Cuidados com revestimentos de britadores cônicos — Revista M&T
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M&T nº 174Novembro 2013 Matéria 19 de 22
Sumário
  1. EditorialAvanço nas concessões requer regras estáveis
  2. Pás CarregadeirasMercado acirra concorrência com tecnologias diferenciadas
  3. CaminhõesA nova geração dos sistemas de direção
  4. ProdutoVolvo amplia oferta de pesados
  5. TecnologiaComboios semiautônomos
  6. FenatranDemanda alta estimula lançamentos
  7. ImplementosSetor de implementos rodoviários deve crescer 20% em 2013
  8. CombustíveisAditivos reduzem custo operacional do diesel
  9. FabricanteHaulotte segue apostando no Brasil
  10. Linha De ProduçãoComo nasce um equipamento
  11. Mobilidade UrbanaMetrofor recebe tuneladoras
  12. Mobilidade UrbanaObras demandam 150 equipamentos pesados na Bandeirantes
  13. EmpresaLBX vende a 50ª escavadeira no país
  14. LançamentoCowdin apresenta escavadeira customizada
  15. PórticosEquipamentos imprimem ritmo industrial às obras do Rodoanel Leste
  16. EmpresaRumo à excelência
  17. Momento M&T Peças E ServiçosGoverno prepara concessão do Galeão e Confins
  18. A Era Das MáquinasAs soluções criativas que vieram do frio
  19. ManutençãoCuidados com revestimentos de britadores cônicos
  20. Entrevista"Nada substitui a ida a campo"
  21. Compactos & FerramentasUma ferramenta versátil e de precisão
  22. Coluna YoshioUm voto de confiança no país
  23. Painel16 notas e colunas
Manutenção

Cuidados com revestimentos de britadores cônicos

Saiba como monitorar e substituir corretamente os elementos de desgaste de britadores utilizados no processo de redução granulométrica de rochas

Exclusivo M&T 18 de novembro de 2013 · Edição 174

Nos processos de britagem, os britadores cônicos são utilizados principalmente nas fases secundária e terciária. Estes equipamentos têm como característica básica a oferta de materiais com melhor cubicidade em relação aos modelos de mandíbulas, propiciando maior qualidade aos processos de redução granulométrica de rochas. A sua qualidade operacional, no entanto, depende de uma série de especificações e cuidados, inclusive com os revestimentos, como destacado nesta edição de M&T.

Esses elementos de desgaste variam de acordo com o fabricante, mas basicamente são divididos em dois grupos. O primeiro inclui os revestimentos para proteção dos componentes da câmara de britagem, que geralmente são constituídos por aço com alto grau de manganês e apresentam características de resistência a impactos e abrasão. Já o segundo grupo inclui os revestimentos da parte inferior do britador, responsáveis pela proteção contra o desgaste e, para tanto, constituídos por liga de aço mais resistente à abrasão.

SACRIFÍCIO

De forma geral, esses revestimentos são aplicados nas estruturas em que a pedra será britada. Ou seja, na câmara de britagem, que envolve partes como braços e laterais. Os revestimentos também são aplicados no bojo e no contrapeso, sempre com o intuito de atuar como materiais de sacrifício, sendo desgastados de modo controlado para proteger a estrutura do britador.

Assim, o desgaste indevido desses componentes ocorre quando há assimetria entre as partes inferior e superior, ou vice-versa. Quando o desgaste acentuado está na parte superior, a causa está relacionada com o material de alimentação, que pode estar acima do limite estabelecido para aquele britador. Já o desgaste na parte inferior costuma estar relacionado com a alimentação de material abaixo da adequada para o conjunto. A presença de material fino além do especificado para o britador também consome inadequadamente os revestimentos. Mas, para todos esses casos, a recomendação é uma só: manter a alimentação de material nos tamanhos e limites especificados pelo fabricante do britador cônico.

Ainda no que tange à produção, é necessário observar periodicamente se a alimentação está sendo feita do modo adequado, pois a incidência de materiais finos é um item preocupante não só para a vida útil dos materiais de desgaste, como também para o britador como um todo. Afinal, o britador irá exercer uma força proporcional para obter determinado tamanho de pedra e, ao não constatar que a cominuição está sendo feita, gerará mais força de ação. Isso pode causar um efeito chamado “compactação”, que ocorre quando a força de britagem sobe drasticamente e, eventualmente, redunda em vários problemas para o equipamento, entre os quais a subida da corrente do motor.

PRESSÃO

Ao regular a abertura da boca de cominuição, leva-se em conta também a pressão de britagem, que é modificada conforme a câmara de britagem abre e fecha. Nesse caso, quanto mais fechada estiver a câmara, maior será a pressão de contato do revestimento com as pedras. Com essa maleabilidade, é importante que os operadores percebam que o limite do fechamento ocorre quando o motor atinge a amperagem nominal ou começa a bater anel devido ao alívio automático dos cilindros hidráulicos.

