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31 de março de 2017
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Locação / Revisão de valores

Precursora no negócio de plataformas aéreas no país, a Mills tem seu ponto forte neste segmento específico, no qual tem cavado oportunidades. Em termos de aplicações, a diversificação tornou-se uma verdadeira tábua de salvação para suportar as perdas na construção. Assim, uma das estratégias da empresa para sobreviver à crise é buscar negócios nos chamados segmentos extra-construção, ou seja, tudo aquilo que não contempla um canteiro de obras. “Existe uma variedade enorme de operações atendida pelas plataformas aéreas, que antes não explorávamos à fundo”, comenta Kariya, destacando que a Mills tem colocado equipamentos até em plantações de coco. “Com a crise do setor de construção pesada, queremos aumentar a participação destas atividades que, embora menos rentáveis, atualmente representam cerca de 40% dos nossos negócios em locação.”

Nestes tempos de crise, a questão da renovação dos equipamentos é uma preocupação a mais, em parte dirimida por esses novos filões. A redução é uma consequência natural da ociosidade; contudo, mais do que isso, também resulta da dificuldade de manutenção de tantos equipamentos. Por esta razão a Mills adotou o conceito de defleet, que implica na venda de maquinário para o mercado internacional, visando a manter o equilíbrio da estrutura frente à demanda. “Sempre usamos este canal internacional de comércio como ferramenta para manter nossa frota atualizada”, sublinha o CEO. “Mas com a crise no mercado brasileiro e a enorme sobreoferta disponível, estamos adotando este recurso como meio de desafogar o excedente de frota que temos, mantendo uma média de idade baixa e adequando nossa frota ao tamanho atual do mercado.”

A cada negociação, a Mills adota o método mais atrativo, de acordo com o mercado. “Seja em regime Ex Works, FOB ou qualquer outro, isso depende da oportunidade”, afirma. “Atemo-nos a vender com margem positiva, o que é imprescindível, especialmente na atual conjuntura econômica.”

A depreciação do real frente ao dólar é outro fator que tem dado uma forcinha para equilibrar a balança. Perde-se por um lado, no valor do equipamento, em razão da grande oferta, mas se ganha por outro, na competitividade, por conta da moeda. O mais importante, de acordo com Kariya, é não descuidar da manutenção – “pois é preferível abrir mão de volume para não perder qualidade”, instrui.

FINANCIAMENTO

Outro aspecto técnico levantado por Daniel, da Sobratema, pode trazer algum alento para o segmento. Trata-se de atrelar as taxas de juros dos contratos de financiamento dos equipamentos à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), ao invés da Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), como vinha sendo usual no setor nos últimos anos. “Acontece que, com a crise, muitas empresas ficaram endividadas e deixaram de honrar seus compromissos, como os financiamentos de máquinas. Por conta disso, muitas empresas tiveram bens tomados, pois perderam o prazo de renegociação da dívida e acabaram sendo acionadas”, explica. “Em razão disso, estamos pleiteando junto ao governo que as novas taxas sejam fixadas na TJLP, que está em 7,5% ao ano, enquanto a Selic, na qual se baseiam os financiamentos do BNDES atualmente, está em 13% ao ano, fora a taxa administrativa que, dependendo da instituição financeira, pode elevar o valor a 22%.”