Tração agrícola — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 200Abril 2016 Matéria 11 de 20
Sumário
  1. EditorialCompromisso e credibilidade nas páginas de M&T
  2. EspecialO salto do século
  3. EspecialLeitura indispensável
  4. ImplementosVersatilidade para equipamentos pesados
  5. Tecnologias Para ConcretoUma solução para cada necessidade
  6. MercadoDesafio global
  7. TreinamentoInterface avançada
  8. LançamentoCaterpillar nacionaliza retroescavadeiras
  9. PavimentaçãoHora de remodelar o negócio
  10. PavimentaçãoA evolução de um conceito
  11. ComponentesTração agrícola
  12. SegurançaA importância das NR’s na locação
  13. LançamentoDebulha aprimorada
  14. Momento Constructionexpo 2016Soluções urbanas em foco
  15. Comércio ExteriorA classificação fiscal de mercadorias
  16. A Era Das MáquinasScrapers ganham a cena
  17. ManutençãoDisponibilidade e equilíbrio na gestão da frota
  18. Entrevista"O espírito do negócio"
  19. Compactos & FerramentasEnergia sob demanda
  20. Coluna YoshioA lição que vem das ruas
  21. Painel16 notas e colunas
Componentes

Tração agrícola

Novos ou reformados, pneus fora de estrada são determinantes para a produtividade no campo e o bom desempenho de máquinas e equipamentos com aplicações agrícolas

Exclusivo M&T 18 de abril de 2016 · Edição 200

Em 2015, o agronegócio brasileiro participou da economia nacional com 23% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com informação divulgada em dezembro pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No ano anterior, essa participação foi de 21,4%, mostrando a pujança de um dos poucos setores que têm passado incólumes ao turbilhão da crise. Mais que isso, o índice também deixa clara a importância do setor para o país e o impacto crescente do seu desempenho dentro do cenário econômico nacional.

Sem dúvida, são muitos os fatores que contribuem para isso, a começar pela aposta em uma agricultura baseada na ciência. Entretanto, há um aspecto mais específico do maquinário que – apesar de passar quase despercebido ao leigo – também influi diretamente no dia a dia do campo e até mesmo na produtividade do setor. São os pneus off-the-road (OTR) para aplicações agrícolas.

De fato, os tipos de pneus empregados nas máquinas e equipamentos agrícolas são determinantes para seu bom desempenho na lavoura. Afinal, cada modalidade de cultivo exige um tipo de equipamento e, consequentemente, também determina o modelo de componente a ser empregado. É o que garante o gerente de marketing para pneus agrícolas da Pirelli, Alexandre Stucchi. Segundo ele, o tipo de pneu “influi diretamente na compactação do solo”, o que explica seu impacto na produtividade do trator. “É o caso da linha radial agrícola PHP, que foi projetada para proporcionar menor compressão sobre o solo”, diz ele, referindo-se à gama destinada para uso em tratores de alta potência, colheitadeiras e pulverizadores. “Mas essa linha também proporciona maior economia de combustível e tração, impactando na produtividade do implemento.”

CARACTERÍSTICAS

O gerente da Pirelli informa que, até por isso, a empresa produz uma ampla gama de pneus para o segmento. Nesse rol, ele cita ainda a linha radial de alta flutuação HF85, projetada para transbordos de cana de açúcar e lançada há cerca de dois anos no país. “Essa linha é composta por pneus para uso em eixos de tração e livres de implementos agrícolas”, acresce o especialista.

Mas, além da baixa compactação do solo, há outros fatores importantes. Voltando à linha radial agrícola, Stucchi destaca que a gama PHP foi projetada para oferecer ganho no rendimento horário, gerando economia para o produtor, além de diminuir a agressão ao meio ambiente. Para tanto, o pneumático oferece características como capacidade aperfeiçoada de tração, redução de emissão de CO², economia de combustível e melhor dirigibilidade. O produto apresenta ainda uma banda de rodagem projetada para expulsar a terra acumulada, o que propicia maior tração. “Além de novos compostos, a camada de borracha mais larga entre a banda de rodagem e carcaça aumenta a resistência a cortes e lacerações durante o plantio e a colheita”, detalha o gerente.

Já a linha radial de alta flutuação HF85, por sua vez, oferece “baixo nível de ruído e garante alto índice de carga em velocidades superiores, chegando a proporcionar grande eficiência até 65 km/h”. “A estrutura do pneu é composta por um conjunto de cinturas metálicas, proporcionando maior proteção da carcaça”, diz o representante da Pirelli. “Por outro lado, traz uma banda de rodagem mais plana, com melhor distribuição de peso e, consequentemente, menor compactação do solo.”

