Além das fronteiras — Revista M&T
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M&T nº 184Outubro 2014 Matéria 1 de 19
Sumário
  1. EditorialAlém das fronteiras
  2. TúneisSoluções aprimoram mobilidade no país
  3. TúneisReforço sintético
  4. Implementos RodoviáriosEstratégia de retomada
  5. CabinesQuestão de sobrevivência
  6. FabricanteClasse mundial
  7. Comércio ExteriorA Convenção de Viena
  8. MineraçãoProteção indispensável
  9. Soluções Para ConcretoAvanço sustentado
  10. LegislaçãoOs impactos da nova NR-18
  11. RentalImpulso em boa hora
  12. EmpresaModelagem sob medida
  13. Momento M&T Expo 2015Elo entre Tecnologia e negócios
  14. A Era Das MáquinasAplicações criativas através da história
  15. ManutençãoForça hidráulica
  16. Entrevista"Serviço é o maior diferencial competitivo na atualidade"
  17. InternacionalDesatando o nó logístico
  18. Compactos & FerramentasSegurança e confiabilidade
  19. Coluna YoshioAtravés dos arbustos
  20. Painel14 notas e colunas
Editorial

Além das fronteiras

"As exportações de bens de capital têm compensado em parte a retração no consumo doméstico, animando os empresários do setor"

Exclusivo M&T 9 de outubro de 2014 · Edição 184

Vivendo um dos maiores impasses dos últimos anos, cresce o clamor para que o setor industrial brasileiro mude de rumo, voltando-se para o comércio internacional. Uma missão que, diga-se, não é nada fácil. Afinal, com baixa inserção no mercado global, o Brasil voltou a cair no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, amargando agora o 57º lugar, atrás de países como África do Sul (56º) e Rússia (53º).

As razões para a patinagem – que enfraquece a posição brasileira no mundo – incluem fatores conjugados que contribuem para a baixa produtividade, como elevada carga tributária, câmbio valorizado, regulação excessiva, infraestrutura precária, mão de obra deficiente, base tecnológica defasada, burocracia e outros, mas também uma protelação onerosa em relação às necessárias reformas estruturantes, que nunca chegam ao país.

Tais fatores dificultam a formação de preços competitivos para a indústria brasileira concorrer no mercado internacional. Segundo pesquisa do jornal O Estado de S.Paulo, o produto brasileiro sai em média 33,7% mais caro do que o fabricado em outros países, tanto no custo de produção como, em consequência, no preço final. No setor de máquinas e equipamentos, o custo adicional é maior e, somadas todas as etapas, chega a 37% em relação a produtos similares de países como Alemanha e EUA.

Mesmo assim, o futuro parece mesmo passar pelo comércio exterior. Afinal, malgrado o custo Brasil as exportações de bens de capital têm compensado em parte a retração no consumo doméstico, animando um pouco os empresários do setor, que estão com capacidades expandidas após os investimentos realizados nos últimos anos.

Segundo a Abimaq, no primeiro semestre o índice de maquinários exportados em todos os segmentos (móveis e estacionários) foi 19,8% superior ao mesmo período do ano passado, representando 44% do total do faturamento do setor. As máquinas para infraestrutura tiveram variação positiva de 59,6%, representando uma participação de 20,7% no total, enquanto as máquinas para logística e construção avançaram 16,1%, equivalendo a 19,7% de participação.

Com isso, torna-se visível o esforço que a indústria de bens de capital realiza para conter a retração de sua participação internacional, em um movimento que – seja qual for o resultado das eleições – precisa ser estimulado com a adoção de políticas de comércio exterior que devolvam a confiança e garantam a competitividade do produto brasileiro, incluindo melhorias estruturais e abertura a novos acordos comerciais.

Tais ajustes são imprescindíveis para fortalecer nossa indústria, pois qualidade nossas máquinas já têm, como o leitor pode conferir nesta edição em reportagens sobre linha de produção, soluções para túneis e concreto, implementos rodoviários e outros assuntos. Boa leitura.

Claudio Schmidt

Presidente do Conselho Editorial

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