A evolução de um conceito — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 200Abril 2016 Matéria 10 de 20
Sumário
  1. EditorialCompromisso e credibilidade nas páginas de M&T
  2. EspecialO salto do século
  3. EspecialLeitura indispensável
  4. ImplementosVersatilidade para equipamentos pesados
  5. Tecnologias Para ConcretoUma solução para cada necessidade
  6. MercadoDesafio global
  7. TreinamentoInterface avançada
  8. LançamentoCaterpillar nacionaliza retroescavadeiras
  9. PavimentaçãoHora de remodelar o negócio
  10. PavimentaçãoA evolução de um conceito
  11. ComponentesTração agrícola
  12. SegurançaA importância das NR’s na locação
  13. LançamentoDebulha aprimorada
  14. Momento Constructionexpo 2016Soluções urbanas em foco
  15. Comércio ExteriorA classificação fiscal de mercadorias
  16. A Era Das MáquinasScrapers ganham a cena
  17. ManutençãoDisponibilidade e equilíbrio na gestão da frota
  18. Entrevista"O espírito do negócio"
  19. Compactos & FerramentasEnergia sob demanda
  20. Coluna YoshioA lição que vem das ruas
  21. Painel16 notas e colunas
Pavimentação

A evolução de um conceito

Utilizando equipamentos especializados, a Wirtgen recria a recuperação da rodovia Ayrton Senna para evidenciar as potencialidades da tecnologia de reciclagem a frio

Exclusivo M&T 18 de abril de 2016 · Edição 200

Após décadas de desenvolvimento, a reciclagem a frio tornou-se uma das técnicas mais celebradas na pavimentação de ruas, estradas e rodovias, graças principalmente ao fato de garantir maior vida útil ao asfalto. Mas não é só por isso.

Dentre os demais atributos que merecem destaque está ainda a possibilidade de recuperação de pavimentos deteriorados, algo que a técnica também executa com precisão. Segundo Joachim Kemp, gerente regional da Wirtgen – que liderou o desenvolvimento da tecnologia no país nos últimos 20 anos –, a reciclagem a frio é o ápice de um longo processo de aperfeiçoamento da indústria. “Ao longo desses anos, as tecnologias evoluíram muito, assim como as máquinas que realizam a obra, tornando a reciclagem a frio reconhecida no mundo todo”, afirma o especialista.

Para ilustrar o amadurecimento obtido pela técnica no país, a empresa recentemente realizou uma demonstração em São Paulo, mais especificamente na SP-070, conhecida como rodovia Ayrton Senna (antiga rodovia dos Trabalhadores), que serviu de cenário para a recriação da mise-en-scène da tecnologia realizada originalmente em 2013.

Iniciada em junho e concluída em novembro daquele ano, a operação de recuperação da rodovia foi uma das primeiras no Brasil a utilizar a técnica de espuma de betume (BSM) associada a material asfáltico fresado (RAP – Recycled Asphalt Pavement) e usinado a frio.

O projeto estrutural de recuperação do local foi preparado pela Loundon, enquanto os projetos da mistura foram desenvolvidos pela empresa JBA Engineering and Consulting, novamente com a participação de técnicos da Loundon. A execução do projeto, por sua vez, foi feita com material 100% fresado, sendo que a britagem ficou a cargo de um britador de impacto de última geração, o Kleemann MR 110 Z EVO.

No escopo da obra, foram reparadas estruturalmente as pistas entre os quilômetros 11 e 46, em um trecho com 35 km de comprimento que sai de São Paulo e segue na direção leste. Ao todo, atuaram na obra dez equipamentos das marcas do Grupo Wirtgen, incluindo a pavimentadora de asfalto Vögele 1800-2 Spray Jet, que aplica simultaneamente a emulsão asfáltica de ligação – material que promove a aderência entre a camada de base com a nova camada asfáltica.

DESAFIO

Com 25 centímetros de espessura, a camada de suporte de cimento havia sido profundamente danificada devido ao tráfego diário intenso na rodovia, de aproximadamente 125 mil veículos em ambos os sentidos, sendo aproximadamente 15% de transporte pesado.

Por isso, além dos equipamentos adequados, a escolha do processo a ser utilizado também foi decisiva para o sucesso da empreitada. De acordo com Elio Cepollina Júnior, diretor comercial da Fremix, empresa responsável pela recuperação da rodovia, a opção pela reciclagem com espuma de betume – fabricada in loco por uma usina misturadora móvel Wirtgen KMA 220 – atendeu a critérios objetivos e essencialmente práticos. “Trata-se da tecnologia que oferece os melhores resultados em um menor tempo de implantação”, opina o executivo.

Kemp, da Wirtgen, corrobora a análise. “As vantagens dessa técnica incluem um melhor serviço ao usuário da estrada, pois o tempo de manutenção e inatividade é menor, contribuindo para que o trânsito sofra períodos menores de interferência”, diz ele. “Além disso, a compactação máxima é alcançada sem destruir o apoio estrutural, assegurando baixa probabilidade de rachaduras e redução da permeabilidade”, complementa.

De fato, a redução da interferência no fluxo de veículos constituía um ponto vital para a operação, daí a importância do quesito tempo. Nesse sentido, segundo David Collings, engenheiro da Loundon responsável pelo projeto, ao contrário de outras técnicas o material utilizado na reciclagem a frio não funciona como cimento, que necessita de tempo para ser curado. “Outro ponto positivo é a durabilidade do material, pois não trinca como o cimento”, afirma.

