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Revista M&T - Ed.263 - Maio 2022
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ENTREVISTA – ROQUE REIS

"O mercado surpreendeu durante a pandemia"

Conglomerado de capital aberto, a CNH Industrial promoveu mudanças significativas em sua estrutura organizacional no ano passado. Entre as alterações, que incluíram spin-off dos segmentos de transportes e motores, que agora integram o Iveco Group, foram definidos novos cargos para executivos que já faziam parte das empresas controladas pelo grupo.

É o caso de Roque Reis, que deixou a liderança da Case Construction Equipment na América Latina para assumir o negócio de construção da CNH Industrial na região, um dos maiores mercados da companhia no segmento, com uma fatia de 16% da carteira global.

Economista formado pela Universidade São Judas Tadeu, Reis iniciou a carreira como auditor na Arthur Andersen, cargo que exerceu por quase uma década antes de ingressar na Case CE. Ao longo de mais de 27 anos na fabricante, passou por cargos como controller e diretor comercial no Brasil e no Mercosul.

Nesse período, o experiente executivo participou de inúmeros momentos importantes dentro da empresa, sendo responsável por gestão de vendas, serviços, marketing de produto, distribuição e comunicação da marca.

Agora, ao assumir o segmento de construção da CNH Industrial na América Latina, ele espera trazer ao mercado regional soluções cada vez mais sustentáveis e tecnológicas, focadas em automação e digitalização, sempre buscando facilitar o trabalho e aumentar a produtividade do cliente.

Nesta entrevista exclusiva concedida à Revista M&T, dentre outros assuntos o executivo faz avaliações de mercado e comenta as apostas em inovação tecnológica da multinacional de origem italiana, tratando de questões como a necessidade de redução das emissões de carbono, parcerias com startups e expectativas para o futuro.

“Conduzir as operações de construção na América Latina é um trabalho desafiador, especialmente no momento que estamos vivendo, com todas as variáveis que a pandemia e, mais recentemente, o conflito na Ucrânia introduziram nos negóci


Conglomerado de capital aberto, a CNH Industrial promoveu mudanças significativas em sua estrutura organizacional no ano passado. Entre as alterações, que incluíram spin-off dos segmentos de transportes e motores, que agora integram o Iveco Group, foram definidos novos cargos para executivos que já faziam parte das empresas controladas pelo grupo.

É o caso de Roque Reis, que deixou a liderança da Case Construction Equipment na América Latina para assumir o negócio de construção da CNH Industrial na região, um dos maiores mercados da companhia no segmento, com uma fatia de 16% da carteira global.

Economista formado pela Universidade São Judas Tadeu, Reis iniciou a carreira como auditor na Arthur Andersen, cargo que exerceu por quase uma década antes de ingressar na Case CE. Ao longo de mais de 27 anos na fabricante, passou por cargos como controller e diretor comercial no Brasil e no Mercosul.

Nesse período, o experiente executivo participou de inúmeros momentos importantes dentro da empresa, sendo responsável por gestão de vendas, serviços, marketing de produto, distribuição e comunicação da marca.

Agora, ao assumir o segmento de construção da CNH Industrial na América Latina, ele espera trazer ao mercado regional soluções cada vez mais sustentáveis e tecnológicas, focadas em automação e digitalização, sempre buscando facilitar o trabalho e aumentar a produtividade do cliente.

Nesta entrevista exclusiva concedida à Revista M&T, dentre outros assuntos o executivo faz avaliações de mercado e comenta as apostas em inovação tecnológica da multinacional de origem italiana, tratando de questões como a necessidade de redução das emissões de carbono, parcerias com startups e expectativas para o futuro.

“Conduzir as operações de construção na América Latina é um trabalho desafiador, especialmente no momento que estamos vivendo, com todas as variáveis que a pandemia e, mais recentemente, o conflito na Ucrânia introduziram nos negócios”, afirma.

Acompanhe.

• Como a nova estratégia do grupo quer elevar a participação do segmento de bens de capital?

A partir deste ano, com a conclusão do spin-off, estamos totalmente focados nos segmentos de agricultura e construção, que possuem desafios tecnológicos e regulatórios similares, além de um grande potencial de sinergia. Isso trará muitos ganhos, simplificando processos e fortalecendo as marcas Case e New Holland globalmente. Recentemente, apresentamos um novo plano estratégico até 2024, que tem cinco prioridades, incluindo inovação inspirada no cliente, liderança em tecnologia, força das marcas e de concessionários, excelência operacional e gestão de sustentabilidade. Estamos convictos de que essas frentes darão sustentação para as ambiciosas metas que temos, como aumentar o market share nos mercados e linhas de produtos que competimos até o fim desse período.

