ABRIR
FECHAR
ABRIR
FECHAR
12 de outubro de 2021
Voltar

Indústria da construção vive incertezas na Europa

Em artigo, entidade alemã analisa a situação do setor de equipamentos e materiais em relação a produção, logística, vendas e tecnologia
Fonte: VDMA

O cenário poderia ser melhor, pois a entrada de pedidos está em alta. Mas os atrasos na cadeia de fornecimento, bem como a falta de matérias-primas e o aumento dos preços dos materiais estão criando dificuldades nas entregas e incertezas no planejamento das empresas europeias do setor da construção.

Até o momento, a indústria não é capaz de compensar as perdas sofridas a partir de 2020 e, nesse quadro, tarefas adicionais relacionadas às metas climáticas trazem ainda mais pressão e requerem maior apoio político ao setor.

De janeiro a agosto deste ano, as vendas de máquinas de construção fabricadas na Alemanha, por exemplo, registraram avanço de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado. Se a tendência se mantiver até o final do ano, a indústria se aproximará do resultado obtido em 2019.

Isso mostra que a indústria já se recuperou do choque da pandemia. Todavia, os fabricantes seguem preocupados com problemas no fornecimento de alguns componentes, como semicondutores. "Isso não depende de nós”, acentua Joachim Strobel, subdiretor da VDMA Construction. "Poderíamos entregar [as máquinas], se as condições assim o permitissem."

No momento, a demanda por semicondutores é...


O cenário poderia ser melhor, pois a entrada de pedidos está em alta. Mas os atrasos na cadeia de fornecimento, bem como a falta de matérias-primas e o aumento dos preços dos materiais estão criando dificuldades nas entregas e incertezas no planejamento das empresas europeias do setor da construção.

Até o momento, a indústria não é capaz de compensar as perdas sofridas a partir de 2020 e, nesse quadro, tarefas adicionais relacionadas às metas climáticas trazem ainda mais pressão e requerem maior apoio político ao setor.

De janeiro a agosto deste ano, as vendas de máquinas de construção fabricadas na Alemanha, por exemplo, registraram avanço de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado. Se a tendência se mantiver até o final do ano, a indústria se aproximará do resultado obtido em 2019.

Isso mostra que a indústria já se recuperou do choque da pandemia. Todavia, os fabricantes seguem preocupados com problemas no fornecimento de alguns componentes, como semicondutores. "Isso não depende de nós”, acentua Joachim Strobel, subdiretor da VDMA Construction. "Poderíamos entregar [as máquinas], se as condições assim o permitissem."

No momento, a demanda por semicondutores é enorme. Grandes empresas da indústria eletrônica e automotiva terão prioridade, se é que serão atendidas. Nesse quadro, a indústria de engenharia mecânica, dominada principalmente por empresas de médio porte, está ficando para trás. "A contínua escassez de trabalhadores qualificados agrava a situação", completa Strobel.

Mas não são apenas as questões econômicas que estão mobilizando os fabricantes. As exigências legais em relação às metas climáticas também apresentam desafios adicionais. Por isso, a indústria está solicitando à classe política que se mantenha aberta à tecnologia.

"Não é possível que, no curso das novas diretrizes sobre emissões, sejamos vistos como danos colaterais em uma eventual proibição dos motores de combustão interna”, ressalta Franz-Josef Paus, presidente da VDMA, entidade que representa cerca de 3.300 empresas alemãs e europeias do setor.

"Movido por combustíveis sintéticos, o motor diesel para máquinas de construção é um modelo ecológico que ainda pode provar seu valor. Afinal, conceitos alternativos de acionamento exigem uma infraestrutura que dificilmente será viável na maioria das áreas de aplicação", ele ressalta.

Materiais – Mesmo posicionado de forma mais heterogênea e com planejamento de longo prazo, o setor de materiais para construção também está lutando com dificuldades similares na cadeia de fornecimento.

Ao mesmo tempo em que as carteiras de pedidos estão reagindo, a pressão dos custos é particularmente alta no setor. A longa duração dos projetos, com preços incontroláveis de matéria-prima, torna difícil qualquer estabilidade orçamentária.

A liberação de CO2 no processo de fabricação de materiais de construção é outro problema que precisa ser enfrentado. Novos processos já estão disponíveis, mas as condições para sua adoção ainda não existem. O princípio de abertura tecnológica deve ser aplicado também neste segmento, assim como em todas as demais áreas.

Para a VDMA, a chave para a inovação é a concorrência aberta. "Estamos sempre dispostos a debater com os agentes que têm responsabilidade política sobre os pré-requisitos técnicos", diz Georg Baber, presidente da divisão de cimento, cal e gesso da VDMA. "Como atender melhor aos critérios de sustentabilidade é uma pergunta que nos acompanhará no futuro. Mas, ao fazer isso, devemos ter sempre em mente o quadro geral", afirma.

Um exemplo disso é a captura de dióxido de carbono na indústria do cimento. "A neutralidade climática exige o uso generalizado de novas tecnologias nos processos, como a captura ou o armazenamento de carbono. De modo que o novo governo alemão deve criar rapidamente as infraestruturas necessárias para ajudar no avanço dessas futuras tecnologias", frisa Christoph Reißfelder, líder da área de relações com investidores e comunicação corporativa da HeidelbergCement.