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M&T nº 151Outubro 2011 Matéria 13 de 21
Sumário
  1. EditorialGrandes tecnologias apoiam grandes iniciativas
  2. EnergiaTecnologias otimizam a construção de parques eólicos
  3. EnergiaObras avançam no maior parque eólico do Brasil
  4. EnergiaAlstom produz aerogeradores 25% mais rentáveis
  5. InfraestruturaUma corrida de R$ 1,5 trilhão
  6. Guindaste De TorreIndustrialização abre o caminho para as gruas
  7. Aços EspeciaisEquipamentos ganham força e leveza
  8. Aços EspeciaisBasculantes mais robustos ganham o mercado
  9. Eletro-HidráulicaInteligência e força bruta para os equipamentos
  10. CaminhõesMontadoras apostam nos pesados para 2012
  11. LançamentoKomatsu produzirá escavadeira híbrida no Brasil
  12. ManutençãoCuidados que mantêm a vida útil de polias e correias
  13. PerfilGoverno paulista amplia investimentos em infraestrutura
  14. Espaço AbertoContitech fabricará 300 km de correias transportadoras anualmente no Brasil
  15. Espaço AbertoSoftware da Continental seleciona os pneus de carga mais adequados
  16. Espaço AbertoMWM apresenta motor diesel com tecnologia EURO 6
  17. Espaço AbertoDynapac fabricará o rolo compactador CC424HF no Brasil
  18. Espaço AbertoRodofort anuncia novo semirreboque basculante
  19. Espaço AbertoRandon lança caçamba reforçada para caminhão off road
  20. Espaço AbertoTecnologia da Atlas Copco reaproveita energia dos compressores
  21. Espaço AbertoMichelin lança novo pneu rodoviário
  22. Painel13 notas e colunas
Perfil

Governo paulista amplia investimentos em infraestrutura

Exclusivo M&T 8 de dezembro de 2011 · Edição 151
Governo paulista amplia investimentos em infraestrutura

O Plano Plurianual do Governo de São Paulo prevê o aporte de R$ 118,6 bilhões em infraestrutura até 2015. Com isso, o Estado pretende assegurar a posição de liderança entre os estados brasileiros que mais investem no setor e, à frente da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, o engenheiro aeronáutico Emanuel Fernandes é um dos principais agentes do governo dedicado a essa missão. Nesta entrevista, ele traça um panorama dos investimentos previstos e em realização no Estado, com destaque para a duplicação da Rodovia dos Tamoios, que será o maior investimento de São Paulo na área rodoviária, e à idealização do Ferroanel, que acompanhará o traçado do Rodoanel com o transporte de cargas sobre trilhos. A intenção de ampliar de 2km ao ano para 8km/ano a construção de linhas de metro na capital paulista é outro destaque da entrevista. Acompanhe.

M&T – O Brasil atravessa um momento interessante no que diz respeito a obras de infraestrutura. Como o senhor avalia o avanço do Estado de São Paulo comparando com o restante do País, principalmente estados do Nordeste e o Rio de Janeiro que tiveram notória ascensão em termos de investimentos no setor?

Emanuel Fernandes – Nos últimos seis anos, São Paulo cresceu cerca de 0,5% acima do crescimento brasileiro,  alcançando níveis elevados de desenvolvimento econômico e social. Esse crescimento do Estado é equiparado ao dos países mais desenvolvidos da América Latina e mesmo a alguns europeus e asiáticos. Na minha opinião, temos hoje um cenário muito favorável do ponto de vista demográfico, econômico e social. Só para dar um exemplo, o Governo de São Paulo investiu em Pesquisa e Desenvolvimento em 2009 um total de R$ 4,2 bi, enquanto os demais Estados, em conjunto, despenderam menos de R$ 2 bi, de acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Para enfrentarmos os desafios, temos hoje uma sólida capacidade de investimento. Nos próximos quatro anos, a previsão é que o governo paulista tenha a capacidade de investir R$ 118,6 bilhões em obras e ações para melhoria da qualidade de vida dos paulistas. Serão R$ 85,2 bilhões oriundos dos recursos orçamentários e outros R$ 33,4 bilhões de recursos extras com a implementação de PPPs (Parceria Público-Privadas), além de investimentos provenientes das empresas estatais.

M&T – Na malha ferroviária, o País ficou um bom tempo sem realizar investimentos significativos. Como o senhor avalia esse modal de transporte e quais investimentos o governo paulista realiza para eles?

