Setor de implementos rodoviários deve crescer 20% em 2013 — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 174Novembro 2013 Matéria 7 de 22
Sumário
  1. EditorialAvanço nas concessões requer regras estáveis
  2. Pás CarregadeirasMercado acirra concorrência com tecnologias diferenciadas
  3. CaminhõesA nova geração dos sistemas de direção
  4. ProdutoVolvo amplia oferta de pesados
  5. TecnologiaComboios semiautônomos
  6. FenatranDemanda alta estimula lançamentos
  7. ImplementosSetor de implementos rodoviários deve crescer 20% em 2013
  8. CombustíveisAditivos reduzem custo operacional do diesel
  9. FabricanteHaulotte segue apostando no Brasil
  10. Linha De ProduçãoComo nasce um equipamento
  11. Mobilidade UrbanaMetrofor recebe tuneladoras
  12. Mobilidade UrbanaObras demandam 150 equipamentos pesados na Bandeirantes
  13. EmpresaLBX vende a 50ª escavadeira no país
  14. LançamentoCowdin apresenta escavadeira customizada
  15. PórticosEquipamentos imprimem ritmo industrial às obras do Rodoanel Leste
  16. EmpresaRumo à excelência
  17. Momento M&T Peças E ServiçosGoverno prepara concessão do Galeão e Confins
  18. A Era Das MáquinasAs soluções criativas que vieram do frio
  19. ManutençãoCuidados com revestimentos de britadores cônicos
  20. Entrevista"Nada substitui a ida a campo"
  21. Compactos & FerramentasUma ferramenta versátil e de precisão
  22. Coluna YoshioUm voto de confiança no país
  23. Painel16 notas e colunas
Implementos

Setor de implementos rodoviários deve crescer 20% em 2013

Agribusiness é o principal impulsionador desse mercado, que também foi beneficiado por planos de financiamentos do BNDES e pelo crescimento da construção pesada

Exclusivo M&T 18 de novembro de 2013 · Edição 174

Até o final do ano, a previsão é que sejam comercializados aproximadamente 64 mil implementos rodoviários no país. O volume representa mais de 20% sobre as 52,5 mil unidades vendidas no último ano. A informação é da Randon, que atribui tais resultados ao crescimento do agronegócio, às condições de financiamento do BNDES por meio do PSI (Programa de Sustentação do Investimento) e ao crescimento em alguns setores estratégicos da economia brasileira, como a construção pesada.

Para Norberto José Fabris, diretor corporativo de implementos e veículos da empresa, os implementos rodoviários voltados ao agronegócio, como as caçambas graneleiras e basculantes, foram os modelos com maior aumento nas vendas neste ano. “Em seguida, vem a linha de tanques para transporte de combustíveis e produtos químicos”, diz ele.

A Rossetti, outro importante player do setor, valida a percepção de que o agribusiness vem puxando o setor. Nessa linha, o fabricante revela que, no primeiro semestre, a maior procura foi por implementos do tipo semirreboque basculante vanderleia ou rodotrem utilizados principalmente no transporte de grãos. “O ano começou em ritmo lento, com a queda de mais de 20% no mercado de basculantes sobre chassis”, diz Daniel Rossetti, gerente de marketing da empresa. “Porém, equilibramos as nossas receitas nesse período com o aumento de 25% nas vendas de semirreboque basculantes. Já na virada para o segundo semestre, houve uma onda de compras de diversas modalidades e agora o mercado estabilizou em um nível satisfatório, o que nos permitirá fechar o ano com expressivo crescimento em relação a 2012.”

PRODUTOS

Rossetti também classifica como estáveis as vendas atuais de implementos voltados para a construção e mineração. Esses segmentos, aliás, integram os principais focos de atuação da empresa, representando atualmente cerca de 30% de seu faturamento. “Por isso, mantemos um mix de produtos que inclui desde semirreboques para transporte de agregados na construção até vanderleias basculantes para transporte de minérios e agregados a maiores distâncias”, diz ele.

