Com compostos adequados, o pneu recuperado rende mais — Revista M&T
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M&T nº 149Agosto 2011 Matéria 17 de 20
Sumário
  1. EditorialO mercado de pós-venda mostra sua força
  2. M&T - Peças E ServiçosFeira supera as expectativas
  3. Pós VendaServiços que diferenciam a marca
  4. Reciclagem De ResíduosA viabilidade do negócio em debate
  5. Plataformas Aéreas De TrabalhoDemanda nas alturas
  6. Material RodanteA escolha certa faz a diferença
  7. RolamentosCuidados que preservam O giro do guindaste
  8. Mão De ObraComo enfrentar este gargalo nos canteiros
  9. LocaçãoAdequando a frota para novos serviços
  10. MercadoLiuGong amplia presença no Brasil
  11. MercadoA aposta da Madal nos "big cranes"
  12. Carretas De PerfuraçãoCaimex lança novo modelo no mercado
  13. Grupos GeradoresAtlas Copco desenvolve modelo para produção no Brasil
  14. EmpresaSinônimo de máquinas compactas
  15. EmpresaDuas décadas de pioneirismo
  16. LançamentoMarca brasileira com peças importadas
  17. ManutençãoCom compostos adequados, o pneu recuperado rende mais
  18. PerfilA reciclagem de entulho é viável no Brasil
  19. M&T - Peças E ServiçosExpositores comemoram novos negócios
  20. M&T - Peças E ServiçosSobratema pesquisa a frota em operação no país
  21. Painel7 notas e colunas
Manutenção

Com compostos adequados, o pneu recuperado rende mais

Exclusivo M&T 26 de setembro de 2011 · Edição 149

Além do cuidado em cada passo para a recuperação do pneu, a escolha do composto de borracha adequado para cada aplicação é fundamental para a maior durabilidade da vida seguinte

A composição de materiais (compostos de borracha) utilizados na recauchutagem ou recuperação dos pneus fora de estrada é uma escolha que toma como base a operação para a qual o equipamento será destinado. No mercado brasileiro, há diversas empresas prestadoras desse tipo de serviço, cada uma delas com diferentes níveis de qualidade.

Por esse motivo, o valor da recauchutagem pode oscilar de 25% a 60% do preço de aquisição de um pneu novo, assim como a durabilidade do serviço – a segunda, terceira ou demais vidas do pneu – que também varia de acordo com a qualidade do recondicionamento. Por esse motivo, os especialistas do setor recomendam a escolha de uma empresa de confiança, principalmente para os pneus de equipamentos que operam em condições mais severas, cujos serviços tenham sido testados e aprovados.

No caso de pneus radiais, há empresas que se propõem a fazer a recauchutagem seguindo os mesmos parâmetros de aplicação de pneus novos. Isso quer dizer que a recauchutagem utiliza compostos para, basicamente, três tipos de situações: alta abrasividade, velocidade e operações de arraste (aplicadas principalmente em plataformas aéreas de trabalho e empilhadeiras).

Na primeira situação, que pode ser exemplificada pela operação das pás-carregadeiras, os pneus precisam ser resistentes a alta abrasividade e a cortes, como em terrenos com muita presença de rocha, mas não requerem alta resistência ao calor, por rodarem em baixa velocidade. Por isso, a composição do material de recauchutagem privilegia maior quantidade de borracha sintética, que é resistente à abrasividade, e menor quantidade de borracha natural.

Já os pneus submetidos a maior velocidade de operação, como os utilizados em caminhões fora de estrada, empregam um composto com maior quantidade de borracha natural. Na terceira situação, caracterizada pela operação de empilhadeiras e plataformas aéreas, a composição conta com quantidades semelhantes de borracha natural e sintética, resultando em pneus com resistência razoável à abrasividade e à velocidade.

Os primeiros passos

Além da correta escolha do composto, o processo de recuperação de pneus requer uma técnica apurada, pois se trata de um trabalho realizado manualmente em boa parte das etapas de execução. O que define a necessidade e/ou possibilidade de recuperação são os padrões estabelecidos pelos fabricantes, de acordo com o desgaste máximo permitido para a banda de rodagem de cada modelo.

Esse parâmetro vem indicado no pneu, apontando a espessura mínima necessária de borracha para que ele seja passível de uma reforma segura. Em alguns casos, entretanto, como nos pneus que rodam sob extrema condição de abrasão, a recuperação deve ser realizada antes mesmo de se atingir esse ponto de medição, pois a severidade da operação pode comprometer a carcaça precocemente.

A reforma/recauchutagem de pneus envolve várias etapas, a começar pela limpeza externa e interna (veja quadro na pág. 88). Para realizá-la, o pneu é colocado em um equipamento com escovas rotativas, que fazem a limpeza da área externa da carcaça. A limpeza interna, por sua vez, utiliza jatos de ar de alta pressão para a remoção de todos os detritos depositados no interior do pneu.

Uma vez limpo, o pneu é submetido a uma inspeção visual realizada por técnico especializado. Essa etapa é importante porque é nela que o profissional avalia as reais condições de recuperação do pneu com base em cinco parâmetros fundamentais: condições da parte interna, do flanco, do ombro, da banda de rodagem e do talão. A limpeza envolve ainda a retirada de toda a borracha remanescente da banda de rodagem até se obter uma geometria e rugosidade precisas da superfície raspada, para a colocação da nova banda de rodagem.

A etapa seguinte envolve a escareação do pneu, na qual cada um dos pequenos cortes encontrados no piso da carcaça é tratado previamente antes do conserto. O processo se assemelha ao procedimento de um dentista, que realiza a limpeza e isolamento de cada dente antes de aplicar a obturação. Caso os cortes tenham atingido o pacote de cintas, o pneu receberá um conserto especial, capaz de restituir a resistência da carcaça.

Preparo para a nova banda

Depois de escareado, se o pneu demandar consertos, seguirá para essa estação na recauchutadora. Nela, a carcaça é preparada internamente para a aplicação do reparo, que varia de acordo com o tamanho do dano e segue as determinações técnicas da Associação Latinoamericana de Pneus e Aros – Alapa (veja quadro ao lado).

Depois de todo o preparo inicial, a recuperação do pneu segue com a aplicação de uma cola para a ancoragem dos produtos que irão compor a nova banda de rodagem. O excesso de cola deve ser retirado na sequência para dar lugar ao enchimento. Nessa etapa, uma borracha especial é aplicada para tampar todos os orifícios escareados do pneu. Com esse procedimento, a superfície que receberá a banda de rodagem fica totalmente nivelada.

O passo seguinte no processo de recuperação envolve a aplicação da banda de rodagem. Nessa etapa, algumas empresas optam pelo método Hot-Cap, no qual uma manta trefilada é colocada sobre a carcaça. O pneu então é colocado na máquina setorial, equipamento que realiza a vulcanização da nova manta de borracha sobre a carcaça sob condições pré-estabelecidas de tempo, temperatura e pressão. Nesse caso, o desenho é previamente escolhido e o molde correspondente, aplicado.

Após a vulcanização, o pneu é desmontado e colocado em uma linha de checagem para a inspeção final. Nessa fase, é preciso verificar as partes interna e externa, bem como a integridade da nova banda de rodagem e da carcaça. Na etapa final de inspeção também é possível identificar se houve falha no processo de vulcanização.

 

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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