A construção do futuro — Revista M&T
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M&T nº 246Agosto 2020 Matéria 15 de 15
Sumário
  1. EditorialMelhor do que se poderia esperar
  2. GuindastesHorizonte indefinido
  3. Pás CarregadeirasEvolução no perfil
  4. CenárioMercado em transformação
  5. Especial InfraestruturaA urgência no saneamento
  6. MineraçãoO fim das barragens de rejeitos
  7. FabricanteCombinação de portfólios
  8. AgronegócioA inclusão digital no campo
  9. EmpresaAntecipando tendências
  10. SustentabilidadeAgentes de transformação
  11. EmpresaApoio aos negócios
  12. A Era Das MáquinasImplementos facilitam a escavação
  13. ManutençãoA volta da corrente contínua
  14. EntrevistaDawei He
  15. Coluna Do YoshioA construção do futuro
  16. Painel15 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

A construção do futuro

Entre míopes laborais e hipermétropes funcionais, falta a conexão entre o agora e o futuro. Esta conexão é o que traduz as visões em realidade, transformando ideias em fatos concretos

Exclusivo M&T 11 de agosto de 2020 · Edição 246

Quando o assunto são as faculdades anatômicas humanas, certamente muitos considerarão que a visão é o mais importante dos nossos sentidos. A despeito da adaptabilidade de muitos deficientes visuais, é evidente que sem esta faculdade as atividades mais corriqueiras da vida humana tornam-se muito mais complicadas.

Em um estágio intermediário entre a visão humana perfeita e a mais completa escuridão existem outras formas de limitações que também comprometem nossa capacidade de discernir os fatos e as coisas desta vida. Em oftalmologia, as disfunções mais comuns incluem a miopia e a hipermetropia. Muitos convivem cotidianamente com estas dificuldades, que são corrigidas pelas lentes e óculos adotadas como solução paliativa.

Mas já há soluções mais modernas – e eficazes – para estas distorções, incluindo cirurgias e transplantes.

Todavia, para além do caráter biológico, a visão turva também tem um aspecto filosófico, que passa pela metáfora. Quando pensamos no atual governo brasileiro, por exemplo, uma das situações tragicômicas – talvez mais trágica do que cômica, ao gosto do freguês – repousa sobre a má impressão que nos causam alguns dos políticos mais influentes da atualidade.

Em muitas ocasiões, o nosso governo parece míope, com total incapacidade de enxergar muito além do próprio nariz. Só os fatos mais corriqueiros e imediatos conseguem participar de seu universo de atuação, como se todo o resto não existisse. São ocasiões em que ficamos a imaginar se é para isso que elegemos alguém. Afinal, não deveriam as esferas do poder tratar de coisas mais sérias ou urgentes?

Outros, porém, parecem sofrer de hipermetropia. Enxergam tão-somente o “ponto futuro” que querem alcançar. Assim, são incapazes de perceber o que deveriam fazer hoje para alcançar o porvir sonhado. Perdem-se ao redor de seus próprios pés na incapacidade de definir o próximo passo, enquanto discorrem sobre o grande cenário futuro, ou o seu “Big Picture”.

E o mesmo ocorre nas empresas, tanto quanto no governo e nas esferas políticas. Algumas figuras são excepcionais para desenhar uma visão grandiosa do futuro e traçar objetivos para a organização. Outros são excepcionais unicamente em solucionar as questões operacionais e táticas. Entre tais míopes laborais e hipermétropes funcionais, falta uma conexão entre o agora e o futuro. Esta conexão é o que traduz as visões em realidade, transformando ideias em fatos concretos.

Tal visão conectora é a estratégia que transforma a ideia projetada em ações, estabelecendo um caminho para que as organizações e países possam prosperar. Justamente o que mais nos falta hoje – no governo, na sociedade e nas organizações – para encontrarmos o caminho da construção do futuro.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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