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31 de março de 2017
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Locação

Revisão de valores

Efeitos acumulados por dois anos de economia instável dificultam a sobrevivência de empresas no setor de locação de equipamentos, mas algumas ensinam como isso é possível
Por Camila Waddington

Ao contrário do que muitos podem imaginar, o final de 2016 não foi o momento mais agudo da crise, “mas uma consequência dos últimos dois anos. É neste primeiro semestre de 2017 que as coisas realmente vão se agravar”. Alarmante, a análise – ou sentença – é de Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema e secretário-geral da Analoc (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas).

Para o executivo, que também é diretor da locadora Escad, a progressão acelerada em direção ao atual estado de dificuldades vem desde, pelo menos, meados de 2014, quando os primeiros sinais de desaceleração do setor de construção – principalmente pesada – começaram a surgir no horizonte econômico. “Entramos em uma linha muito mais financeira do que operacional”, diz Daniel. “Estamos à margem da sobrevivência, mantendo apenas o que é essencial ao funcionamento das empresas.”

De acordo com ele, os últimos dois anos foram marcados por ajustes forçados. “Nossa rotatividade e taxa de ocupação de frota já haviam caído em 2015, e continuaram caindo em 2016. Vínhamos trabalhando com uma média próxima a 50%, com viés negativo, e no ano passado esse número baixou para algo entre 30% e 35%”, detalha. “Isso representa uma enorme taxa de ociosidade das frotas, algo como 65% a 70%.”

Em tal contexto, a redução do quadro de funcionários e da quantidade de filiais foram ajustes necessários ao longo do período. Ajustes que, no caso da Escad, foram os mais severos ao longo dos seus 40 anos de existência. Ainda assim, Daniel mantém uma positividade inabalável. “Temos de conter essa sangria, parar de desconstruir valor. E, embora muitas empresas tenham saído do negócio, acredito que as mais saudáveis, bem administradas, venham se mantendo”, diz. “De fato, este mercado está mostrando uma enorme capacidade de resistência. Se a taxa de juros cair, e pelo menos uma parte dos projetos do governo for retomada, teremos uma resposta muito positiva e rápida no nosso setor. Estamos ansiosos por isso.”

DIVERSIFICAÇÃO

De forma semelhante caminham os negócios na Mills, uma das principais locadoras do país. Segundo Sérgio Kariya, CEO da companhia, os números atuais são muito semelhantes aos de Daniel: “Nossa taxa de utilização em 2014 girava em torno de 73%”, revela. “Hoje, não passa dos 50%, ou metade da frota em ação”.