Na Randon, o rol de implementos rodoviários aplicados à construção e mineração também é vasto, indo de semirreboques de três eixos, com até 25 m³ de capacidade, a vanderleias de três eixos distanciados para carga de até 30 m³. “Temos ainda os modelos carrega-tudo, aplicados tanto no transporte de máquinas para as minas e canteiros de obras como no transporte de peças de dimensões maiores”, diz Fabris.

Na Guerra, os resultados também têm sido bons em 2013. A empresa revela ter atingido as metas de faturamento e aumentado sua participação no mercado, com apoio preponderante de toda a linha de implementos graneleiros em segmentos do tipo bitrem, rodotrem e semirreboque. “Os implementos voltados para a construção e mineração já representam cerca de 10% do faturamento da empresa”, afirma. “E o foco nessa linha está nos basculantes, usados principalmente no transporte de brita e calcário, mas com aplicabilidade em diversas outras atividades do ramo.”

Diretor superintendente da Noma, Marcelo Noma corrobora o bom momento vivido pelo mercado de implementos rodoviários. E vai além, demonstrando que a empresa vem crescendo desde 2012, quando a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) registrou um acentuado decréscimo de 16% no mercado. “No ano passado, nós crescemos 18% em receitas e 15% em volume de vendas, na contramão do mercado”, pontua. “Agora, as expectativas são ainda melhores, pois o setor deve expandir como um todo, permitindo que até 2015 com a instalação de uma nova fábrica em Tatuí estejamos entre as três maiores fabricantes de implementos rodoviários do segmento pesado no Brasil.”

DISPUTA

Com o mercado em franca ascensão, evidentemente os fabricantes trabalham com mais empenho no lançamento de tecnologias que possam diferenciá-los dos concorrentes. É o caso da América Implementos. A empresa aposta na comercialização de semirreboques com silos para transporte de cimento, mostrando como a construção civil principalmente no nicho concreteiro mantém-se vistosa para a oferta de implementos rodoviários.

Os carros-chefes de vendas da empresa são os modelos autodirecionais do tipo vanderleia, com capacidades de 36 e 40 m³ e dotados de suspensão pneumática de fábrica. Utilizados para transporte de cimento a granel, cal e outros materiais, o equipamento opera também por transferência pneumática, ou seja, descarrega o material em silos fixos por descarga a ar.

Operando com o mesmo sistema nos silos, a empresa lançou ainda um modelo de três eixos mecânicos com capacidade de 33 m³. “Lançamos esse implemento há cerca de um ano para alcançar um nicho de equipamentos mais simples e econômicos”, diz Odair Françoso Júnior, gerente nacional de vendas da empresa.

Os novos projetos da América estão cada vez mais voltados para a mudança na configuração do transporte de cimento, uma vez que, segundo o executivo, 60% do cimento são transportados ensacados e 40%, a granel. “Há indícios de que essa proporção está sendo revertida e, em cima dessa tendência, estamos projetando o futuro”, revela o executivo.

NOVIDADES

Já a Rossetti também aposta na aferição de carga. Durante a Exposibram 2013, a empresa apresentou uma balança que mede a carga do basculante em tempo real. “Demonstramos essa operação com a ajuda de um guindaste para carregar a carga na caçamba”, explica Daniel Rossetti. “A balança aferiu o peso em tempo real, mostrando que é diferente de outras soluções disponibilizadas no mercado, nas quais a pesagem é feita somente após o carregamento.”

O executivo explica que a margem de erro é inferior a 4% e, por isso, a tecnologia auxilia com precisão o operador responsável por encher as caçambas basculantes.

Outras novidades da Rossetti incluem o rodotrem para transporte de até 74 toneladas de peso bruto total e o semirreboque vanderleia, com capacidades de 20 a 46 m³. Segundo o executivo da empresa, o segundo modelo tem as mesmas características de uma vanderleia convencional, mas será fabricado com chapas de aço mais finas, de 2 mm, o que reduz o peso do implemento e viabiliza ganhos de carga total do caminhão.

