A reciclagem de entulho é viável no Brasil — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 149Agosto 2011 Matéria 18 de 20
Sumário
  1. EditorialO mercado de pós-venda mostra sua força
  2. M&T - Peças E ServiçosFeira supera as expectativas
  3. Pós VendaServiços que diferenciam a marca
  4. Reciclagem De ResíduosA viabilidade do negócio em debate
  5. Plataformas Aéreas De TrabalhoDemanda nas alturas
  6. Material RodanteA escolha certa faz a diferença
  7. RolamentosCuidados que preservam O giro do guindaste
  8. Mão De ObraComo enfrentar este gargalo nos canteiros
  9. LocaçãoAdequando a frota para novos serviços
  10. MercadoLiuGong amplia presença no Brasil
  11. MercadoA aposta da Madal nos "big cranes"
  12. Carretas De PerfuraçãoCaimex lança novo modelo no mercado
  13. Grupos GeradoresAtlas Copco desenvolve modelo para produção no Brasil
  14. EmpresaSinônimo de máquinas compactas
  15. EmpresaDuas décadas de pioneirismo
  16. LançamentoMarca brasileira com peças importadas
  17. ManutençãoCom compostos adequados, o pneu recuperado rende mais
  18. PerfilA reciclagem de entulho é viável no Brasil
  19. M&T - Peças E ServiçosExpositores comemoram novos negócios
  20. M&T - Peças E ServiçosSobratema pesquisa a frota em operação no país
  21. Painel7 notas e colunas
Perfil

A reciclagem de entulho é viável no Brasil

A um custo de no máximo R$ 8 por tonelada, podemos dar uma nova aplicação aos resíduos da construção, legando um futuro melhor para nossos descendentes”

Exclusivo M&T 26 de setembro de 2011 · Edição 149

Com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, todos os municípios brasileiros precisarão dispor de um plano de gestão de resíduos, até 2014, para a maior sustentabilidade na destinação desse material. Como cerca de 50% a 70% dos resíduos sólidos gerados nas grandes cidades brasileiras são provenientes de processos de construção civil, reformas domiciliares ou demolição, o setor passa a desempenhar um papel importante na destinação sustentável desse material.

Esta edição da Revista M&T traz como entrevistado o empresário Artur Granato, da Nortec, um dos pioneiros na questão da reciclagem de resíduos da construção e demolição no Brasil. “A nova legislação abre uma discussão sobre o futuro que pretendemos legar aos nossos descendentes”, diz ele. Segundo o especialista, a um custo de R$ 8 por tonelada, é possível reaproveitar esses resíduos em novas construções, reduzindo o consumo de recursos naturais não renováveis, como areia e brita. Veja suas opiniões a seguir:

Revista M&T – Até 2014, quando a nova Política Nacional entrará em vigor, a disposição de resíduos sólidos em locais irregulares continuará sendo algo tolerável e isento de multas previstas em lei?

Artur Granato – Não é bem assim. A legislação ambiental existe, mas também há uma zona cinza, um hiato, marcado principalmente pela ausência de fiscalização e de um plano de gestão desses resíduos por parte dos municípios, no qual os profissionais mal intencionados encontram espaço para atuar. A nova legislação traz maior seriedade para o enfrentamento do problema e a viabilização do reaproveitamento dos resíduos gerados na construção e demolição. Nesses três anos, teremos que superar hábitos e vencer preconceitos para que os municípios estabeleçam seus planos de gestão e possamos adotar uma postura mais sustentável nessa área.

M&T – Quanto o país gera em resíduos da construção e demolição (RCD) e o que o reaproveitamento desse material representaria em termos de benefício?

Granato – Há uma estatística que calcula a geração de cerca de meia tonelada por habitante por ano de RCD. Isso significa algo em torno de 90 milhões t anuais geradas em reformas domiciliares, processos de construção e demolição. Considerando uma taxa de reaproveitamento de 30% a 40% desse material, podemos afirmar que isto representaria cerca de 8% a 10% da produção de agregados do país. Ou seja, seria possível economizar de 8% a 10% dos recursos naturais em areia e brita caso esses resíduos fossem trabalhados corretamente para seu reaproveitamento.