• Qual é o principal objetivo no segmento de construção?

Na área de construção, a proposta é promover lançamentos contínuos de novos produtos, tanto nas linhas pesadas como compactas, o que também inclui melhorias em soluções de eletrificação e produtos da Sampierana [empresa italiana adquirida em 2021 por cerca de € 102 milhões]. Essa aquisição traz mais recursos tecnológicos e um portfólio de midi e miniescavadeiras, incluindo modelos elétricos. Nossa convergência com o setor agrícola possibilitará o desenvolvimento integrado de tecnologia de precisão, buscando impulsionar inovações nessa área com foco em produtividade digital. A nossa rede comercial agrícola também permite reforçar a presença da divisão de construção no mercado.


Segundo o executivo, estratégia da CNHi é promover lançamentos contínuos de novos produtos

• De que maneira as mudanças corporativas estão se refletindo nas operações locais?

As mudanças são robustas e têm impacto em tudo o que fazemos, a começar pelo novo propósito “Breaking New Ground”, focado em Inovação, Sustentabilidade e Produtividade. Queremos estar sempre à frente e consolidar nosso pioneirismo no desenvolvimento de soluções em agricultura e construção. O que vai ser mais perceptível para o cliente é o perfil ainda mais tecnológico dos nossos produtos. Até 2024, os principais lançamentos chegarão ao mercado latino-americano, desde que façam sentido para os clientes da região. Serão soluções cada vez mais sustentáveis e tecnológicas, focadas em automação e digitalização, buscando facilitar o trabalho, aumentar a produtividade e permitir que o cliente seja cada vez mais um gestor de dados para a tomada de decisões.

• Como encara esse novo desafio na América Latina?

Conduzir as operações de construção na América Latina é um trabalho desafiador, especialmente no momento que estamos vivendo, com todas as variáveis que a pandemia e, mais recentemente, o conflito na Ucrânia introduziram nos negócios. É uma atuação profissional mais abrangente, que vai da cadeia de suprimentos à experiência do cliente. A bagagem comercial e de finanças tem contribuído bastante nos desafios que temos atualmente. Portanto, tem sido um período prazeroso e realizador, mas também desafiador e de muito aprendizado.

• Como foi o desempenho da CNHi na América Latina em 2021?

Tivemos um desempenho positivo, tanto no setor agrícola quanto de construção, mesmo com os problemas que a indústria global enfrentou, como a questão dos semicondutores e de logística. O mercado estava aquecido em ambos os segmentos. No agrícola, com o produtor capitalizado e investindo em maquinário, fizemos um grande esforço para atender à demanda diante dos desafios. O segmento de construção viveu uma situação semelhante, com a necessidade de máquinas para ajudar a destravar diversas obras dos setores público e privado, além da importante contribuição no agronegócio.

• Aliás, como o mercado brasileiro se comportou durante a pandemia?
No início, as projeções não eram boas, mas fomos surpreendidos. O agro não parou em nenhum momento e foi o segmento que sustentou a economia do país nos últimos dois anos. Em 2021, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) fechou em R$ 1,129 trilhão, algo em torno de 10% a mais que em 2020. A alta das commodities também possibilitou bons resultados nas exportações, com a balança comercial do agronegócio fechando o ano com saldo de US$ 105,1 bilhões, quase 20% a mais que no ano anterior. O setor da construção, após alguns anos em baixa, também teve bons resultados durante a pandemia. No ano passado, o PIB do setor cresceu 9,7%, no maior aumento dos últimos 11 anos. A construção civil foi destaque, puxada pela oferta de crédito, baixa taxa de juros e alta demanda por imóveis impulsionada pelo home office e pelo mercado de luxo. Esses cenários se refletiram na demanda e, consequentemente, nas vendas.

• Quais setores tiveram melhor desempenho?

Globalmente, conforme informações divulgadas no “Capital Markets Day”, as vendas líquidas em agricultura foram de US$ 14,7 bilhões, enquanto a construção respondeu por US$ 3,1 bilhões. Tivemos resultados sólidos em ambos os segmentos e acreditamos que nossa estratégia irá nos levar ainda mais longe até 2024.


Para Reis, as necessidades dos clientes estão transformando as fabricantes em empresas de tecnologia

• Como os problemas com fornecimento estão impactando as operações?

