Estratégia de retomada — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
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M&T nº 184Outubro 2014 Matéria 4 de 19
Sumário
  1. EditorialAlém das fronteiras
  2. TúneisSoluções aprimoram mobilidade no país
  3. TúneisReforço sintético
  4. Implementos RodoviáriosEstratégia de retomada
  5. CabinesQuestão de sobrevivência
  6. FabricanteClasse mundial
  7. Comércio ExteriorA Convenção de Viena
  8. MineraçãoProteção indispensável
  9. Soluções Para ConcretoAvanço sustentado
  10. LegislaçãoOs impactos da nova NR-18
  11. RentalImpulso em boa hora
  12. EmpresaModelagem sob medida
  13. Momento M&T Expo 2015Elo entre Tecnologia e negócios
  14. A Era Das MáquinasAplicações criativas através da história
  15. ManutençãoForça hidráulica
  16. Entrevista"Serviço é o maior diferencial competitivo na atualidade"
  17. InternacionalDesatando o nó logístico
  18. Compactos & FerramentasSegurança e confiabilidade
  19. Coluna YoshioAtravés dos arbustos
  20. Painel14 notas e colunas
Implementos Rodoviários

Estratégia de retomada

Retração de 9% nos primeiros sete meses do ano já era esperada pelo setor, que reforça tecnologias e amplia nichos de mercado para tentar recuperar as vendas

Exclusivo M&T 9 de outubro de 2014 · Edição 184

De janeiro a julho de 2014, o setor de implementos rodoviários vendeu 9,01% menos unidades do que o mesmo período do ano passado. Em carrocerias sobre chassis, a retração foi de 5,86%, com 57.974 unidades vendidas, enquanto no segmento de reboques e semirreboques, classificado como pesado, a queda foi bem maior, de 14,02%, registrando vendas de 33.330 unidades, contra 38.766 comercializadas no mesmo período de 2013.

Para a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), fornecedora das estatísticas, a informação é preocupante para o setor. “Estamos chegando ao final do ano sem perspectiva de qualquer melhora no desempenho, mesmo com os incentivos em vigor, postos à disposição do mercado pelo governo federal”, pontua Alcides Braga, presidente da entidade.

Para os players do setor, no entanto, a queda já era prevista e não surpreende negativamente o mercado, principalmente porque 2013 foi um ano atípico, quando as vendas de implementos rodoviários bateram todos os recordes. Com isso, a projeção já era de diminuição do ritmo neste ano. Tal interpretação é confirmada por analistas de marketing estratégico da Guerra Implementos Rodoviários, por exemplo, para quem a queda no primeiro semestre bate exatamente com a previsão que a empresa fez para o mercado no período.

Na mesma linha, a Noma do Brasil – outro player de renome do setor – afirma que a queda não significou grandes sobressaltos para os negócios da empresa. Segundo o diretor superintendente em São Paulo, Marcelo Noma, apesar do momento de turbulência “o desenvolvimento tecnológico e as ofertas de soluções para os transportadores permitiram atravessar o período com estabilidade, algo que vale para diversas linhas de equipamentos, inclusive semirreboques”.

DIFERENCIAIS

Segundo o executivo da Noma, tais melhorias tecnológicas incluem soluções que, por exemplo, aumentam a capacidade de carga por meio da redução da tara do implemento. “Além disso, destaco um novo sistema de vedação para a eliminação de perdas no transporte de grãos e a padronização do sistema de iluminação com lâmpadas LED, algo pioneiro no mercado”, diz ele.

Também competindo neste mercado, a Rossetti Equipamentos Rodoviários aposta nos basculantes em seu portfólio de semirreboques. “Nessa linha de produtos, possuímos uma lista ampla de modelos e produzimos equipamentos mais leves, chamados Levtec, para transporte de qualquer tipo de material, como meia-cana para mineração, standard para fora de estrada e graneleiros para transporte de grãos”, afirma Daniel Rossetti, gerente de marketing da empresa.

