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Revista M&T - Ed.301 - Fev / Mar - 2026
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GERADORES & TORRES

Cada vez mais limpos e eficientes

Avanço tecnológico, requisitos de sustentabilidade e criticidade energética norteiam o desenvolvimento de novos produtos, mais alinhados à demanda em diferentes setores
Por Redação

Demandas setoriais mais recentes, como a digitalização dos controles e a possibilidade de integração com outras fontes de energia, atualmente combinam-se com a indispensável busca por eficiência energética nas premissas que norteiam o processo de desenvolvimento implementado pelas fabricantes de geradores.

Atentas ao imperativo da sustentabilidade, essas empresas projetam equipamentos que emitem menos gases, tanto por serem mais eficientes quanto por poderem utilizar outros combustíveis, além do diesel. A redução das emissões é foco da Cummins, por exemplo, cuja estratégia “Destino ao Zero” busca atingir a neutralidade em emissão de carbono até 2050.

Módulo ECM, monitora parâmetros cruciais em geradores, incluindo pressão de óleo, nível de líquido de arrefecimento, temperatura, press&


Demandas setoriais mais recentes, como a digitalização dos controles e a possibilidade de integração com outras fontes de energia, atualmente combinam-se com a indispensável busca por eficiência energética nas premissas que norteiam o processo de desenvolvimento implementado pelas fabricantes de geradores.

Atentas ao imperativo da sustentabilidade, essas empresas projetam equipamentos que emitem menos gases, tanto por serem mais eficientes quanto por poderem utilizar outros combustíveis, além do diesel. A redução das emissões é foco da Cummins, por exemplo, cuja estratégia “Destino ao Zero” busca atingir a neutralidade em emissão de carbono até 2050.

Módulo ECM, monitora parâmetros cruciais em geradores, incluindo pressão de óleo, nível de líquido de arrefecimento, temperatura, pressão de combustível e presença de água.CUMMINS.


No caso de geradores, essa estratégia contempla iniciativas como a possibilidade de utilização de combustíveis mais sustentáveis e a redução das emissões de motores a diesel. Juntamente com a busca por eficiência, essa tarefa é favorecida pelo avanço da eletrônica embarcada, como destaca Cora Reis, gerente-executiva de vendas da Cummins Power Generation. Especialmente, ela ressalta, via sistemas de injeção eletrônica.

Duas linhas de motores lançadas nos dois últimos anos pela marca – QSB7 e QSF 4.5 –contam com esse sistema, relata Cora. Geradores equipados com o primeiro desses motores entregam a mesma potência, mesmo sendo até 11% mais leves e 14% menores. “Comparativamente à versão anterior, houve redução de aproximadamente 56% nas emissões do Índice de Oxidação e de hidrocarbonetos, além de 69% de monóxido de carbono e 62,5% de material particulado”, detalha.

TENDÊNCIAS

Na Cummins, a eletrônica colabora de outras maneiras para a eficiência e a redução de emissões em geradores. Uma delas se dá com o módulo ECM, que monitora parâmetros como pressão de óleo, nível de líquido de arrefecimento, temperatura, pressão de combustível e presença de água. “Isso serve tanto para ajustar o funcionamento do motor para as condições operacionais quanto para controlar as emissões”, ressalta Cora, lembrando que a empresa também vem ampliando as possibilidades de uso de combustíveis de baixo carbono em geradores, que já podem trabalhar com biodiesel, HVO e gás natural.

Na linha de frente dessas tendências, a Atlas Copco produz geradores que trabalham com diesel e biodiesel. A marca disponibiliza ainda um sistema híbrido que combina gerador e um sistema de armazenamento com baterias de íons de lítio.

Essa solução, garante o gerente da linha de negócios em energia e iluminação da empresa, Leonardo Castro, é capaz de reduzir sensivelmente o consumo e as emissões. “O próprio gerador atua como fonte de recarga do sistema de armazenamento, sempre no ponto ótimo de eficiência e consumo”, ele assegura. “Por enquanto, ambos se mantêm como unidades separadas, mas já há um projeto em desenvolvimento para integrá-los em um único equipamento.”