Emanuel Fernandes – Concordo com essa estagnação. Em São Paulo, o Governo do Estado, junto com o Governo Federal, elabora estudo para construção de 211 km de trilhos no Ferroanel. Tratam-se de vias paralelas ao traçado do Rodoanel. Serão destinados R$ 3,65 bilhões para implantação dos tramos Norte e Sul, que ligarão a região Metropolitana de Campinas à Baixada Santista e atenderão também 39 municípios da região metropolitana de São Paulo. O objetivo do Ferroanel, cujo estudo ficará pronto em julho/2012, é promover a intermodalidade no transporte de cargas no Estado e, com isso, reduzir custos logísticos. Outro benefício é a redução no congestionamento rodoviário nos acessos à região metropolitana. No âmbito do governo de São Paulo temos realizado investimentos no metrô e em trens metropolitanos. Nosso objetivo é tornar a oferta compatível com o potencial de demanda e atingir um padrão de excelência de serviço. Com a modernização e ampliação da rede ferroviária, o intervalo médio entre os trens também será reduzido. Pretende-se ainda o aprofundamento dos estudos de três serviços de trens regionais: São Paulo/Santos, São Paulo/Sorocaba e São Paulo/Jundiaí. Isso permitirá o reordenamento da matriz de transporte entre as regiões metropolitanas e aglomerados urbanos do Estado. O tempo médio de viagens ficará em torno de 40 minutos entre São Paulo-Santos e São Paulo-Sorocaba e 25 minutos entre São Paulo e Jundiaí. Além disso, a construção do Ferroanel visa evitar o transporte ferroviário de carga que passa pela Região Metropolitana, eliminando o conflito com o intenso tráfego de passageiros da CPTM. Em conjunto com o Rodoanel, vamos melhorar sensivelmente a mobilidade urbana.

M&T – O senhor falou sobre investimentos em trens metropolitanos e metrô... Pode dar mais detalhes?

Emanuel Fernandes – Sim: nos últimos 30 anos, São Paulo construiu 2 km de linhas de metrô por ano. A partir de 2011, a nossa meta é entregar 8 km por ano, de modo que a cidade partirá de 70 para 102 km de linhas de metrô até 2015. Junto com a modernização e ampliação das linhas da CPTM, os investimentos na pasta de transporte ferroviário do Estado devem consumir cerca de R$ 30 bilhões, além de outros R$ 15 bilhões a serem captados via Parcerias Público-Privadas.

M&T – E na área de rodovias, quais investimentos o Estado deverá realizar nos próximos anos?

Emanuel Fernandes – Além do Rodoanel, a duplicação da Rodovia dos Tamoios, que liga São José dos Campos ao Litoral Norte, será a principal obra rodoviária da atual gestão. Os investimentos em parceria com a iniciativa privada serão da ordem de R$ 4 bilhões. Vamos também continuar dando ênfase à recuperação e manutenção das estradas vicinais e a manutenção das rodovias de São Paulo. Para o orçamento de 2012, por exemplo, os investimentos nas rodovias administradas pelo DER alcançam R$ 2 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão para a duplicação, implantação e obras conveniadas na malha rodoviária e R$ 873 milhões para a recuperação das estradas estaduais.

M&T – Aliás, como o senhor avalia o modal rodoviário do Estado hoje em dia, levando em conta, inclusive, a capital, com o excesso notório de veículos?

Emanuel Fernandes – Nosso principal gargalo, sem dúvida, é a região metropolitana de São Paulo, onde o desafio passa por uma questão de planejamento urbano. A Zona Leste é um exemplo: com população de 4 milhões de habitantes (é praticamente o país do Uruguai dentro de São Paulo) temos todo dia um ‘Uruguai vindo e voltando do centro da cidade’. Não há via que suporte. Para isso, estamos investindo na implantação de empresas mais próximas dos moradores, evitando os longos trajetos percorridos até o local de trabalho e, assim, aliviando o tráfego da cidade. Iniciativas como essas, alinhadas com a ampliação e modernização do metrô e das linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), devem gerar notória melhoria para o sistema de transporte da Região Metropolitana.

M&T – Na área portuária, quais investimentos têm sido/serão realizados e o que eles representam em termos logísticos para São Paulo e para o Brasil?

Emanuel Fernandes – Para os próximos quatro anos temos a previsão de investir R$ 1,1 bilhão na gestão da logística hidroviária. Somente no Porto de São Sebastião, pretendemos investir R$ 614 milhões em obras como a pavimentação e recuperação de pátios e cais, serviços de terraplenagem e limpeza, instalação de defensas, elaboração de programas ambientais e projeto para um novo cais e uma marina pública. A ampliação e modernização do porto será combinada com as obras de duplicação da Rodovia dos Tamoios. Modernizaremos, também, a hidrovia Tietê-Paraná junto com o Governo Federal.

M&T – Alguns especialistas apoiaram a iniciativa do leilão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN) como uma alternativa para o gargalo aeroportuário do Brasil. Nos aeroportos de São Paulo, estuda-se algo do gênero?

Emanuel Fernandes – Essa possibilidade não está sendo discutida.

 

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