Uma obra superlativa em alto mar — Revista M&T
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M&T nº 143Fevereiro 2011 Matéria 3 de 14
Sumário
  1. EditorialA logística de equipamentos a serviço da boa engenharia
  2. Construção PortuáriaNovas tecnologias viabilizam a expansão de Pecém
  3. Construção PortuáriaUma obra superlativa em alto mar
  4. Transporte De EquipamentosQuando a carga impõe desafios à operação
  5. InvestimentosNovas fábricas impulsionam o setor de equipamentos
  6. CaminhõesIveco entra na disputa do mercado de pesos-pesados
  7. M&T Expo Peças E ServiçosFeira chega para atestar a maturidade do mercado
  8. ImplementoMecanização otimiza o arrasamento de estacas
  9. ArtigoPlano de rigging precisa de regulamentação
  10. Conexpo 2011O futuro se encontra em Las Vegas
  11. EmpresaTerex quer quadruplicar a venda de compactos
  12. EmpresaSoluções para uma obra mais rentável
  13. ManutençãoQuando recuperar os cilindros hidráulicos
  14. PerfilFoco nos negócios com senso de oportunidade
  15. Painel9 notas e colunas
Construção Portuária

Uma obra superlativa em alto mar

Projeto do Porto Ilha (RN) inclui a construção de uma ilha artificial oceânica a 14 milhas náuticas mar adentro com a utilização de uma infraestrutura marítima diferenciada

Exclusivo M&T 15 de março de 2011 · Edição 143

Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em maio, avalia que a modernização e expansão portuária devem receber investimentos da ordem de R$ 43 bilhões nos próximos 10 anos. Somente no período entre 2010 e 2013, as projeções apontam para o aporte de R$ 14 bilhões, montante quase três vezes superior aos R$ 5 bilhões aplicados no setor entre 2005 e 2008. Os esforços para a ampliação da capacidade de escoamento da produção nacional se estendem ao longo de toda a costa do país, com destaque para Suape (PE), Santos (SP), Porto Maravilha (RJ), Açu (RJ), Itajaí, Pecém (CE) e outros.

Entretanto, em meio a investimentos de grande porte como esses, um projeto bem menor ganha destaque devido à complexidade na execução das obras. Trata-se do Terminal Salineiro de Areia Branca (RN), ou simplesmente Porto Ilha, como ele é conhecido. Localizado a 14 milhas náuticas do município de Areia Branca, ele passa atualmente por uma ampliação, que inclui a implantação de mais um descarregador de barcaças sobre o novo cais. Com isso, o porto poderá receber navios de até 75 mil TPB (tonelada de porte bruto), a uma capacidade operacional de carregamento de 2,5 mil t/h, o que equivalente a quase o dobro das 1,5 mil t/h atuais de capacidade.

Além disso, um novo pátio em construção terá capacidade para armazenar 250 mil t de sal a granel. “Esse projeto visa aumentar a participação do Rio Grande do Norte no mercado interno e externo de sal, atendendo navios de cabotagem de maior capacidade e tornando nosso país mais competitivo, principalmente diante do sal importado do Chile”, diz Edno Lima, diretor de desenvolvimento de negócios, da Constremac, que compõe o consórcio construtor juntamente com a Carioca Christiani-Nielsen e a Queiroz Galvão, sob coordenação da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern).

Ilha artificial
Segundo ele, a obra tem características únicas devido a sua complexidade, à localização e às adversidades impostas pelas operações oceânicas. “Estamos realizando a ampliação do cais com o uso de estacas tubulares metálicas para a fundação e montando as jaquetas contraventadas com equipamentos de grande porte”, diz Edno. “Já a ilha artificial também está sendo ampliada, com a execução de quatro contenções de estacas-prancha cravadas no solo marítimo”, ele complementa.

Edno explica que a construção da nova ilha consiste basicamente na cravação de estacas-prancha em linha, numa extensão que atingirá mais de 16 mil m lineares. “Essas estacas formam uma dupla cortina contraventada que, depois de estruturadas e preenchidas com aterro hidráulico, dragado do solo marítimo e despejado no interior das células, formará uma plataforma aterrada para a nova área de estocagem.”

A nova ilha, aliás, foi concebida para ser construída com aterro hidráulico em seu interior, composto por arenito inerte dragado em bancos submersos especificados pelo Ibama. “A dragagem dessa obra é diferente das convencionais, realizadas para limpeza de canal portuário.” Segundo o especialista, trata-se de uma operação realizada com draga adequada tanto para operar em alto mar quanto para o recalque.

As dragas não são os únicos equipamentos especiais utilizados no projeto. A cravação das estacas – tanto as tubulares, que dão suporte ao cais de atracação, quanto as do tipo prancha – são realizadas por guindastes de 350 t de capacidade e equipados com martelo bate-estacas do tipo hidráulico e martelos vibradores. “Todos os guindastes operam sobre flutuantes com capacidade de 1,5 mil t e as barcaças são suportadas por rebocadores marítimos e embarcações de apoio”, finaliza Edno.

 

Projeto viabiliza carregamento de navios maiores
O Porto Ilha é responsável pelo embarque do sal produzido nas salinas de Macau, Galinhos, Grossos, Mossoró e Areia Branca, cujo destinado é o abastecimento do mercado nacional, especificamente a indústria química. A ampliação do porto foi motivada em função da tendência mundial de uso de embarcações maiores no transporte marítimo do produto, com capacidade superior a 37 mil TPB (tonelada de porte bruto). As obras se resumem à construção de dois novos dolfins para atracamento de navios de até 75 mil TPB. Ao receber navios maiores, a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) também identificou a necessidade de expansão da área de estocagem, o que justificou a ampliação da ilha artificial, concebida com aterramento hidráulico.

 

Serviços envolvidos na ampliação do porto

 

- Expansão da plataforma da ilha artificial em 7.500m²;

- Ampliação do cais de atracação de barcaças com o respectivo deck em 94m;

- Implantação de novo descarregador de barcaças com capacidade de 500 ton/h;

- Extensão do comprimento do transportador TR-4, potencialização do transportador TR-5 e implantação da lança de carregamento de navio;

- Proteção catódica e anti-corrosiva das estruturas metálicas que compõem a nova plataforma artificial e o cais de barcaças;

- Construção das instalações, utilidades e edificação.

 

 

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