"Serviço é o maior diferencial competitivo na atualidade" — Revista M&T
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M&T nº 184Outubro 2014 Matéria 16 de 19
Sumário
  1. EditorialAlém das fronteiras
  2. TúneisSoluções aprimoram mobilidade no país
  3. TúneisReforço sintético
  4. Implementos RodoviáriosEstratégia de retomada
  5. CabinesQuestão de sobrevivência
  6. FabricanteClasse mundial
  7. Comércio ExteriorA Convenção de Viena
  8. MineraçãoProteção indispensável
  9. Soluções Para ConcretoAvanço sustentado
  10. LegislaçãoOs impactos da nova NR-18
  11. RentalImpulso em boa hora
  12. EmpresaModelagem sob medida
  13. Momento M&T Expo 2015Elo entre Tecnologia e negócios
  14. A Era Das MáquinasAplicações criativas através da história
  15. ManutençãoForça hidráulica
  16. Entrevista"Serviço é o maior diferencial competitivo na atualidade"
  17. InternacionalDesatando o nó logístico
  18. Compactos & FerramentasSegurança e confiabilidade
  19. Coluna YoshioAtravés dos arbustos
  20. Painel14 notas e colunas
Entrevista

"Serviço é o maior diferencial competitivo na atualidade"

Exclusivo M&T 9 de outubro de 2014 · Edição 184

Após 13 anos de atuação no setor de peças e serviços da Scania, o paulistano Fábio Souza assumiu o cargo de diretor de serviços da montadora sueca. Na Scania desde 2001, Souza começou como analista de peças e, três anos depois, assumiu a chefia de preços de peças para a América Latina.

Em 2006, foi para a Scania México, inicialmente como gerente de serviços, até tornar-se diretor da área naquele país, onde a partir de 2009 criou um programa modelo de manutenção que foi tão bem-sucedido ao ponto de se expandir para outras operações do grupo. Engenheiro industrial de formação e pós-graduado em administração de empresas com especialização em marketing, Souza assumiu a diretoria brasileira da área em 2013, substituindo Sidney Basso, que migrou para outras funções na Scania.

Atualmente, o executivo tem a missão de elevar o setor a uma participação de 30% no faturamento da empresa no Brasil, um desafio enfrentado com estratégias e leituras diferenciadas de mercado, nas quais a qualidade agregada ao atendimento – como ele enfatiza nesta entrevista – não é facilmente passível de concorrência. Acompanhe.

M&T – Qual é a sua avaliação do mercado de pós-vendas no Brasil?

Fábio Souza – Como profissional, tenho sorte de presenciar um momento de transformação profunda na concepção do setor de peças e assistência técnica. Atualmente, o mote é a entrega de soluções “verdadeiras”. É bem verdade que esse jargão sempre foi usado no mercado, principalmente para veículos pesados comerciais. Mas, hoje, o conceito é um fato, pois o mercado não aceita mais um pós-vendas como mero fornecimento de peças para resolução de problemas. A procura agora é por uma solução completa, para assegurar a operação e a qualidade dos veículos. Por isso, o pós-vendas tem um potencial gigantesco de crescimento.

M&T – Como a Scania acompanha essa transformação?

Fábio Souza – A Scania busca se aproximar cada vez mais dos clientes nesse sentido. Para nós, o pós-vendas é um segmento diferente do de produtos, que se diferencia do ponto de vista tecnológico, sempre trazendo novidades. Mas, ao mesmo tempo, depende de momentos mais favoráveis da economia e posicionamento perante os concorrentes. Além disso, mesmo as tecnologias para otimização, como a que a Scania dispõe para redução do consumo de combustível, são passíveis de cópia, deixando as marcas no mesmo nível de competitividade.

M&T – Em que se baseia esse novo conceito?

Fábio Souza – O novo conceito de pós-vendas é balizado num atendimento constante e na personalização do atendimento. Já os serviços aproximam o cliente e, por isso, requerem um esforço contínuo. E, apesar de os conceitos serem aparentemente simples, isso não é nada fácil de executar. Daí decorre a tendência de personalizar cada vez mais o atendimento, facilitando a vida de quem compra um produto da Scania. Diferentemente de produtos, a entrega de soluções, uma vez instalada, é difícil de ser copiada, pois demanda muito de pessoas, de cultura. Por isso, acreditamos que o serviço é o diferencial competitivo atualmente.

M&T – E a entrega de serviço é diferente para o setor off-road?

Fábio Souza – A condição é semelhante à oferecida para o transporte de longa distância. Mas a exigência é maior, no sentido de robustez do veículo. Em mineração, por exemplo, onde a disponibilidade física é uma condição de primeira ordem, costumo dizer que a peça mais importante é sempre a que o cliente não tem à mão na hora em que o veículo para. Essa criticidade exige atendimento personalizado. Por isso, temos uma divisão especializada nesse segmento na área de serviços. É um setor exigente e que precisa de tratativas diferentes, em todos os sentidos.

