Sistema evita colisão entre guindastes de torre — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 145 ← Voltar à edição
M&T nº 145Abril 2011 Matéria 8 de 15
Sumário
  1. EditorialA tecnologia a serviço da eficiência nos canteiros
  2. PavimentaçãoNovos conceitos em compactação
  3. PavimentaçãoO fim do corpo de prova
  4. LubrificaçãoBoas práticas que estendem a vida dos equipamentos
  5. LubrificaçãoTecnologias otimizam o abastecimento em campo
  6. ConexpoLas vegas acena com novas tendências em equipamentos
  7. GestãoViabilizando recursos para a expansão da frota
  8. SegurançaSistema evita colisão entre guindastes de torre
  9. EmpresaSaraiva expande os negócios para o Sul do país
  10. EmpresaAposta em equipamentos compactos
  11. M&T - Peças E ServiçosSobratema indica o caminho do sucesso
  12. MercadoFabricante chinês amplia atuação no Brasil
  13. LançamentoScania supre uma lacuna no segmento de pesados
  14. ManutençãoCuidados com os sistemas elétricos
  15. Perfil"Segurança não é custo, é investimento"
  16. Painel10 notas e colunas
Segurança

Sistema evita colisão entre guindastes de torre

Além de proporcionar maior segurança em operações com várias gruas simultaneamente, o sistema anti-colisão confere ganhos de produtividade à movimentação de cargas no canteiro

Exclusivo M&T 30 de maio de 2011 · Edição 145

Ao longo das décadas de 70 e 80, o grande contingente de usinas nucleares em construção, assim como outras obras de relevância, impulsionou o crescimento de diversos setores da economia francesa. Um dos beneficiados foi o mercado de guindastes de torre, cuja demanda registrava um aumento proporcional à expansão da construção civil. Esse ritmo frenético, entretanto, aliado à falta de práticas adequadas de segurança, contribuiu para uma série de acidentes fatais envolvendo esse tipo de equipamento nos canteiros de obras daquele país.

Na ocasião, grandes obras em execução na França chegavam a contar com até 30 guindastes de torre trabalhando simultaneamente no pico das atividades. Diante dessa realidade, uma nova norma regulamentadora revolucionou o mercado francês de gruas e abriu portas para um segmento até então incipiente naquele país – e no resto do mundo. Estamos falando do sistema anti-colisão para a operação de gruas, que começa a ser disponibilizado no Brasil pela locadora MaxxiGrua. Fabricado pela francesa Smie, o sistema foi desenvolvido para atender à legislação daquele país, onde todos os guindastes de torre em operação devem contar com um dispositivo que impeça a intersecção de dois ou mais equipamentos.

Eduardo Siqueira, diretor comercial da MaxxiGrua, esclarece que a regulamentação não está associada à operação dos equipamentos em uma mesma altura. “O sistema impede o sobrevoo do carrinho da grua que está trabalhando em uma altura mais elevada sobre a lança ou contra-lança da que está operando em uma altura mais baixa, evitando a intersecção dos cabos de ambos os equipamentos ou do cabo do guindaste mais alto com a lança do mais baixo”, diz ele. “Na eventualidade desse risco ser identificado, o sistema paralisa o giro da grua de forma controlada, já que movimentos abruptos poderiam transmitir esforços indesejados à torre, ocasionando o balanço da carga”, complementa Siqueira.

O executivo explica que uma série de sensores é instalada para monitorar os movimentos de giro e translação da grua, bem como o deslocamento do carrinho. Posteriormente, duas placas-mães, também instaladas no equipamento, condensam as informações relacionadas à velocidade de giro e às distâncias, propagando-as entre os demais guindastes de torre em operação no canteiro de obra. “Os sensores funcionam como computadores em rede. As informações são enviadas para uma primeira placa, que concentra e consolida esses dados para enviá-los a uma segunda placa, que retransmite as informações para os outros equipamentos”, diz ele. “As gruas se comunicam a uma taxa de duas a três vezes por segundo”, completa.

Módulos independentes
Segundo Siqueira, toda a troca de comunicação é realizada por sinais de rádio e o sistema trabalha simultaneamente com até 22 guindastes de torre, independentemente do modelo e ano de fabricação do equipamento. Ele ressalta que as obras lançam mão de ligações a cabo apenas em locais cujas gruas estejam expostas a forte interferência eletromagnética. Já a tecnologia GPS raramente é utilizada. “O custo é muito elevado e seus diferenciais ainda não justificam tal investimento.” O executivo ressalta que, embora pouco usual, o sistema pode ser instalado em pórticos, pontes rolantes e guindastes móveis sobre esteira.

O executivo esclarece ainda que o sistema Smie é comercializado em três módulos. O primeiro, denominado “Indicadores”, consiste em uma caixa acoplada à cabine da grua para detectar todas as informações pertinentes à operação. “Esse módulo funciona como a caixa preta de um avião, pois ele registra uma série de informações, como o peso da carga, a altura do gancho, o horímetro e outros, ou seja, todas as situações a que o equipamento está exposto na obra”, ele afirma. “Os dados são gravados em uma planilha Excel e poderão ser enviados para qualquer parte do mundo, auxiliando o trabalho do operador e do pessoal que executará as manutenções futuras.”