Na Europa, diz Castro, esse sistema já é comum em operações com gruas, que têm pico de partida alto, exigindo um gerador de maior potência. “Ao utilizarmos um sistema de armazenamento. torna-se possível diminuir o uso do gerador durante a operação, reduzindo em até 90% o consumo e minimizando a emissão de CO2”, acrescenta.

Em novembro do ano passado, geradores da marca foram instalados em paralelo a um sistema de armazenamento composto por baterias LFP (Lítio Ferro Fosfato, ou LiFePO4), produzidas pela própria Atlas Copco. A solução foi utilizada na abertura da COP 30, em Belém (PA). “No Brasil, também já é possível encontrar aplicações híbridas que integram gerador e bateria, com o intuito de redução do consumo e das emissões, além de ganhos de confiabilidade do sistema”, acentua Castro.

NECESSIDADES

Além do incremento da eficiência energética, as tendências atuais em projetos de geradores abrangem uma incessante busca por rendimento e densidade de potência, aponta Durval Graça, gerente da Tupy. “Há demanda ainda por equipamentos que assegurem estabilidade no fornecimento de energia e qualidade superior à da rede convencional”, detalha o especialista. “Além disso, a indústria investe na integração digital para monitoramento remoto e em combustíveis alternativos, visando a redução nas emissões de CO2 e de outros gases.”

Visando atender tais solicitações, a MWM – subsidiária da Tupy – disponibiliza geradores com motorização Stage 3A e alimentados por biogás, biometano e gás natural, além de sistemas de tratamento de gases e biodigestores. “Em conjunto com um gerador a biogás, por exemplo, essas soluções permitem que o produtor rural gere sua própria energia a partir de biomassa e resíduos orgânicos, aplicando o excedente em geração distribuída”, comenta Graça.

Todos os equipamentos da marca, ele destaca, já contam com telemetria, um recurso que permite que os geradores possam não apenas ser acionados remotamente, mas também monitorados em quesitos como nível de combustível, fator de carga em operação e diagnóstico de falhas. Segundo o gerente, isso é fundamental especialmente para locadores, cujos geradores são operados por terceiros ou em propriedades rurais e empresas, onde o equipamento pode ser monitorado a partir de uma central de controle, em conjunto com outros equipamentos da frota.

Tendências atuais em P&D abrangem uma incessante busca por rendimento e densidade de potência nos equipamentos.MWM/TUPY


Já há algum tempo, a Geraforte começou a produzir geradores capazes de trabalhar com gás, além de diesel, que ainda responde por cerca de 90% da demanda. Como observa o diretor industrial da companhia, Marcio Martins Araujo, as máquinas mais viáveis e com melhor custo/benefício ainda são as movidas a diesel. “A máquina a gás até reduz o custo operacional, mas ainda sofre com carências de distribuição em várias regiões do país”, justifica. “Todavia, não há redução da eficiência energética no uso do gás, pois isso é compensado pelo projeto do motor.”

Totalmente focada em geradores, a empresa produz soluções com capacidades a partir de 15 kVA. “No caso de máquinas singelas, temos produtos até 4 mil kVA”, explica. “Já no caso de grupos, podemos ter até 32 máquinas em paralelo.”

INTEGRAÇÃO

Além de eficiência energética e descarbonização, avanços simultâneos de projeto têm impulsionado a robustez, a segurança operacional e a digitalização no segmento. Também ganham espaço os sistemas híbridos e os chamados “microgrids”, que combinam geradores com outras fontes de energia, baterias e sistemas inteligentes de controle.

Essa combinação, assegura Cora, da Cummins, é capaz de otimizar o uso de energia, reduzir emissões, diminuir custos operacionais e garantir autonomia em regiões remotas ou operações críticas. “A Cummins já trabalha com essas configurações em parceria com os distribuidores”, afirma a gerente-executiva da marca.

