"O espírito do negócio" — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 200Abril 2016 Matéria 18 de 20
Sumário
  1. EditorialCompromisso e credibilidade nas páginas de M&T
  2. EspecialO salto do século
  3. EspecialLeitura indispensável
  4. ImplementosVersatilidade para equipamentos pesados
  5. Tecnologias Para ConcretoUma solução para cada necessidade
  6. MercadoDesafio global
  7. TreinamentoInterface avançada
  8. LançamentoCaterpillar nacionaliza retroescavadeiras
  9. PavimentaçãoHora de remodelar o negócio
  10. PavimentaçãoA evolução de um conceito
  11. ComponentesTração agrícola
  12. SegurançaA importância das NR’s na locação
  13. LançamentoDebulha aprimorada
  14. Momento Constructionexpo 2016Soluções urbanas em foco
  15. Comércio ExteriorA classificação fiscal de mercadorias
  16. A Era Das MáquinasScrapers ganham a cena
  17. ManutençãoDisponibilidade e equilíbrio na gestão da frota
  18. Entrevista"O espírito do negócio"
  19. Compactos & FerramentasEnergia sob demanda
  20. Coluna YoshioA lição que vem das ruas
  21. Painel16 notas e colunas
Entrevista

"O espírito do negócio"

Exclusivo M&T 19 de abril de 2016 · Edição 200

Formado em administração e pós-graduado em gestão empresarial pela Faculdade de Administração Três de Maio/UFRGS (RS), o atual diretor de operações de peças de reposição para a América do Sul, Ilson Eckert, está na John Deere desde 2006.

Neste período, o executivo já atuou em diversas gerências da companhia, como vendas, marketing e suporte ao produto para 18 países da América do Sul e Caribe (2006/2007), planejamento e execução da estratégia em AMS (Divisão de Agricultura de Precisão) para a América do Sul (2008/2012) e planejamento para a divisão agrícola e turf para a América Latina (2012).

Em 2013, Eckert assumiu a atual diretoria, posição na qual lidera um setor que vem crescendo em importância no segmento de máquinas e equipamentos no mundo todo. No agronegócio, por exemplo, as janelas cada vez mais curtas entre o fim da colheita de uma safra e o início do plantio de outra passaram a exigir maior agilidade das empresas.

Assim como na construção, em que as horas paradas representam prejuízo certo para as construtoras. “Precisamos focar muito no pós-venda, a fim de contribuir para que as máquinas estejam disponíveis para o trabalho rapidamente”, diz Eckert. Acompanhe.

Porque a John Deere expandiu seu centro de distribuição?

Para resolver a situação atual, mais o crescimento futuro, tínhamos de expandir, não tínhamos alternativa. A nossa divisão agrícola é antiga. Mas, nesse meio tempo, veio a linha Construction, que já importava produtos desde 2013 e, em fevereiro do ano passado, abriu duas fábricas no país. E claro que, junto aos produtos, vieram as peças. Então, estamos indo junto com a divisão de construção. Além disso, trouxemos a linha florestal de Barueri (SP). Por isso, a primeira decisão foi expandir aqui. Poderíamos ter feito outro armazém em qualquer outro lugar, mas nosso conceito foi o seguinte: centralizar a distribuição com boa logística, porque as distâncias no Brasil são continentais. Então, foi muito mais uma centralização. Tem de estar bem sintonizado com isso.

E que vantagens isso traz?

Simplifica as conversas. O cliente fala com o concessionário, que fala conosco... E deve haver uns 300 fornecedores da John Deere no Brasil. Imagine isso sem centralização, quantos problemas de gestão acontecem! Centralização da capacidade, aliada com logística, é um diferencial.

Qual foi a estratégia em relação à logística?

Temos um índice para peças importadas e locais. Ou seja, recebemos muitas peças de fornecedores. Nesse sentido, a questão internacional tem aspectos que fogem do controle, com exigências adicionais. Por isso, é preciso planejamento. No aspecto doméstico, recebemos caminhões diariamente, que passam pela base de fornecedores e trazem as peças para cá. Assim como todo dia recebemos contêineres importados, que vêm de Santos para cá, e todo dia chegam despachos aéreos de Guarulhos ou Viracopos, que também vêm para cá. Então, tem de tudo, todos os dias.