O segundo módulo, por sua vez, destina-se a situações em que apenas um guindaste esteja trabalhando na obra. Trata-se do “sobrevoo de áreas sensíveis”, que, de forma autoexplicativa, impede a operação do equipamento sobre zonas críticas e obstáculos fixos, tais como redes de alta tensão, ferrovias e vias públicas, entre outros. O terceiro módulo é o próprio sistema anti-colisão, utilizado apenas em operações que mobilizam simultaneamente mais de uma grua. “Os três módulos operam de forma independente entre si, mas o funcionamento do sistema anti-colisão está condicionado à instalação prévia dos outros dois módulos.”

Foco na produção
Além disso, a Smie oferece como opcional o sistema de monitoramento SGC 240. Por meio de um computador, instalado a uma distância de até 1 km do local onde a grua está trabalhando, o responsável pela obra tem a oportunidade de analisar todas as operações com o equipamento. “Esse sistema otimiza inclusive a produtividade, pois ele permite delimitar um período de atuação da grua para a análise das atividades executadas nesse intervalo.” Siqueira diz que o SGC 240 foi desenvolvido para monitorar o equipamento à distância, “o que satisfaz os anseios atuais das grandes empreiteiras”.

O sistema ainda possui uma ferramenta adicional, denominada “Cartografia”, que oferece duas informações relevantes ao se analisar um período pré-estabelecido. A primeira está relacionada à periodicidade de trabalho do gancho da grua em um mesmo local – de acordo com o projeto inicial. “O engenheiro de produção terá subsídios para visualizar a eventual concentração do equipamento num mesmo local fora do período previsto e poderá identificar os motivos para tal atraso”, diz Siqueira.

Em um segundo momento, a “Cartografia” fornece informações associadas ao movimento de giro da grua. O executivo da MaxxiGrua relata um caso emblemático: “tenho conhecimento de uma obra cujo equipamento sempre trabalhava no carregamento e descarregamento em um raio de 180º, que é o pior cenário para a operação de uma grua, caracterizada pela lentidão e baixa produtividade. Com esse sistema, entretanto, o responsável pela obra pode encurtar o giro do equipamento e, por meio de um melhor planejamento das tarefas, ele reduziu o prazo de execução da obra”, explica.

De acordo com Siqueira, o uso do sistema anti-colisão não dispensa a necessidade do operador do equipamento, já que seu objetivo não está voltado à automação da operação. “A responsabilidade desse profissional permanece imutável no processo de movimentação do equipamento”, afirma. “O sistema funciona como um parceiro dele durante as atividades rotineiras, disparando sinal de alerta diante de riscos de acidente, principalmente no que diz respeito ao campo de visão do operador, muitas vezes inexistente no que se refere a uma carga localizada na parte traseira da grua”, complementa.

Mercado potencial
No Brasil, a Norma Regulamentadora 18 (NR 18), que trata da segurança em canteiros de obras, não determina a obrigatoriedade de uso do sistema anti-colisão em guindastes de torre. Entretanto, Siqueira acredita que muitas empresas estão se conscientizando da utilidade – e necessidade – dessa ferramenta, que combina ganhos de segurança e de produtividade. Um exemplo disso é o investimento de 43.000 euros realizado pela Construtora Camargo Correa, que recentemente adquiriu o sistema para instalação em três gruas da marca Liebherr (modelos 130 EC-B FR.tronic), em operação na obra da Refinaria do Nordeste (Rnest), no Complexo Industrial de Suape (PE).

O sistema francês não é o único dispositivo para controle de colisão em operação com gruas existente no mundo. Mas o executivo da MaxxiGrua ressalta que ele é um dos mais respeitados do mercado, contando até mesmo com o aval de fabricantes como a Liebherr e Terex para instalação em seus equipamentos. “Nós utilizamos esse sistema em muitas de nossos guindastes de torre que trabalham em aeroportos, prédios residenciais e regiões portuárias, entre outras obras”, afirma a Terex em comunicado à imprensa.

Siqueira diz que auditores do Ministério do Trabalho visitaram a feira Bauma 2010, na Alemanha, para conhecer melhor o sistema e ficaram satisfeitos com o que viram. Apesar disso, ele nega uma movimentação para se normatizar a obrigatoriedade de uso desse dispositivo anti-colisão nas operações com gruas no Brasil. “Independentemente de qualquer mudança na legislação, nosso objetivo é oferecer esse adicional às empresas preocupadas com boas práticas de segurança.”

Segundo ele, a Smie possui um grande estoque de peças de reposição, além de uma extensa rede de serviços para o suporte aos clientes. “A manutenção desse sistema não é complexa, mas requer uma formação especializada dos profissionais que irão lidar com os reparos. Não basta ser um bom eletricista ou um técnico fora de série, é necessário um bom conhecimento sobre o produto.” O executivo ressalta ainda que, se utilizado de forma adequada, o sistema atinge uma vida útil superior a 10 anos. “Obviamente, por se tratar de um componente eletrônico, ele está sujeito a constantes evoluções, pois é suscetível a defasagens tecnológicas em curto espaço de tempo, como ocorre com toda a indústria de informática”, conclui o especialista.

 

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →