Guindastes de torre entram em cena — Revista M&T
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M&T nº 205Setembro 2016 Matéria 13 de 18
Sumário
  1. EditorialA corrida pela emissão zero
  2. Controle De EmissõesAgora é pra valer
  3. BritagemSolução portátil
  4. InvestimentosA bola da vez
  5. LançamentoReforço na frota
  6. Soluções FlorestaisForte por natureza
  7. ExportaçãoAlém do horizonte
  8. CompactosPor um lugar ao sol
  9. ComponentesPotência operacional
  10. MercadoUm passo à frente para os chineses
  11. EmpilhadeirasRobustez onde mais precisa
  12. EmpresaMaturidade nos negócios
  13. A Era Das MáquinasGuindastes de torre entram em cena
  14. ManutençãoCapacitação virtual
  15. Entrevista"A indústria sairá mais produtiva da crise"
  16. Compactos & FerramentasForça auxiliar
  17. Coluna YoshioEstamos mesmo evoluindo?
  18. Tabela Custo HorárioTabela referente ao ano de 2016
  19. Painel16 notas e colunas
A Era Das Máquinas

Guindastes de torre entram em cena

Exclusivo M&T 10 de setembro de 2016 · Edição 205

No horizonte de qualquer grande cidade é sempre possível ver um guindaste de torre (ou grua, como é popularmente chamado) ao lado de um edifício em construção. Mas o que muita gente não sabe é que tal cenário tem uma longa história.

De modo geral, os primeiros guindastes surgiram ainda nos primeiros séculos da era cristã, movidos por pessoas ou animais. A propulsão só mudaria no final do século XIX, quando surgiu o motor a vapor, depois substituído por motores elétricos ou de combustão interna.

Na Idade Média, os guindastes tinham uma estrutura longa de madeira, chamada de “lança”, acoplada a uma base giratória. Posteriormente, foi adicionado um braço horizontal, que ficou conhecido como “jib”. No final do século XIX, a estrutura passou a ser metálica, de ferro fundido ou de aço.

Os guindastes de torre, por sua vez, surgiram na primeira metade do século XX. Com a necessidade de reconstrução urbana no pós-guerra, a existência de ruas estreitas e espaços confinados fizeram com que essa solução se expandisse pela Europa afora.

PIONEIROS

Em 1908, a Maschinenfabrik Julius Wolff produziu os primeiros guindastes de torre da história, que rapidamente passaram a ser utilizados em estaleiros e portos, tendo sido produzidas mais de 10 mil unidades até o final da década de 60. Fabricantes como Kaiser e Potain também produziram guindastes de torre no início dos anos 30, com projetos ainda calcados em equipamentos portuários e de estaleiros. No entanto, esses guindastes eram feitos de ferro e aço, sendo muito pesados e difíceis de montar, desmontar e transportar.

A partir de 1948, a utilização dos guindastes Wolff na construção ressaltou a necessidade de torres cuja montagem fosse mais simples e fácil. Em 1949, ao perceber essa necessidade Hans Liebherr daria o próximo passo ao produzir um guindaste com giro na parte inferior e lança horizontal, capaz de carregar o material no solo, elevá-lo e girar até descarregá-lo no local de aplicação. Até então, não existiam equipamentos com essas características, sendo necessário o transporte manual do ponto de descarga até o local de aplicação. Além disso, esse guindaste era leve e fácil de montar.

Primeiro produto da Liebherr, o modelo TK-10 foi apresentado no segundo semestre de 1949 na Frankfurt Trade Fair, na Alemanha, incorporando todas essas características. Também podia ser transportado parcialmente montado e possuía dispositivo de automontagem. Embora a postura do setor no princípio fosse de cautela, o projeto acabou por ser bem aceito e entrou em produção, revolucionando a indústria de guindastes na época.

ANOS 50

Nos anos 50, a lista dos principais fabricantes de guindastes de torre incluía Peschke, Peiner, Wolff, Weitz, Liebherr, Potain, Boilot, Braud & Faucheux, Campistou, Ferro, Fiorentini, Fives Lille, Fuochi-Milanesi e Haulotte.

A década trouxe grandes avanços para a tecnologia de guindastes de torre, devido à utilização desse tipo de equipamento na construção de edifícios residenciais e comerciais, que teve grande impulso nessa época. O sistema de lança móvel (tipo jib) foi abandonado pela maior parte dos fabricantes, utilizando-se, na maior parte das obras, guindastes de lança horizontal com carro de translação e contralança com contrapeso.

Surgiram também os guindastes ascensionais, que eram montados no poço do elevador e subiam juntamente com a obra. Esses modelos eram apoiados na estrutura já pronta e dispunham de um guincho de elevação para passar para a laje seguinte após sua construção. Nessa época, eram oferecidos equipamentos com altura de até 80 m sob o gancho e sistemas de autoelevação da torre, que permitiam aumentar a altura introduzindo segmentos num componente específico da torre dotado de cilindro hidráulico para esse fim (telescopagem).

Juntamente com a passagem do giro para a parte superior, próxima ao engate da lança, essa característica permitiu que o guindaste tivesse a altura aumentada à medida que o edifício subia, levando a tecnologia de amarração da torre na estrutura do prédio para alturas maiores, o que resolvia a questão da dificuldade de desmontagem dos guindastes ascensionais no topo do prédio. Com isso, os guindastes sobre trilhos passaram a ser usados apenas em aplicações específicas, prevalecendo a montagem fixa, chumbada numa base de concreto.

ANOS 60

A partir de 1960, o projeto dos guindastes passou a ser focado em obter maior raio de ação e momento de carga, além de sistemas de controle e segurança contra sobrecarga e mecanismos de elevação rápida (faster, bigger, taller). A quantidade de fabricantes aumentou, assim como a oferta de modelos, surgindo ainda uma geração de guindastes de pequeno porte, que podiam ser montados na obra em apenas algumas horas.

Em 1961, o engenheiro e professor H. Ernst escreveu em um de seus artigos: “Enquanto o desenvolvimento de outros guindastes ocorreu dentro das fábricas, a evolução dos guindastes de torre era visível para o público. As numerosas obras desenvolvidas no pós-guerra, equipadas inicialmente com elevadores primitivos, receberam pelo menos um guindaste de torre (alguns projetos tinham uma verdadeira floresta deles). Essa máquina tornou-se o símbolo da reconstrução no pós-guerra, e seu sucesso quantitativo só foi possível devido a sua adaptação às diferentes necessidades dos canteiros. Baixo peso (portanto menor custo e transporte mais fácil), facilidade de montagem e operação, adaptação a diferentes tipos de obra, trabalho em condições difíceis foram pontos essenciais para sua evolução. Em vez das torres precisarem ser montadas completamente no solo e erguidas por um pórtico ou guindaste, hoje são telescópicas ou dobráveis, o que simplifica o transporte e reduz o esforço para colocar a torre na vertical. A translação da carga foi extremamente simplificada e foram criados sistemas que permitissem ao guindaste subir junto com a obra, o que é muito importante em edifícios de grande altura.”

ANOS 70

À medida que os arranha-céus iam aumentando de altura, a necessidade de guindastes maiores também crescia. Em 1975, a Kroll produziu o maior guindaste de torre do mundo, o K-10.000, com altura máxima de 120 m e alcance máximo de 90 m, cinco vezes mais que os guindastes disponíveis no mercado.

Devido à aplicação específica, foram produzidas somente 20 unidades desse modelo. E, trazida pela eletrônica, a evolução dos sistemas de controle e segurança levou a uma operação cada vez mais simples e segura.

Leia na próxima edição: A evolução do asfalto

 

 

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