Em termos de desenvolvimento tecnológico, a solução mais recente da empresa é o semirreboque Vanderleia, que possui basculamento traseiro como o semirreboque tradicional, mas não requer deslizamento de caixa ou eixos. “Essa solução mexeu com o mercado nos últimos meses e, por isso, vem sendo copiada por vários concorrentes”, frisa Rossetti.

Ainda no que tange à tecnologia, a Randon também investe em diferenciais de produto para ganhar mercado. Segundo Cesar Alencar Pissetti, diretor de exportação e marketing da fabricante, nos últimos anos houve uma evolução significativa nos materiais aplicados nos implementos, que passaram a ser compostos por aço especial e outras inovações para redução de peso da tara. “Tivemos ainda avanços em eletrônica embarcada e freio ABS”, explica. “Uma de nossas linhas, a R, traz novidades como sinaleira em LED na traseira, novo balancim e caixa de rancho isotérmica, além da pintura DuraTech, que reforça a proteção dos equipamentos.”

A Guerra, por sua vez, destaca a linha graneleira como a mais vistosa em seu portfólio. “Neste segmento, temos a patente para o Dolly com engate por quinta roda, o que nos coloca na posição de único fabricante desse modelo de rodotrem”, informa o marketing estratégico da companhia. Na linha basculante, o destaque é o lançamento Double Box, que tem como particularidade a presença de duas caixas de carga em um só chassi, o que – segundo a empresa – garante maior estabilidade no basculamento e possibilidade de se trabalhar com dois tipos de carga ao mesmo tempo.

Quando comparado ao bitrem de 2 eixos, esse novo implemento leva ainda a vantagem de necessitar de um só emplacamento, além de possuir quatro pneus a menos e permitir a utilização de cavalo mecânico 6x2, como ressaltam os analistas da Guerra.

MAPEAMENTO

Tendo o mercado graneleiro como carro-chefe, a Guerra avalia que o agronegócio impacta diretamente o desempenho do setor de implementos rodoviários, principalmente semirreboques. “Alguns implementos dependem essencialmente do setor agrícola, como o graneleiro e o basculante, que são utilizados para o transporte de grãos, ou mesmo o tanque, que transporta produtos das usinas de etanol”, sublinha a empresa. “Mas o frigorífico e o transporte de animais também usam esses implementos.”

Do mesmo modo, Rossetti vê o agronegócio atualmente como o setor mais forte para o mercado de basculantes, tendo em vista a tendência dos transportadores em substituir os semirreboques graneleiros tradicionais por semirreboques basculantes, o que lhes confere maior flexibilidade no transporte de granéis e de retorno.

Regionalmente, a Guerra informa que a maior demanda está concentrada na região Sudeste, que consome todos os modelos de produtos da linha pesada (reboques e semirreboques). Na região, entretanto, também há um bom consumo de baú para carga geral e baú lonado. “O segundo maior mercado é o Sul, com elevado consumo para transporte de grãos”, acresce o marketing estratégico. “E o Centro-Oeste vem na sequência, também consumindo implementos para grãos.”

A avaliação regional da Guerra bate com outros dados do setor, como aponta a Randon. Por meio de seu mapeamento, a empresa gaúcha registra que 38,5% da demanda da linha pesada estão no Sudeste, enquanto o Sul detém 32,3% de participação e o Centro-Oeste, outros 18%. O Nordeste representa 7,6% e o Norte, os 3,6% restantes. “O agronegócio tem uma influência significativa em nossas vendas, pois grande parte da safra é transportada por implementos rodoviários”, diz Pissetti. “O tamanho da safra, a movimentação na exportação condicionada à cotação internacional do grão, a disponibilidade de crédito agrícola e outros fatores impactam e, por isso, também devem ser sempre minuciosamente avaliados.”

Implementos são incluídos em programas do governo

Frente ao desafio de um mercado em retração, o governo vem tomando algumas ações que podem reduzir um pouco as perdas que o setor deve registrar em 2014. Em agosto, por exemplo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) divulgou a inclusão de implementos rodoviários no programa de renovação de frotas do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e na linha de financiamento Mais Alimentos, que integra o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

 

 

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