M&T – O que define a agilidade no atendimento aos clientes off-road?

Fábio Souza – Hoje, a Scania trabalha com sistema de reposição de peças automático. Mas sentimos a necessidade de criar um programa especial para off-road, com os itens compulsórios que precisam estar disponíveis em um tempo mínimo para os clientes. Inclusive, há uma tendência de evolução nesse sentido. Antes, o cliente tinha seus próprios mecânicos, oficina e estoque, mas agora muitas empresas estão delegando essa função para a montadora. Assim, o estoque passa a ser da montadora, da mesma forma os mecânicos, e o cliente se dedica unicamente ao seu core business. Esse é um caminho sem volta, no qual a qualidade do serviço diferencia os bons fornecedores.

M&T – Pode citar algum caso desse tipo de terceirização?

Fábio Souza – Sim. Temos um cliente que veio operar no Brasil e queria um fabricante que cuidasse de toda a parte da manutenção dos caminhões. E nós oferecemos isso. Treinamos nossa equipe de serviços e seguimos em frente, com sucesso. Fazer manutenção não é simples, precisa contratar, treinar e controlar os mecânicos. Afinal, uma peça sem utilização é simplesmente estocada e não gera problemas. Mas um mecânico parado por algumas horas não dá para pôr no estoque. Fica perdido e gera um custo bem maior para a empresa. Em oficinas para grandes operações, o prejuízo pode ser imenso. E temos trabalhado nesse sentido, com algumas demandas que vêm dos próprios clientes e outras em que demonstramos a vantagem de terceirizar a manutenção da frota.

M&T – Com isso, a área tem aumentado sua representatividade nos negócios?

Fábio Souza – Primeiro, quero deixar claro que o segmento de pós-vendas na Scania existe mais por questão estratégica do que financeira. Dito isso, a meta é que represente 30% do faturamento da empresa no Brasil. Hoje, estamos na metade desse caminho, mas isso é o que menos importa. O importante é fazer com que o serviço gere uma percepção diferenciada da marca, que fidelize o cliente. No médio prazo, esse diferencial tona-se evidente e gera receita automaticamente para a empresa.

M&T – Como imprimem essa percepção?

Fábio Souza – Primeiro, com o conceito de integrar produtos e serviços. Depois, pelos serviços dedicados, nos quais executamos os processos dentro da instalação do cliente, pois muitas vezes, o tempo de deslocamento e o transporte das peças atrapalham a operação. Nesse sentido, já conseguimos equalizar o atendimento in situ para frotas de mais de 50 veículos. É lógico que isso depende da distância e da operação, mas é factível enviar mecânicos, ferramentas e sistema de gestão e montarmos uma oficina no local de operação do cliente. Lá mesmo gerenciamos o histórico de manutenção dos caminhões e monitoramos toda a operação. A Scania foi pioneira nesse conceito.

M&T – Como está a demanda por essa solução?

Fábio Souza – Já temos muitos clientes e a tendência é de que cresça, pois os próprios clientes indicam um para o outro. Na prática, é como ter concessionários no estilo tradicional cobrindo todo o país. E para o setor off-road não há motivo de construir uma concessionária para atender, pois a operação é temporária nas grandes obras. A melhor solução é levar a sua instalação para lá. Afinal, o Brasil é muito dinâmico, sendo que oferecer um suporte de serviços tão dinâmico quanto o país é um desafio considerável. Na Europa, por exemplo, deve haver um concessionário a cada 100 km. Imagine fazer isso aqui... Por isso, temos de ser criativos e encontrar maneiras especiais de atender aos nossos clientes da melhor forma.

M&T – Como a caixa de câmbio automatizada muda a rotina de manutenção?

Fábio Souza – Essa tecnologia é um avanço para o motorista, que opera numa tocada mais suave. Isso gera maior vida útil da própria caixa de câmbio e de itens de desgaste, como os sincronizadores. Com isso, temos menos discussões nos diagnósticos também, pois fica mais evidente saber se houve um problema mecânico ou falha do operador.

M&T – O caminhão 10x4 exige um plano diferenciado?

Fábio Souza – Esse veículo foi criado especificamente para o setor off-road e já passou por várias gerações. Em outubro, lançamos a nova geração, a sétima. Mas, sim, esse caminhão tinha um eixo que precisava de atenção e manutenção especial, a ser realizada de maneira metódica. O fato de trabalharmos mais próximo ao mercado tem ajudado nessas execuções e também no nosso feedback interno para o desenvolvimento do produto. Hoje, as avaliações são muito boas e já temos 13 veículos encomendados da nova geração do 10x4. Nessa nova série, o eixo passa a ser de outro fornecedor, com um projeto diferenciado. Com isso, oferece maior robustez para operações pesadas e agrega quase 10 toneladas em capacidade de carga, quando comparado ao 8x4.

 

 

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