RECUPERAÇÃO

Até por isso, as obras na Ayrton Senna ocorreram no período noturno, evitando interromper a pista durante o dia. Com um tempo restrito para a execução da obra, a tecnologia de reciclagem a frio permitiu recuperar a via trecho a trecho, liberando-os em seguida para o tráfego. “Graças à rápida implementação da reciclagem utilizando a usina misturadora a frio, ao número reduzido de viagens de transporte e à reciclagem total do material fresado, além da possibilidade de reforçá-lo com novos materiais, como agregados, cimento e até mesmo resíduos de demolição da construção civil, o processo também é econômico e ecológico”, comenta Cepollina, destacando que a energia total consumida pela reciclagem é menor, se comparada às outras opções de recuperação. “Como a utilização do material do pavimento existente é total e o volume de novos materiais trazidos à obra de pedreiras é minimizado, o transporte também é reduzido, assim como os danos causados por caminhões pesados transitando perto da obra.”

Outro ponto destacado pelo especialista diz respeito à baixa perturbação da estrutura subjacente à do pavimento, que – segundo ele – é insignificante, uma vez que a reciclagem consiste na aplicação de uma única passada. Sendo assim, as rodas da recicladora não entram em contato com as camadas inferiores, pois se deslocam sobre a superfície do material reciclado.

Segundo o engenheiro, o processo de reciclagem a frio vem sendo utilizado em todo o mundo, abrangendo todas as regiões climáticas, tanto em países desenvolvidos quanto em emergentes. “Realmente, é uma tecnologia para o futuro, que visa a economizar o uso de transportes e custos em geral”, avalia Collings. “O desafio é a formação de pessoal, pois é uma tecnologia nova e nem todos a conhecem. Mas precisamos convencer os governantes sobre a importância desse método e suas vantagens.”

PROCESSO

Para a recuperação das camadas (compostas de 10 cm de asfalto por cima e 25 cm de cimento por baixo), a fresagem foi realizada por trechos, com a utilização de duas máquinas de grande porte da Wirtgen, a W 1900 e a W 200. O material fresado foi então retirado e transportado até o local de mistura, instalado próximo à obra. Ao chegar ao local, ele foi triturado pelo britador móvel MC 110 Z EVO da Kleemann, obtendo partículas com 20 mm de tamanho de máximo.

Em seguida, o material fresado foi processado em duas usinas misturadoras móveis para reciclagem a frio (Wirtgen KMA 220), resultando em uma mistura de alta qualidade com espuma de betume. Segundo Cepollina, as máquinas foram instaladas ao lado da rodovia, reduzindo significativamente o número de viagens para transporte de material.

Os ensaios prévios para a fabricação da espuma de betume foram realizados com o sistema de laboratório Wirtgen WLB 10 S, sendo possível definir – ainda antes do início das obras – a qualidade da espuma de betume e, em combinação com o misturador de laboratório Wirtgen WLM 30, determinar a composição ideal de produtos na mistura. A fórmula foi enfim composta de 1% de cal hidratada e 2% de betume. “A WLB 10 S é uma unidade pequena, tornando-se possível fazer a espuma asfáltica em um laboratório de até 10 litros por minuto”, afirma Martin Diekmann, gerente de produto para recicladoras de asfalto da Wirtgen GmbH.

De acordo com ele, em todo o mundo são utilizadas mais de 300 plantas WLB 10 S em laboratórios comerciais, institutos de pesquisa, universidades e empresas de construção. “Este é um equipamento que apresenta funcionamento idêntico ao das máquinas utilizadas em grande escala”, ressalta.

Na câmara de expansão da KMA 220, o cimento quente é espumado por meio da adição de ar e água. “Dessa forma, é gerada uma espuma de betume com um volume até 20 vezes superior ao do produto de saída”, diz Cepollina, explicando que a espuma de betume é misturada de forma homogênea à cal hidratada e ao material fresado.

O material reciclado foi aplicado em duas camadas, sendo a primeira com 20 cm de espessura e compactada simultaneamente por um compactador de cilindro único Hamm 3414 (de 14 t) e um compactador tandem Hamm HD 90 (de 9 t). Já a segunda camada, de 13 cm, foi compactada apenas pelo modelo HD 90.

Para aplicar a segunda camada (a de cobertura, com 2 cm e mais fina que o usual) foi utilizada uma pavimentadora de esteiras Vögele Super 1300-3. “Por fim, a compactação final da mistura de asfalto ficou a cargo de um compactador de pneus GRW 280, da Hamm”, descreve Cepollina.

Fluxo intenso desafia resistência do pavimento

Desde junho de 2009, a rodovia Ayrton Senna é operada pela concessionária Ecopistas, que fechou um contrato de 30 anos para realizar sua conservação. Uma das mais importantes vias de ligação entre São Paulo e as regiões de Campos do Jordão, Vale do Paraíba e Rio de Janeiro, a rodovia recebe uma média de 125 mil veículos por dia (considerando-se ambos os sentidos) e constitui o principal acesso ao aeroporto internacional de Guarulhos (SP).

 

 

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