Um voto de confiança no país — Revista M&T
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M&T nº 174Novembro 2013 Matéria 22 de 22
Sumário
  1. EditorialAvanço nas concessões requer regras estáveis
  2. Pás CarregadeirasMercado acirra concorrência com tecnologias diferenciadas
  3. CaminhõesA nova geração dos sistemas de direção
  4. ProdutoVolvo amplia oferta de pesados
  5. TecnologiaComboios semiautônomos
  6. FenatranDemanda alta estimula lançamentos
  7. ImplementosSetor de implementos rodoviários deve crescer 20% em 2013
  8. CombustíveisAditivos reduzem custo operacional do diesel
  9. FabricanteHaulotte segue apostando no Brasil
  10. Linha De ProduçãoComo nasce um equipamento
  11. Mobilidade UrbanaMetrofor recebe tuneladoras
  12. Mobilidade UrbanaObras demandam 150 equipamentos pesados na Bandeirantes
  13. EmpresaLBX vende a 50ª escavadeira no país
  14. LançamentoCowdin apresenta escavadeira customizada
  15. PórticosEquipamentos imprimem ritmo industrial às obras do Rodoanel Leste
  16. EmpresaRumo à excelência
  17. Momento M&T Peças E ServiçosGoverno prepara concessão do Galeão e Confins
  18. A Era Das MáquinasAs soluções criativas que vieram do frio
  19. ManutençãoCuidados com revestimentos de britadores cônicos
  20. Entrevista"Nada substitui a ida a campo"
  21. Compactos & FerramentasUma ferramenta versátil e de precisão
  22. Coluna YoshioUm voto de confiança no país
  23. Painel16 notas e colunas
Coluna Yoshio

Um voto de confiança no país

Exclusivo M&T 18 de novembro de 2013 · Edição 174

Em São Paulo, se alguém considerar o aeroporto de Congonhas caótico, a ponto de ter dúvidas sobre o futuro do transporte aeroportuário no Brasil, é melhor nem conhecer a situação dos aeroportos de Brasília (DF) ou de Campo Grande (MS), para não enfastiarmos o leitor com uma lista muito mais longa. E não são apenas os aeroportos que deixam a desejar, pois o transporte de cargas também passa por paralisações, protestos e, principalmente, obras em vários pontos do país.

Além das dificuldades de acesso, empresas e usuários também se queixam dos portos, de seus custos e sua intransponível morosidade.
Com isso, o cenário está muito mais conturbado do que em qualquer outro momento recente. Como Macunaíma, o Brasil é hoje um país com as mangas das camisas curtas demais, a barra das calças pelas canelas e sapatos apertados pelo próprio crescimento. O momento é comparável à adolescência, uma fase na qual crescemos mais rapidamente do que a renovação das roupas é possível.

Porém, o leitor já imaginou o benefício residual de todas estas movimentações? Dentro de algum tempo, sentiremos uma melhora sensível nas condições de diversas estradas e aeroportos pelo Brasil. Muitos dirão que os custos são exorbitantes e que nem tudo é transparente como deveria. Mas, teríamos opções?
O fato é que os custos e falhas não podem ser atribuídos somente aos processos, leis e regulamentações. Afinal, nós somos a massa crítica deste país. Se há problemas, devemos assumir que somos parte deles ou, inversamente, admitir nossa negligência, ignorância ou conivência.

Imaginemos que as obras sejam feitas assim mesmo, sempre ineficientes, caras, atrasadas e, possivelmente, com falhas em seu final. Ou, como vem acontecendo de forma recorrente no país, sejam adiadas, interrompidas ou abandonadas antes e depois de prontas.

Por conta disso, pergunto ao leitor se já não se cansou de ouvir: “Imagina na Copa?” Talvez já tenha até se cansado de repetir isso também. Seja por pragmatismo ou mero realismo, é melhor procurar pelo lado bom das coisas. Se ruas e estradas estão sendo recapeadas, se estádios estão sendo construídos, se estamos reformando aeroportos, ampliando portos e abrindo ferrovias, devemos dar um voto de confiança e considerar que está havendo um ganho considerável em relação à nossa história recente.

Malgrado a condescendência em relação às práticas brasileiras, devemos considerar que o movimento progressista atualmente em curso no país – às pressas e de maneira imperfeita, é verdade é muito melhor que o malfadado imobilismo de outros tempos. Hoje, ao menos, realizamos algo, como nunca se viu neste país.

*Yoshio Kawakami
é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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