Normalmente, o fabricante da máquina especifica os limites de abertura da boca do britador conforme a demanda apresentada pelo cliente. Nesse caso, porém, mesmo quando a operação ocorre conforme o especificado, o revestimento desgasta-se naturalmente e, por isso, exige acompanhamento periódico dessa progressão. Portanto, ao se perceber qualquer desgaste na parte de baixo do revestimento, é necessário rosquear o bojo para baixo de forma a manter o ajuste na posição fechada (APF). Quando isso é feito, a entrada da boca do britador se fecha proporcionalmente, diminuindo simultaneamente o limite máximo da pedra de alimentação.

Vale ressaltar que no caso de britadores cônicos que trabalham na fase secundária de britagem – na qual o limite de abertura da boca é ainda mais importante, o operador da máquina deve dobrar a atenção com as quedas de produção. Afinal, trata-se de um indicativo de que está na hora de avaliar a manutenção para uma eventual troca do revestimento.

SUBSTITUIÇÃO

Os materiais de desgaste da manta da cabeça do britador devem ser substituídos seguindo o procedimento básico de corte do anel e remoção do parafuso de trava. Em seguida, remove-se a manta desgastada. Porém, antes de instalar a nova manta, é necessário aplicar graxa na cabeça do britador, especificamente na região de contato com o material epóxi de amortecimento. A região inferior da cabeça, onde ocorre o atrito com a manta, deve estar limpa e isenta de óleo.

Após centralizar a manta e o anel de corte sobre a cabeça, é instalado o parafuso de trava. Quando o limite do torque é atingido, deve-se aquecer a parte inferior da manta com um chuveirão até o máximo de 55°C para, posteriormente, girar o parafuso mais 25 mm. Por último, despeja-se o material epóxi.

Já a substituição do revestimento do bojo tem outra dinâmica. Primeiro, as cunhas são soltas e o revestimento desgastado é removido. Antes de instalar o revestimento novo, deve-se aplicar graxa no bojo, novamente apenas na região de contato com o material epóxi de amortecimento. Assim como a cabeça, a região inferior deve estar limpa.

O passo seguinte é centralizar o revestimento no bojo, garantindo que as cunhas fiquem na parte mais alta da hélice fundida nos revestimentos, para apertar as cunhas alternadamente no sentido diametral. Isso garante que se mantenha a centralização. Por fim, é preciso verificar se a cunha não está encostando no fundo do bojo. Se estiver, é preciso utilizar mais calços. O processo é finalizado com o despejo do material epóxi.

Em todas as trocas de revestimentos, no entanto, há uma sequência lógica a seguir, que começa com a retirada da parte fixa com o revestimento. Em seguida, retira-se a parte móvel com o revestimento. Depois, conforme as instruções de manual, faz-se a troca propriamente dita dos revestimentos, seguida da remontagem do equipamento.

CONTAMINANTES

Os britadores atuais contam com diversas tecnologias para proteger o sistema interno da máquina de contaminações e, ainda, diminuir a emissão de poluentes na atmosfera.

Para alguns modelos de equipamentos, disponibiliza-se um chute de descarga opcional a ser acoplado embaixo do chassi da máquina. Esse componente enclausura a saída de material, reduzindo o lançamento de pó para a atmosfera. Outro tipo comum de proteção contra a emissão de poeira é a pulverização de água no material de entrada. Essa é a técnica mais usual em britadores cônicos, mas a cada dia despontam no mercado novas tecnologias com essa mesma finalidade.

No controle de contaminação interna do britador, o item de maior atenção é a vedação dos labirintos. Já há no mercado alguns labirintos de poliuretano, que permitem melhor mobilidade entre os itens girantes do britador, impedindo por meio de centrifugação a contaminação da câmara de óleo.

Quatro dicas de procedimentos:

1 - Lubrifique a rosca do anel de ajuste do bojo semanalmente. As roscas devem ser lubrificadas com o bojo travado e também destravado;
2 - Ao substituir o anel de corte da manta da cabeça do britador, tenha cuidado para não danificar o parafuso de trava ou a própria cabeça. O maçarico deve ser mantido em ângulo, para minimizar o risco de danos às roscas diretamente atrás do anel de corte;
3 - Verifique a profundidade da ranhura do revestimento do soquete semanalmente, comparando com o limite estipulado pelo fabricante para saber quando trocar esse revestimento;
4 - Para queimar a bucha do excêntrico nos britadores cônicos, é necessária uma grande quantidade de calor. Por isso, sempre que ocorre a queima, existe a possibilidade que o excesso de calor danifique o furo principal da estrutura. Por isso, antes que uma bucha nova seja instalada, examine as características para garantir a precisão dimensional e verifique se há trincas no sistema.

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