Na Europa, o impacto foi maior, pois temos fábricas em diferentes países. Aqui, também sentimos o impacto da falta de insumos e componentes, chegando a fechar as fábricas por cerca de um mês, em 2020. Mas, desde então, não pararam mais. Antes, já investíamos em localização, com um índice médio superior a 60%, mas isso se intensificou na pandemia e estamos investindo em novos negócios com fornecedores no Brasil e na Argentina. Tomamos decisões importantes e adotamos estratégias assertivas em 2021, o que permitiu alcançar um desempenho positivo, mesmo nesse contexto desfavorável.

• Por que a conectividade é vital para o grupo?

A digitalização contribui para produzir mais sem ampliar a área plantada. O mercado já oferece diversas tecnologias, mas no Brasil ainda falta conectividade para explorar esses recursos. Atualmente, mais de 70% das propriedades rurais no país não têm acesso à internet. Ou seja, a defasagem tecnológica nas propriedades brasileiras se deve em grande parte à falta de conectividade.

• Como o grupo contribui para superar esse desafio?

Há tempos a CNH Industrial vem se consolidando como uma empresa de tecnologia, que oferece soluções digitais completas e integradas, em um olhar para além da produção de máquinas em si. Nosso foco está nas dores do cliente e estamos convictos de que precisamos ampliar o leque para cobrirmos todos os gaps que angustiam o produtor, mesmo que isso demande entrar em áreas como TI e telecomunicações, por exemplo. Por isso, passamos a nos envolver com infraestrutura de conectividade, como mostra o projeto ConectarAGRO, desenvolvido junto a outras empresas.


Tendências como a eletrificação geram uma mudança de mindset no setor, diz o especialista

• Além deste, quais fatores estão transformando o setor?

Diversos fatores estão provocando uma revolução nos setores de agricultura e construção, pois geram uma mudança de mindset que vai embasar o futuro desses segmentos. Existe um movimento em todo o mundo no que tange à substituição de combustíveis fósseis por opções que não gerem emissões de gases nocivos ao meio ambiente. É desafiador buscar novas formas de energia com o mesmo desempenho das máquinas tradicionais, mas não existe outro caminho. Precisamos reduzir as emissões de CO2 drasticamente para evitar a evolução dos efeitos que as mudanças climáticas já têm provocado. O mercado está investindo muito alto em pesquisa & desenvolvimento nesse sentido.

• De que modo a eletrificação está acelerando essa transformação?

A eletrificação está no nosso pipeline. O Projeto Zeus, da Case CE, por exemplo, gerou a primeira retroescavadeira totalmente elétrica da indústria da construção. A máquina 580EV é alimentada por uma bateria de íons de lítio, com forças hidráulicas similares às das máquinas a diesel e desempenho melhorado durante a operação simultânea da carregadeira e do trem de força. Outra iniciativa da marca é o Projeto Tetra, um conceito de pá carregadeira movida a metano, que produz 80% menos de emissões. Além dos investimentos em P&D, temos parcerias estratégicas com expertise nessa área. No agro, contamos com a Monarch Tractor e, em construção, com a Sampierana. Estamos falando do desenvolvimento de produtos elétricos como tratores, retroescavadeiras e miniescavadeiras.


Aquisição recente, a Sampierana produz escavadeiras compactas e médias com a marca Eurocomach

• A inovação aberta é o futuro do setor?

Já trabalhamos com o conceito de inovação colaborativa há alguns anos, principalmente com foco em produtividade e sustentabilidade. Esse modelo permite dividir recursos, riscos e custos, além de agilizar, aperfeiçoar e simplificar os processos, tendo como consequência um aumento da taxa de sucesso, ganhos de competitividade e aumento da resiliência em momentos de crise. A empresa entende a importância de contar com a expertise externa para criar soluções na velocidade em que são necessárias. Por isso, temos parcerias com universidades, centros de pesquisa e hubs de inovação como o Cubo Itaú e o Pulse, da Raízen.

• Há outras tendências no horizonte do setor?

Trabalhamos tendências como digitalização, servitização, acessibilidade e Diversidade & Inclusão, atentos a iniciativas que gerem novos modelos de negócios. Um exemplo é o AGXTEND, nossa plataforma de soluções inovadoras para a agricultura digital. Lançada no ano passado, já conta com um portfólio com dez soluções, que incluem aplicativos, componentes e serviços, todos desenvolvidos em parceria. O projeto representa um novo conceito no campo porque, além de tecnologias inovadoras e disruptivas, oferece novos modelos de negócios para a agricultura digital.

Saiba mais:
CNH Industrial:
www.cnhindustrial.com