valor de determinado reparo”, diz Jauhar. “Mas ele não considera a perda da garantia, pois qualquer modificação feita sem a certificação do fabricante não assegura a efetividade das proteções.”
Nível II absorve impactos 8,5 vezes maiores
A certificação FOPS possui dois níveis de proteção ao operador: o Nível I é o que tem se tornado padrão na indústria, enquanto o Nível II é atualmente oferecido como opcional, geralmente com custos adicionais. Essa variação na certificação é definida pela ISO 3449 (Estruturas protetoras contra objetos cadentes), que é aplicável às estruturas fornecidas como parte integrante da máquina e também às fornecidas separadamente para fixação. A norma estabelece que o Nível II absorva impactos de energia 8,5 vezes maiores que o Nível I. Desse modo, enquanto o Nível I é indicado para proteção contra quedas de objetos (como blocos de concreto, tijolos e ferramentas) em canteiros de obras, o Nível II deve proteger contras quedas em operações de limpeza de terreno, demolição ou florestal (como árvores e rochas, por exemplo).
Conheça as proteções mais comuns
Roll Over Protection System – A proteção ROPS é um sistema aplicado na construção da estrutura da cabine para proteger o operador em caso de capotagem. Isso, claro, desde que esteja utilizando o cinto de segurança.
Fall Object Protection System – A proteção FOPS protege o operador em caso de queda de objetos sobre a cabine. Como mostra a reportagem, o peso suportado é calculado conforme a distância máxima de queda.
Fall Object Guard – O sistema FOG é um dispositivo em forma de grade fixado sobre a cabine para proteger o operador em caso de queda de objetos. Incremento do sistema FOPS, constitui uma opção indicada principalmente para máquinas utilizadas na manipulação de materiais recicláveis ou toras de madeira. Normalmente, o FOG é acompanhado de grade metálica para montagem à frente do para-brisa.