M&T – Por que apenas de 30% a 40% desses resíduos são passíveis de reaproveitamento?

Granato – Há que se considerar que boa parcela dos resíduos aos quais nos referimos não pode ser reaproveitada na produção de argamassa e concreto, como madeira, papelão, cano de plástico e outros. Além disso, esses resíduos apresentam alto índice de contaminação por materiais que comprometem a adesividade e compactação da massa de cimento, como é o caso dos azulejos, cerâmica e materiais sanitários. A presença desses materiais no entulho acaba condenando sua aplicação em funções de menor responsabilidade, ou seja, o resíduo não poderá ser reutilizado em pré-fabricado de concreto e outras funções mais nobres.

M&T – Quais vidas novas esse material pode ganhar desde que seja devidamente manuseado e tratado corretamente?

Granato – Calcula-se que, do entulho gerado nas construções, reformas e demolições passível de reaproveitamento, cerca de 70% seja composto por alvenaria, tijolos, cerâmica vermelha e argila. É o que chamamos de material vermelho, que encontra boa aplicação em pavimentação, sub-base e base de rodovias, aterros e nivelamento de pistas. Os 30% restantes compreendem o que chamamos de material cinzento, o concreto demolido, que pode ser reaproveitado em novas estruturas, desde que corretamente ensaiado e submetido a processos de tratamento sob rigoroso controle tecnológico.

M&T – Como assim?

Granato – Nessa área, o maior problema é a falta de literatura técnica sobre o assunto. Precisamos de muita pesquisa e de maior comunicação para que os problemas de controle tecnológico desse material sejam resolvidos. Por isso, as normas ainda são restritivas quanto ao reaproveitamento dos resíduos da construção e demolição, pois ainda não temos um controle da sua qualidade na origem.

M&T – Mas há notícias de que as reformas e construções de estádios de futebol estão adotando intensamente o reaproveitamento das estruturas demolidas. Isso não é um paradoxo?

Granato – Nesses casos, há dois aspectos a se considerar. O primeiro é que o alvará de licença dessas obras já impunha a exigência da rebritagem dos resíduos, mas sua reciclagem envolve outro departamento, que é a readequação desse material para uma nova aplicação. Além disso, quando você lida com a demolição de um estádio de futebol, sabe qual a procedência daquele concreto e que ele foi submetido a um controle técnico rigoroso. O problema é que não temos a mesma certeza na maioria das pequenas obras e reformas no país. É normal que as normas sejam restritivas nesse estágio, mas sabemos que, diante de um material submetido a ensaios e um rigoroso controle tecnológico, é possível reaproveitá-lo em aplicações de maior responsabilidade. Em países onde a reciclagem encontra-se em estágio mais evoluído, as concreteiras já utilizam de 30% a 40% desse material na produção de nova massa de concreto.

M&T – A impressão é que, assim como no caso dos agregados, como o frete tem alto impacto no custo do produto, a reciclagem deve ser praticada próxima aos centros de geração e consumo, não é mesmo?

Granato – Exatamente, o frete é uma questão determinante nesse caso. Além disso, podemos aproveitar a experiência de outros países com o frete de retorno, aqueles caminhões que voltam vazios para a pedreira e que poderiam trazer esse material a um menor custo de transporte. Nas cidades de pequeno porte, que geram menos resíduos, as prefeituras podem utilizá-lo para o cascalhamento de rodovias vicinais, melhorando o escoamento da safra agrícola.

M&T – Mas há o custo do britador, nem sempre acessível para pequenas prefeituras?

Granato – Nesse caso, o primeiro ponto a se considerar é que, segundo um estudo da USP (Universidade de São Paulo) e do IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológico), cerca de 60% dos resíduos gerados nas pequenas cidades já está na granulometria adequada para essa aplicação de cascalhamento de vias, na faixa de 2 polegadas. Não há a necessidade de britador, mas apenas de um processo de separação rápida e barata. Quando se registrar um acúmulo de material passível de britagem, é possível solicitar o deslocamento de uma unidade, que não precisa ser um britador sofisticado. Dessa forma, agregando um custo de no máximo R$ 8 por tonelada, podemos dar uma nova aplicação para esse material, além de legar um futuro melhor para nossos descendentes.

 

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