Versatilidade a toda prova
Atuando no carregamento do minério, escavadeiras adaptadas são peças-chave nas operações da Vale na mina de Capão Xavier, que integra o complexo de Paraopeba
Em um case que evidencia todo o potencial de sua utilização além da construção, as escavadeiras sobre esteiras são utilizadas com sucesso em um importante projeto brasileiro de mineração. Situada em pleno Quadrilátero Ferrífero, a mina de Capão Xavier integra o complexo de Paraopeba, localizado na região leste de Belo Horizonte (MG). As obras da mina tiveram início em 2004, contando com escavadeiras, caminhões, tratores e equipamentos de apoio, como maquinários de infraestrutura.
Naquele ano, antes da chegada da Vale, as previsões eram de que a mina estaria economicamente esgotada por volta de 2014. Contrariando as previsões, em 2011 a mina a céu aberto produziu 8,4 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que representa 2,6% do total processado pela empresa. E, nesse processo de recuperação, as máquinas para carregamento do minério desempenham um importante papel.
PROCESSO
Com um vistoso projeto arquitetônico em forma de “degraus”, a área de 7.500 km² é explorada por meio de explosões controladas, que produzem o afrouxamento da terra (estéril) e expõe os minerais. Para o processo de carregamento dos minerais, o complexo de Paraopeba conta com uma frota de 15 escavadeiras de mineração, sendo 14 delas do modelo R 964 C da Liebherr. São essas máquinas que realizam a escavação do estéril e do minério de ferro, carregando caminhões basculantes de 38 t que fazem viagens de 20 a 25 minutos, entre carregar e descarregar o britador.
Após os caminhões transportarem o material para o centro de britagem, o mineral é triturado em partes menores para receber o tratamento adequado e adquirir alta qualidade. Para isso, utiliza-se o drying process, um processo de fluxo contínuo (sete dias por semana, com quatro turnos de seis horas cada) no qual o triturador quebra a rocha em pequenos pedaços e encaminha a produção via correia transportadora.
Finalmente, o material passa por um processamento adicional e é encaminhado ao seu destino final, normalmente usinas siderúrgicas. A produção industrial é toda feita na usina localizada na Mina da Mutuca, sendo que aproximadamente 80% dos transportes externos da mina são realizados por trem. “O processo é simples: detona, carrega, e transporta até a Mutuca, onde é feito o beneficiamento”, resume Bruno Reis, gerente de manutenção da Vale.
ESCAVADEIRAS
Neste processo, as escavadeiras são equipamentos-chave. Da frota de escavadeiras Liebherr R 964 C de 434 hp presentes no complexo, três unidades foram alocadas especificamente para atuar para a mina Capão Xavier.
Para adaptar-se às operações pesadas de mineração, o modelo que também atua em obras de construção – foi equipado com um braço de 7 m, lança de 2,60 m e caçambas com 4 m³ de capacidade. Como recurso de segurança, o equipamento possui uma proteção para a haste do cilindro, uma estrutura de proteção contra quedas de objetos (FOPS), opção de monitoramento via câmera traseira e um sistema Wiggins acoplado, para abastecimento rápido do tanque de combustível.
Operando em condições severas há quase uma década, as escavadeiras são extremamente exigidas em termos de força e resistência. Seu porte é considerado adequado para os caminhões de 38 t que atuam na mina, cuja estimativa de operação é de 25 a 30 mil horas.
Segundo dados técnicos da fabricante, a R 964 C é alimentada por um motor V D9508 de 320 kW e 8 cilindros. Com a incorporação de uma pá carregadeira (disponível com capacidades de até 5,00 m³), seu peso operacional oscila entre 67.900 e 78.000 kg. A versão utilizada na operação possui uma força máxima de escavação de 308 kN / 31,4 t e uma força máxima de deslocamento de 335 kN / 34,2 t. Seu alcance máximo a partir do nível do solo é de 11,6 m e a altura de carregamento é de 7,7 m.
Em relação à manutenção dos equipamentos, Reis explica que a estratégia é “by the book”, ou seja, seguir as orientações dos fabricantes e de especialistas renomados do setor. “Preferencialmente, a gente segue o que os ‘papas’ da manutenção recomendam, como Alan Kardec Pinto”, diz ele.
Caminhões vêm subindo de porte no complexo
Ao todo, o complexo de Paraopeba utiliza uma frota de 105 caminhões rodoviários, com uma estimativa de 18 mil horas de operação. “Mas são caminhões de pequeno porte”, detalha Bruno Reis, gerente de manutenção da Vale. Segundo o gerente, a opção por utilizar modelos rodoviários em vez de específicos fora de estrada se explica por uma estratégia de operação. Ele destaca ainda que, em sua maioria, os equipamentos para transporte do minério são da marca Scania, mas que a frota vem sendo atualizada com modelos da Caterpillar, de 95 t. “Gradualmente, estamos subindo o porte”, acrescenta.
Liebherr mantém equipe de suporte às operações da Vale
Para dar suporte às operações da Vale no complexo de Paraopeba, a Liebherr disponibilizou uma equipe de especialistas em pós-vendas no estado de Minas Gerais. Especialmente voltados para as necessidades locais, os serviços são prestados em nove diferentes minas da Vale, sendo conduzidos por 30 técnicos especializados. A fabricante também oferece um sistema logístico para a distribuição de peças de reposição, o que garante um atendimento rápido nas operações da mineradora no estado.