REFORMA

Se o mercado oferece opções específicas para produtos novos, há ainda uma alternativa viável para os produtores agrícolas que buscam minimizar seus custos. Trata-se da utilização de pneus reformados, modalidade que encontra uma acolhida cada vez maior no mercado brasileiro. Afinal, o pneu chega a ser o segundo ou terceiro maior custo na frota dos produtores rurais. Sem falar que o preço de um pneu reformado gira em torno de 40 a 60% de um novo.

Atualmente, segundo a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), o país já é o segundo mercado mundial no segmento, atrás apenas dos EUA. Em território nacional, aproximadamente 1.300 empresas executam o serviço, que reconhecidamente atingiu nível técnico de padrão internacional. A Vipal Borrachas, por exemplo, é uma das empresas de maior destaque neste segmento e conta com uma estrutura nacional inteiramente voltada ao segmento agrícola e fora de estrada.

Segundo Marcelo Hostins, especialista em reforma de pneus OTR da rede, há alguns anos a empresa traçou um plano de ação específico para o mercado agrícola brasileiro. “Por meio do Projeto Agribusiness, conseguimos dispor de uma equipe técnica especializada, que se vale do mix de produtos da marca para o segmento”, conta.

A estratégia, diz Hostins, também inclui uma maior aproximação do consumidor por meio dos próprios reformadores. “Por meio de apoio técnico, passamos orientações sobre a melhor utilização dos componentes, realizamos treinamentos, avaliação de desempenho, palestras, entre outras ações, sempre de forma a esclarecer dúvidas e divulgar os benefícios da reforma”, pontua. “Assim, proporcionamos ao cliente final os níveis máximos de desempenho de cada produto.”

Para o reuso de pneus, é realizado um exame criterioso nos ombros, flancos, banda de rodagem e talões. Nessa análise, verifica-se existência de possíveis deslocamentos na estrutura original e de contaminações, seja por produtos químicos, derivados do petróleo, água etc. Essas contaminações podem provocar deterioração e oxidação, entre outros danos. “Dependendo do nível de comprometimento do pneu, ele pode não estar apto para a reforma e, desta forma, deve ser descartado”, salienta Hostins, acrescentando que, em média, podem ser feitas de duas a três reformas, dependendo da atividade em que o componente é empregado.

A reforma é compatível para todos os tipos de máquinas agrícolas existentes no mercado, de pulverizadores a tratores, de implementos a colhedoras. “Consideramos a reforma de pneus altamente viável”, avalia o especialista. “É uma atividade sustentável, pois faz com que o pneu possa ser utilizado várias vezes, deixando de ser descartado antes da hora.”

Firestone investe em lançamentos PARA O SETOR

Por meio de sua marca Firestone, a Bridgestone detém uma parcela significativa do mercado nacional de pneus agrícolas. De acordo com Marco Aoki, diretor comercial da Bridgestone Bandag, a marca aposta forte em pesquisa e desenvolvimento para oferecer elevada capacidade de carga e desempenho, trazendo ao usuário a melhor opção de custo vs. benefício. “É a única marca no mundo, por exemplo, que oferece ângulo das barras de 23 graus, proporcionando maior tração do pneu, menor compactação do solo e maior produtividade”, diz ele, complementando que em 2015 a empresa lançou novas medidas para o setor agrícola, ampliando sua área de atendimento. Um dos destaques é o modelo Super All Traction 23°, na medida 28L26 e classificação R-1. “O produto foi desenvolvido com barras regulares para uso em terrenos secos e serviços gerais, sendo indicado para tratores, colheitadeiras e outros equipamentos”, explica o especialista. “Também inserido recentemente no mercado, o modelo de barra alta Champion Spade Grip II (classificação R-2) é indicado para terrenos alagados e inconsistentes.”

Radialização é tendência também no campo

De acordo com Marcelo Hostins, especialista em reforma de pneus OTR da Vipal Borrachas, atualmente há uma forte tendência de radialização dos pneus, ou seja, a adoção em alguns setores e regiões do agronegócio de uma nova construção dos pneus, visando a estender sua vida útil. A evolução da tecnologia permite que os fios da carcaça sejam dispostos perpendicularmente ao plano de rodagem, sem sobreposições.

Essa mudança, diz Hostins, vem impactando o mercado de reforma, ao lado de outros fatores conjunturais. “Frente à crise político-econômica, o mercado de reformas se encontra estável também devido à alta do dólar, à redução do número de equipamentos novos negociados e à desaceleração das atividades nos canteiros das grandes obras pelo país”, complementa.

 

 

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