Já na Guerra, as novidades tecnológicas incorporadas aos implementos rodoviários incluem o incremento de freios ABS nos modelos basculantes.
Fabris, da Randon, sublinha que a utilização de materiais com maior escoamento na fabricação de implementos rodoviários também permite reduzir o peso do equipamento, mantendo a mesma resistência mecânica. Por isso, a evolução das ligas de aço utilizadas nos produtos é tão importante aos olhos dos profissionais do mercado. “Mas a evolução da eletrônica embarcada, como forma de segurança para a operação, tem igual importância”, pondera o executivo.

Como exemplo de uso inteligente da eletrônica avançada em implementos, ele cita os inclinômetros, que medem a inclinação lateral das caçambas basculantes durante a descarga. O procedimento, nesse caso, é interrompido sempre que o produto atinge um ângulo considerado de risco, diminuindo a incidência de tombamentos.

VANDERLEIAS

Mas Fabris também destaca o avanço no desenvolvimento das vanderleias nos últimos anos. O especialista ressalta que essa modalidade de implemento rodoviário com três eixos distanciados foi criada para permitir o transporte de maior volume de carga líquida, em conformidade com as leis brasileiras. “Voltando à evolução recente, a Randon projetou o basculante deslizante para vanderleia, que possui uma caixa de carga de 9 metros de comprimento deslizando sobre o chassi, o que permite um descarregamento mais seguro”, afirma. “A caixa é deslocada por um cilindro hidráulico até a parte traseira, para efetuar a descarga,”

Assim, como ele explica, foi possível obter a distribuição de carga exigida por lei e, ao mesmo tempo, manter a condição de basculamento dos implementos usados tradicionalmente em três eixos comuns.

Já a Rossetti desenvolveu uma tecnologia que dispensa o deslizamento da caçamba durante o basculamento. De acordo com Daniel Rossetti, o produto é patenteado e apresenta uma extensão da caçamba na parte traseira para eliminar qualquer dispositivo de deslizamento sobre o chassi ou os eixos. “O deslizamento gera desgaste de componentes e ainda resulta em uma operação lenta de basculamento”, diz ele. “Já o nosso produto realiza ciclos rápidos, de 2,5 minutos, um prazo até quatro vezes mais ágil que os basculamentos deslizantes.”

O especialista explica que o basculamento é acionado na cabine e faz uso somente de um cilindro hidráulico central, que ergue a caçamba até o ângulo necessário para o deslize da carga, sem expor o caminhão a riscos de tombamento. Segundo ele, esse implemento foi desenvolvido para manter o centro de gravidade do caminhão durante o basculamento. “É um diferencial de segurança, pois como as caçambas tradicionais de vanderleias são compridas, precisam ser erguidas a altos ângulos para o despejo de material, o que pode configurar um risco de instabilidade para o conjunto em regiões com fortes ventos, por exemplo”, explica.

CONCEITO

Em parceria com a SR Equipamentos Rodoviários, a Noma apresentou um “produto conceito” no ano passado. Ele é formado por uma caçamba que, ao invés de bascular, empurra o material carregado para o despejo. “Ela é composta por uma tampa retrátil e movida horizontalmente por um cilindro hidráulico”, explica Silvio Roberto Romanelli, diretor da SR. “Com isso, é possível fazer o descarregamento de material em locais confinados, como túneis de menor diâmetro, onde o basculamento seria inviável.”

Segundo as empresas, a tecnologia permite que o despejo de material seja realizado com o caminhão em movimento. Com isso, reduz-se o trabalho da motoniveladora, que pode ter sua operação otimizada em até 80%, como constatado em testes recentes realizados pela Noma.

Agribusiness também sustenta crescimento do setor de máquinas

Para a safra 2012/13, especialistas estimam que o Brasil obtenha uma produção recorde de aproximadamente 186,15 milhões de toneladas de grãos, um volume que representa um aumento de 12,1% em relação ao período anterior. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atualizados em julho deste ano. A tendência de crescimento, aliás, acontece desde 2005 e, no acumulado até 2013, já contabiliza um incremento de 61%. O único registro de queda aconteceu em 2009, afetando as linhas de crédito e o preço de insumos, principalmente fertilizantes. Para combater a crise, o governo federal reagiu com políticas pontuais voltadas para o desenvolvimento rural, aquecendo também o setor de equipamentos para construção.

 

 

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