Qual é o maior desafio do setor de peças?

Eu diria que nosso maior desafio é o tempo de resposta quando não temos a peça. Ninguém no mundo tem 100% das peças. [É inviável] Ter em estoque as 4 mil peças de um trator, por exemplo, sendo que só 5% exigem manutenção. Aqui, atendemos mais pedidos de máquina parada, com todo mundo correndo atrás da peça. Se a concessionária não tem a peça, nós pedimos para a fábrica ou para o fornecedor. Fazemos a regressão. Então, esse é o desafio, achar a peça o mais rápido possível, para que a máquina fique menos tempo parada no campo.

Como a infraestrutura afeta o negócio?

Desde fevereiro de 2015, temos um voo dos EUA que desce em Viracopos. Nosso main hub é em Maryland, nos EUA. Antes, o tempo médio de importação era de 15 dias, mas hoje é de quatro a cinco dias. Então, na parte de importação, está bem. Na parte doméstica, de Horizontina – onde não há aeroporto – até aqui leva um ou dois dias de viagem, por exemplo. Estamos num processo de melhoria nesse sentido, mas um país continental com falta de infraestrutura é algo que prejudica. O aéreo começou a ter maior cobertura regional, mas ainda é caro. O rodoviário depende das condições, pois temos uma malha até boa, mas leva tempo. Porém, abandonamos as ferrovias, que é um modal economicamente mais competitivo.

Como o CD está distribuído em relação às linhas de produção?

Nos últimos anos, crescemos muito em portfólio e rede de concessionários. Temos muito mais produtos e o segmento agrícola representa grande parte desse volume, diria que 2/3. O setor de construção é recente, sendo que a Linha Amarela é uma criança na operação brasileira. Mas o bom é que estamos indo junto, desde o zero. Todo o sofrimento que a divisão agrícola teve antes, com armazéns em Horizontina e Catalão, eles não têm. Ou seja, todo o aprendizado da divisão agrícola vai para a construção. E no florestal, nós incorporamos o negócio aqui. Até 2020, agricultura continuará a ser a grande parte, pois o parque tem quase 100 mil máquinas. Na Linha Amarela, são 30 mil. Então, há uma diferença nítida de mercado.

Como é a sinergia entre os diferentes segmentos?

O pessoal de agrícola também está aprendendo com a construção. A linha para cana – que é mais desgastante – é muito parecida com a construção, pois as máquinas colhem oito meses ao ano, 24 horas por dia. Na linha de cana você não faz apenas manutenção anual, mas praticamente refaz a máquina. Porque passa açúcar ali dentro. Mas não pode parar. E a construção faz estrada, os subcontratados têm hora para cumprir e também não podem parar. Éramos muito mais reativos, e a construção é mais proativa. E incorporamos isso como estratégia, com o pós-venda como diferencial. Se fizer o preventivo, é possível planejar. Em relação aos reativos, não sei nada sobre os pedidos que podem cair hoje. Por isso, todo dia exige um planejamento de produção.

Como o pós-venda pode ser um diferencial?

Os produtos são muito parecidos atualmente. De modo que tecnologia e disponibilidade de peças são os caminhos para chegar ao usuário. E como é que se faz isso? Montar fábrica e produzir máquina exige apenas dinheiro. Para ir além, é preciso treinar, educar. Mostrar como ele pode absorver, aplicar no produto e se beneficiar disso. Além de ter uma rede sólida de atendimento. Essa é a diferenciação possível no mercado atual.

Como a empresa absorveu a retração do mercado?

Não tivemos queda na venda de peças. Na de produtos, sim. Uns 30% no agrícola, em relação a 2014. Em construção, uns 60%. Mas, sob o ponto de vista do pós-venda, isso é uma oportunidade e uma responsabilidade. Se duas máquinas quebrarem no campo, a nossa tem de votar a funcionar antes. Esse é o espírito do negócio.

Então vale a penas investir em serviços?

Pós-venda dá dinheiro se for bem administrada. Um estoque de 110 mil códigos representa uma montanha de dinheiro aqui dentro. Mas vai depender de fluxos e logística para fazer dinheiro.

 

 

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