Com limitações no fornecimento de gás, modelos a diesel seguem com mais viáveis e com melhor custo/benefício.GERAFORTE


Na Atlas Copco, o portfólio inclui geradores e sistemas de armazenamento cujos controladores permitem a integração com diferentes fontes de geração de energia, como redes de concessionárias e soluções de energia eólica e solar. “Esses sistemas permitem utilizar baterias que armazenam a energia gerada nessas plantas, otimizando o uso, reduzindo emissões, diminuindo custos operacionais e garantindo autonomia”, acrescenta Castro. “E os geradores podem alimentar mais de uma planta simultaneamente.”

Por sua vez, os geradores da MWM oferecem três tipos distintos de operação: stand-by (para uso em emergências, quando ocorre interrupção no fornecimento da rede), prime (para uso em horário de pico) e COP – Contínuo, (que opera com 100% de carga durante todo o período de demanda de energia). “Em todos os casos, precisamos ter máquinas eficientes”, sublinha Graça.

Na Geraforte, Araujo observa que os brasileiros estão mais atentos à possibilidade de uso de geradores, até em virtude das mudanças climáticas e dos fenômenos naturais que comprometem o fornecimento de energia. De acordo com o profissional, até pouco tempo atrás esses equipamentos estavam presentes basicamente em hospitais, indústrias e outros locais onde é inviável não dispor de energia elétrica. “Agora, esse uso vem se expandindo também em condomínios, edifícios e no comércio”, descreve.

Os geradores da marca, diz ele, utilizam apenas componentes nacionais ou nacionalizados, que além de contarem com suporte local também atendem à legislação ambiental brasileira e outras normas ainda mais rigorosas, como a de motores para uso industrial de fabricantes como Volvo, Scania e Perkins.

Outro aspecto relevante destacado pelo especialista é que o diesel disponível no mercado nacional apresenta diversos problemas de uso, como a oxidação precoce, o que gera incrustações no sistema de alimentação dos motores, derivadas da presença de microrganismos. “Isso exige suporte local”, alerta.

No caso de um gerador que funciona ininterruptamente – como ocorre em canteiros de obras, por exemplo – esse problema deixa de existir, pois todo o diesel que entra é logo utilizado. “Mas um gerador utilizado apenas em emergências pode ficar um bom tempo sem ser acionado, apresentando problemas quando for necessário utilizá-lo”, ressalta. “Nesse caso, podem surgir problemas se não houver assistência técnica disponível”, finaliza.


Aos poucos, uso de torres fotovoltaicas avança no país

Embora com menor potência e alcance, as torres fotovoltaicas oferecem redução de custos e ganhas de sustentabilidade.ATLAS COPCO.

Com vantagens no campo da sustentabilidade e demandando menos manutenção, as torres de iluminação fotovoltaicas gradualmente vêm ganhando espaço no mercado brasileiro, revela Leonardo Castro, da Atlas Copco, que produz torres a diesel e um modelo híbrido, que combina motor a diesel com bateria. “A demanda dessas torres deve crescer, principalmente modelos com baterias de lítio que, além de uma vida útil muito maior, também requerem muito menos manutenção, relativamente às similares de chumbo-ácido”, avalia.

Exceto em alguns casos isolados – como em túneis rodoviários, onde não há iluminação natural –, praticamente todas as aplicações permitem a utilização de torre fotovoltaica. “Essa solução otimiza o consumo do diesel e reduz simultaneamente as emissões de CO2, pois o motor a diesel é acionado apenas quando a demanda exige, e sempre no ponto ótimo”, conta o especialista.

Atualmente, as torres fotovoltaicas já atingiram uma autonomia operacional bem mais satisfatória, ressalta Castro, citando o modelo Highlight MS 4 da marca, capaz de iluminar áreas de até 4 mil m2 com uma média de 20 lux ou 6 mil m2 com no mínimo 1 lux. Com potência máxima, a solução pode operar por 11 h ininterruptas. “Mas o uso de uma função denominada dimming pode estender essa operação para até 44 h, com redução da intensidade luminosa”, explica.

Para Durval Graça, da MWM, as torres fotovoltaicas geram vantagens não apenas no campo da sustentabilidade e na redução dos custos de manutenção, como também em quesitos como facilidade de operação, eliminação da necessidade de abastecimento e acionamento automático por sensor. “Em contrapartida, apresentam menor potência e área de iluminação, além de terem uso restrito em ambientes fechados”, pondera o especialista.

A torre fotovoltaica da MWM entrega potência de 300 W e capacidade de iluminação para áreas de até 3.600 m², com autonomia de até 40 h. “Como comparativo, nossa torre a diesel oferece cobertura de até 5.000 m² e potência de 1.400 W, com baixos nível de ruído e consumo de combustível”, acentua. “Mas já há evoluções nesse sentido, pois nossa torre fotovoltaica nasceu para áreas de 3 mil m² e já subiu para 3,6 mil m², com o uso de controlador e placas mais eficientes.”

Em 2025, ele relata, houve uma “pequena retração” no mercado brasileiro de torres de iluminação. Mas há boas oportunidades de negócios e crescimento em 2026, especialmente com clientes que ainda não atualizaram seus pátios. “Para eventos, por exemplo, a demanda maior já é por torres fotovoltaicas, enquanto nos canteiros de construção ainda prevalece a preferência por modelos a diesel”, informa.


Fabricantes se mostram confiantes para o ano

Expansão das atividades produtivas e critérios ESG devem suportar o avanço do segmento em 2026.GERAFORTE

Neste ano, a Cummins projeta crescimento de 15% nos negócios com geradores para os segmentos agro e industrial, subindo para cerca de 30% na locação. No ano passado, a empresa registrou um crescimento expressivo de 20% nas vendas desses equipamentos, sustentado por fatores como expansão de data centers, fortalecimento das atividades do agronegócio e da indústria e o apelo crescente de critérios ESG, que favorecem soluções mais eficientes. “Trabalhamos desenvolvendo linhas adequadas às necessidades dos diferentes clientes, temos já linhas específicas para segmentos como data centers e locação, entre outros”, pontua a gerente-executiva da marca, Cora Reis.

A Atlas Copco também nutre “perspectivas positivas” para o mercado de geradores. “O ano passado já foi muito bom para nós, uma vez que mais que dobramos as vendas, especialmente em projetos maiores para o segmento da locação, que constitui o nosso principal mercado juntamente com a construção e o saneamento”, detalha o gerente Leonardo Castro.

Na mesma toada, a Geraforte espera registrar um “crescimento interessante” no decorrer deste ano. Algo, aliás, que já ocorreu em 2025, quando a empresa elevou seus negócios em segmentos como mineração, setor público e comércio, entre outros. “Agora, queremos avançar também no setor de energia solar, que precisa de geradores para equalizar a liberação da energia”, projeta o diretor industrial Marcio Martins Araujo. “A tensão da energia solar precisa ser equalizada, pois flutua muito, algo que pode ser feito através da rede pública ou com o uso de geradores.”

A MWM também trabalha com uma perspectiva de “crescimento orgânico” do mercado de geradores em 2026. “Esse mercado está vinculado ao aumento de demanda por energia elétrica, por sua vez vinculada ao PIB”, justifica o gerente Durval Graça, destacando que no ano passado os resultados foram impulsionados pelo aumento do consumo e pela maior demanda por equipamentos de emergência.

Saiba mais:

Atlas Copco: www.atlascopco.com/pt-br

Cummins Power Generation: www.cummins.com/pt/generators

Geraforte: https://geraforte.com

MWM/Tupy: https://mwm.com.br/pt

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